De onde vem a matéria que enche os grãos e determina a produtividade?
Separar o comportamento fisiológico das cinco culturas quanto a luz, água e carbono.
Justificar diferenças de resposta ao estresse hídrico e térmico entre as culturas.
Localizar o fator fisiológico que limita a produtividade de uma lavoura.
A planta já está montada. Falta entender o que ela faz com luz, água e carbono.
A fisiologia que converte recurso ambiental em grão — o motor do potencial produtivo.
Crescer é aumentar de tamanho; desenvolver-se é mudar de função. A produtividade depende dos dois.
Área foliar, comprimento de colmo e matéria seca acumulada em gramas.
A virada do meristema vegetativo para reprodutivo é invisível e fixa o teto de grãos.
Diferenciação celular que produz tecidos e órgãos com funções distintas ao longo da ontogenia. Nos cereais, inclui a transição irreversível do meristema apical de vegetativo, produtor de folhas, para reprodutivo, produtor de espiga ou panícula.
Multiplica o número de células e sustenta o crescimento.
Expande a célula por entrada de água e deposição de parede.
Diferencia tecidos e órgãos, incluindo a inflorescência.
Sob déficit hídrico a planta segue dividindo células no meristema, mas o alongamento depende de turgor e é o primeiro a parar.
A mesma enzima que fixa o carbono também o desperdiça; a via C4 evoluiu para impedir esse desperdício.
Única enzima capaz de montar o açúcar, e também a que abre o vazamento.
Inicia o Ciclo de Calvin e produz açúcar para a planta.
Dispara a fotorrespiração, que gasta energia e devolve carbono já fixado.
Predomina quando o CO2 interno está alto e a temperatura é amena.
No arroz consome de 20% a 40% do carbono fixado, energia que nunca chega ao grão.
| Condição | O que acontece na folha | Efeito |
|---|---|---|
| Temperatura alta | RuBisCO perde afinidade pelo CO2 | Favorece a oxigenação |
| Estômato fechado | Entra menos CO2 e acumula O2 | Intensifica a fotorrespiração |
| Alta irradiância | Mais energia com pouco substrato | Amplia a perda de carbono |
Mesofilo e bainha do feixe dividem o trabalho em duas células.
Alta afinidade pelo CO2 e nenhuma reação com o oxigênio.
Bombear carbono gasta energia que a planta C3 não gasta.
| Parâmetro | Plantas C3 | Plantas C4 |
|---|---|---|
| Primeiro composto estável | Ácido de 3 carbonos | Ácido de 4 carbonos |
| Enzima de captura | RuBisCO | PEP-carboxilase e RuBisCO |
| Anatomia foliar | Mesofilo uniforme | Anatomia Kranz |
| Fotorrespiração | Alta | Praticamente suprimida |
| Ponto de compensação de CO2 | 30 a 70 ppm | 5 a 10 ppm |
| Eficiência do uso da radiação | 1,0 a 2,0 g/MJ | 3,0 a 4,0 g/MJ |
| Cultura | Via | Consequência fisiológica dominante |
|---|---|---|
| Trigo | C3 | Fotorrespiração alta no calor, exige altitude no Cerrado |
| Arroz | C3 | Perde de 20% a 40% do carbono e depende de água farta |
| Milho | C4 | Maior teto de rendimento entre os cinco cereais |
| Sorgo | C4 | Alta eficiência somada a economia de água |
| Milheto | C4 | Fixa carbono sob calor e baixa fertilidade |
Sob temperatura amena e radiação baixa, o ATP extra da bomba de carbono não compensa, e a planta C3 pode ser tão eficiente quanto a C4.
| Tipo de gasto | Função | Quando se torna problema |
|---|---|---|
| Respiração de crescimento | Constrói folhas, raízes e grão | Produtiva, converte açúcar em estrutura |
| Respiração de manutenção | Mantém as células vivas | Cresce com a temperatura e drena reservas |
Regime ideal para o milho, com fotossíntese alta de dia e baixa queima à noite.
A planta gasta como substrato os açúcares que fixou durante o dia e perde rendimento.
A mesma via C4 que suprime a fotorrespiração produz mais matéria seca por litro de água transpirado.
| Espécie | Água por kg de matéria seca (kg) |
|---|---|
| Sorgo | 271 |
| Milho | 372 |
| Trigo | 505 |
| Aveia | 635 |
| Alfafa | 858 |
Sistema fibroso com o dobro das raízes secundárias do milho.
Flexibilizam a parede celular e retardam a desidratação da folha.
Reduz o metabolismo e recupera quando o estresse cessa.
| Cultura | Mecanismo dominante |
|---|---|
| Sorgo | Raiz fibrosa profunda, expansinas e murcha reversível |
| Milheto | Raízes além de 2 m, folhas pubescentes e via C4 eficiente |
| Milho | Boa conversão em matéria seca, mas raiz concentrada nos primeiros 30 cm |
| Trigo | C3 sensível, escapa do déficit por ajuste de ciclo |
| Arroz | Enrolamento foliar por células buliformes e raiz até 140 cm |
A planta evita o estresse alcançando água que as outras não alcançam ou fugindo no tempo.
A planta convive com o estresse, preserva a integridade celular e retoma quando chove.
Nas cinco culturas o florescimento é o período mais sensível ao déficit hídrico, porque é nele que se define o número de grãos.
O grão não é limitado pela produção de açúcar, mas pela capacidade de recebê-lo e armazená-lo.
Folha madura que produz mais fotoassimilados do que consome.
Grão em enchimento, raiz e folha jovem que recebem o excedente.
Estoca o excedente antes da antese e devolve ao grão depois dela.
| Cultura | Índice de colheita | Leitura |
|---|---|---|
| Milho | 0,45-0,55 | Dreno bem definido, uma a duas espigas |
| Arroz | 0,45-0,55 | Cultivares semianãs investem no grão |
| Trigo | 0,40-0,50 | Ganho histórico veio do número de grãos |
| Sorgo | 0,35-0,45 | Parte da biomassa permanece no colmo |
| Milheto | 0,20-0,35 | Partição privilegia a palhada sobre o grão |
O carbono não é produzido em quantidade suficiente e o grão fica leve ou chocho.
No milho e no trigo modernos, o número de grãos costuma limitar antes da fonte.
O peso do grão resulta de três variáveis: o ritmo do enchimento, sua duração e a capacidade do dreno.
| Subfase | Processo | Estado do grão |
|---|---|---|
| Fase lag | Divisão celular define a capacidade | Aquoso |
| Fase linear | Maior ganho de peso, 15 a 25 dias | Leitoso a pastoso |
| Dessecação | Perda de água e endurecimento | Próximo da maturidade fisiológica |
Taxa de deposição de matéria seca durante a fase linear.
Duração da fase linear até a maturidade fisiológica.
Número de células do endosperma definido na fase lag.
| Cultura | Momento de definição | Componente correlacionado |
|---|---|---|
| Milho | Na floração, por estilo-estigma polinizado | Grãos por espiga |
| Trigo | Do alongamento do colmo até a antese | Grãos por metro quadrado |
| Arroz | Perfilhamento, diferenciação e antese | Espiguetas férteis por panícula |
| Sorgo | Diferenciação da panícula, com compensação | Grãos por panícula |
| Milheto | Cedo, antes mesmo da antese | Grãos por panícula e estande |
Sem ampliar a fonte, o mesmo carbono é redistribuído em porções menores.
A correlação negativa entre número e peso aparece no trigo e no arroz.
A camada preta encerra o ganho de peso; o dry down decide quando a colheita pode começar.
Momento de máximo acúmulo de matéria seca no grão, quando cessa a importação de assimilados e se rompe a conexão vascular com a planta. A partir dele o grão não ganha mais peso, apenas perde água. É também o ponto de máximo vigor da semente.
| Cultura | Umidade na maturidade (%) | Umidade de colheita (%) |
|---|---|---|
| Trigo | 35-40 | 13-15 |
| Arroz | 25-30 | 18-22 |
| Milho | 30-35 | 14-18 |
| Sorgo | 28-30 | 14-18 |
| Milheto | 28-35 | 13-15 |
Forma-se na inserção do grão e marca o fim do acúmulo de matéria seca.
Máximo peso de matéria seca e máximo vigor da semente.
Perda física de água na planta até a umidade de colheita.
Mais tempo de fonte ativa alimentando o grão e planta em pé até a colheita.
Permanecer verde retarda a perda de umidade do grão, e o produtor precisa equilibrar os dois lados.
| Cultura | Eficiência do uso da água | Gargalo característico |
|---|---|---|
| Trigo | Baixa | Fotorrespiração no calor |
| Arroz | Baixa | Fotorrespiração e dependência hídrica |
| Milho | Média | Raiz superficial e dreno concentrado na floração |
| Sorgo | Muito alta | Poucos gargalos, alta estabilidade |
| Milheto | Muito alta | Baixa partição da biomassa para o grão |
| Referência | O que sustenta |
|---|---|
| Aldrich · uso da água | Litros de água por quilo de matéria seca |
| Fisiologia C3 e C4 | RuBisCO, fotorrespiração e bomba de CO₂ |
| Estudos de fonte e dreno | Remobilização do colmo para o grão |
| Escala de Ritchie, Hanway e Benson | Estádios R e a camada preta |
| Literatura de stay green | Senescência retardada e dry down |
| Ensaios de enchimento em arroz | Subfases aquoso, leitoso e pastoso |
De onde vem a matéria que enche os grãos e determina a produtividade?
A conversão passa por três filtros em série: a via fotossintética, que decide quanto carbono se fixa por unidade de luz e de água; a partição entre fonte e dreno, que decide quanto desse carbono chega ao grão; e a duração do enchimento, que decide por quanto tempo isso acontece. Cada cultura tem um desses filtros como gargalo característico.