Como as plantas absorvem, transportam e utilizam os nutrientes?
Confrontar a absorção de macro e micronutrientes entre as cinco culturas.
Ler análise de solo e sintomas visuais para achar o nutriente limitante.
Antecipar riscos nutricionais próprios de cada cultura e sistema.
A lavoura está implantada. Agora ela precisa encontrar nutriente disponível no perfil.
A nutrição é o segundo filtro da expressão: sem ela, o estande correto não vira produtividade.
O nutriente precisa encontrar a raiz antes de ser absorvido, e isso ocorre por três caminhos.
A raiz cresce e encontra o íon no seu caminho pelo perfil.
O íon é arrastado até a raiz junto com a água da transpiração.
O íon caminha por gradiente até a zona empobrecida junto à raiz.
| Nutriente | Forma absorvida | Mecanismo dominante |
|---|---|---|
| Nitrogênio | Nitrato e amônio | Fluxo de massa |
| Fósforo | Fosfato diácido e fosfato ácido | Difusão |
| Potássio | Cátion monovalente | Difusão |
| Cálcio | Cátion bivalente | Fluxo de massa |
| Magnésio | Cátion bivalente | Fluxo de massa |
| Enxofre | Sulfato | Fluxo de massa |
Nutriente de difusão depende de a raiz explorar volume de solo; nutriente de fluxo de massa depende da transpiração, e um veranico corta o fornecimento mesmo com o nutriente presente.
| Nutriente | No solo | Na planta | Função central |
|---|---|---|---|
| N | Móvel, lixivia | Móvel | Aminoácidos, proteínas e ácidos nucleicos |
| P | Imóvel, fixado | Móvel | Açúcares-fosfato, ATP e fosfolipídios |
| K | Pouco móvel | Móvel | Cofator de enzimas, turgor e eletroneutralidade |
| Ca | Pouco móvel | Imóvel | Lamela média e mensageiro secundário |
| Mg | Pouco móvel | Móvel | Átomo central da clorofila |
| S | Móvel | Pouco móvel | Cisteína, metionina e coenzima A |
Fixado pelos óxidos de ferro e alumínio da argila, mas remobilizado das folhas velhas.
Depois de depositado na lamela média não sai, e o crescimento novo depende de suprimento contínuo.
| Micronutriente | Forma absorvida | Mobilidade na planta | Função central |
|---|---|---|---|
| Boro | Borato e tetraborato | Imóvel | Paredes celulares e elongação |
| Cobre | Cátion mono e bivalente | Pouco móvel | Citocromo oxidase e plastocianina |
| Ferro | Cátion bi e trivalente | Pouco móvel | Proteínas da fotossíntese e respiração |
| Manganês | Cátion bivalente | Pouco móvel | Desidrogenases e oxidases |
| Molibdênio | Molibdato | Móvel | Nitrato redutase e nitrogenase |
| Zinco | Cátion bivalente | Pouco móvel | Anidrase carbônica e desidrogenases |
A planta não completa o ciclo na ausência do elemento.
Atua diretamente em uma função bioquímica ou estrutural.
A função não pode ser cumprida por outro elemento.
Elemento que não é essencial, ou seja, a planta completa o ciclo sem ele, mas que melhora o crescimento, a produtividade ou a tolerância a estresses quando disponível. O silício é o exemplo clássico para as gramíneas.
| Teor elevado de | Reduz a absorção de |
|---|---|
| Magnésio | Potássio, e o inverso também ocorre |
| Potássio | Cálcio |
| Cálcio | Cobre |
| Zinco | Cobre, e o inverso também ocorre |
| Ferro | Manganês |
| Fosfato | Zinco, cobre e manganês |
A demanda não é constante no ciclo, e cada cereal a distribui de um jeito.
A absorção precoce é desproporcional à massa seca já acumulada pela planta.
Deficiência que aparece em estádio avançado não é totalmente reversível por aplicação corretiva.
| Indicador | Trigo | Arroz | Milho | Sorgo | Milheto |
|---|---|---|---|---|---|
| Metabolismo | C3 | C3 | C4 | C4 | C4 |
| V% ideal | 50-60 | 50 (tolera 40) | 50-60 | 50-60 | 50 |
| Relação C/N | 40:1-80:1 | 50:1-60:1 | 30:1-60:1 | 20:1-50:1 | 20:1-40:1 (até 60:1 na maturação) |
| Ciclagem | Médio | Médio | Alto | Alto | Muito alto |
Maior demanda por tonelada e sensível a solo distrófico não corrigido.
Tolera saturação mais baixa e é o maior acumulador de silício, na casca.
Extrai e devolve na palhada, com relação C/N que imobiliza nitrogênio.
Cada cereal demanda os nutrientes em uma ordem e numa quantidade próprias, não num padrão único.
| Nutriente (kg/t) | Arroz | Milho | Sorgo | Trigo |
|---|---|---|---|---|
| N | 15,0 | 12,4 | 17,9 | 22,5 |
| P | 3,5 | 1,8 | 2,1 | 3,8 |
| K | 6,0 | 2,9 | 2,9 | 4,8 |
| Ca | 1,5 | 0,03 | 0,16 | 1,1 |
| Mg | 0,6 | 0,8 | 1,2 | 2,7 |
| S | 1,0 | 0,8 | 0,9 | 1,6 |
Extração é todo o nutriente que a planta acumula no ciclo; exportação é apenas o que sai no grão. O restante fica na palhada e retorna pela ciclagem.
| Nutriente (kg/t) | Arroz | Milho | Trigo |
|---|---|---|---|
| N | 30,0 | 22,8 | 35,0 |
| P | 5,0 | 2,4 | 5,8 |
| K | 30,0 | 13,6 | 18,3 |
| Ca | 6,0 | 5,2 | 11,7 |
| Mg | 2,5 | 3,3 | 8,3 |
| S | 4,0 | 1,8 | 4,5 |
Lidera pelo potássio e extrai magnésio em quantidade três vezes maior que o arroz.
É o que mais extrai nitrogênio e o que menos extrai potássio entre os três comparados.
| Cultura | Ordem dos macronutrientes | Mais extraído |
|---|---|---|
| Arroz | N e K, depois Ca, P, S e Mg | Potássio |
| Milho | K, N, Mg, Ca, P e S | Potássio |
| Sorgo | N e K, depois Ca, Mg e P | Nitrogênio e potássio |
| Trigo | N, K, Ca, Mg, P e S | Nitrogênio |
| Milheto | Acúmulo grande e rápido, com N e K dominantes | Nitrogênio e potássio |
No arroz de terras altas o potássio é o nutriente mais absorvido, mas é a deficiência de nitrogênio que mais reduz o rendimento.
Nutriente móvel na planta é reaproveitado; imóvel fica onde chegou e falta no crescimento novo.
| Nutriente | Translocado para o grão |
|---|---|
| Fósforo | 77% a 86% do absorvido |
| Nitrogênio | 70% a 77% do absorvido |
| Enxofre | 60% do absorvido |
| Magnésio | 47% a 69% do absorvido |
| Potássio | 26% a 43% do absorvido |
| Cálcio | 3% a 7% do absorvido |
Nitrogênio e fósforo migram das folhas velhas para o grão em enchimento.
Cálcio e potássio quase não migram e retornam ao solo pela ciclagem.
Folha baixeira amarela no enchimento pode ser remobilização, não patógeno.
Potássio e cálcio ficam nos restos culturais e voltam ao solo entre safras.
Remove o potássio e o cálcio que estariam reciclando, e exige reposição maior.
Compõe ATP, açúcares-fosfato e fosfolipídios das membranas.
Átomo central da clorofila e ativador de enzimas de fosfato.
Não é assimilado a estrutura orgânica, atua como cofator e no turgor.
A mobilidade na planta prevê onde o sintoma aparece, e o excesso também deixa marca.
São redistribuídos das folhas velhas para as novas, e o sintoma começa embaixo.
Não podem ser redistribuídos, e o sintoma aparece nas folhas novas e nos meristemas.
| Nutriente | Deficiência | Excesso |
|---|---|---|
| N | Amarelecimento das folhas velhas e menor crescimento | Parte aérea exagerada, favorece o acamamento |
| P | Menos folhas e menor expansão, verde mais escuro | Pintas vermelho-escuras nas folhas velhas |
| K | Clorose e necrose de folhas e colmos velhos | Pintas necróticas nas folhas velhas |
| Ca | Morte dos pontos de crescimento | Induz deficiência de magnésio ou potássio |
| Mg | Clorose e necrose das folhas velhas | Induz deficiência de potássio ou cálcio |
| S | Plantas cloróticas, espigadas e de pouco crescimento | Clorose internerval em algumas espécies |
Encurtamento e faixas cloróticas, a conhecida gema branca do milho.
Clorose entre as nervuras nas folhas em formação.
Morte da gema terminal e comprometimento da formação do grão.
A planta drena as folhas velhas para sustentar o crescimento novo.
Aplicar nitrogênio onde falta enxofre não gera resposta, e o local do sintoma resolve o diagnóstico.
Forma neutra da solução do solo, transportada pelo xilema.
Deposita-se nas paredes celulares como corpos silicosos.
Maior acumulador entre os cereais, o que explica a casca rica em sílica.
A análise de solo traduz a disponibilidade em índices, e a ordem de leitura decide o diagnóstico.
| Classe | Critério de argila |
|---|---|
| Arenosa | Argila de 10% a menos de 15%, ou de 15% a 35% com delta igual ou maior que 50% |
| Média | Argila de 15% a 35% com delta abaixo de 50% |
| Argilosa | Argila igual ou acima de 35% |
| Muito argilosa | Argila acima de 60% (Sousa e Lobato, 2004; não consta da IN) |
Concentração de hidrogênio livre, medida pelo pH.
Alumínio e hidrogênio adsorvidos, sendo o alumínio o que intoxica.
Hidrogênio mais alumínio que se manifestaria ao elevar o pH a 7,0.
| Parâmetro | Valor | Leitura |
|---|---|---|
| Argila | 37,1% | Textura argilosa, comanda as demais tabelas |
| pH em cloreto de cálcio | 4,7 | Acidez média |
| Fósforo Mehlich-1 | 9,5 mg/dm³ | Adequado para a faixa de argila |
| Alumínio trocável | 0,13 cmolc/dm³ | Muito baixo, sem toxidez |
| CTC a pH 7 | 6,0352 cmolc/dm³ | Baixa, argila de baixa atividade |
No Cerrado o distrófico é a regra, e o TH-07 fica em 39,52%.
O TH-07 é distrófico e não álico: pobre em bases, mas sem alumínio para envenenar a raiz.
| Erro | Consequência |
|---|---|
| Interpretar fósforo sem citar o extrator | Mehlich-1 e resina têm faixas diferentes |
| Ler o potássio antes de calcular a CTC | A tabela de K depende da capacidade de troca |
| Somar potássio em mg com cálcio em cmolc | A soma de bases vira ficção |
| Interpretar matéria orgânica sem a textura | Régua errada, teor adequado lido como baixo |
| Repor um nutriente sem olhar o antagonista | Repor zinco sem revisar a dose de fósforo não resolve |
| Referência | O que sustenta |
|---|---|
| IN SPA/MAPA 2/2021 | Classes texturais operacionais |
| Boletim 100 · IAC | Interpretação de índices de fertilidade |
| Malavolta · nutrição mineral | Mobilidade, função e diagnose visual |
| Curvas de absorção da Embrapa | Demanda ao longo do ciclo por cultura |
| Estudos de extração e exportação | Quilos por tonelada de grão produzida |
| Literatura de silício em gramíneas | Elemento benéfico e efeitos agronômicos |
Como as plantas absorvem, transportam e utilizam os nutrientes?
A fertilidade condiciona a produtividade em três níveis: o químico, pela disponibilidade de cada nutriente na solução; o físico, porque a raiz precisa alcançar o volume de solo onde eles estão; e o temporal, porque a oferta precisa coincidir com a janela de demanda de cada cultura. Um laudo alto não garante nada se a raiz estiver barrada ou se a oferta chegar fora da janela.