Por que nem toda adubação resulta em aumento de produtividade?
Definir semeadura e cobertura das cinco culturas a partir do laudo e da expectativa.
Justificar dose, fonte e época, incluindo a mitigação de perdas por volatilização.
Integrar calagem, gessagem e adubação para sustentar altas produtividades.
Constrói a casa onde a raiz vai morar, e define a profundidade que ela consegue explorar.
Mobília a casa, e só rende quando o ambiente químico já permite que a planta responda.
A planta responde ao fator mais limitante, não ao nutriente aplicado. Nitrogênio em solo ácido de alumínio tóxico é combustível com o freio de mão puxado.
O carbonato consome o hidrogênio livre da solução e o pH sobe.
Com o pH em alta, o alumínio precipita como hidróxido e deixa de intoxicar.
O calcário também é adubo, e o dolomítico repõe magnésio.
| Tipo | O que é | Onde está |
|---|---|---|
| Ativa | Hidrogênio livre | Solução do solo, lida pelo pHmetro |
| Trocável | Alumínio e hidrogênio adsorvidos | Sítios de troca, é a que intoxica a raiz |
| Não trocável | Hidrogênio em ligação covalente | Matéria orgânica e minerais, libera devagar |
| Potencial | Hidrogênio mais alumínio total | Soma tudo e entra na CTC a pH 7 |
Mede quanto do peso do saco de fato neutraliza ácido.
O PRNT é o produto dos dois dividido por 100, e comparar calcário por tonelada, sem olhar o PRNT, é erro de iniciante.
| Método | Objetivo | Dose (t/ha) |
|---|---|---|
| Saturação por bases | Corrigir acidez ativa e subir o V | 1,3732 |
| Neutralização do alumínio | Desarmar o alumínio com margem | 0,2889 |
| Elevação de cálcio e magnésio | Suprir bases e neutralizar alumínio | 0,0889 |
Mais calcário sobe o V, precipita alumínio e fornece cálcio ao mesmo tempo.
A dose que satisfaz o mais exigente satisfaz automaticamente os outros dois.
Magnésio abaixo de 0,5 pede dolomítico; adequado libera calcítico ou magnesiano.
Resolve a superfície e não desce sozinho no perfil, por isso não corrige o subsolo.
Leva cálcio ao subsolo e reduz a atividade tóxica do alumínio, abrindo caminho para a raiz.
Abaixo de 0,5 cmolc por decímetro cúbico na camada de subsolo.
Acima de 20% da CTC efetiva da camada.
Acima de 0,5 cmolc por decímetro cúbico.
A superfície do TH-07 pedia pouco mais de uma tonelada de calcário e o subsolo pedia mais de quatro de gesso. Quem amostra só a camada de cima recomenda pela metade.
| Fonte | Concentração de N | Observação |
|---|---|---|
| Ureia | 44% a 46% | A mais concentrada e a de maior volatilização em superfície |
| Sulfato de amônio | 20% a 21% | Carrega 22% a 24% de enxofre e acidifica o solo |
| Nitrato de amônio | 32% a 33% | Pronta absorção e menor volatilização |
| MAP | 9% a 11% | Também é fonte fosfatada |
| DAP | 16% a 18% | Também é fonte fosfatada |
Sulfato de amônio e superfosfato simples entregam enxofre útil.
Fontes amoniacais acidificam o solo ao longo dos anos.
O cloreto de potássio é o mais barato por unidade e o de maior índice salino.
| Fonte | Concentração | Acompanhantes |
|---|---|---|
| Superfosfato simples | 18% a 21% de P2O5 | Cálcio e enxofre |
| Superfosfato triplo | 41% a 46% de P2O5 | Cálcio |
| MAP | 48% a 52% de P2O5 | Nitrogênio |
| Cloreto de potássio | 58% a 60% de K2O | Cloreto |
| Sulfato de potássio | 48% a 52% de K2O | Enxofre |
Não podem ser empilhados junto da semente, porque desidratam a plântula.
O fósforo quase não sala e por isso pode ir concentrado no sulco, junto da semente.
| Nutriente | Forma e mobilidade | Decisão que impõe |
|---|---|---|
| Nitrogênio | Nitrato, ânion de alta mobilidade | Parcelar em arranque e cobertura |
| Fósforo | Fixado por óxidos, quase imóvel | Tudo na semeadura e localizado |
| Potássio | Cátion retido pelos sítios de troca | Parcelar conforme dose, solo e salinidade |
Concentrar sal junto da semente faz a solução puxar água de dentro dela, e a queima do adubo no sulco mata o estande antes de a lavoura começar.
Acima desse limite, o excedente precisa ir para a cobertura.
O limite é maior porque o sal se distribui em toda a superfície.
Dos 60 kg/ha totais, 50 foram ao sulco e 10 escorreram para a cobertura.
Entrega o suficiente para a plântula sair bem antes de as raízes se espalharem.
No milho, doses acima de 100 kg/ha de N são rachadas entre V4 e V6 e entre V8 e V10.
| Teor de fósforo | Posição indicada | Razão |
|---|---|---|
| Baixo | Sulco obrigatório | Localizar reduz o contato com a superfície fixadora |
| Adequado ou alto | Lanço liberado | O perfil já tem fósforo disponível espalhado |
Sustenta o teor atual em solo corrigido e com fertilidade construída.
Paga mais agora para elevar o teor do solo ao longo das safras seguintes.
| Expectativa | N semeadura | N cobertura | P2O5 adequado | K2O adequado |
|---|---|---|---|---|
| 3,0 t/ha | 20 | 10 | 60 | 30 |
| 4,0 t/ha | 20 | 40 | 70 | 40 |
| 5,0 t/ha | 20 | 70 | 80 | 50 |
Manutenção ou corretiva, conforme o solo já esteja construído ou não.
A classe do laudo aponta a coluna, adequado ou alto.
A produtividade almejada aponta a linha da tabela.
| Expectativa | N semeadura | N cobertura | P2O5 adequado | K2O semeadura |
|---|---|---|---|---|
| 6,0 t/ha | 20 | 40 | 60 | 60 |
| 8,0 t/ha | 30 | 70 | 80 | 60 |
| 10,0 t/ha | 30 | 130 | 100 | 60 |
| 10,0 t/ha | 30 | 180 | 120 | 60 |
Puxa a maior demanda de nitrogênio em cobertura entre as cinco culturas.
Cereais rústicos têm exigência menor por tonelada esperada, coerente com o teto produtivo.
| Cultura | Expectativa | N cobertura | P2O5 | K2O |
|---|---|---|---|---|
| Trigo | 5,0 t/ha | 70 | 80 | 50 |
| Arroz | 5,0 t/ha | 20 a 70 | 70 | 60 |
| Milho | 10,0 t/ha | 130 a 180 | 100 | 60 |
| Sorgo | 6,0 t/ha | 110 | 80 | 60 |
| Milheto | 3,0 t/ha | 60 | 80 | 60 |
| Nutriente | Desejado (kg/ha) | Entregue por 250 kg | Diferença |
|---|---|---|---|
| N | 20 | 20,0 | 0 |
| P2O5 | 70 | 70,0 | 0 |
| K2O | 50 | 50,0 | 0 |
O mais móvel e o mais sujeito a perda, por isso concentra as mitigações.
Baixa eficiência no ano, mas constrói reserva para a cultura seguinte.
Planejar a rotação inteira em vez de reabastecer do zero a cada safra.
| Erro | Consequência |
|---|---|
| Adubar antes de corrigir o solo | Adubo desperdiçado e resposta baixa |
| Comprar calcário pela tonelada, sem olhar o PRNT | Correção insuficiente e custo real maior |
| Amostrar apenas a camada de 0 a 20 cm | Raiz presa em camada rasa e murcha no veranico |
| Empilhar potássio acima do limite no sulco | Falha de estande por queima da semente |
| Aplicar ureia em superfície sem chuva | Perda expressiva do nitrogênio por volatilização |
| Errar o espaçamento no cálculo de gramas por metro | Dose real errada na lavoura inteira |
Por que nem toda adubação resulta em aumento de produtividade?