Em que momento as plantas daninhas começam a reduzir a produtividade de uma lavoura?
Confrontar períodos críticos e estratégias de manejo entre as cinco culturas.
Ligar seletividade, espectro e translocação à rotação de mecanismos de ação.
Julgar o risco de seleção de resistência e propor manejo preventivo.
A mesma espécie pode ser útil em outro contexto do sistema.
Rústica, não melhorada, com muitos dissemínulos e dormência.
Trigo remanescente na soja e soja voluntária no milho safrinha.
| Tipo de prejuízo | Exemplo |
|---|---|
| Qualidade do produto | Sementes de picão-preto e tubérculos de tiririca no produto colhido |
| Certificação de sementes | Arroz-vermelho e capim-massambará impedem a certificação |
| Hospedagem de pragas | Mais de 50 espécies hospedam Meloidogyne javanica |
| Dificuldade na colheita | Corda-de-viola enrolando na plataforma da colhedora |
Disputa direta por recursos quando ao menos um deles falta no mesmo espaço.
Conjunto de pressões da comunidade infestante, e é ele que o controle precisa mirar.
| Atributo | Expressão quantitativa |
|---|---|
| Produção de dissemínulos | Um tubérculo de tiririca gera 126 tubérculos em 60 dias |
| Longevidade no solo | De 107 espécies enterradas, 36 germinaram após 38 anos |
| Germinação em profundidade | Euphorbia heterophylla germina a 20 cm |
| Germinação desuniforme | Do banco de sementes, só 2% a 5% germinam por ciclo |
| Reprodução alternativa | Sorghum halepense por sementes e rizomas |
Passada a janela crítica, remover a planta daninha não devolve o rendimento perdido. O agrônomo decide quando controlar, não apenas como.
| Característica | Plantas C3 | Plantas C4 |
|---|---|---|
| Fotorrespiração | Presente, de 25% a 30% | Não mensurável por troca de gases |
| Ponto de compensação de CO2 | Alto, de 50 a 150 ppm | Baixo, de 0 a 10 ppm |
| Temperatura ótima | Próxima de 25 °C | Próxima de 35 °C |
| Coeficiente transpiratório | 450 a 1.000 g de água por g | 150 a 350 g de água por g |
| Cereais da disciplina | Arroz e trigo | Milho, sorgo e milheto |
A daninha foi moldada para competir, a cultivada para acumular grão.
Germina e cresce antes, sombreando a cultura ainda pequena.
Bidens pilosa extrai água em tensões três vezes maiores que a soja.
Brachiaria plantaginea afeta o crescimento e a nodulação da soja.
O efeito é transitório e pede intervalo entre a dessecação e a semeadura da cultura seguinte.
| Cultura | PAI | PCPI | PTPI |
|---|---|---|---|
| Milho | 0 a 20 DAS | 20 a 45 DAS | 0 a 45 DAS |
| Trigo | 0 a 15 DAE | 15 a 36 DAE | 0 a 36 DAE |
| Arroz de sequeiro | 0 a 20 DAE | 20 a 50 DAE | 0 a 50 DAE |
| Sorgo | 0 a 20 DAE | 20 a 45 DAE | 0 a 45 DAE |
| Milheto | 0 a 20 DAE | 20 a 45 DAE | 0 a 45 DAE |
Removida a daninha depois do fim do PAI, a produtividade não se recupera. Práticas que aceleram o crescimento inicial encurtam o PTPI.
Eliminar daninhas por um método específico em uma dada aplicação.
Decide quais controles usar, quando e em que combinação, ao longo do ciclo e das safras.
Densidade a partir da qual o custo do controle se paga pela perda evitada.
Máxima produção no menor tempo, com sustentabilidade do sistema.
Menor exposição ambiental, econômica e operacional possível.
| Método | Mecanismo | Principal limitação |
|---|---|---|
| Preventivo | Barra a entrada de propágulos na área | Depende de disciplina operacional contínua |
| Cultural | Dá vantagem competitiva à cultura | Reduz, mas não elimina a infestação |
| Mecânico | Elimina fisicamente ou impede a germinação | Baixa eficiência dentro da linha |
| Biológico | Inimigo natural reduz a população | Exige alta especificidade e favorece outra espécie |
Responde por mais da metade do volume de produtos fitossanitários comercializados no Brasil.
Cerca de 80% dos problemas de campo com herbicidas vêm de falha na operação de aplicação.
| Eixo | Categorias | Exemplo |
|---|---|---|
| Seletividade | Seletivo e não seletivo | Atrazina no milho; glifosato |
| Espectro | Latifolicida e graminicida | 2,4-D; haloxifope e cletodim |
| Translocação | Contato e sistêmico | Diquat; glifosato e nicosulfuron |
| Época | PPI, pré e pós-emergência | Trifluralin; atrazina |
Do contato do produto até a morte da planta, com todos os processos afetados.
A lesão bioquímica inicial que desencadeia todo o processo.
É por ele que se planeja a rotação contra a resistência.
| Grupo | Exemplo | Sintoma de intoxicação |
|---|---|---|
| Mimetizador de auxina | 2,4-D e dicamba | Epinastia e retorcimento de caule e folhas |
| Inibidor do fotossistema II | Atrazina e diuron | Clorose da borda para dentro, seguida de necrose |
| Inibidor da ALS | Nicosulfuron | Paralisação do crescimento, clorose e morte |
| Inibidor da ACCase | Haloxifope e cletodim | Necrose do meristema das gramíneas |
| Inibidor da HPPD | Mesotrione | Branqueamento das folhas em uma a duas semanas |
| Inibidor da EPSPs | Glifosato | Amarelecimento generalizado e morte lenta |
Glifosato ou glufosinato sobre trigo, milho, arroz, sorgo ou milheto convencionais no estádio vegetativo matam a cultura, não apenas as plantas daninhas.
A cultura degrada a molécula antes que ela atinja o sítio de ação.
Barreira física impede o herbicida de alcançar a raiz da cultura.
A cultura absorve e transloca menos herbicida que a daninha.
| Dessecante | Ação | Intervalo até semear |
|---|---|---|
| Glifosato | Sistêmico e total | Sem intervalo obrigatório |
| 2,4-D | Sistêmico, folhas largas | Um dia por 100 mL de produto aplicado |
| Glufosinato, saflufenacil e diquat | Contato, ação rápida | De 1 a 3 dias antes da semeadura |
| Graminicidas | Sistêmicos, gramíneas | De 15 a 20 dias nos produtos com residual |
Diclosulam, imazetapir, clomazone e sulfentrazona podem intoxicar milho e sorgo em safrinha.
O sorgo está entre as plantas mais sensíveis a resíduos e é usado como cultura-teste em protocolos.
Tem o crescimento alterado e morre na dose recomendada.
Característica natural da espécie, que sobrevive mesmo com injúria.
Biótipo selecionado pelo uso repetido, sobrevive à dose que o controlaria.
| Mecanismo | Como opera | Exemplo |
|---|---|---|
| Alteração do local de ação | Mutação muda o sítio e o herbicida perde afinidade | Mutações Pro-197 e Trp-574 em inibidores de ALS |
| Metabolização | A planta degrada a molécula antes do sítio | Lolium rigidum a triazinas e ACCase |
| Compartimentalização | A molécula é conjugada ou isolada no vacúolo | Resistência ao paraquat |
| Absorção e translocação reduzidas | Menos herbicida chega ao sítio | Resistência aos bipiridílios |
| Espécie | Nome comum | Mecanismo ao qual resiste |
|---|---|---|
| Lolium multiflorum | Azevém | EPSPs, com casos de ALS e ACCase |
| Conyza bonariensis | Buva | Inibidores da EPSPs |
| Bidens pilosa | Picão-preto | Inibidores da ALS |
| Euphorbia heterophylla | Leiteiro | Inibidores da ALS e da PPO |
| Digitaria ciliaris | Capim-colchão | Inibidores da ACCase |
| Echinochloa spp. | Capim-arroz | Auxina sintética, quinclorac |
Um único mecanismo confere resistência a dois ou mais herbicidas do mesmo grupo.
O azevém no Sul começou resistente ao glifosato e chegou à resistência múltipla.
| Prática | Risco baixo | Risco alto |
|---|---|---|
| Mecanismos usados | Mais de dois | Um só |
| Mistura de herbicidas | Mais de dois mecanismos | Um só mecanismo |
| Métodos de controle | Cultural, mecânico e químico | Só químico |
| Rotação de culturas | Completa | Nenhuma |
| Controle nos últimos três anos | Bom | Ruim |
Alternar grupos entre safras evita a repetição da mesma pressão.
A chance de resistir a dois ao mesmo tempo é o produto de duas probabilidades pequenas.
Alternar espécies e métodos muda o ambiente que seleciona o biótipo.
| Cultura | Arsenal disponível | Daninha-chave |
|---|---|---|
| Milho | Amplo, com HPPD, ALS, triazinas e eventos de tolerância | Tiririca e capim-marmelada |
| Trigo | 2,4-D, metsulfurom, graminicidas e pinoxaden | Nabo, azevém e buva |
| Arroz | Propanil, quinclorac e imidazolinonas | Capim-arroz e arroz-vermelho |
| Sorgo | Só atrazina, simazina e 2,4-D, sem graminicida | Capim-colchão e timbete |
| Milheto | Só atrazina e 2,4-D | Corda-de-viola e gramíneas anuais |
O manejo pode se apoiar na química, com a seletividade metabólica aproveitada ao máximo.
A única defesa contra gramíneas daninhas é o sombreamento e a competição da própria cultura.
| Cultura | Espécies predominantes |
|---|---|
| Trigo | Nabo e nabiça, azevém, buva e aveia-preta |
| Milho de verão | Tiririca, capim-marmelada, corda-de-viola e timbete |
| Milho safrinha | Predomínio de folhas largas, picão-preto e trapoeraba |
| Arroz de terras altas | Braquiárias, capim-colchão, timbete e capim-pé-de-galinha |
| Sorgo e milheto | Capim-colchão, capim-pé-de-galinha e corda-de-viola |
Arsenal completo, de pré-emergentes a graminicidas seletivos.
Doses reduzidas de nicosulfuron apenas contêm a gramínea companheira.
Latifolicida mataria a crotalária, e o manejo passa a ser cultural.
| Cultura | Janela | Limite imposto pela cultura |
|---|---|---|
| Trigo | Perfilhamento inicial, antes do emborrachamento | Fora dela o 2,4-D causa fitotoxicidade |
| Milho | Folhas largas até 6 folhas, gramíneas até 3 a 4 perfilhos | Fitotoxicidade sobe acima de 6 folhas |
| Arroz | Com o arroz entre 3 e 4 folhas | Controle tardio reduz panículas por metro quadrado |
| Sorgo | Sorgo de 3 a 5 folhas | Eficiência cai acentuadamente depois desse estádio |
| Milheto | A partir de 3 a 4 folhas ou 25 cm de altura | Antes desse porte há risco de fitotoxicidade |
EPSPs insensível permite glifosato em pós-emergência.
O gene pat detoxifica o glufosinato de amônio.
Tolerância a 2,4-D colina, glifosato, glufosinato e haloxifope.
Em que momento as plantas daninhas começam a reduzir a produtividade de uma lavoura?