Quando uma população de insetos passa a representar prejuízo econômico?
Confrontar as principais pragas e os níveis de dano econômico entre as cinco culturas.
Decidir sobre a necessidade de controle a partir de dados de amostragem.
Ligar mecanismo de ação, coexistência e refúgio ao manejo de resistência.
A maioria nunca justifica intervenção, mantida em baixa população pelo controle natural.
Só é praga a espécie cuja densidade causa prejuízo igual ou maior que o custo do próprio controle.
Mesmo em contato, causa mortalidade baixa ou nula ao inimigo natural.
A aplicação dirigida reduz o contato do produto com o inimigo natural.
MIP não é ausência de químico, é uso apenas quando o monitoramento o indica.
| Nível | Sigla | O que representa |
|---|---|---|
| Nível de equilíbrio | NE | Densidade em torno da qual a praga oscila sem intervenção |
| Nível de controle | NC | Densidade a partir da qual se recomenda iniciar o controle |
| Nível de dano econômico | NDE | Densidade em que o prejuízo iguala o custo do controle |
Quando a cotação sobe, o nível de dano econômico cai e vale controlar em densidade menor. O NDE se recalcula a cada safra, não se decora.
Nunca ultrapassa o nível de controle e não demanda intervenção.
Ultrapassa o nível de controle às vezes e volta sozinha ao equilíbrio.
Só retorna ao equilíbrio com intervenção repetida, e exige monitoramento constante.
| Cultura | Método e cadência | Momento crítico |
|---|---|---|
| Arroz | Semanal, com redário para percevejos da panícula | Estabelecimento e florescimento |
| Milho | 10 pontos por hectare e armadilha de feromônio | Emergência a 15 dias e formação de grãos |
| Sorgo | Semanal, e a cada 3 dias no florescimento | Cartucho e florescimento |
| Milheto | Levantamento de campo, sem inseticida registrado | Estabelecimento e enchimento |
| Trigo | Semanal, com contagem de lagartas no solo | Emergência e espigamento |
Validado para poucas espécies, com destaque para a lagarta-do-cartucho.
Batida de pano, inspeção de plantas e contagem no solo cobrem o restante.
Focos agregados permitem controle localizado e grande economia de produto.
O inseto não lê o nome da cultura, e a troca de espécie não funciona como barreira.
Contra ela o manejo central é eliminar plantas voluntárias e soqueiras entre cultivos.
Quatro manchas pretas em quadrado no oitavo segmento abdominal.
Costuma restar uma única lagarta por planta mesmo em infestação severa.
Populações de Mato Grosso já resistem a piretroides e organofosforados.
| Cultura | Nível de controle | Dano |
|---|---|---|
| Milho | 3 mariposas por noite na armadilha | Reduz a produtividade em até 50% |
| Sorgo | 3 mariposas por noite ou 20% de plantas infestadas | Perda de até 27% no peso de grãos |
| Arroz | 10% de plantas com dano ou 1 lagarta viva por m² | Consome folhas e colmos de plantas jovens |
| Trigo | Contagem no solo desde o início da infestação | Dano ao estande no estabelecimento |
| Milheto | Levantamento de campo, sem inseticida registrado | Coração morto em plantas jovens |
O milheto produz mais adultos de lagarta-do-cartucho por metro quadrado que o próprio milho, e mantém a população-fonte da praga em plena entressafra.
| Cultura | Espécie dominante | Nível de controle |
|---|---|---|
| Trigo | Diceraeus melacanthus, barriga-verde | 1 percevejo por m² |
| Arroz | Oebalus spp. na panícula | 1 percevejo por 4 panículas |
| Sorgo | Percevejos da panícula | 12 pequenos ou 4 grandes por panícula |
| Milho | Diceraeus spp. e Leptoglossus zonatus | 1 a 2 percevejos por 5 plantas |
| Milheto | Nezara viridula | Monitoramento, sem inseticida registrado |
Colônias numerosas em poucos dias, com fumagina sobre a excreção açucarada.
Poucos indivíduos já transmitem, e esse é o principal impacto em várias culturas.
Inseticida de amplo espectro elimina o inimigo natural e libera explosão populacional.
| Cultura | Espécie | Vírus ou nível de controle |
|---|---|---|
| Trigo | Rhopalosiphum padi | Nanismo-amarelo, 10% de plantas infestadas |
| Sorgo | Schizaphis graminum | Mosaico da cana, 1 folha amarela por planta |
| Milho | Rhopalosiphum maidis | Mosaico-comum e mela-do-pendão |
| Milheto | Schizaphis graminum | Mosaico, manejo por inimigos naturais |
| Arroz | Rhopalosiphum rufiabdominalis | Pulgão-da-raiz, de menor importância |
Abrem a porta do grão inteiro e viabilizam a infestação seguinte.
Avançam sobre o que as primárias abriram, e agravam a perda de qualidade.
| Situação | Tempo de exposição |
|---|---|
| Sementes | 96 horas |
| Sacarias | 120 horas |
| Silos metálicos | 240 horas |
| Graneleiros | 280 horas |
| Regra geral acima de 10 °C | 168 horas, sete dias |
Coração morto e panícula branca, com controle biológico por Cotesia flavipes.
Máximo dano em solo arenoso, seca e calor, típicos da safrinha.
Consome grãos imaturos e abre porta para podridões e micotoxinas.
| Cultura | Praga exclusiva | Particularidade |
|---|---|---|
| Milho | Cigarrinha-do-milho | Vetor dos enfezamentos, de monofagia funcional |
| Sorgo | Mosca-do-sorgo e pulgão-da-cana | A safrinha escapa do pico da mosca |
| Arroz | Percevejo-do-colmo e gorgulho-aquático | Predominam no sistema irrigado |
| Milheto | Cigarrinha-africana | Preferência natural pelo milheto, vetor potencial de vírus |
| Trigo | Lagartas-do-trigo e percevejo-raspador | Cortam a espiga e raspam a folha no espigamento |
O tratamento de sementes mata a cigarrinha, mas depois de ela já ter inoculado a doença.
Romper a ponte verde entre cultivos pesa mais que qualquer troca de espécie na rotação.
| Via | Como age | Exigência de aplicação |
|---|---|---|
| Ingestão | O inseto morre ao consumir o produto | Mira nos locais de alimentação |
| Contato | Penetra pela epiderme do inseto | Recobrimento na zona de atividade do inseto |
| Inalação | Atinge o inseto pela respiração | Recinto fechado e hermético, sem residual |
Age onde a gota se deposita e exige alta cobertura e uniformidade.
Atinge o inseto na face oposta à da deposição, útil contra pragas abrigadas.
Adequado a sugadores e base do tratamento de sementes.
| Grupo | Mecanismo | Classe química |
|---|---|---|
| 1B | Inibidores da acetilcolinesterase | Organofosforados |
| 3A | Moduladores do canal de sódio | Piretroides |
| 4A | Moduladores do receptor nicotínico | Neonicotinoides |
| 5 | Ativadores alostéricos do receptor nicotínico | Espinosinas |
| 11 | Disruptores da membrana intestinal | Proteínas de Bacillus thuringiensis |
| 28 | Moduladores do receptor de rianodina | Diamidas |
Aplicar em sequência dois produtos de classes químicas diferentes mas do mesmo grupo IRAC equivale, para a seleção de resistência, a aplicar o mesmo produto duas vezes.
Intervalo em que soqueira e planta voluntária abrigam o inseto entre safras.
Reduz a sobrevivência das larvas de broca em diapausa no período seco.
O florescimento do sorgo na safrinha escapa do pico da mosca-do-sorgo.
| Parasitoide | Alvo | Observação |
|---|---|---|
| Trichogramma spp. | Ovos de lagartas | Vespinha de menos de 1 mm, várias gerações por ciclo |
| Telenomus remus | Ovos de lagarta-do-cartucho | Parasitoide específico da espécie |
| Telenomus podisi | Ovos de percevejos | Liberação inclusive por drone |
| Cotesia flavipes | Larvas de broca-do-colmo | Referência de controle da broca |
| Aphidius spp. | Pulgões | Base do programa nacional de controle em trigo |
O predador consome vários indivíduos, o parasitoide se desenvolve dentro de um só e o mata.
Matam por penetração na cutícula ou por ingestão, sem afetar os inimigos naturais.
| Estratégia | Princípio | Cuidado |
|---|---|---|
| Moderação | Reduzir a pressão de seleção e preservar suscetíveis | Equivale à implementação efetiva do MIP |
| Saturação | Dose alta que mata também o heterozigoto | Seguir a bula, nunca ajustar por conta própria |
| Ataque múltiplo | Rotacionar ao menos três mecanismos ou misturar | A mistura falha se a resistência a um componente já é alta |
É o pressuposto da estratégia de alta dose com refúgio no milho Bt.
No início do processo são os heterozigotos que carregam a maior parte dos alelos de resistência.
| Espécie | Nome comum | Grupos IRAC |
|---|---|---|
| Spodoptera frugiperda | Lagarta-do-cartucho | 1B, 3, 5, 11 e 15 |
| Sitophilus zeamais | Gorgulho-do-milho | 22A e 24 |
| Rhyzopertha dominica | Besourinho-dos-cereais | 3 e 24 |
| Tribolium castaneum | Besouro-castanho | 24 |
| Diatraea saccharalis | Broca-do-colmo | 11 |
Mata os suscetíveis e também os heterozigotos, deixando vivos só os raros resistentes.
Fornece indivíduos que se acasalam com os resistentes sobreviventes.
Duas ou mais proteínas independentes matam por redundância.
| Exigência | Finalidade | Regra |
|---|---|---|
| Refúgio, manejo de resistência | Retardar a seleção de insetos resistentes | De 5% a 20% da área, a até 800 m das plantas Bt |
| Coexistência, opção 1 | Proteger a lavoura convencional vizinha | 100 m de distância entre as lavouras |
| Coexistência, opção 2 | Proteger a lavoura convencional vizinha | 20 m mais bordadura de 10 linhas convencionais |
Garante ao produtor vizinho o direito de colher milho convencional sem contaminação.
Quem ignora o refúgio é o primeiro prejudicado, porque a própria lavoura falhará primeiro.
Quando uma população de insetos passa a representar prejuízo econômico?