Por que algumas doenças causam grandes prejuízos apenas em determinados anos?
Reconhecer a doença pela lesão e relacioná-la ao clima favorável e ao risco de micotoxina.
Confrontar etiologia e epidemiologia das principais doenças das cinco culturas.
Ligar modo, sítio e translocação à rotação de mecanismos contra a resistência.
Escolha de cultivar resistente e arranjo da lavoura.
Fungicida, tratamento de semente e eliminação da fonte de inóculo.
Não se controla, mas prever a janela é o que define o momento de aplicar.
| Doença | Culturas | Condição que favorece |
|---|---|---|
| Giberela | Trigo e milho | Cerca de 48 h de molhamento contínuo a 20 °C na floração |
| Ferrugens | Trigo, milho, sorgo e milheto | Orvalho, folha molhada e temperatura amena |
| Brusone | Trigo, arroz e milheto | Calor e molhamento na espigada ou na panícula |
| Ergot | Sorgo e milheto | Temperatura amena e umidade alta na antese |
| Míldio | Milho e sorgo | Solo úmido, com infecção sistêmica pela raiz |
Lavoura densa, bem nutrida e de dossel fechado retém mais umidade e prolonga o molhamento foliar. Manejo de doença começa no arranjo, não na pulverização.
| Estratégia | Onde sobrevive | A rotação funciona |
|---|---|---|
| Biotrófico obrigado | Só em tecido vivo | Sim, a troca de espécie é barreira |
| Necrotrófico | Palha e restos culturais | Falha, o que conta é o manejo de resíduo |
| Fungo de solo | Solo, como esclerócio ou oósporo | Falha, o inóculo persiste no solo |
| Hemibiotrófico | Palha e semente | Depende do organismo, verificar caso a caso |
Diz que há doença, mas sozinho não identifica o agente causal.
Identifica o agente e muitas vezes a espécie, resolvendo a diagnose no campo.
| Padrão observado | Doença provável | Culturas |
|---|---|---|
| Pústula que solta pó ao toque | Ferrugem | Trigo, milho, sorgo e milheto |
| Mancha alongada e fusiforme | Mancha-de-turcicum | Milho e sorgo |
| Mancha retangular limitada pelas nervuras | Cercosporiose | Milho |
| Lesão em losango com centro claro | Brusone na folha | Trigo, arroz e milheto |
| Massa pulverulenta preta rompendo o tecido | Carvão | Milho e sorgo |
| Exsudato açucarado saindo do ovário | Ergot | Sorgo e milheto |
Coloniza espiguetas isoladas e desvia as aristas para fora, o sinal distintivo de campo.
Infecta a ráquis num ponto único e branqueia toda a porção acima dele, cor de palha uniforme.
| Fungo ou complexo | Culturas conectadas | Dado de referência |
|---|---|---|
| Fusarium graminearum | Trigo e milho | Perda de até 48% em podridão no milho |
| Complexo FFSC | Milho, sorgo e milheto | Sem especificidade de hospedeiro nas três |
| Peronosclerospora sorghi | Milho e sorgo | Oósporos sobrevivem anos no solo |
| Rhizoctonia spp. | Arroz, milho, sorgo e trigo | Sobrevive como esclerócio no solo |
Isolados do complexo Fusarium fujikuroi induziram podridão de colmo em milho, sorgo e milheto independentemente da cultura de origem. A rotação entre eles recicla o mesmo fungo.
Estrias cloróticas longitudinais e eflorescência branca na face inferior.
Queima-das-bainhas no arroz e morte de plântula no milho.
Cultivar resistente e tratamento de semente substituem a rotação inútil.
Lavoura de trigo vizinha ou em sucessão a arroz corre risco real de brusone.
A cross-infectividade é assimétrica e confirmada, e o caminho contrário não se sustenta.
| Cultura | Espécie | Dano ou observação |
|---|---|---|
| Trigo | P. triticina e P. graminis | Até 63% na folha e de 50% a 100% no colmo |
| Sorgo | P. purpurea | Pústula purpúrea, não infecta milho |
| Milheto | P. substriata | Perdas de até 70% |
| Milho | P. sorghi e P. polysora | P. sorghi não infecta sorgo |
O falso-carvão é a mesma espécie em milho e arroz, os demais são distintos.
Espécies distintas em milho e sorgo, sem infecção cruzada.
Infecta ovário não fertilizado, com espécie própria em sorgo e milheto.
| Cultura | Espécie | Observação |
|---|---|---|
| Trigo | Bipolaris sorokiniana | Sobrevive no mínimo três anos no solo |
| Arroz | B. oryzae | Perdas de 12% a 30% no peso de grãos |
| Milho | B. maydis e B. zeicola | Espécies próprias, sem cruzamento com as demais |
Hemibiotrófica, com colonização do xilema seguida de necrose por toxina.
Necrotrófica de palha, favorecida pela sucessão milho sobre milho em plantio direto.
| Doença | Cultura | Espécie e dano |
|---|---|---|
| Antracnose | Milho | C. graminicola, perdas de até 40% |
| Antracnose | Sorgo | C. sublineolum, supera 70% em cultivar suscetível |
| Ergot | Sorgo | Claviceps africana, perda pode chegar ao total |
| Ergot | Milheto | Claviceps fusiformis, risco alto em semente híbrida |
O vírus só chega até onde o inseto consegue levá-lo, nunca além.
Presos ao milho, porque a cigarrinha se reproduz apenas nele.
Acompanha o pulgão por toda a sucessão de gramíneas.
| Patógeno | Vetor | Sintoma |
|---|---|---|
| Fitoplasma, enfezamento-vermelho | Dalbulus maidis | Avermelhamento foliar, nanismo e grão chocho |
| Espiroplasma, enfezamento-pálido | Dalbulus maidis | Estrias cloróticas na base e nanismo |
| Mosaico comum, SCMV | Rhopalosiphum maidis | Mosaico verde-claro e verde-escuro |
| Nanismo-amarelo, complexo B/CYDV | R. padi e outros afídeos | Amarelecimento e nanismo, dano de cerca de 20% |
| Mosaico do trigo, WhSMV | Polymyxa graminis, do solo | Mosaico, com controle por manejo de solo |
Move-se dentro ou ao redor da raiz, abrindo lesões escuras por onde passa.
A fêmea induz células gigantes de alimentação e engrossa a raiz em galhas visíveis.
| Nematoide | Culturas mais afetadas | Sinal de campo |
|---|---|---|
| Pratylenchus brachyurus | Milho, sorgo, soja e algodão | Lesões escuras nas raízes e reboleiras |
| Meloidogyne incognita | Milho, sorgo e milheto | Galhas nas raízes, danoso em solo arenoso |
| Meloidogyne graminicola | Arroz | Galhas em gancho na ponta da raiz |
| Aphelenchoides besseyi | Arroz | Ponta branca da folha, transmitido pela semente |
| Heterodera avenae | Trigo e cevada | Cistos nas raízes, pouco relevante no Cerrado |
| Patógeno | Doença | Culturas |
|---|---|---|
| Magnaporthe oryzae | Brusone | Trigo, arroz e milheto |
| Bipolaris e Drechslera | Helmintosporioses | Trigo, arroz e milho |
| Fusarium spp. | Giberela e podridões | Trigo, milho, sorgo e milheto |
| Claviceps spp. | Ergot | Sorgo e milheto |
| Gênero fúngico | Toxinas | Substratos |
|---|---|---|
| Fusarium graminearum | DON, T-2 e zearalenona | Milho, trigo, cevada e aveia |
| F. moniliforme e F. proliferatum | Fumonisinas | Milho |
| Aspergillus flavus | Aflatoxinas | Milho, trigo, arroz e oleaginosas |
| Aspergillus ochraceus | Ocratoxina | Milho, trigo e cevada |
| Penicillium citrinum | Citrinina | Milho, trigo, cevada e aveia |
Controlar o fungo no campo reduz a toxina, mas não a elimina do lote já contaminado, porque a molécula persiste no armazenamento e resiste ao processamento.
| Micotoxina | Matriz | Limite em µg/kg |
|---|---|---|
| DON | Trigo e milho em grão para processamento | 2.000 |
| DON | Farinha de trigo e massas | 1.000 |
| Fumonisinas | Milho em grão para processamento | 5.000 |
| Fumonisinas | Farinha de milho e fubá | 1.500 |
| Aflatoxinas | Milho em grão e derivados | 20 |
| Zearalenona | Milho e trigo em grão para processamento | 400 |
Parasita, compete e induz resistência contra fungos de solo e de semente.
Lipopeptídeos e indução de resistência em doença foliar e giberela.
Ataca Fusarium em restos culturais e em semente.
| Tática | Rende mais contra | Limite |
|---|---|---|
| Genética | Ferrugens, brusone e viroses | A resistência pode ser quebrada por nova raça |
| Cultural | Necrotróficos de palha e enfezamentos | Falha contra fungo de solo persistente |
| Biológica | Fungos de solo e de semente | Depende do ambiente e da formulação |
| Química | Doença já presente acima do limiar | Seleciona resistência se mal usada |
Protetor age antes da infecção, curativo sobre infecção recente.
Multissítio atinge vários processos, unissítio atinge um único alvo.
Contato, translaminar ou sistêmico, o que define a cobertura exigida.
| Critério | Classe | Consequência prática |
|---|---|---|
| Modo de ação | Protetor | Aplicar antes da doença chegar, com base na previsão |
| Modo de ação | Curativo | Resgata a janela após o início da infecção, por prazo curto |
| Sítio de ação | Multissítio | Baixo risco de resistência, exige múltiplas mutações |
| Sítio de ação | Unissítio | Alto risco, uma mutação pode conferir resistência |
| Translocação | Contato | Não penetra, protege apenas o que a gota cobriu |
| Translocação | Sistêmico | Protege o tecido formado após a aplicação |
Parceiro anti-resistência ideal na mistura, com risco baixo de seleção.
Alta eficácia e alto risco, porque uma única mutação basta para conferir resistência.
| Grupo | Código | Sítio | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Triazóis | 3 | Unissítio | Tebuconazol e protioconazol |
| Estrobilurinas | 11 | Unissítio | Azoxistrobina e piraclostrobina |
| Carboxamidas | 7 | Unissítio | Fluxapiroxade e bixafem |
| Benzimidazóis | 1 | Unissítio | Carbendazim e tiofanato-metílico |
| Ditiocarbamatos | M3 | Multissítio | Mancozebe |
| Cloronitrilas | M5 | Multissítio | Clorotalonil |
Alternar mecanismos entre aplicações e entre safras.
Nunca aplicar o unissítio isolado, sempre com um parceiro multissítio.
Dose reduzida do unissítio seleciona sem controlar a doença.
Por que algumas doenças causam grandes prejuízos apenas em determinados anos?