Unidade III · Proteção da Produtividade

Como transformar potencial produtivo em sistemas agrícolas sustentáveis?

Aula 12. Produtividade, Colheita e Sistemas de Produção
Prof. Dr. Anísio da Silva Nunes
Fitotecnia III. Culturas de Cereais
UNEMAT · Agronomia · Tangará da Serra
?
Ponto de partida
O que diferencia sistemas produtivos que permanecem produtivos por décadas daqueles que entram em declínio?
Ao final desta aula, você será capaz de

Objetivos de aprendizagem

01

Estimar a produtividade

Calcular o rendimento de cada cultura a partir dos seus componentes específicos.

02

Comparar a pós-colheita

Confrontar perdas, regulagem, secagem e armazenamento entre as cinco culturas.

03

Integrar critérios

Recomendar sistemas de produção somando o agronômico, o econômico e o ambiental.

Onde esta aula entra na disciplina

Onde a disciplina inteira se fecha

As onze aulas anteriores deixaram pronto

O potencial formadoO potencial expressoO potencial protegido

As três unidades já percorreram a formação, a expressão e a proteção do potencial.

Esta aula entrega

Estimativa por culturaColheita e perdasRotação e integração

Fecha a disciplina: aqui o potencial vira saca colhida, classe comercial e sistema que se sustenta.

Sistemas de produção

Etapas do sistema de cultivo

Figura 3: fluxograma resumido das etapas de um sistema de cultivo de soja (planejamento, manejo da área, semeadura e adubação, controle fitossanitário, colheita, pós-colheita).
Figura 3: fluxograma resumido das etapas de um sistema de cultivo de soja (planejamento, manejo da área, semeadura e adubação, controle fitossanitário, colheita, pós-colheita).
Fonte: Sistemas de Produção Agrícola e Produção de Cereais
O caminho desta aula

Da estimativa ao sistema de produção

A Componentes e estimativaB Acamamento e reguladoresC A colheita e suas perdasD Secagem e armazenamentoE Qualidade e beneficiamentoF Sistemas de produção
Última aula: converte tudo o que veio antes em produto e em sistema.
Bloco A · Componentes e estimativa

Um produto, não uma soma

“
A produtividade de um cereal é um produto de fatores, não uma soma, e cada fator fecha numa janela própria.
Dois olhares sobre o mesmo rendimento

Componentes e partição

Pr
Produto, não soma

Componentes

Inflorescências por área, grãos por inflorescência, fração fértil e massa do grão.

IC
Partição

Índice de colheita

Razão entre a massa seca dos grãos e a massa seca total da planta.

Ja
A trava

Janela própria

Fechada a fase de um componente, o que se perdeu nele não volta.

A Revolução Verde elevou o rendimento sobretudo aumentando o índice de colheita, e não a biomassa total.
Conceito

Índice de colheita

“
Razão entre a massa seca dos grãos, que é a produção econômica, e a massa seca total da planta, que é a produção biológica. Mede a eficiência com que a planta transfere fotoassimilados para o grão.
Os números de referência antes de qualquer conta

Componentes por cultura

CulturaComponentesMMG (g)Índice de colheita
TrigoEspigas/m², grãos/espiga e MMG30-450,40-0,50
ArrozPanículas/m², grãos, fração cheia e massa22-300,45-0,55
MilhoPlantas/ha, espigas, fileiras, grãos e massa220-3800,45-0,55
SorgoPanículas/m², grãos/panícula e massa20-350,35-0,45
MilhetoPanículas/m², grãos/panícula e massa6-80,20-0,35
Arroz

Componentes da panícula

Panícula do arroz e seus componentes (VERGARA, 1979).
Panícula do arroz e seus componentes (VERGARA, 1979).
Fonte: Como a Planta de Arroz se Desenvolve (Embrapa)
Do vegetativo ao enchimento

As janelas fecham em sequência

1
Perfilhamento define inflorescências por metro quadrado
2
Alongamento até a antese define grãos por inflorescência
3
Antese e os dez dias seguintes definem a fração fértil
4
Enchimento define a massa do grão
5
Maturidade fisiológica fecha o rendimento potencial
Por que a lógica é multiplicativa

O componente mais limitado governa

“
Adubação nitrogenada depois do perfilhamento não cria espigas que não se formaram, e água depois da antese não ressuscita flores que abortaram no calor.
A estimativa vale o que a amostra representa

Como amostrar

Po
Onde

4 a 6 pontos

Representar a variabilidade real do talhão, nunca um ponto só.

Un
Quanto

Unidade conhecida

Um metro de fileira nos grãos pequenos, dez metros no milho.

Um
Corrigir

Mesma umidade

Corrigir a massa amostrada para a umidade de referência antes de fechar.

Trigo de sequeiro bem conduzido no Cerrado

Estimativa do trigo

FórmulaProdutividade (kg/ha) = espigas/m² × grãos por espiga × MMG (g) ÷ 100
Com os dados da lavoura400 × 28 × 34 ÷ 100
Espigas por m²: 400Grãos por espiga: 28Massa de mil grãos: 34 g
Resultado3.808kg/ha, ou 63,5 sc/ha
A fórmula não é livre, segue a unidade produtiva

Duas lógicas de estimativa

Cereais de grão pequeno

TrigoArrozSorgoMilheto

Contam-se inflorescências por área, porque a unidade produtiva está num dossel denso.

Milho

Pesar a espigaFator fixo de IllinoisDez metros de fileira

A unidade produtiva é a espiga, e contar todos os grãos de uma espiga é inviável no campo.

Milho safrinha tecnificado, método Emater

Estimativa do milho

FórmulaProdutividade (kg/ha) = plantas/ha × espigas por planta × massa de grãos por espiga (kg)
Com os dados da lavoura55.000 × 1 × 0,126
População: 55.000 plantas/haGrãos por espiga: 14 fileiras por 30 grãosMassa de mil grãos: 300 g
Resultado6.930kg/ha, ou 115,5 sc/ha
Cada resultado conferido contra a literatura

As cinco simulações

CulturaResultado calculadoFaixa da literatura
Trigo3.808 kg/ha, 63,5 sc2.400 a 4.000 kg/ha
Arroz4.972 kg/ha, 99,4 sc de 50 kg3.000 a 5.000 kg/ha
Milho6.930 kg/ha, 115,5 sc5.500 a 7.500 kg/ha
Sorgo4.992 kg/ha, 83,2 sc3.500 a 5.500 kg/ha
Milheto1.680 kg/ha, 28 sc1.500 a 2.500 kg/ha
O arroz acrescenta a fração de espiguetas cheias à fórmula; sorgo e milheto pesam os grãos da panícula e multiplicam por 10. A saca pesa 60 kg, e 50 kg no arroz.
Bloco B · Acamamento e reguladores

Perder de pé

“
O acamamento rouba produtividade com a planta ainda em pé.
Fatores cumulativos, reconhecíveis antes do tombamento

O que predispõe ao acamamento

FatorComo aumenta o risco
Porte alto e colmo finoMenor resistência mecânica e maior alavanca
Excesso de nitrogênio tardioAlonga entrenós e atrasa a lignificação
Densidade excessivaEstiola os colmos na disputa por luz
Falta de potássio e silícioParede celular menos rígida
Dreno vigoroso com estresse finalRemobiliza o colmo e o enfraquece
Vento e chuva no enchimentoGatilho ambiental sobre a planta predisposta
Antes de colher é preciso ter lavoura em pé

Prevenir o acamamento

Cu
A mais eficaz

Cultivar de porte baixo

Genes de nanismo reduzem a alavanca e a predisposição ao tombamento.

Ar
Arranjo

Densidade ajustada

Evita o estiolamento dos colmos na disputa por luz.

Nu
Nutrição

Potássio e silício

Dão rigidez à parede celular, decisivos nas culturas acumuladoras.

No arroz de terras altas, as perdas por acamamento na colheita mecanizada chegam de 20% a 50%.
O que se perde

Acamamento do trigo

Acamamento da cultura do trigo (crédito da foto: John Eveson).
Acamamento da cultura do trigo (crédito da foto: John Eveson).
Fonte: Informações Agronômicas
O que o regulador é e o que não é

Ajuste de arquitetura

“
O regulador encurta os entrenós inibindo as giberelinas, sem alterar o número de grãos. Não substitui a prevenção e não recupera colmo já tombado.
Aplicar no início do alongamento do colmo

Reguladores de crescimento

Ingrediente ativoMecanismoUso principal
Trinexapaque-etílicoBloqueia a conversão da giberelina em forma ativaO mais usado em cereais
Cloreto de clormequatInibe etapa inicial da síntese de giberelinaCereais de inverno
EtefomLibera etileno, que encurta e engrossa o colmoTrigo e cevada
No trigo tropical de sequeiro o regulador costuma ser dispensável, e ganha importância no trigo irrigado de alto nitrogênio.
Bloco C · A colheita e suas perdas

O que não se mede

“
Perda de colheita que não se mede vira prejuízo invisível, atribuído à máquina errada e nunca corrigido.
Conceito

Maturidade fisiológica e de colheita

Maturidade fisiológica

Máximo de matéria secaSem novos assimiladosUmidade ainda alta

A produtividade potencial está fechada, mas colher agora traria perda por amassamento.

Maturidade de colheita

Umidade adequadaTrilha eficienteDano mínimo

É a umidade, não a maturidade fisiológica, que define quando a colhedora entra na lavoura.

Maturidade fisiológica

Estádio R6 do milho

Espiga madura de milho e corte do sabugo, no estádio R6.
Espiga madura de milho e corte do sabugo, no estádio R6.
Fonte: Como a Planta de Milho se Desenvolve (Embrapa)
O ponto de colheita muda com a cultura

Umidade e plataforma

CulturaUmidade de colheitaPlataforma
Trigo13% a 15%Corte, com molinete e caracol
Arroz18% a 22%Rígida de corte ou recolhedora
Milho14% a 18%De milho, espigadora
Sorgo14% a 18%Corte, com molinete e caracol
Milheto13% a 15%Corte, por analogia mecânica com o sorgo
A velocidade periférica do molinete deve ficar cerca de 25% acima da velocidade de deslocamento.
Por que adiar a colheita custa caro

A trinca vem dos ciclos

“
Abaixo de uma umidade crítica, ciclos de umedecimento pelo orvalho e ressecamento pelo sol expandem e contraem o grão, gerando fissuras que se partem no beneficiamento.
A ordem importa, e não se refaz depois da passagem

As quatro determinações

1
Perda natural, medida antes de a colhedora entrar
2
Perda de plataforma, isolada pelo método do recuo
3
Perda total, coletada atrás da máquina em operação
4
Perda interna, calculada por diferença entre as anteriores
Colheita mecanizada

Perdas na colheita do arroz

Esquema/infográfico ilustrando os tipos de perdas na colheita mecanizada do arroz (perdas na plataforma, no sistema de trilha, natural etc.).
Esquema/infográfico ilustrando os tipos de perdas na colheita mecanizada do arroz (perdas na plataforma, no sistema de trilha, natural etc.).
Fonte: 04. Arroz - Manejo Fitossanitário, Colheita e Produtividade
Trigo, coleta em um metro quadrado

Da massa coletada à perda

FórmulaPerda (kg/ha) = 10 × massa de grãos coletada em 1 m² (g)
Com os dados da lavoura10 × 9
Massa coletada, já descontada a perda natural: 9 gProdutividade da lavoura: 3.808 kg/haPerda percentual resultante: 2,4%
Resultado90kg/ha, acima do tolerável de 60
Uma saca por hectare é o teto aceitável

Perda tolerável por cultura

CulturaPerda total tolerável
Trigo60 kg/ha
Arroz90 kg/ha
Milho90 kg/ha
Sorgo90 kg/ha
Milheto120 kg/ha
O milheto tem o limite mais alto pela dificuldade de recolher completamente um grão tão pequeno.
Cada origem pede um ajuste diferente

Plataforma e mecanismos internos

Perda de plataforma

Isolada pelo recuoCorte e molineteVelocidade

Corrige-se pela velocidade, pela altura de corte e pelo ajuste de molinete e caracol.

Perda interna

Calculada por diferençaTrilha e limpezaCilindro e côncavo

Fechar a folga reduz o grão não debulhado, mas eleva a quebra, e a decisão depende do destino do lote.

Plataforma e trilha

Corte e alimentação da colhedora

Sistema de corte e alimentação de colhedora automotriz, com cilindro e côncavo.
Sistema de corte e alimentação de colhedora automotriz, com cilindro e côncavo.
Fonte: Sorgo Granífero: Estenda Sua Safrinha com Segurança
Bloco D · Secagem e armazenamento

Depois da lavoura

“
O teor de umidade é o fator que mais governa a conservação do grão depois que ele sai do campo.
A conta que se faz na balança da cooperativa

Correção de peso pela umidade

FórmulaPeso corrigido = peso de campo × (100 - umidade de colheita) ÷ (100 - umidade de referência)
Com os dados da lavoura5.000 × (100 - 18) ÷ (100 - 14)
Peso de campo: 5.000 kg de milhoUmidade na colheita: 18%Umidade de referência: 14%
Resultado4.767kg a 14% de umidade
A umidade governa a conservação

Secar e armazenar

13
O alvo

13% de umidade

Umidade segura de armazenamento, com ambiente em torno de 60% de umidade relativa.

Te
O limite

Temperatura por destino

Semente até cerca de 45 °C; no trigo, acima de 60 °C desnatura o glúten.

Mi
O risco oculto

Migração de umidade

Gradientes térmicos movem água para camadas frias e compactam a superfície.

A secagem intermitente, com períodos de repouso, reduz o gradiente interno e evita trincas.
O problema regional é o oposto do das regiões úmidas

Excesso e falta de umidade

Umidade alta

Respiração do grãoFungos e micotoxinasAquecimento da massa

Exige secagem imediata ou aeração enquanto o grão aguarda, em no máximo 24 horas.

Ressecamento no Cerrado

30 °C e 40% de UREquilíbrio perto de 9%Perda de peso

O ressecamento excessivo é perda econômica real no Centro-Oeste, não só o excesso de umidade.

Bloco E · Qualidade e beneficiamento

Da saca à classe comercial

“
O que define o preço do grão não é só quanto se colhe, mas em que classe comercial ele se enquadra.
A rede proteica que nenhum outro cereal tem

A qualidade do trigo

Gl
A rede

Glúten

A gliadina dá extensibilidade e a glutenina dá tenacidade e elasticidade.

W
Alveógrafo

Força de glúten

Energia para deformar a massa, que simula a retenção de gás na fermentação.

NQ
Falling Number

Número de queda

Abaixo de 200 s indica germinação pré-colheita e miolo úmido.

Clima seco no enchimento concentra proteína e eleva o W, e a giberela na antese derruba o número de queda.
Critérios cumulativos da IN 38/2010

Trigo, classes por aptidão

ClasseCritério cumulativo
MelhoradorW igual ou acima de 300, estabilidade de 14 min e NQ de 250 s
PãoW de 220 ou estabilidade de 10 min, com NQ de 220 s
DomésticoW de 160 ou estabilidade de 6 min, com NQ de 220 s
BásicoW de 100 ou estabilidade de 3 min, com NQ de 200 s
Outros usosQualquer valor
Por Grupo, a mesma norma separa consumo humano direto de moagem em blends, ração, amido e etanol.
Conceito

Peso hectolítrico e MMG

Peso hectolítrico

Massa por volumeMedido em segundosCritério de Tipo

Prevê o rendimento de farinha, e é isso que o moinho compra. Tipo 1 exige 78 kg/hL.

Massa de mil grãos

Massa do grão individualExige contar mil grãosPesquisa e sementes

Um lote pode ter MMG alta e PH baixo se os grãos forem irregulares e se empacotarem mal.

Padrão comercial do trigo

Classificação comercial do trigo

Tabela de classificação comercial do trigo por tipo (1, 2, 3 e fora de tipo), com peso do hectolitro, impurezas e percentuais de defeitos (Brasil, 2010).
Tabela de classificação comercial do trigo por tipo (1, 2, 3 e fora de tipo), com peso do hectolitro, impurezas e percentuais de defeitos (Brasil, 2010).
Fonte: Trigo - Manejo fitossanitário e colheita
A dimensão do grão define a classe

Arroz, classes pela IN 6/2009

ClasseComprimentoObservação
Longo e fino6,0 mm ou maisAgulhinha, com relação comprimento e largura alta
Longo6,0 mm ou maisRelação menor que a do agulhinha
MédioDe 5,0 a 6,0 mmQualquer relação
CurtoAbaixo de 5,0 mmQualquer relação
MisturadoSem predominânciaNenhuma classe atinge 80% da amostra
Padrão comercial do arroz

Classes e defeitos do arroz

Prancha fotográfica do arroz beneficiado, reunindo as classes por tamanho (longo fino, longo, médio e curto) e os principais defeitos, de quebrados e quirera a mofados, ardidos, pretos e manchados.
Prancha fotográfica do arroz beneficiado, reunindo as classes por tamanho (longo fino, longo, médio e curto) e os principais defeitos, de quebrados e quirera a mofados, ardidos, pretos e manchados.
Fonte: 04. Arroz - Manejo Fitossanitário, Colheita e Produtividade
Cada ponto percentual de grão inteiro é preço

O que derruba o arroz

Ge
Defeito óptico

Gessamento

Amido frouxo com microespaços de ar espalha a luz e deixa o grão opaco.

Tr
Fragilidade

Trinca

Fissuras formadas no campo se partem no descasque e no polimento.

Re
O que paga

Grãos inteiros

A base comercial é a renda 58/12, com bonificação acima e deságio abaixo.

Colher entre 18% e 22% de umidade, secar sem choque e controlar percevejo e brusone é o manejo para qualidade.
Padrão comercial do arroz

Arroz em casca: tipos e defeitos

Limites máximos de tolerância de defeitos, em percentagem de peso, para os tipos 1 a 5 do arroz em casca.
Limites máximos de tolerância de defeitos, em percentagem de peso, para os tipos 1 a 5 do arroz em casca.
Fonte: 04. Arroz - Manejo Fitossanitário, Colheita e Produtividade
Do arroz em casca ao arroz de prato

O beneficiamento do arroz

1
Pré-limpeza e descascamento do grão em casca
2
O separador devolve o marinheiro ao descascador
3
O brunidor remove a película e gera o farelo
4
O classificador separa inteiros, quebrados e quirera
A renda do benefício soma inteiros e quebrados; o rendimento de grãos inteiros é o que define o preço, com base comercial na renda 58/12.
Beneficiamento do arroz

Etapas do beneficiamento do arroz

Esquema das etapas de beneficiamento do arroz, do grão em casca ao arroz polido (descascamento, brunição, classificação).
Esquema das etapas de beneficiamento do arroz, do grão em casca ao arroz polido (descascamento, brunição, classificação).
Fonte: 04. Arroz - Manejo Fitossanitário, Colheita e Produtividade
O que o beneficiamento retira

Estrutura do grão de arroz

Estrutura do grão de arroz, com a casca que o beneficiamento remove (JULIANO, 1984).
Estrutura do grão de arroz, com a casca que o beneficiamento remove (JULIANO, 1984).
Fonte: Como a Planta de Arroz se Desenvolve (Embrapa)
Beneficiamento do arroz

Rendimento no beneficiamento do arroz

Balanço de massa do beneficiamento: de 60 kg de arroz em casca a 13% de umidade resultam 40 kg de arroz polido, dos quais 32 kg de grãos inteiros, além de 12 kg de casca e 8 kg de farelo.
Balanço de massa do beneficiamento: de 60 kg de arroz em casca a 13% de umidade resultam 40 kg de arroz polido, dos quais 32 kg de grãos inteiros, além de 12 kg de casca e 8 kg de farelo.
Fonte: 04. Arroz - Manejo Fitossanitário, Colheita e Produtividade
Bloco F · Sistemas de produção

O que sustenta no tempo

“
Nenhuma cultura cultivada isolada e repetida na mesma área se sustenta sem degradar solo e sanidade.
Três arranjos temporais que se confundem

Monocultura, sucessão e rotação

Monocultura e sucessão

Mesma espécie repetidaDuas culturas no anoSem alternância de família

No arroz de terras altas a monocultura colapsa em um a dois anos de cultivo.

Rotação

Famílias distintasAo longo dos anosObjetivo fitossanitário

A rotação não controla qualquer patógeno: escapam os de estrutura de resistência, muitos hospedeiros ou esporo leve.

Sistemas de produção

Sistema de monocultura em glebas

Figura 4: exemplo de sistema em monocultura (produção isolada) em duas glebas de uma propriedade rural, ao longo de 6 anos (soja e milho em glebas separadas).
Figura 4: exemplo de sistema em monocultura (produção isolada) em duas glebas de uma propriedade rural, ao longo de 6 anos (soja e milho em glebas separadas).
Fonte: Sistemas de Produção Agrícola e Produção de Cereais
Sistemas de produção

Sucessão de culturas em 6 anos

Figura 5: exemplo de sistema de sucessão trigo/soja (gleba 1) e milho/soja (gleba 2) ao longo de 6 anos.
Figura 5: exemplo de sistema de sucessão trigo/soja (gleba 1) e milho/soja (gleba 2) ao longo de 6 anos.
Fonte: Sistemas de Produção Agrícola e Produção de Cereais
A distinção que os alunos mais erram

Quatro conceitos lado a lado

ConceitoO que combinaDimensão
SucessãoDuas culturas em sequência no mesmo anoTemporal, mesmo ciclo agrícola
RotaçãoCulturas de famílias distintas ao longo dos anosTemporal, plurianual
ConsórcioDuas espécies na mesma área e ao mesmo tempoEspacial, simultâneo
IntegraçãoLavoura, pecuária e florestaSistema produtivo
Sucessão e rotação

Rotação em duas glebas

Rotação de culturas em duas glebas, ao longo de três ciclos de dois anos.
Rotação de culturas em duas glebas, ao longo de três ciclos de dois anos.
Fonte: Sistemas de Produção: Conceitos e Definições
Quatro funções que se somam

O que a rotação entrega

Fi
Função 1

Fitossanidade

Quebra o ciclo de pragas, doenças e nematoides que persistem nos restos.

MO
Funções 2 e 3

Matéria orgânica e N

Resíduos e raízes distintas melhoram a física do solo, e leguminosas fixam nitrogênio.

Da
Função 4

Erosão e daninhas

Mantém cobertura e permite alternar herbicidas e explorar a alelopatia.

Para nematoide, o critério é o fator de reprodução: só a cultura com FR abaixo de 1 limpa a área.
Conforme os componentes presentes

Os arranjos de integração

ArranjoSiglaComponentes
Lavoura-pecuária, agropastorilILPLavoura e pecuária
Lavoura-floresta, silviagrícolaILFLavoura e floresta
Pecuária-floresta, silvipastorilIPFPecuária e floresta
Lavoura-pecuária-florestaILPFOs três componentes
Os adubos residuais da lavoura beneficiam a pastagem seguinte, de modo que o grão custeia a recuperação do pasto.
Um pode conter o outro

Consórcio e integração

Consórcio

Arranjo de plantioMesma área e tempoMilho e braquiária

É a ferramenta que viabiliza a integração, produzindo grão e pastagem na mesma safra.

Integração

Arranjo de sistemaLavoura, pecuária e florestaEscala maior

Combina componentes do sistema produtivo, que podem se organizar por rotação, sucessão ou consórcio.

Consórcio

Braquiária nas entrelinhas

Braquiária nas entrelinhas do girassol, para pastejo após a colheita.
Braquiária nas entrelinhas do girassol, para pastejo após a colheita.
Fonte: Sistemas de Produção: Conceitos e Definições
Quando o objetivo não é colher grão

O segundo destino dos rústicos

Mt
Milheto

A melhor palhada

De 8 a 15 t de matéria seca por hectare, com relação C/N de 70:1 a 100:1.

So
Sorgo

Forragem e silagem

Versões forrageira e de duplo propósito entram em corte, pastejo e silagem.

Me
A régua muda

Matéria seca, não sacas

O rendimento se mede em cobertura e ciclagem, e a escolha é de sistema.

Sistemas de produção

Calendário do sistema soja-milho safrinha

Calendário com fotos de campo ilustrando o sistema soja (verão) - milho safrinha/2ª safra - pousio, ao longo do ano agrícola.
Calendário com fotos de campo ilustrando o sistema soja (verão) - milho safrinha/2ª safra - pousio, ao longo do ano agrícola.
Fonte: Sistemas de Produção Agrícola e Produção de Cereais
Quatro anos, um quarto da área em cada fase

O sistema da Fazenda Capuaba

1
Soja de verão e milho safrinha consorciado com crotalária
2
Soja de verão e milho safrinha consorciado com braquiária
3
Soja sobre braquiária e sorgo consorciado
4
Coberturas de entressafra e arroz de terras altas
5
Consórcios de cobertura e reinício do ciclo
Solo nunca descoberto, diversidade que quebra ciclos e ciclagem que reduziu a despesa com fertilizante.
Sistemas de produção

Rotação de culturas da Fazenda Capuaba

Infográfico do sistema integrado de rotação de culturas da Fazenda Capuaba, com calendário de 4 anos combinando soja, milho safrinha, sorgo, arroz e coberturas vegetais.
Infográfico do sistema integrado de rotação de culturas da Fazenda Capuaba, com calendário de 4 anos combinando soja, milho safrinha, sorgo, arroz e coberturas vegetais.
Fonte: Sistemas de Produção Agrícola e Produção de Cereais
Para voltar ao texto

Fontes desta aula

ReferênciaO que sustenta
IN MAPA 38/2010 e 6/2009Classes comerciais de trigo e de arroz
Embrapa · perdas na colheitaMétodos de medição e tolerância por cultura
Fórmulas de estimativaComponentes de rendimento das cinco culturas
Literatura de reguladoresEncurtamento de entrenó e prevenção do acamamento
Sistemas ILP e ILPFArranjos de integração e consórcio
Fazenda CapuabaRotação de quatro anos documentada no Cerrado
Texto de apoio completo da Aula 12 no site da disciplina.
O caminho que percorremos

A síntese da aula em cinco passos

1
A produtividade é um produto de componentes, e cada um fecha na sua janela
2
O acamamento rouba produtividade com a planta ainda em pé
3
Perda de colheita que não se mede nunca é corrigida
4
A umidade governa a conservação depois que o grão sai do campo
5
Monocultura repetida não se sustenta: rotação e integração sustentam
?
Retome a pergunta
O que diferencia sistemas produtivos que permanecem produtivos por décadas daqueles que entram em declínio?
Responda agora com o que você viu na aula.
A resposta

De potencial a sistema

“
A conversão exige fechar três contas: a agronômica, colhendo no ponto de umidade que minimiza perda e dano ao mesmo tempo; a comercial, enquadrando o grão na classe que remunera; e a de sistema, escolhendo a sucessão ou rotação que mantém solo e sanidade viáveis para a safra seguinte. Um sistema que produz muito por uma safra e degrada o solo não converteu potencial, apenas o antecipou.
Encerramento
Quem enxerga só a saca da safra atual adoece a área amanhã; quem enxerga o sistema sustenta a fazenda.