Unidade I · Fundamentos Biológicos

Quando, exatamente, a qualidade de uma semente é definida?

Aula 02. Formação, Desenvolvimento e Maturação de Sementes
Prof. Dr. Anísio da Silva Nunes
Produção e Tecnologia de Sementes
UNEMAT · Agronomia · Tangará da Serra
?
Ponto de partida
O que acontece durante a formação da semente que determina seu desempenho futuro?
Ao final desta aula, você será capaz de

Objetivos de aprendizagem

01

Fatores de risco na formação

Identificar fatores que comprometem a formação de sementes em campos de produção.

02

Reprodução e pureza genética

Relacionar os mecanismos de reprodução ao manejo de cultivares e híbridos, visando pureza genética.

03

Origem dos problemas de qualidade

Explicar problemas de qualidade de sementes a partir de eventos ocorridos durante sua formação.

A unidade que originará a semente

Estruturas do óvulo

Fu
Nutrição

Funículo

Conduz fotossintatos e íons da planta-mãe para o óvulo em desenvolvimento.

Nu
Tecido central

Nucela

Tecido diploide materno que ocupa o centro do óvulo.

In
Proteção

Integumentos

Primina externa e secundina interna envolvem a nucela materna.

Mi
Passagem

Micrópila

Abertura estreita por onde o tubo polínico penetra o óvulo na fertilização.

Megasporogênese e megagametogênese

Estruturas do óvulo

Etapas da formação do óvulo, do primórdio ao saco embrionário.
Etapas da formação do óvulo, do primórdio ao saco embrionário.
Fonte: Marcos Filho — Fisiologia de Sementes de Plantas Cultivadas
Classificação pela curvatura

Quatro tipos de óvulo

TipoCaracterísticaOcorrência
AnátropoCurvatura completa; funículo e micrópila próximosMais comum em cultivadas
OrtótropoMicrópila e funículo no mesmo planoPoligonáceas
CampilótropoCurvatura menos acentuadaFabáceas
AnfítropoCurvatura afeta nucela e saco embrionárioOcorrência variável
Morfologia floral

Quatro tipos de óvulo

Tipos de óvulo em corte longitudinal: ortótropo, anátropo e outros.
Tipos de óvulo em corte longitudinal: ortótropo, anátropo e outros.
Fonte: Marcos Filho — Fisiologia de Sementes de Plantas Cultivadas
A origem dos tecidos separa as estruturas

Semente e fruto não são sinônimos

Leguminosas

Fruto e semente separáveisPericarpo independente do tegumentoEstruturas identificáveis

Soja (Glycine max) e feijão (Phaseolus vulgaris) separam nitidamente fruto e semente.

Gramíneas

Pericarpo funde ao tegumentoForma a cariopseCariopse é o diásporo

Milho (Zea mays) e trigo (Triticum aestivum) fundem pericarpo e tegumento na cariopse.

Anatomia

Semente e fruto

Estrutura da semente de milho, onde fruto e semente se confundem.
Estrutura da semente de milho, onde fruto e semente se confundem.
Fonte: 03. Estrutura e Composição Química de Sementes
Do estado vegetativo ao reprodutivo

Genes que comandam a floração

FL
Repressor

FLC

Gene repressor que mantém o meristema caulinar em estado vegetativo.

LF
Identidade

LFY e AP1

Genes de identidade floral ativados quando a repressão de FLC diminui.

FT
Sinal móvel

Proteína FT

Sintetizada na folha, viaja ao meristema; é o florígeno buscado por décadas.

Quatro rotas convergem no meristema

Vias que promovem a floração

1
Via do fotoperíodo, mediada pelos genes CO e GI
2
Via da vernalização, silencia o FLC por epigenética
3
Via das giberelinas, mais relevante em dias curtos
4
Via autônoma, depende da idade da planta
Autogamia e alogamia pedem manejos distintos

Soja autógama, milho alógamo

Soja (autógama)

Dia curto, fotoperíodo críticoPoliniza antes da aberturaMenor risco de cruzamento

Soja (Glycine max): a época de semeadura muda o tempo vegetativo antes da indução floral.

Milho (alógamo)

Polinização pelo ventoPólen viaja longas distânciasIsolamento mínimo obrigatório

Milho (Zea mays): a polinização cruzada exige isolamento em campos de produção de semente.

Modelo ABC de identidade floral

Genes homeóticos moldam a flor

Fl
Após a evocação floral

Organogênese floral

O modelo ABC descreve a diferenciação de sépala, pétala, estame e carpelo em ordem e posição definidas.

Ge
Três classes de genes

Genes A, B e C

A combinação da expressão desses genes homeóticos determina a identidade de cada peça floral.

Ov
Dentro do carpelo

Primórdios do óvulo

No carpelo formam-se os primórdios dos óvulos, que originarão a semente após a fecundação.

Mesma meiose, destinos numéricos distintos

Microsporogênese e megasporogênese

Gametófito masculino

Meiose na anteraQuatro micrósporos viáveisFormam grãos de pólen

Menor investimento energético por unidade formada.

Gametófito feminino

Meiose no óvuloUm megásporo funcionalOs outros três degeneram

Maior investimento energético por óvulo funcional formado.

Sete células dentro do saco embrionário

Células do saco embrionário

CélulaQuantidadeFunção
Oosfera1Gameta feminino; funde-se ao gameta masculino
Sinérgidas2Flanqueiam a oosfera; secretam guia químico
Antípodas3Localizadas no polo calazal
Célula central1 (binucleada)Origina o endosperma após a fertilização
Megagametogênese

Saco embrionário

Carpelo, óvulo e o desenvolvimento do saco embrionário.
Carpelo, óvulo e o desenvolvimento do saco embrionário.
Fonte: ABEAS — material do curso
Tempo e distância na fecundação

Antese, tempo e isolamento

8 a 10 h
entre a deposição do pólen e a fertilização em soja
200 a 300 m
isolamento mínimo em campos de produção de milho
Do estigma ao saco embrionário

O caminho do tubo polínico

Po
Via principal

Porogamia

Entrada do tubo polínico pela micrópila, a rota mais comum entre as angiospermas.

Cz
Via alternativa

Calazogamia

Entrada do tubo polínico pela calaza, observada em casos específicos.

Ío
Orientação

Guia químico

Íons de cálcio e substâncias secretadas pelas sinérgidas orientam o crescimento do tubo polínico.

Fecundação

Dupla fertilização

O tubo polínico e a dupla fertilização das angiospermas.
O tubo polínico e a dupla fertilização das angiospermas.
Fonte: Marcos Filho — Fisiologia de Sementes de Plantas Cultivadas
O peso dos vetores animais

Insetos elevam a produção

367
sementes por umbela de cebola sem acesso de polinizadores
824
sementes por umbela de cebola exposta a insetos polinizadores
Evento exclusivo das angiospermas

A fecundação é dupla

Um gameta forma o zigoto com a oosfera; o outro forma o endosperma com a célula central.
Cada parte da semente tem sua origem

Origem genética da semente

Estrutura floralParte da sementePloidiaOrigem genética
Oosfera + gameta masculinoEmbrião2nMãe + pai
Núcleos polares + gametaEndosperma3nMãe (2n) + pai (n)
Integumentos do óvuloTegumento2nExclusivamente materna
FunículoHilo2nExclusivamente materna
Tegumento e hilo têm origem exclusivamente materna.
Uma trava para o melhoramento

O tegumento não mente

Te
Origem materna

Tegumento é da mãe

O tegumento deriva só dos integumentos do óvulo; seu genótipo reflete exclusivamente a planta-mãe.

F1
Geração seguinte

Contaminação tardia

Pólen estranho só aparece na geração seguinte, quando o embrião com o gene paterno crescer.

Ra
Uso em melhoramento

Rastreio de cruzamentos

Em soja, essa distinção genética ajuda a monitorar pureza e rastrear cruzamentos em programas de melhoramento.

Do zigoto ao embrião maduro

Cinco estádios da embriogênese

1
Estádio zigótico: divisão assimétrica gera células apical e basal
2
Estádio globular: protoderme se diferencia; simetria radial
3
Estádio de coração: cotilédones e meristemas MAC e MAR
4
Estádio de torpedo: alongamento define o eixo embrionário
5
Estádio maduro: reservas acumulam e a dessecação se inicia
Um só cotilédone muda tudo

Monocotiledôneas e dicotiledôneas divergem

Monocotiledôneas

Escutelo absorve reservasColeóptilo protege a plúmulaColeorriza protege a radícula

Milho (Zea mays) usa o mesocótilo para emergir de maior profundidade.

Dicotiledôneas

Dois cotilédones volumososEndosperma absorvido no desenvolvimentoReservas nos cotilédones

Soja (Glycine max), feijão (Phaseolus vulgaris) e algodão (Gossypium hirsutum) armazenam reservas nos cotilédones.

Anatomia comparada

Gramínea x dicotiledônea

Estrutura das sementes de monocotiledônea e de eudicotiledônea.
Estrutura das sementes de monocotiledônea e de eudicotiledônea.
Fonte: KLS
Quatro padrões de desenvolvimento

Tipos de desenvolvimento do endosperma

TipoDesenvolvimentoExemplos
NuclearMitoses sem citocinese, depois celularizaMilho, trigo, arroz
CelularCada divisão já forma célulasAlgumas Brassicaceae
HelobialCélula basal divide-se diferente da apicalMonocotiledôneas aquáticas
Absorvido pelo embriãoDegradado durante a embriogêneseSoja, feijão, algodão
Duas regiões, duas funções

Aleurona e endosperma amiláceo

Camada de aleurona

Células vivas periféricasCorpos proteicos e fitasePercebe as giberelinas

Pode representar, com o amiláceo, até 70% da massa da semente madura.

Endosperma amiláceo

Células mortas internasAmido e proteínasRecebe as hidrolases

Mobiliza reservas para o embrião durante a germinação.

Tecidos de reserva

Aleurona e endosperma

Grão de cevada: aleurona, endosperma amiláceo e suas funções.
Grão de cevada: aleurona, endosperma amiláceo e suas funções.
Fonte: 16
Do embrião ao endosperma amiláceo

Como a semente mobiliza reservas

1
Embrião em germinação sintetiza e libera giberelinas
2
Camada de aleurona percebe o sinal das giberelinas
3
Aleurona secreta hidrolases: alfa-amilase, proteases e lipases
4
Hidrolases degradam amido e proteínas do endosperma amiláceo
5
Produtos da hidrólise são absorvidos pelo embrião em crescimento
Do integumento ao tegumento maduro

Testa, tégmen e defesas

Te
Camada externa

Testa

Origina-se da primina; é a camada mais espessa e resistente.

Tg
Camada interna

Tégmen

Origina-se da secundina; geralmente mais delgado que a testa.

Ma
Barreira física

Macroesclereídeos

Camada paliçádica lignificada que bloqueia a entrada de água em leguminosas.

Ca
Absorção

Carúncula

Apêndice esponjoso que facilita a embebição inicial, como na mamona (Ricinus communis).

Marcas que sobram do óvulo

Estruturas residuais do tegumento

EstruturaOrigemDescrição
HiloFunículoCicatriz de desligamento da planta-mãe
MicrópilaIntegumentosPoro residual no tegumento maduro
RafeIntegumento fundidoLinha de fusão vascular no óvulo anátropo
Química da maturação do tegumento

Textura do tegumento maduro

Li
Rigidez

Lignina

Deposita-se nas camadas externas e confere rigidez mecânica ao tegumento maduro.

Su
Impermeabilização

Suberina e cutina

Contribuem para a impermeabilidade variável à água do tegumento maduro.

Ta
Cor e defesa

Taninos e pigmentos

Definem a cor do tegumento e ajudam na resistência a microrganismos e danos mecânicos.

Distinção técnica das RAS 2025

Dura não é dormente

Semente dura tem tegumento impermeável; dormente tem bloqueio fisiológico; morta não responde a nenhum tratamento.
De onde vêm os fotossintatos

Órgãos-fonte da planta-mãe

Fo
Órgão principal

Folhas

Principal fonte de sacarose via floema para o enchimento da semente.

Va
Reforço em leguminosas

Vagens

Fotossintetizam e complementam o enchimento quando a folhagem perde área.

Co
Reserva em gramíneas

Colmo e glumas

Guardam carboidratos remobilizados sob estresse hídrico tardio.

Uma barreira sem plasmodesmos

Da folha ao interior da semente

1
Floema transporta sacarose das folhas até o funículo
2
Descarga apoplástica no funículo, sem plasmodesmos até a semente
3
Células da semente absorvem ativamente os fotossintatos do apoplasto
4
Em gramíneas, sacarose vira hexoses na cavidade endospérmica
Nota de manejo

A folha decide o vigor

Preservar a folhagem no enchimento, entre R5 e R6, pesa mais no vigor final que o beneficiamento posterior.
Da divisão celular à dessecação

Quatro fases da semente

1
Fase I: divisão celular define o número final de células
2
Fase II: expansão celular; histodiferenciação dos tecidos se completa
3
Fase III: acúmulo de reservas; massa seca atinge o máximo
4
Fase IV: dessecação; perda da conexão vascular com a planta-mãe
O ponto de máxima matéria seca

Maturidade não é teor de água

~50%
teor de água da soja no ponto de maturidade fisiológica
9 espécies
estudadas por TeKrony e Egli (1997) confirmaram o padrão
Maturação

Maturidade e matéria seca

Teor de matéria seca e de água ao longo da maturação do grão.
Teor de matéria seca e de água ao longo da maturação do grão.
Fonte: SEMENTES
Indicadores de campo em cereais

Indicadores de maturidade: cereais

EspécieIndicador morfológicoTeor de água
MilhoCamada negra completa; linha de leite30 a 35%
TrigoFolha bandeira perde cor; grão endurece35 a 40%
ArrozMudança de cor das glumas~32%
Duas leguminosas, dois sinais de campo

Cor do tegumento e da vagem

Soja

Estádio R7 da plantaTegumento muda de cor~50% de água

Soja (Glycine max): ponto preto na semente confirma a maturidade fisiológica.

Feijão

Vagens mudam de corSenescência foliar inicial40 a 45% água

Feijão (Phaseolus vulgaris) mostra sinais visuais na vagem antes da colheita.

Dois sinais no grão de milho

Identificar a maturidade do milho

CN
Indicador definitivo

Camada negra

Formada na base da cariopse pela inativação das células de transferência de reservas.

LL
Indicador auxiliar

Linha de leite

Fronteira entre endosperma líquido e sólido; próxima da base indica maturidade próxima.

E4
Referência de estádio

Estádio 4

Segundo Hunter et al. (1991), com camada negra completa a maturidade fisiológica foi atingida.

Ponto de colheita

Maturidade do milho

Camada negra e linha de leite como marcadores da maturidade do milho.
Camada negra e linha de leite como marcadores da maturidade do milho.
Fonte: Marcos Filho — Fisiologia de Sementes de Plantas Cultivadas
O custo cresce de forma acelerada

Atraso de colheita no milho

1,5%
de perda aos 6 dias de atraso, com 25% de umidade
5%
de perda aos 25 dias, com 18% de umidade
15%
de perda aos 50 dias, com 15% de umidade
Dois pontos, duas lógicas

Fisiológica e colheita não coincidem

Maturidade fisiológica

Referencial biológicoMáxima matéria seca~50% de água na soja

A partir daqui a semente já começa a se deteriorar.

Maturidade de colheita

Referencial operacionalColhedora sem dano excessivo14 a 18% de água

Ocorre semanas depois da maturidade fisiológica, na soja em MT.

Operação depois da maturidade fisiológica

Colher sem perder qualidade

14
Ponto operacional

14 a 18% de água

Teor de água que permite colheita mecanizada da soja sem danos excessivos no Cerrado.

Ri
Janela de risco

Entre os dois pontos

Temperatura alta e umidade elevada do Cerrado aceleram a deterioração nesse intervalo.

No
Boa prática

Colheita noturna

Reduz o choque de embebição e os danos mecânicos, por maior umidade e menor temperatura.

Hormônios das fases iniciais

Hormônios das fases iniciais

HormônioFase principalEfeito
CitocininasFase IPromovem divisões celulares
GiberelinasFases II e IVExpansão celular; mobilização de reservas
AuxinasEmbriogênesePadrão espacial do embrião
O equilíbrio que decide germinar ou não

ABA e GA mudam de posição

Estágios iniciais

Sensibilidade alta ao ABASensibilidade baixa à GAFavorece a dormência

No início do desenvolvimento, a semente tende à dormência.

Semente madura

Relação ABA:GA se inverteGermina em condição favorávelSalvo dormência adicional

Sem bloqueio físico, químico ou morfológico adicional, a semente madura germina.

Hormônios das fases finais

Hormônios das fases finais

HormônioFase principalEfeito
ABAFases III e IVReservas; inibe germinação precoce
EtilenoFase IVSenescência e abscisão
Genes que comandam o programa de reservas

Fatores mestres da maturação

AB
Fator mestre

ABI3/VP1

Ativa genes de reserva, de proteínas LEA e de tolerância à dessecação.

FU
Fator mestre

FUS3

Regulador-mestre do mesmo programa genético de maturação da semente.

LE
Fator mestre

LEC1 e LEC2

Completam o conjunto de reguladores-mestres que comandam a maturação da semente.

Mesmo desequilíbrio, contextos diferentes

Germinar antes da colheita

Viviparia verdadeira

Fenômeno natural e raroMangue Rhizophora mangleVantagem seletiva no estuário

Germinação ainda presa à planta-mãe, adaptação a ambientes estuarinos.

Germinação pré-colheita

Cultivares agrícolasChuva antes da colheitaTrigo e cevada afetados

Problema agronômico sério em climas úmidos, inclusive no Cerrado.

Um risco depois da maturidade fisiológica

Como o campo perde o lote

1
Semente atinge a maturidade fisiológica na lavoura
2
Chuva ou umidade relativa alta incide antes da colheita
3
Insuficiência ou insensibilidade ao ABA no embrião
4
Embrião germina ainda preso à planta, antes de colher
5
No Cerrado, risco cresce com chuvas de fevereiro e março
O milho revelou o mecanismo

Mutantes vivíparos do milho

Deficientes em ABA

Cinco mutantes distintosBiossíntese do ABA falhaGerminam direto na espiga

Mutantes vp2, vp5, vp7, vp9 e vp14 são deficientes na biossíntese do ABA; VP14 cliva epoxicarotenoides para formar xantoxina, precursor do ABA.

Insensível ao ABA

Mutante vp1Insensível ao ABATambém expressa viviparia

Viviparia nesses mutantes também exige giberelina ativa; duplos mutantes sem GA não são vivíparos.

Viviparidade

Germinação pré-colheita

Germinação na espiga: mutantes vivíparos e brotação pré-colheita.
Germinação na espiga: mutantes vivíparos e brotação pré-colheita.
Fonte: 16
Nem toda semente tolera a mesma secagem

Três grupos quanto à tolerância

GrupoTolerância à secagemExemplo
OrtodoxasAlta; armazenamento longo e frioSoja, milho, trigo
IntermediáriasModerada; perde viabilidade fácilCafé (Coffea arabica)
RecalcitrantesNão tolera; sem banco convencionalSeringueira, cacau, açaí
Tolerar ou não a dessecação

Ortodoxas e recalcitrantes

Ortodoxas

Dessecação programadaBaixo teor de água finalArmazenamento longo a frio

Soja (Glycine max), milho (Zea mays), trigo (Triticum aestivum), arroz (Oryza sativa), feijão (Phaseolus vulgaris) e algodão (Gossypium hirsutum).

Recalcitrantes

Sem dessecação programadaMetabolismo sempre ativoFora dos bancos convencionais

Seringueira (Hevea brasiliensis), cacau (Theobroma cacao), açaí (Euterpe oleracea), araucária (Araucaria angustifolia) e castanha-do-Brasil (Bertholletia excelsa).

Nem toda recalcitrância é igual

Graus de recalcitrância

GrauTolerância à secagemExemplos
MínimaMaior tolerância; germinação lentaQuercus, Araucaria
ModeradaTolerância intermediáriaTheobroma, Hevea
AltaPouca tolerância; germinação rápidaAvicennia marina
Como a semente sobrevive à seca extrema

Quatro escudos moleculares

LE
Proteção

Proteínas LEA

Hidrofílicas e termoestáveis; protegem membranas e atuam como chaperonas.

HS
Redobramento

HSPs

Chaperonas que evitam agregação de proteínas na dessecação.

Estado vítreo

Açúcares protetores

Sacarose e rafinose formam um sólido amorfo que imobiliza reações.

An
Antioxidantes

Sistemas antioxidantes

Superóxido dismutase, catalase e tocoferóis removem radicais livres.

Antes da primeira divisão celular

O que a reidratação repara

1
Reparo das membranas celulares
2
Reparo do DNA danificado na dessecação
3
Reparo do RNA e retomada da síntese
4
Reparo de proteínas antes da divisão celular
O que o clima pode comprometer

Fatores físicos e o lote

FatorPeríodo críticoConsequência
Alta temperatura (> 30°C)Fase IIISementes esverdeadas; menor vigor
Déficit hídricoFase IIISementes menores; menor vigor
Excesso hídrico pré-colheitaApós a maturidade fisiológicaGerminação pré-colheita; sanidade ruim
O que a planta-mãe precisa oferecer

Nutrientes na formação da semente

Ni
Proteína

Nitrogênio

Determina o conteúdo proteico da semente; sua falta reduz o vigor.

Estruturas

Fósforo

Sua deficiência reduz o número de flores e sementes por vagem.

En
Aminoácidos

Enxofre

Participa da síntese de aminoácidos sulfurados nas proteínas de reserva.

O que o manejo pode evitar

Fatores bióticos e de manejo

FatorPeríodo críticoConsequência
Percevejos sugadoresFases II e IIITegumento enrugado; embrião danificado
Deficiência de nitrogênioFase IIIMenor proteína; vigor reduzido
Colheita antecipadaAntes da maturidade fisiológicaVigor inferior ao potencial genético
Principais percevejos: Euschistus heros e Nezara viridula.
?
Retome a pergunta
O que acontece durante a formação da semente que determina seu desempenho futuro?
Responda agora com o que você viu na aula.
Encerramento
A qualidade da semente se define no campo, entre a flor e a dessecação; o beneficiamento só conserva o que o desenvolvimento já decidiu.