Por que sementes de espécies diferentes exigem manejos de armazenamento diferentes?
Identificar as estruturas-chave da semente e reconhecer suas funções na germinação e na emergência.
Classificar sementes pelo tipo de reserva predominante e inferir implicações para a qualidade.
Relacionar a composição química da semente com a longevidade e a tolerância a estresses.
É a semente vista pelo processador industrial.
As mesmas moléculas nutrem a planta antes da vida autotrófica.
Tegumento externo que define textura, coloração e caracteres varietais com valor diagnóstico na análise de pureza.
Ponto de inserção ao funículo; funciona como válvula higrostática que abre e fecha conforme a umidade do ar.
Abertura do tegumento próxima ao hilo, do lado da radícula; rota preferencial de entrada de água.
| Estrutura | Localização | Função ou origem |
|---|---|---|
| Rafe | Crista tegumentar em óvulos anátropos | Fusão do funículo ao integumento; valor taxonômico em leguminosas |
| Calaza | Extremidade oposta ao hilo | Transição entre tegumento e nucela; término dos ramos do floema |
| Carúncula | Mamona e outras euforbiáceas | Excrescência rica em lipídios; dispersão por formigas, a mirmecoria |
Flavonoides, antocianinas e taninos na testa absorvem radiação UV e reduzem a predação por insetos e o ataque de fungos.
Integumento externo do óvulo; origina a testa, camada protetora que persiste até a maturidade.
Integumento interno do óvulo; origina o tégmen, que costuma desaparecer na maturação.
Em muitas dicotiledôneas desaparece durante a maturação; a testa assume toda a proteção.
| Camada | Tipo celular | Função principal |
|---|---|---|
| Cutícula | Camada cerosa | Primeira barreira à embebição |
| Epiderme | Macrosclereídeos paliçádicos | Regula a permeabilidade à água |
| Hipoderme | Osteosclereídeos em ampulheta | Suporte mecânico e espaços |
Padrão comum na maioria das sementes.
Quebra por hidratação e secagem cíclica ou por escarificação.
| Camada | Tipo celular | Função principal |
|---|---|---|
| Parênquima | Células alongadas | Condução de assimilados |
| Endosperma residual | Células comprimidas | Barreira química secundária |
| Gramíneas | Testa rudimentar | Aderida ao pericarpo protetor |
Permanece intacta e impermeável após o período do teste de germinação; é contabilizada como viável na última contagem, sem sinais de deterioração.
Regula a entrada de oxigênio; pode contribuir para dormência por restrição respiratória.
Taninos no tegumento bloqueiam a germinação mesmo com o embrião isolado viável.
Paredes ricas em lignina e cutina tornam a epiderme a principal barreira à água.
| Estrutura | Dicotiledôneas | Gramíneas |
|---|---|---|
| Cotilédone | 2 cotilédones de reserva | 1 escutelo, absorve reservas |
| Proteção da plúmula | Ausente ou epicótilo | Coleóptilo |
| Proteção da radícula | Tegumento geral | Coleorriza |
| Localização das reservas | Cotilédones, exalbuminosas | Endosperma, albuminosas |
Raiz embrionária protegida pela coifa; em gramíneas rompe a coleorriza durante a germinação.
Eixo entre radícula e cotilédones; em milho origina o mesocótilo, que auxilia a emergência profunda.
Gema apical dos metâmeros foliares; em gramíneas é protegida pelo coleóptilo fotossensível.
Reserva nas dicotiledôneas; nas gramíneas o escutelo transfere reservas do endosperma.
Núcleos se dividem sem parede celular; paredes surgem depois, da periferia ao centro. Ocorre em cereais e mamona.
Cada divisão nuclear já forma parede celular desde o início; presente em certas dicotiledôneas.
Divisão assimétrica inicial gera câmara maior e menor, cada uma com desenvolvimento próprio.
Tecido 3n, duas cargas maternas e uma paterna, origina-se da fusão de núcleos polares com um núcleo espermático.
| Tipo | Reservas em | Exemplos cultivados |
|---|---|---|
| Albuminosa | Endosperma | Milho, trigo, arroz, sorgo, mamona, café |
| Exalbuminosa | Cotilédones | Soja, feijão, ervilha, algodão, amendoim |
| Perispermatosa | Perisperma, tecido nucelar | Beterraba, cariofiláceas, amarantáceas |
Milho, arroz, sorgo e trigo; amido como reserva dominante no endosperma.
Feijão, ervilha e cevada; proteína e amido combinados como reserva.
Soja e algodão; proteína e lipídio em proporções elevadas e combinadas.
Mamona, dendê, amendoim e girassol; lipídio como reserva amplamente predominante.
Celulose e hemicelulose predominam em palmeira jarina, café e tremoço, um padrão de reserva de parede celular pouco comum.
| Espécie | Proteína % | Lipídio % | Carboidrato % |
|---|---|---|---|
| Milho | 10 | 5 | 80 |
| Arroz | 8 | 2 | 65 |
| Trigo | 12 | 2 | 75 |
| Sorgo | 10 | 4 | 72 |
Com 38 a 45% de proteína e 17 a 22% de lipídios, é a oleaginosa mais proteica e a mais suscetível à deterioração oxidativa.
| Espécie | Proteína % | Lipídio % | Carboidrato % |
|---|---|---|---|
| Soja | 37 | 17 | 26 |
| Feijão | 23 | 1 | 56 |
| Mamona | 18 | 64 | 0 |
| Girassol | 17 | 46 | 19 |
Principal constituinte da fibra bruta; concentrada no tegumento, pobre no embrião e no endosperma.
Componente de parede que também funciona como reserva em algumas famílias vegetais.
Polissacarídeos de manose e galactose, hidrolisados na germinação em Fabaceae e Palmae.
| Componente | Ligações predominantes | Proporção média |
|---|---|---|
| Amilose | α(1,4), cadeia linear | 30%, varia de 11 a 35% |
| Amilopectina | α(1,4) e α(1,6), ramificada | 70%, componente majoritário |
Altera a gelatinização e a digestibilidade do amido.
Reflexo tanto industrial quanto na mobilização durante a germinação.
Principal transportadora de carbono da planta-mãe; precursora dos carboidratos de reserva.
Rafinose, estaquiose e verbascose; energia rápida na germinação e proteção de membranas na dessecação.
Líquido de alta viscosidade que retarda reações deteriorativas; sementes ortodoxas acumulam mais rafinósicos.
| Classe | Solubilidade | Exemplos |
|---|---|---|
| Albuminas | Solúveis em água | Leucosinas, legumelina, ricina |
| Globulinas | Solúveis em sal, insolúveis em água | Legumina, glicinina, vicilina |
| Prolaminas | Solúveis em álcool 70 a 90% | Zeína, gliadina, hordeína, avenina |
| Glutelinas | Solúveis em ácidos ou bases | Glutenina, orizina |
No milho, 55% prolaminas e 39% glutelinas.
Sustentam os derivados proteicos de soja usados na indústria.
Prolamina do milho deficiente em lisina e triptofano; qualidade proteica inferior à da soja e do feijão.
| Espécie | Prolaminas % | Glutelinas % |
|---|---|---|
| Milho | 55 | 39 |
| Trigo | 40 | 46 |
| Arroz | 5 | 80 |
| Cevada | 52 | 23 |
Organelas de 1 a 20 micrômetros; derivam do vacúolo central nas dicotiledôneas.
Glicoproteínas correspondentes a 1% a 10% da proteína em feijão cru; inativadas pelo calor.
Cerca de 2% a 3% da proteína da soja; inativados pela toastagem térmica.
| Cultura | Teor lipídico % | Oleico % | Linoleico % |
|---|---|---|---|
| Soja | 18 a 20 | 22 | 54 |
| Girassol | 45 a 50 | 26 | 64 |
| Amendoim | 47 a 50 | 50 | 31 |
Três ácidos graxos esterificados a um glicerol; forma predominante de armazenamento lipídico.
Corpos lipídicos envoltos por membrana de meia unidade, estabilizada por oleosinas.
Estabilizam a membrana, impedem a fusão entre corpos e ancoram as lipases da mobilização.
| Cultura | Teor lipídico % | Oleico % | Linoleico % |
|---|---|---|---|
| Canola | 35 a 45 | 55 | 25 |
| Mamona | 60 a 64 | n.d. | n.d. |
| Milho | 4 a 5 | 24 | 61 |
Mais propensa à peroxidação lipídica.
Maior estabilidade oxidativa em armazenamento.
A peroxidação dos fosfolipídios mitocondriais eleva a condutividade elétrica do exsudato de embebição, base do teste de vigor.
Ligam-se a proteínas e inibem enzimas; presentes na testa de feijão e cacau, reduzem a palatabilidade.
Compostos cíclicos com nitrogênio; o teor de alcaloides no tremoço limita seu uso na alimentação animal.
Açúcar ligado a composto não açúcar; a saponina é o exemplo mais citado, altamente tóxica.
| Composto | Localização ou papel | Relevância |
|---|---|---|
| Fitato | Corpos proteicos da aleurona e cotilédones | Concentra fósforo; indisponível a monogástricos |
| Zinco | Cofator da SOD Cu/Zn | Deficiência reduz a atividade antioxidante e o vigor |
| Tocoferóis | Lipídios de reserva e membranas | Antioxidantes lipossolúveis; retardam a oxidação |
| Isoflavonas | Cotilédones e embrião da soja | Defesa e atividade de fitoestrogênio |
Fitases hidrolisam o fitato e liberam fósforo para o eixo embrionário; em sementes secas a atividade é mínima.
Converte ânion superóxido em peróxido de hidrogênio e oxigênio; atua em mitocôndrias e citosol.
Decompõe peróxido de hidrogênio em água e oxigênio nos peroxissomos.
Reduz peróxido de hidrogênio usando doadores de elétrons na parede e nos vacúolos.
Usa ascorbato para reduzir peróxido de hidrogênio no citosol e nos cloroplastos.
| Fator | Efeito sobre proteína | Efeito sobre lipídios |
|---|---|---|
| Temperatura alta no enchimento | Reduz em soja; aumenta em trigo | Aumenta em soja |
| Déficit hídrico | Aumenta, por menor diluição | Efeito variável |
| Excesso de nitrogênio | Aumenta | Reduz, relação inversa |
| Fator | Efeito sobre proteína | Efeito sobre lipídios |
|---|---|---|
| Deficiência de fósforo | Reduz | Reduz |
| Deficiência de zinco | Reduz atividade da SOD | Aumenta a peroxidação |
Alta temperatura no enchimento favorece o teor de óleo na soja.
A mesma cultivar testada no Rio Grande do Sul pode se comportar diferente.
Dano oxidativo em membranas reduz o vigor em campo sem mudar a germinação, sobretudo em soja no Cerrado de MT.
Carboidratos, proteínas e lipídios nos cotilédones ou no endosperma sustentam o crescimento antes da fotossíntese.
Sacarose e rafinósicos na proporção adequada mantêm o estado vítreo e prolongam a longevidade.
Baixo teor de poli-insaturados e alta atividade de SOD e catalase aumentam a tolerância a estresses.
Ácido graxo oxidado não reverte, proteína desnaturada não renatura, e o DNA quebrado só é reparado em parte na embebição.
Por que sementes de espécies diferentes exigem manejos de armazenamento diferentes?