Por que a colheita antecipada em campo de sementes de soja pode criar um problema de dormência que não existia antes?
Explicar os mecanismos de indução e manutenção da dormência e associá-los ao tipo identificado no laudo.
Interpretar a presença de sementes duras e dormentes no laudo de análise segundo os critérios das RAS/MAPA.
Identificar o tipo de dormência presente e indicar o método de superação adequado para cada caso.
Mantém o lote em análise além do necessário e arrisca comercializar material inviável.
Reprova lotes que, com o tratamento certo, atingiriam os padrões de comercialização.
Ignorar o que essa categoria revela sobre a história do lote é erro recorrente.
| Estado | Bloqueio interno | Atitude correta |
|---|---|---|
| Quiescência | Nenhum, falta condição ambiental | Suprir água, temperatura, oxigênio ou luz |
| Dormência | Ativo e identificável | Diagnosticar o tipo e tratar |
| Inviabilidade | Embrião comprometido | Nenhum tratamento recupera a semente |
Semente dormente é viável e possui bloqueio interno que impede a germinação mesmo com água, temperatura, oxigênio e luz adequados.
Estado natural de semente seca recém-colhida.
O bloqueio precisa ser identificável e superável.
Determina parte da intensidade do bloqueio em cada semente do lote.
A posição na planta-mãe influencia o grau de dormência recebido.
Condições ambientais durante a maturação completam a variação de intensidade.
| Tipo | Locus | Mecanismo |
|---|---|---|
| Física | Tegumento e pericarpo | Impermeabilidade à água |
| Mecânica | Pericarpo e endosperma | Resistência ao crescimento da radícula |
| Química | Tegumento, pericarpo, endosperma, glumelas | Inibidores químicos e retenção de oxigênio por fenólicos |
A organização binária por locus do bloqueio, cobertura ou embrião, já orienta a escolha do tratamento antes de aprofundar o mecanismo.
| Tipo | Locus | Mecanismo |
|---|---|---|
| Fisiológica | Embrião | Desequilíbrio ABA e giberelinas |
| Morfológica | Embrião | Imaturidade morfológica |
| Morfofisiológica | Embrião | Imaturidade e bloqueio simultâneos |
Determinada antes de a semente deixar a planta-mãe.
Semente quiescente pode se tornar secundariamente dormente.
Camada paliçádica com linha lúcida impregnada de suberina e ceras bloqueia a entrada de água.
Pericarpo ou endosperma rígidos opõem resistência física ao crescimento da radícula.
Compostos fenólicos, cumarinas e ácido abscísico no pericarpo inibem a germinação.
Mucuna-preta, soja perene, alfafa, trevos, centrosema, calopogônio e leucena.
Representa a ocorrência de impermeabilidade tegumentar fora das leguminosas.
Corda-de-viola e beterraba somam-se às quinze famílias com tegumento impermeável.
Compostos fenólicos, cumarinas, ácido ferúlico e ácido abscísico no pericarpo reduzem a germinação; a lavagem em água corrente remove os inibidores.
Compostos fenólicos nas glumelas retêm oxigênio e bloqueiam a respiração do embrião.
Resistência à germinação na espiga é determinada por sensibilidade diferencial ao ABA.
Dormência primária é superada naturalmente; o risco está na dormência secundária pela secagem.
O período entre safras, de 6 a 7 meses, supera a dormência da maioria das cultivares de arroz da região.
Favorece a superação do bloqueio fenólico original.
Mecanismo diferente do bloqueio respiratório original.
Cultivares resistentes à germinação na espiga têm sensibilidade diferencial ao ABA; noites quentes no enchimento reduzem a dormência e aumentam o risco.
Lote com dormência física tratado com lavagem tem resultado insatisfatório; não rompe a linha lúcida.
Lote com inibidores no pericarpo submetido à escarificação mecânica também tem resultado insatisfatório.
O diagnóstico correto exige identificar o mecanismo dominante antes de escolher o tratamento.
A definição é operacional, não biológica; biologicamente é dormência física, o embrião está íntegro e germina se escarificado.
| Categoria | Absorveu água? | Viabilidade |
|---|---|---|
| Semente dura | Não | Preservada, embrião íntegro |
| Semente dormente | Sim, turgida | A verificar por tetrazólio ou dissecação |
| Semente morta | Sim, mole ou apodrecida | Nula |
Não é o valor absoluto de cada hormônio, é a relação entre as concentrações de ABA e giberelinas.
Cede rapidamente a nitrato de potássio, alternância de temperatura ou luz.
Exige tratamentos mais prolongados, como pré-esfriamento úmido.
Requer estratificação fria úmida por períodos longos, típica de espécies silvestres.
Ocorre em Apiaceae, Ranunculaceae e espécies florestais.
Exemplo no gênero Annona, como graviola e araticum.
Ocorre em Schizolobium parahyba, em Convolvulaceae e em espécies florestais; sem absorção de água, a escarificação vem sempre primeiro.
Ocorre durante a maturação em resposta a sinais do ambiente.
Período de atividade metabólica baixa sustentado pelo bloqueio já estabelecido.
Depende de estímulo ambiental específico detectado pela semente já dispersa.
Superado o bloqueio, o metabolismo retoma o rumo da formação da plântula.
O fitocromo B ativo promove giberelinas; razão vermelho/vermelho-extremo alta, como à luz solar direta, sinaliza condições favoráveis.
Locus mais caracterizado; alta expressão aumenta sensibilidade ao ABA e a dormência.
Regulam a síntese e a quebra do ABA conforme temperatura e umidade.
Metilação do DNA e modificação de histonas registram o estresse da planta-mãe.
Buscado onde a uniformidade da lavoura é prioridade.
Selecionar contra a própria uniformidade que se busca no restante da lavoura.
Cada operação que inverte camadas ativa o banco profundo.
Sementes profundas com pouco oxigênio ficam dormentes por mais tempo.
Bloqueio exógeno nas glumas e endógeno fisiológico no embrião, cultivar Marandu.
Não apresenta dormência, mas exige atenção redobrada às condições de colheita.
Dormência física por impermeabilidade tegumentar, alta em anos de déficit hídrico.
A colheita de Urochloa brizantha cv. Marandu ocorre em torno de janeiro e maio; o armazenamento a seco supera a dormência residual.
Colhedoras recolhem sementes menos maduras que a deiscência natural.
Sementes já maduras na queda ao solo antes da varredura.
Urochloa humidicola não apresenta dormência, o que simplifica o teste, mas exige atenção redobrada às condições de colheita e à deterioração rápida.
Sementes duras toleram mais a oscilação de umidade no campo.
Cria um problema de dormência que não existe na colheita correta.
Cultivar com tegumento impermeável manteve estável a soma de normais e duras por mais tempo que cultivar sem impermeabilidade, mesmo após chuva pré-colheita.
Análise logo após a colheita do arroz pode subestimar o potencial do lote.
Sementes duras de forrageiras têm potencial germinativo real e alteram o cálculo de semeadura.
Lotes fora dos padrões mínimos de germinação não podem ser comercializados como sementes.
A qualidade fisiológica se define antes do armazém e nunca melhora depois; o aumento de germinação do arroz recém-colhido é dormência sendo superada.
| Método | Ação | Cuidado |
|---|---|---|
| Escarificação mecânica | Atrito reduz a camada paliçádica | Intensidade evita ferir o embrião |
| Escarificação química | Ácido sulfúrico deixa tegumento poroso | Lavagem obrigatória após o ácido |
| Escarificação térmica | Água quente cria microfissuras | Tempo e temperatura controlados |
| Imersão em água | 24 a 48 horas em temperatura ambiente | Indicada para impermeabilidade leve |
Atrito contra superfícies abrasivas reduz a camada paliçádica sem atingir o embrião.
Imersão em ácido sulfúrico concentrado, cerca de duas partes para uma de sementes.
Imersão breve em água quente cria microfissuras por dilatação diferencial.
Equipamento de proteção completo e capela são obrigatórios; a proporção é de duas partes de ácido para uma de sementes, indicada para Desmodium e Urochloa.
| Método | Condição | Uso principal |
|---|---|---|
| Nitrato de potássio | 0,2% no substrato | Dormência fisiológica não profunda |
| Ácido giberélico | 0,02% a 0,1% no substrato | Conforme intensidade do bloqueio |
| Luz e alternância térmica | Câmara com ciclos programados | Componente fotossensível |
| Estratificação fria úmida | 5°C a 10°C por dias a meses | Dormência fisiológica profunda |
A Lei 10.711/2003 e o Decreto 10.586/2020 exigem padrões mínimos de germinação, pureza e água por espécie; dormência não tratada pode reprovar um lote valioso.
| Tratamento | Condições | Efeito |
|---|---|---|
| Pré-secagem em estufa | 50°C por 96 horas | Reduz atividade da peroxidase |
| Maceração em água | 40°C por 24 horas | Rompe o bloqueio fenólico |
| Hipoclorito de sódio | Solução 0,5% por 24 horas | Preferível à maceração em água |
| Pré-aquecimento | 50°C | Reduz a dormência pós-colheita |
Por que a colheita antecipada em campo de sementes de soja pode criar um problema de dormência que não existia antes?