Unidade I · Uso Responsável de Produtos Fitossanitários

Por que uma aplicação tecnicamente correta ainda pode causar dano fora da área tratada?

Aula 04. Deriva na Aplicação de Produtos Fitossanitários
Prof. Dr. Anísio da Silva Nunes
Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários
UNEMAT · Agronomia · Tangará da Serra
?
Ponto de partida
O que realmente carrega uma gota para fora do talhão tratado: o vento, a evaporação ou um erro de regulagem?
Ao final desta aula, você será capaz de

Objetivos de aprendizagem

01

Identificar o risco climático

Reconhecer condições de vento, temperatura e umidade que tornam a aplicação inadequada.

02

Dimensionar as consequências

Reconhecer os riscos ambientais, sociais e econômicos de um evento de deriva.

03

Situar a responsabilidade

Localizar a responsabilidade técnica e legal do aplicador diante do dano.

Onde esta aula entra na cadeia

Da Aula 03 para o transporte da gota

As Aulas 01 a 03 deixaram pronto

A cadeia de sete elosO produto e seu rótuloToxicidade e risco

O produto está escolhido, registrado e sua toxicidade é conhecida.

Esta aula entrega

O que carrega a gotaA janela climáticaQuem responde pelo dano

O terceiro elo: o transporte da gota entre a ponta e o alvo, onde nasce a deriva.

O caminho desta aula

Sete blocos, do conceito ao checklist

A O que é derivaB A eficiência que se perdeC O tamanho da gota decideD Os cinco fatores de riscoE O clima decide a janelaF Consequência e responsabilidadeG Como reduzir a deriva
A resposta à pergunta de abertura só se fecha no bloco E, com o clima.
Bloco A · O que é deriva

Nem todo escape é o mesmo escape

“
A deriva não é um evento único, mas um conjunto de mecanismos com causas e consequências distintas.
O que está em jogo

O problema de maior consequência

“
A aplicação pode sair com produto, dose e máquina certos e ainda causar dano fora do talhão.
Conceito

Deriva

“
Movimento de partículas ou vapores do produto fitossanitário para fora da área de aplicação pretendida, no momento da aplicação ou depois dela.
Duas causas, dois controles

Deriva de partículas e de vapor

Deriva de partículas

Durante a aplicaçãoVento e tamanho de gotaAlto controle

Gotas finas levadas pelo vento; a ponta, a pressão e o adjuvante reduzem muito.

Deriva de vapor

Após a deposiçãoVolatilidade e calorBaixo controle

O ingrediente ativo evapora da folha; depende da formulação, como nos auxínicos.

Onde a perda acontece

Endoderiva e exoderiva

AtributoEndoderivaExoderiva
Local da perdaDentro da área tratadaFora da área tratada
MecanismoEscorrimento e rebote de gota grossaArrastamento de gota fina pelo vento
Tamanho de gotaMuito grossa, acima da retençãoFina, abaixo de 150 µm
ConsequênciaPerda no solo, menor eficáciaDano ao vizinho, contaminação
Fonte: material técnico da Unidade I.
Comportamento da gota

Tamanho de gota no dossel

Variação do comportamento de gotas de diferentes tamanhos no dossel vegetal.
Variação do comportamento de gotas de diferentes tamanhos no dossel vegetal.
Fonte: AGRO nômico
O que reduz a dose no alvo

Perdas físicas e químicas da calda

Ev
Perda física

Deriva e volatilização

Partículas e vapor levados para fora do alvo pelo ar.

Es
Perda física

Escorrimento e rebote

Gota grossa demais escorre da folha ou quica para o solo.

Ág
Perda química

Inativação na água

Íons e coloides da água dura degradam o ingrediente ativo.

UV
Perda química

pH e fotodegradação

pH inadequado e raios ultravioleta quebram a molécula.

Como se mede a deriva

Métodos de mensuração de deriva

MétodoPrincípioLimitação
Amostradores volumétricos de arFiltra o ar e quantifica o produto retidoCusto operacional alto
Coletores passivos de superfícieGota se deposita em lâmina, fio ou cartãoDepende do vento e da gota
Amostradores rotativosSuperfície coletora gira em torno de eixoPrecisa de bateria
Sistemas a laserAnálise óptica do espectro em tempo realVolume pequeno, equipamento caro
Plantas indicadorasEspécie sensível em distâncias fixasNão quantifica, exige tempo
Planta indicadora típica: Cucumis sativus (pepino).
Bloco B · A eficiência que se perde

A conta que ninguém quer fazer

“
A deriva é a fração mais visível de um problema maior: a baixíssima eficiência média da aplicação química na agricultura.
Entendendo a fórmula · A conta que expõe o problema

Eficiência da aplicação: o que cada termo significa

FórmulaE (%) = dose teórica ÷ dose real × 100
Para que serve

Traduz em número o desperdício da pulverização: que fração da dose biologicamente necessária realmente faz efeito no alvo.

Quando usar

Ao avaliar ou comparar a eficiência de uma tecnologia de aplicação. Com dt ≈ 30 mg/ha e dr ≈ 90.000 mg/ha, E ≈ 0,033 %: quase todo o produto erra o alvo.

O que cada variável é e implica
Eeficiência da aplicação, em % — quanto menor, maior o desperdício.
dtdose teórica: mínimo de i.a. que, chegando ao alvo, bastaria para o controle (mg/ha).
drdose real: dose efetivamente aplicada em campo (mg/ha); em regra >3.000× a teórica.
× 100converte a razão dt/dr em porcentagem.
A conta que expõe o problema

Eficiência da aplicação

FórmulaE (%) = dose teórica ÷ dose real × 100
Com os dados de Brown (1951)30 ÷ 90.000 × 100
Dose teórica: 30 mg/haDose real: ~90.000 mg/ha
Resultado0,033% de eficiência
A dimensão do desperdício

Quase tudo erra o alvo

98%
dos inseticidas pulverizados atingem destino diferente do alvo
95%
dos herbicidas não chegam à espécie-alvo
3.000×
a dose real supera a dose teórica de controle
Entendendo a fórmula · Recuperação e cobertura

Cobertura de Courshee: o que cada símbolo significa

FórmulaC = 15 × V × R × K² ÷ (A × D)
Para que serve

Liga volume de calda, retenção, espalhamento e tamanho de gota à cobertura da superfície-alvo, mostrando o que a aumenta ou reduz.

Quando usar

Para comparar cenários mantendo as demais variáveis fixas (proporcionalidade). Não dá o valor absoluto de cobertura; o cálculo do próximo slide é apenas ilustrativo.

O que cada variável é e implica
Ccobertura percentual da área-alvo — o que se quer maximizar.
Vtaxa de aplicação (L/ha): volume de calda por hectare (≠ volume do tanque, ≠ dose do produto). Reduzi-la reduz a cobertura linearmente.
Rtaxa de recuperação: fração do volume emitido que fica retida no alvo (0 a 1).
Kfator de espalhamento da gota (ao quadrado); adjuvante que o eleva aumenta muito a cobertura.
Asuperfície vegetal por hectare a ser coberta.
Ddiâmetro da gota (µm); no denominador: gota maior reduz a cobertura.
15constante de proporcionalidade da equação.
Recuperação e cobertura · retomada na Aula 06

A cobertura de Courshee

FórmulaC = 15 × V × R × K² ÷ (A × D)
Substituição ilustrativa15 × 100 × 0,5 × 2² ÷ (10 × 300)
V: 100 L/haR: 0,5K: 2A: 10D: 300 µm
Resultado1,0cobertura relativa
Bloco C · O tamanho da gota decide

Nem a menor nem a maior

“
O tamanho da gota é o fator mais determinante do potencial de deriva de uma pulverização.
Descrevendo o espectro · aprofundado na Aula 09

Os parâmetros do espectro

DMV
Metade do volume

DMV (DV0,5)

Diâmetro que divide o volume pulverizado em duas metades iguais.

DMN
Metade do número

DMN

Diâmetro que divide o número total de gotas em duas metades iguais.

PRD
Risco de deriva

PRD

Percentual do volume em gotas abaixo de 150 µm, as mais sujeitas a derivar.

Parâmetros do espectro

DMV e DMN no espectro

Ilustração de como o DMV e o DMN são estabelecidos dentro de um espectro de gotas.
Ilustração de como o DMV e o DMN são estabelecidos dentro de um espectro de gotas.
Fonte: Tecnologia de aplicação de pesticidas
Classificação ASABE S572.1

Classes finas de pulverização

ClasseSímboloCorDMV aproximado
Extremamente finaXFRoxomenor que 60 µm
Muito finaVFVermelha60 a 145 µm
FinaFLaranja145 a 225 µm
MédiaMAmarela226 a 325 µm
Padrão ASABE S572.1; a S572.3 revisou limites e cores.
Classificação ASABE S572.1

Classes grossas de pulverização

ClasseSímboloCorDMV aproximado
GrossaCAzul326 a 400 µm
Muito grossaVCVerde401 a 500 µm
Extremamente grossaXCBranca501 a 650 µm
Ultra grossaUCPretamaior que 650 µm
Gota maior reduz a deriva, mas pode reduzir a cobertura.
Classificação de gotas

Pontas de referência do espectro

Pontas de referência usadas para delimitar as classes do espectro de gotas.
Pontas de referência usadas para delimitar as classes do espectro de gotas.
Fonte: ENTENDENDO A TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO
Pressão e espectro de gotas

VMD conforme a pressão

Diâmetros medianos volumétricos (VMD) de gotas em função da pressão de trabalho, segundo a ASABE S572.1.
Diâmetros medianos volumétricos (VMD) de gotas em função da pressão de trabalho, segundo a ASABE S572.1.
Fonte: Tecnologia de aplicação de pesticidas
Quanto o vento carrega a gota

Deslocamento da gota de 100 µm

1,3 m
com vento de 3,2 km/h, condição ideal
3,5 m
com vento de 10 km/h, limite máximo
4,1 m
com vento de 16,1 km/h, não aplicar
O equilíbrio do espectro

A gota ideal depende do alvo

“
A gota ideal deposita o máximo no alvo com o mínimo de contaminação; o tamanho depende do alvo.
Bloco D · Os cinco fatores de risco

Nenhum fator age sozinho

“
O risco de deriva nasce da interação de cinco fatores, não de um elemento isolado.
Do mais ao menos controlável

Cinco fatores do risco de deriva

1
Técnica de aplicação: ponta, atomizador e espectro
2
Composição da calda: formulação e adjuvantes
3
Condições meteorológicas no momento da aplicação
4
Condições operacionais: velocidade, barra e pressão
5
Tamanho da área e acúmulo no entorno
A ponta é o fator mais manejável

Ponta, gota e vento máximo

Tipo de pontaTamanho de gotaVento máximo
Indução de arGrossa ou muito grossa15 km/h
Pré-orifícioGrossa ou média9 km/h
Leque convencionalMédia ou fina6 km/h
Fonte: material técnico da Unidade I.
Ponta, gota e vento

Ponta de indução de ar

Ponta jato com indução de ar compacta: formato externo do jato e corte lateral interno.
Ponta jato com indução de ar compacta: formato externo do jato e corte lateral interno.
Fonte: ENTENDENDO A TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO
Distinção necessária · desenvolvida na Aula 10

Regulagem e calibração

Regulagem

Ajusta a máquinaAltura e pressãoAntes de calibrar

Define a altura de barra e a pressão de trabalho para a operação.

Calibração

Afere o resultadoVolume por áreaConfirma a taxa

Verifica se a regulagem entrega a taxa de aplicação pretendida.

Regulagem e calibração

Comando eletrônico da barra

Comando elétrico 744 da Teejet, o painel de cabine por onde a regulagem discutida no slide anterior é acionada durante a aplicação.
Comando elétrico 744 da Teejet, o painel de cabine por onde a regulagem discutida no slide anterior é acionada durante a aplicação.
Fonte: Proteção de plantas
Bloco E · O clima decide a janela

A máquina propõe, a atmosfera dispõe

“
A condição meteorológica no momento da aplicação decide, mais do que qualquer regulagem de máquina, se a deriva vai virar problema.
O fator meteorológico mais crítico

Vento e escala Beaufort

VelocidadeBeaufortCondição para pulverizar
menor que 2,0 km/hForça 0, calmoNão recomendada
2,0 a 3,2 km/hForça 1, quase calmoNão recomendada
3,2 a 6,5 km/hForça 2, brisa leveIdeal
6,5 a 9,6 km/hForça 3, vento leveEvitar herbicidas
9,6 a 14,5 km/hForça 4, moderadoImprópria
Temperatura e umidade juntas

O que é o Delta T

Ts
Bulbo seco

Temperatura do ar

Leitura do termômetro comum, a energia disponível para evaporar.

Tu
Bulbo úmido

Bulbo com pavio molhado

A evaporação resfria o bulbo; a umidade do ar define quanto.

ΔT
A diferença

Delta T

Diferença entre as leituras; quanto maior, mais seca a atmosfera.

Entendendo a fórmula · Amsden (1962)

Tempo de vida da gota: o que cada símbolo significa

Fórmulat = d² ÷ (80 × ΔT)
Para que serve

Estima o tempo de vida de uma gota até evaporar por completo: quanto tempo ela tem para atingir o alvo antes de virar deriva.

Quando usar

Para escolher a classe de gota e, sobretudo, para interromper a aplicação quando o ΔT sobe ao longo do dia. Distância em ar parado: D = 1,5×10⁻⁵ × d⁴ ÷ (80 × ΔT).

O que cada variável é e implica
ttempo de vida da gota até a evaporação completa (segundos).
ddiâmetro inicial da gota (µm); entra ao quadrado: dobrar d quadruplica o tempo disponível.
ΔTDelta T (°C): bulbo seco menos bulbo úmido, o poder evaporante do ar. t é inversamente proporcional: dobrar ΔT reduz o tempo à metade.
80constante empírica que calibra as unidades da equação.
Amsden (1962)

Tempo de vida da gota

Fórmulat = d² ÷ (80 × ΔT)
Dia típico de safra no Cerrado100² ÷ (80 × 7,7)
Diâmetro: 100 µmΔT: 7,7 °C
Resultado16segundos
Diâmetro e Delta T decidem

Vida e alcance da gota

Ø (µm)ΔT 2,2 · tempoΔT 7,7 · tempoΔT 7,7 · distância
5014 s4 s0,15 m
10057 s16 s2,44 m
150128 s37 s12,33 m
200227 s65 s38,96 m
300511 s146 s197,24 m
Lendo o Delta T

As quatro faixas de Delta T

1
ΔT abaixo de 2: ar quase saturado, risco de inversão e orvalho
2
ΔT de 2 a 8: faixa adequada para a maioria das aplicações
3
ΔT de 8 a 10: marginal, use gota maior e monitore
4
ΔT acima de 10: inadequada, suspender a aplicação
Três fenômenos silenciosos

Estabilidade atmosférica e deriva

In
Ar frio preso

Inversão térmica

Ar frio sob camada quente prende a gota fina, que viaja quilômetros.

Cv
Ar que sobe

Corrente convectiva

Solo quente cria bolsões que levam a gota para cima, sem vento visível.

Or
Filme na folha

Orvalho

Folha molhada escorre a calda, uma endoderiva induzida pela umidade.

O fator mais subestimado

A corrente convectiva ascendente

“
Não move bandeira nem aparece na previsão, mas rouba a gota do alvo em silêncio nas tardes quentes do Cerrado.
Diagnóstico em campo

Como identificar a inversão térmica

1
Observar a fumaça: camada horizontal indica inversão
2
Notar neblina persistente e orvalho intenso rente ao solo
3
Medir vento muito calmo, abaixo de 3 km/h
4
Com gota fina, suspender; 3 km/h já quebra a estratificação
Antes do Delta T se popularizar · revista na Aula 12

Classe de gota por clima

Classe de gotaTemperaturaUmidade relativa
Muito finas ou finasAbaixo de 25 °CAcima de 70%
Finas ou médias25 a 28 °C60 a 70%
Médias ou grossasAcima de 28 °CAbaixo de 60%
Condição mais severa exige gota maior, mesmo com menor cobertura.
Classe de gota e clima

Cobertura por classe de gota

Cobertura das folhas da soja nos terços da planta, de acordo com a classe de gota.
Cobertura das folhas da soja nos terços da planta, de acordo com a classe de gota.
Fonte: ENTENDENDO A TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO
Bloco F · Consequência e responsabilidade

Três prejuízos ao mesmo tempo

“
A deriva produz prejuízo simultâneo ao aplicador, ao vizinho e ao meio ambiente, com responsabilização legal distinta para cada esfera.
As consequências da deriva

Três ordens de problema

01
Perda de eficácia

Menos produto no alvo

A subdose reduz o controle e ainda seleciona biótipos resistentes.

02
Área não alvo

Dano ao vizinho

Fitotoxicidade, resíduo na colheita e exposição de polinizadores.

03
Ambiente difuso

Contaminação difusa

O produto atinge corpo d'água e área de proteção ambiental.

Volatilidade das formulações

Formulações de dicamba

Mais volátil

DMA dimetilaminaBanvel, ClarityPrimeira geração

Maior pressão de vapor e maior risco de deriva de vapor.

Menos volátil

DGA e BAPMAEngenia, XtendiMaxFormulações recentes

Sais de menor volatilidade, mas o risco de deriva não é zero.

A lição do dicamba nos EUA

Quando a dose ínfima já causa dano

1,4 mi ha
de soja sensível prejudicada em 2017
1/250.000
da dose de bula já causa sintoma visível na soja
ppb
microdosagens em partes por bilhão bastam para o dano
Conceito

Zona de amortecimento (buffer zone)

“
Faixa de terreno mantida sem aplicação ao redor de área sensível, como curso de água, povoação ou cultura suscetível. A largura não é fixa: depende do produto, do clima esperado, da tecnologia de aplicação e do alvo protegido, e o rótulo prevalece sobre qualquer orientação genérica.
Distâncias mínimas por lei

Distâncias legais por plataforma

Alvo sensívelAviação (IN 2/2008)Drone federalDrone MT (452/2023)
Povoações e captação pública500 m20 m90 m
Mananciais e moradias isoladas250 m20 m90 m
Sobrevoo de área habitadaProibidoProibidoProibido
Dois critérios que não se confundem

Cultura vizinha e população/água

Cultura sensível vizinha

Faixa de 30 mVento na direçãoReferência técnica

Faixa mínima quando o vento sopra para a cultura sensível.

População e água em MT

300 m povoação150 m manancial200 m nascente

Decreto Estadual 2.283/2009; exigências cumulativas, não alternativas.

Lei nº 14.785/2023

Quem responde pela deriva

RT
Emite a receita

Responsável técnico

Responde por receita errada, imperícia, imprudência ou negligência (art. 50).

Us
Aplica o produto

Usuário e prestador

Responde ao agir contra o receituário ou a recomendação do fabricante.

So
Reparação

Responsabilidade solidária

O dano ao ambiente e a terceiros gera reparação integral (art. 49).

Bloco G · Como reduzir a deriva

A decisão é antes de começar

“
A redução da deriva é decisão tomada antes de a pulverização começar, não durante.
Conceito

Técnica de Redução de Deriva (TRD)

“
Combinação de ponta, adjuvante, parâmetro operacional e condição meteorológica que, aplicada de forma integrada, reduz o percentual volumétrico de gotas menores que 100 µm em relação a uma técnica convencional de referência.
Fatores do risco de deriva

Espectro com técnica redutora

Comparação do espectro de gotas entre uma Técnica de Redução de Deriva (TRD) e uma técnica convencional.
Comparação do espectro de gotas entre uma Técnica de Redução de Deriva (TRD) e uma técnica convencional.
Fonte: ENTENDENDO A TECNOLOGIA DE APLICAÇÃO
Tecnologia redutora de deriva

Eficiência das pontas

PontaDMV (µm)Gotas < 100 µmPotencial de deriva
XR convencional200 a 25015 a 25%Alto
TT defletor300 a 4008 a 15%Médio
DG pré-orifício350 a 4505 a 10%Baixo
AI indução de ar400 a 600menor que 5%Muito baixo
Eficiência das pontas

Pontas de jato defletor

Pontas de jato plano defletor, modelos TK e TF, da Spraying Systems Co.
Pontas de jato plano defletor, modelos TK e TF, da Spraying Systems Co.
Fonte: Proteção de plantas
Como cada ponta reduz a deriva

Pontas redutoras de deriva

AI
Venturi

Indução de ar

Aspira ar e forma gota preenchida; menor deriva, exige mais pressão.

DG
Pré-orifício

Pré-orifício

Orifício extra regula a pressão e produz gota maior que a convencional.

TT
Jato defletor

Defletor

Gota média a grossa, com menos deriva que a ponta de leque comum.

Pontas redutoras de deriva

Deriva por tipo de ponta

Percentual médio de deriva em túnel de vento para diferentes pontas de pulverização.
Percentual médio de deriva em túnel de vento para diferentes pontas de pulverização.
Fonte: TECNOLOGIA
Aplicação de herbicida auxínico

Prática recomendada e de risco

Prática recomendada

Indução de arGota grossaUR > 50%, vento < 10 km/h

Gota grossa a ultra grossa e adjuvante redutor de deriva.

Prática de risco

Leque comumGota finaVento > 12 km/h, UR < 40%

Ponta de gota fina, calor alto e ar seco disparam a deriva.

Ajustes na calda

Adjuvantes redutores de deriva

Ól
Óleos

Óleos vegetais e minerais

Aumentam o diâmetro da gota e reduzem a evaporação da fração aquosa.

Po
Polímeros

Espessantes

Elevam a viscosidade da calda e formam gotas maiores e uniformes.

Vg
Volatilidade

Redutores de volatilidade

Reduzem a deriva de vapor de herbicidas hormonais, como o dicamba.

A decisão é antes de começar

Checklist operacional

1
Antes: conferir rótulo, entorno sensível e previsão de vento
2
Antes: registrar ponta, faixa e responsável na Ordem de Serviço
3
Durante: observar a fumaça e monitorar o vento sem parar
4
Durante: reservar a faixa marginal para quando o vento virar
5
Depois: registrar o clima e arquivar como evidência
Para voltar ao texto

Fontes desta aula

ReferênciaO que sustenta
ASABE S572.1 e S572.3Classificação do espectro de gotas por classe
AntuniassiEficiência de aplicação, espectro e técnicas de redução
Amsden (1962)Tempo de vida e alcance da gota em evaporação
Courshee (1967)Equação que relaciona volume, gota e cobertura
IN MAPA 2/2008 · Decreto MT 452/2023Distâncias mínimas de área sensível
Lei 14.785/2023Responsabilidade técnica e solidária pelo dano
Texto de apoio completo da Aula 04 no site da disciplina.
O caminho que percorremos

A síntese da aula em cinco passos

1
Deriva é partícula e vapor, dentro e fora da área tratada
2
A eficiência média da aplicação é baixíssima, e a deriva é a parte visível
3
Abaixo de 150 µm a gota vira candidata a deriva
4
Cinco fatores interagem; o clima é o mais decisivo
5
A decisão de não aplicar é parte da responsabilidade técnica
?
Retome a pergunta
O que realmente carrega uma gota para fora do talhão tratado: o vento, a evaporação ou um erro de regulagem?
Responda agora com o que você viu na aula.
A resposta

Os três, em pesos diferentes

“
O vento carrega a gota que já é pequena demais; a evaporação encolhe a gota até ela virar deriva; a regulagem decide o espectro que sai da ponta e a altura de onde ele sai. A regulagem é a causa mais controlável, o clima é a mais decisiva, e nenhuma delas age sozinha.
Encerramento
Deriva não é o preço inevitável de aplicar a céu aberto: é o resultado de decidir, ou não, parar quando o clima fecha a janela.