Que fatores, da gota ao equipamento, determinam a qualidade de uma pulverização terrestre?
Enquadrar o espectro nos padrões ASABE/ABNT e ligá-lo ao alvo e ao risco de deriva.
Escolher o pulverizador terrestre e a ponta adequados a cada operação.
Julgar a qualidade da aplicação por cobertura e densidade de gotas.
Transformação física do líquido em gotas na ponta.
Deposição das gotas no alvo, no tamanho e densidade certos.
Pulverizar sem aplicar bem é possível; o alvo é que decide.
| Sistema | Princípio de fracionamento | Gota / vazão típica |
|---|---|---|
| Hidráulico | Líquido sob pressão atravessa o orifício | Depende da ponta |
| Pneumático | Corrente de ar quebra a calda por venturi | 90 a 100 µm; 10 a 15 L/ha |
| Centrífugo | Disco ou gaiola em alta rotação | 60 a 70 µm; 0,5 a 2,0 L/ha |
| Eletrostático | Gota carregada atraída pela planta | 0,2 a 2,0 L/ha |
| Térmico | Gás quente arrasta o líquido | 15 a 50 µm, em suspensão |
Diâmetro que divide o volume pulverizado em duas metades iguais.
Divide o número de gotas; razão DMV/DMN perto de 1 indica espectro homogêneo.
Dispersão por DV0,1, DV0,5 e DV0,9; maior AR, espectro mais heterogêneo.
Percentual do volume formado por gotas menores que 100 µm.
| Fator | Efeito sobre o tamanho de gota | Direção |
|---|---|---|
| Tipo de ponta | Cônico cheio gera as maiores gotas | Não se aplica |
| Vazão | Maior vazão, na mesma pressão, gota maior | Direta |
| Pressão | Mais pressão, gota menor | Inversa |
| Ângulo do jato | Ângulo maior, gota menor | Inversa |
| Propriedades do líquido | Mais viscosidade e tensão, gota maior | Direta |
Mais pressão fragmenta a lâmina, afina a gota e aumenta a fração que deriva.
| Diâmetro | Velocidade terminal | Queda de 3 m | Deriva com vento 5 km/h |
|---|---|---|---|
| 10 µm | 0,003 m/s | 17 minutos | 1.400 m |
| 50 µm | 0,075 m/s | 40 s | 54 m |
| 100 µm | 0,279 m/s | 11 s | 14,6 m |
| 200 µm | 0,721 m/s | 4 s | 5,7 m |
| 500 µm | 2,139 m/s | 1,4 s | 2,1 m |
| Classe | Símbolo | Cor | DMV aprox. | Risco de deriva |
|---|---|---|---|---|
| Extremamente fina | XF | Roxa | < 60 µm | Extremamente alto |
| Muito fina | VF | Vermelha | 60 a 145 µm | Muito alto |
| Fina | F | Laranja | 145 a 225 µm | Alto |
| Média | M | Amarela | 226 a 325 µm | Moderado |
Janela climática estreita, com umidade alta e vento fraco.
Janela ampla; adequadas a pré-emergência sobre palhada.
| Classe | Símbolo | Cor | DMV aprox. | Risco de deriva |
|---|---|---|---|---|
| Grossa | C | Azul | 326 a 400 µm | Baixo |
| Muito grossa | VC | Verde | 401 a 500 µm | Muito baixo |
| Extremamente grossa | XC | Branca | 501 a 650 µm | Muito baixo |
| Ultra grossa | UC | Preta | > 650 µm | Muito baixo |
| Alvo | Tamanho ótimo de gota |
|---|---|
| Insetos em voo | 10 a 15 µm |
| Insetos em folhagem | 30 a 50 µm |
| Cobertura de folhagens | 10 a 100 µm |
| Solo ou redução de deriva | 250 a 500 µm |
Quantidade de produto retida no alvo após a aplicação.
Capacidade da gota permanecer na folha sem escorrer nem ricochetear.
Fração do alvo atingida, em percentual de área ou gotas/cm².
| Densidade (gotas/cm²) | Cobertura | DMV aprox. |
|---|---|---|
| 85 | 10% | 250 µm |
| 70 | 20% | 275 µm |
| 60 | 30% | 300 µm |
| 55 | 40% | 312 µm |
| 40 | 50% | 325 µm |
Recobrir 20 a 30% já basta; molhar até escorrer só desperdiça produto.
Tanque de 10 a 20 L; a uniformidade depende do operador.
Acionado pela tomada de força; pontas a 0,35 a 0,50 m.
Motor próprio, controle eletrônico e barra assistida por ar.
| Característica | Costal | Tratorizado | Autopropelido |
|---|---|---|---|
| Tanque | 10 a 20 L | 400 a 2.000 L | 1.500 a 5.000 L |
| Largura de trabalho | 1 a 2 m | até cerca de 28 m | 24 a 42 m |
| Capacidade operacional | Muito baixa | Média | Alta a muito alta |
| Controle de pressão | Depende do operador | Mecânico ou eletrônico | Eletrônico com fluxômetro |
| Uso principal | Bordas e áreas pequenas | Lavouras diversas | Grande escala |
Impede que ponta entupida altere a vazão em posições da barra.
Reduz a parada para desentupir durante a operação.
Diminui o contato com pontas entupidas e calda contaminada.
Retém areia e impurezas que desgastam o orifício da ponta.
O conjunto montado no fim do circuito, sobre a barra.
Componente terminal que gera as gotas; o termo correto na disciplina.
| Tipo | Espectro | Pressão | Uso principal |
|---|---|---|---|
| Convencional (XR, UF) | Fina a média | 1 a 4 bar | Clima favorável, área total |
| Pré-orifício ou turbo (TT, DG) | Média a grossa | 1 a 5 bar | Herbicidas sistêmicos |
| Indução de ar (AI, AIXR, TTI) | Grossa a extrem. grossa | 2 a 8 bar | Clima adverso, baixa deriva |
| Duplo (TJ, ADI) | Muito fina a grossa | 1 a 5 bar | Alvo na face inferior |
| Defletor ou impacto (TK) | Grossa a extrem. grossa | 1 a 6 bar | Pré-emergentes e bordaduras |
Ângulo maior gera gota menor e permite barra mais baixa.
Ponta de 110° cruza os jatos a partir de cerca de 35 cm.
Critério de aceitação no Brasil; na Europa a exigência chega a 7%.
| Tipo | Padrão | Espectro | Uso principal |
|---|---|---|---|
| Cônico vazio (TX, série D) | Cone oco | Muito fina a média | Contato; turbopulverizador |
| Cônico vazio com ar (TVI) | Cone oco com bolhas | Muito fina a grossa | Sistêmicos em dossel |
| Cônico cheio (DC, FC) | Cone sólido | Média a grossa | Cultura arbórea; contato |
Em dossel denso, subir a pressão gera efeito guarda-chuva; a solução é ar.
| Tipo de ponta | Sobreposição | Observação |
|---|---|---|
| Jato plano convencional a indução de ar | Cerca de 30% por lado | Padrão em cultura baixa |
| Jato plano duplo | Cerca de 30% por lado | Ângulo divergente preserva a distribuição |
| Jato cônico vazio em barra | Até 20% | Sobreposição maior altera o espectro |
| Jato cônico em turbopulverizador | Jatos tangentes | Distribuição tridimensional |
| Material | Resistência ao desgaste | Vida útil estimada |
|---|---|---|
| Latão | Baixa | cerca de 100 h |
| Náilon | Baixa a média | cerca de 200 h |
| Poliacetal | Média a boa | cerca de 400 h |
| Aço inoxidável | Boa | cerca de 400 h |
| Cerâmica | Muito alta | mais de 400 h |
Troque quando a vazão passar de 10% acima da ponta nova do mesmo modelo.
| Cor | Código | Vazão a 40 psi | Vazão a 3 bar (ISO) |
|---|---|---|---|
| Laranja | 01 | 0,38 L/min | 0,39 L/min |
| Amarela | 02 | 0,76 L/min | 0,79 L/min |
| Azul | 03 | 1,14 L/min | 1,18 L/min |
| Vermelha | 04 | 1,51 L/min | 1,58 L/min |
| Branca | 08 | 3,03 L/min | 3,16 L/min |
Abaixo de 1,5 a 2,0 bar a população de gotas fica desuniforme.
Pressão mínima para o cone se formar na saída.
Não ultrapasse em ponta cônica, mesmo que o modelo suporte mais.
| Erro de operação | Consequência técnica |
|---|---|
| Pressão acima da faixa | Gota menor, mais deriva e desgaste |
| Pontas de cores diferentes | Subdose e superdose em faixas alternadas |
| Pontas desgastadas acima de 10% | Superdose por ponta e fitotoxicidade |
| Velocidade de deslocamento incorreta | Subdose em velocidade alta, superdose em baixa |
| Agitação insuficiente do tanque | Subdose no início e superdose no fim |
| Filtro individual entupido | Faixa de subdose imperceptível sem papel |
Que fatores, da gota ao equipamento, determinam a qualidade de uma pulverização terrestre?