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Gabarito comentado, Aula 01: Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários

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Só consulte este gabarito depois de tentar responder. As questões do Bloco A não têm gabarito aqui: elas são discutidas na próxima aula. Leia os comentários das distratoras mesmo nas que você acertou, eles mostram o erro que cada alternativa esconde.

Bloco B: Consolidação

B1. Resposta: (A).

(A) Correta. A definição de Matuo (1990) amarra quatro condições simultâneas; basta falhar em uma. Aqui houve contaminação de área não pretendida (deriva), violando o "mínimo de contaminação de áreas não pretendidas".

(B) Confunde o problema com falha de colocação, mas o produto chegou ao alvo na dose certa; o defeito não está aí.

(C) Transporta indevidamente o exemplo do "produto em excesso"; a dose aqui foi a necessária, não excessiva.

(D) É o próprio erro que a definição combate: atingir e controlar o alvo não basta se outra condição falhou.

B2. Resposta: (D).

(D) Correta. As condições que reduzem a eficácia (gota fina demais em vento forte, temperatura alta, umidade relativa baixa) são exatamente as que aumentam o risco de deriva e de exposição. A qualidade técnica beneficia os dois objetivos ao mesmo tempo; eles não estão em tensão.

(A) Repete a concepção equivocada (tensão eficácia x segurança) que o texto rejeita.

(B) "Salva" a tese num caso particular, mas gota fina em vento forte piora as duas coisas, não as opõe.

(C) Cinde artificialmente eficácia (produto) e segurança (EPI); ambas dependem da qualidade da aplicação.

B3. Resposta: (C).

(C) Correta. O resultado muda com o critério: em valor total o país tem destaque global; em ingrediente ativo por área cai para o sétimo lugar (e por tonelada produzida, para o décimo terceiro).

(A) Toma a manchete pelo valor de face, ignorando que o critério muda o ranking.

(B) Comete o erro metodológico nomeado no texto: confundir volume absoluto com intensidade de uso por área.

(D) Exagera na correção; o texto reconhece que, em valor total, o Brasil tem destaque.

B4. Resposta: (B).

(B) Correta. Sob a lógica "quanto mais, melhor", instalou-se a cultura de calibrar pelo volume aplicado por hectare, em vez de calibrar pelo depósito no alvo, erro que a pesquisa levou décadas para corrigir.

(A) Inverte o fato: a Ag 2.0 usava grandes volumes de calda em gota fina, não gota grande.

(C) Evento inexistente no texto; a aviação agrícola foi ganho de capacidade, não abandono.

(D) Organoclorados, organofosforados e carbamatos são uma sequência de moléculas, não um erro de calibração.

B5. (Aberta) Resposta esperada:

O processo é uma cadeia encadeada de etapas: produto formulado, preparo da calda no tanque, formação da gota na ponta de pulverização, transporte da gota até o alvo, impacto e deposição, penetração do ingrediente ativo e persistência sobre o alvo.

Cada etapa pode falhar por um motivo diferente, e a etapa seguinte não compensa a perda da anterior; por isso a disciplina administra a cadeia como um sistema único.

Evidência (algodão): a deposição cai progressivamente do terço apical (45%) para o médio (18%) e o basal (7%). Isso não é acidente de execução, e sim consequência direta de como a gota se forma e de como o dossel está estruturado.

B6. (Aberta) Resposta esperada:

(a) A receita está incompleta porque não especifica equipamento, ponta de pulverização, taxa de aplicação, janela de condições meteorológicas e procedimento de segurança. O produto sozinho não controla a praga; quem controla é a operação.

(b) Durante a aplicação, o agrônomo supervisiona as condições meteorológicas, confere a regulagem e a taxa efetivamente entregue (o que exige calibração, não apenas regulagem), verifica o uso correto dos EPI previstos no rótulo e registra as condições operacionais.

B7. (Aberta) Resposta esperada:

Benefício: para uma mesma taxa de aplicação, quanto menor a gota, maior o número de partículas disponíveis, o que amplia a chance de atingir o alvo (mais cobertura).

Risco: a gota menor é mais vulnerável à deriva e à evaporação.

Essa tensão entre cobertura e segurança de deposição atravessa toda decisão técnica da disciplina (será detalhada com fórmula e norma de classificação na Aula 9).

Bloco C: Cálculo e diagnóstico

C1. (Cálculo) Resolução:

(a) razão basal/apical = 7 ÷ 45 = 0,1556

(b) razão médio/apical = 18 ÷ 45 = 0,4000

Interpretação: o terço basal recebe apenas cerca de 15,56% do que se deposita no apical, e o terço médio, 40,00%. Há um forte gradiente descendente de deposição no dossel, consequência de como a gota se forma e de como o dossel se estrutura, não uma falha pontual. O alvo na base da planta é o mais penalizado pela aplicação.

C2. (Diagnóstico) Resposta esperada:

Um estudo com pulverização aérea de herbicida registrou perdas em torno de 50% do volume de calda aplicado. Obter controle satisfatório apesar dessa perda não valida a técnica.

O que mascara a ineficiência é o efeito tóxico elevado das moléculas modernas: a margem de segurança toxicológica da molécula compensa a precariedade da aplicação.

Essa compensação tem custos que não aparecem na nota fiscal: produto desperdiçado (econômico), contaminação desnecessária (ambiental) e aceleração da resistência (estratégico).

Conclusão correta: molécula forte não é sinônimo de aplicação bem-feita.