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Revisão, Unidade I: Uso Responsável de Produtos Fitossanitários (Aulas 01 a 04)

Pergunta-arco da Unidade I: o que é preciso saber, respeitar e evitar antes de aplicar um produto fitossanitário?

Tip

Antes de olhar o gabarito, tente. Esta é uma revisão de unidade inteira: quase toda questão combina duas ou mais aulas, e a parte difícil é justamente decidir qual conceito se aplica. O esforço de recuperar da memória (mesmo quando você erra) é o que consolida o aprendizado. Resolva tudo primeiro; só depois confira o gabarito dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito aqui: ele será discutido em sala.

Bloco A: síntese integradora (para discussão em sala)

Sem gabarito.

Prepare argumentos; a discussão abre a Unidade II.

A1. A Aula 01 afirma que "a mesma decisão técnica que compromete a eficácia de uma aplicação também compromete sua segurança". Usando exemplos concretos da toxicologia (Aula 03) e da deriva (Aula 04), explique por que eficácia biológica e segurança não são objetivos em tensão, e sim beneficiados pela mesma qualidade técnica de aplicação.

A2. A distinção entre "o agrônomo que recomenda um produto" e "o agrônomo que recomenda uma aplicação" atravessa as quatro aulas da unidade. Percorra essa distinção mostrando o que se perde quando o profissional para no produto: no receituário e no rótulo (Aulas 01 e 02), na segurança do trabalhador (Aula 03) e na responsabilidade por deriva (Aula 04).

A3. Na Aula 03, o princípio de Paracelso resume a toxicologia: "é a dose que separa o veneno do remédio". Na Aula 04, a deriva mostra que uma aplicação com produto certo, dose certa e equipamento regulado ainda pode causar dano. Discuta como esses dois princípios ("a dose faz o veneno" e "a condição faz a deriva") se complementam na decisão de aplicar ou não aplicar.

Bloco B: questões integradas

Nas questões de múltipla escolha, marque uma alternativa.

B1. Um agrônomo mede, com cartões hidrossensíveis, que apenas uma pequena fração da dose que saiu do pulverizador foi efetivamente depositada sobre a praga-alvo. Ele lembra que Combellack (1981) chamou de eficiência da aplicação a relação entre a dose teoricamente requerida para o controle e a dose real entregue, e que a deriva é só parte do problema. Assinale a alternativa correta.

(A) A eficiência da aplicação equivale à cobertura da área alvo, e a deriva é a única causa da sua queda.
(B) A baixa eficiência se resolve aumentando a dose do produto formulado, o que compensa a fração perdida por deriva.
(C) A deriva é um dos três componentes da baixa eficiência, ao lado da distribuição inadequada e da degradação do ingrediente ativo.
(D) A eficiência depende apenas da molécula escolhida, e não das etapas entre a ponta de pulverização e o alvo.

B2. Um técnico, formado há vinte anos, olha um rótulo novo com faixa vermelha e afirma ao produtor: "faixa vermelha é Classe I, o mais tóxico; se fosse Classe II seria faixa amarela". Aponte o erro de leitura e explique, cruzando o conteúdo do rótulo (Aula 02) com a classificação toxicológica atual (Aula 03), o que ele deveria de fato verificar.

B3. Numa tarde de safra no Cerrado mato-grossense, a temperatura passa de 35°C e a umidade relativa cai abaixo de 50%. O operador quer terminar a aplicação. Considerando ao mesmo tempo o risco de deriva e o risco toxicológico para quem aplica, assinale a alternativa correta.

(A) Calor e baixa umidade agravam ao mesmo tempo a deriva e a absorção dérmica do produto, desaconselhando a aplicação.
(B) O calor elevado reduz a deriva, porque a gota evapora antes de ser arrastada, o que torna a operação mais segura para o ambiente.
(C) A alta temperatura só interessa à deriva; a absorção do produto pela pele não muda com o calor do ambiente de trabalho.
(D) O risco toxicológico depende apenas da categoria do rótulo, de modo que a condição climática não altera a exposição do operador.

B4. A bula de um herbicida traz o nome comum 2,4-D, classe química ácido fenoxiacético, na formulação éster. O talhão vizinho é de soja não tolerante. Assinale a alternativa correta sobre o risco dessa aplicação.

(A) Por ser herbicida sistêmico, o 2,4-D não gera deriva de vapor, bastando controlar o tamanho de gota na ponta de pulverização.
(B) A formulação éster é mais volátil, com risco de deriva de vapor e baixo controle pelo aplicador.
(C) O nome comercial é o que define a volatilidade, então trocar a marca do mesmo 2,4-D éster elimina a deriva de vapor.
(D) A deriva de vapor depende só do vento no momento da aplicação e cessa assim que a gota se deposita na folha.

B5. A Aula 01 diz que o produto sozinho não controla a praga: "quem controla é a operação". A Aula 03 diz que "não é a assinatura no receituário que protege o trabalhador". Reúna as duas afirmações e explique, para um colega, por que emitir um receituário correto é condição necessária, mas não suficiente, para uma aplicação responsável, citando a hierarquia de controle da NR-31.

B6. Durante o preparo da calda, o auxiliar esvazia um frasco de concentrado emulsionável (CE) no tanque e pergunta ao agrônomo quando fazer a tríplice lavagem e por que o cuidado com esse produto é redobrado. Assinale a alternativa correta.

(A) A tríplice lavagem se faz depois da aplicação, descartando a água de lavagem no solo do próprio talhão tratado.
(B) O frasco de concentrado emulsionável é embalagem não lavável e vai direto ao inpEV, sem qualquer lavagem prévia.
(C) Como o concentrado emulsionável é pouco tóxico, dispensa-se o EPI no preparo, que é a etapa de menor exposição.
(D) A lavagem se faz durante o preparo, com a água retornando ao tanque, e o frasco é rígido lavável.

B7. A Aula 01 apresenta a aplicação como uma cadeia de etapas encadeadas, "cada uma podendo falhar por um motivo diferente, sem que a etapa seguinte compense a perda". Escolha a etapa de transporte da gota até o alvo e explique, com o conteúdo da Aula 04, por que uma aplicação com produto certo, dose certa e equipamento calibrado ainda pode causar dano fora do talhão.

B8. Uma aplicação terrestre em Mato Grosso ocorre a 120 m de um bairro e a 20 m de um talhão de cultura sensível, com vento fraco soprando na direção dessa cultura. Houve deriva e dano ao vizinho. O responsável técnico alega que "o vento é imprevisível". Assinale a alternativa correta.

(A) A faixa de 30 m para cultura sensível substitui as distâncias estaduais de população e água, que não valem para aplicação terrestre.
(B) Como o dano decorreu do vento, o aplicador está isento, e a responsabilidade recai apenas sobre o fabricante do produto.
(C) As distâncias de 300/150/200 m e a faixa de 30 m são cumulativas, e a deriva pelo vento não isenta quem decidiu aplicar.
(D) A distância de 90 m vale para a aplicação terrestre, de modo que os 120 m do bairro já bastavam para afastar qualquer responsabilidade.

B9. Um estudante afirma: "quem aprova o registro de um produto é o MAPA, então a classificação toxicológica também é do MAPA, e ela já resume todo o risco do produto". Corrija a afirmação explicando o modelo tripartite de registro (Aulas 02 e 03) e por que a classificação toxicológica precisa ser lida junto com outra classificação.

Bloco C: cálculo e diagnóstico integrado

Arredonde sempre para 4 casas decimais.

Mostre fórmula, substituição e resultado.

C1. A Aula 04 traz o cálculo de Brown (1951): para controlar uma população de praga com dano econômico, a dose teoricamente requerida seria de aproximadamente 30 mg/ha de ingrediente ativo, mas as doses realmente aplicadas em campo são mais de 3.000 vezes maiores. Usando a definição de eficiência da aplicação (Aula 01, Combellack) e a fórmula da Aula 04, calcule a eficiência dessa aplicação, adotando o fator de 3.000 vezes.

\[E = \frac{d_t}{d_r} \times 100\]

C2. Numa tarde de safra em Tangará da Serra (MT), a estação portátil na altura da barra indica temperatura de 30°C, umidade relativa de 50% e ΔT de 7,7°C. Use a equação de Amsden (1962) para o tempo de vida da gota até a evaporação e responda aos itens.

\[t = \frac{d^2}{80 \times \Delta T}\]

a) Calcule o tempo de vida de uma gota de 100 µm e de uma gota de 200 µm.

b) Diagnostique: para essa condição de temperatura e umidade, qual classe de gota a recomendação técnica indica, e por que a decisão também é uma decisão de segurança do operador (Aula 03)?

C3. Como o agrotóxico não figura nos Anexos 11 e 13 da NR-15, a insalubridade se avalia caso a caso pela Margem de Segurança (critério de Severn, 1984, adaptado por Machado Neto, 1997):

\[MS = \frac{NOEL \times P}{QAE \times 10}\]

Para um trabalhador que abastece o tanque, adote: NOEL = 2,5 mg/kg/dia; peso corpóreo P = 70 kg; quantidade absorvível na exposição QAE = 35 mg/dia.

a) Calcule a MS e classifique a condição de trabalho.

b) Se insalubre, calcule a Necessidade de Controle da Exposição e indique duas medidas, na ordem de prioridade da NR-31, para reduzir a QAE.


Gabarito

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