Revisão, Unidade I: Uso Responsável de Produtos Fitossanitários (Aulas 01 a 04)¶
Pergunta-arco da Unidade I: o que é preciso saber, respeitar e evitar antes de aplicar um produto fitossanitário?
Tip
Antes de olhar o gabarito, tente. Esta é uma revisão de unidade inteira: quase toda questão combina duas ou mais aulas, e a parte difícil é justamente decidir qual conceito se aplica. O esforço de recuperar da memória (mesmo quando você erra) é o que consolida o aprendizado. Resolva tudo primeiro; só depois confira o gabarito dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito aqui: ele será discutido em sala.
Bloco A: síntese integradora (para discussão em sala)¶
Sem gabarito.
Prepare argumentos; a discussão abre a Unidade II.
A1. A Aula 01 afirma que "a mesma decisão técnica que compromete a eficácia de uma aplicação também compromete sua segurança". Usando exemplos concretos da toxicologia (Aula 03) e da deriva (Aula 04), explique por que eficácia biológica e segurança não são objetivos em tensão, e sim beneficiados pela mesma qualidade técnica de aplicação.
A2. A distinção entre "o agrônomo que recomenda um produto" e "o agrônomo que recomenda uma aplicação" atravessa as quatro aulas da unidade. Percorra essa distinção mostrando o que se perde quando o profissional para no produto: no receituário e no rótulo (Aulas 01 e 02), na segurança do trabalhador (Aula 03) e na responsabilidade por deriva (Aula 04).
A3. Na Aula 03, o princípio de Paracelso resume a toxicologia: "é a dose que separa o veneno do remédio". Na Aula 04, a deriva mostra que uma aplicação com produto certo, dose certa e equipamento regulado ainda pode causar dano. Discuta como esses dois princípios ("a dose faz o veneno" e "a condição faz a deriva") se complementam na decisão de aplicar ou não aplicar.
Bloco B: questões integradas¶
Nas questões de múltipla escolha, marque uma alternativa.
B1. Um agrônomo mede, com cartões hidrossensíveis, que apenas uma pequena fração da dose que saiu do pulverizador foi efetivamente depositada sobre a praga-alvo. Ele lembra que Combellack (1981) chamou de eficiência da aplicação a relação entre a dose teoricamente requerida para o controle e a dose real entregue, e que a deriva é só parte do problema. Assinale a alternativa correta.
(A) A eficiência da aplicação equivale à cobertura da área alvo, e a deriva é a única causa da sua queda.
(B) A baixa eficiência se resolve aumentando a dose do produto formulado, o que compensa a fração perdida por deriva.
(C) A deriva é um dos três componentes da baixa eficiência, ao lado da distribuição inadequada e da degradação do ingrediente ativo.
(D) A eficiência depende apenas da molécula escolhida, e não das etapas entre a ponta de pulverização e o alvo.
B2. Um técnico, formado há vinte anos, olha um rótulo novo com faixa vermelha e afirma ao produtor: "faixa vermelha é Classe I, o mais tóxico; se fosse Classe II seria faixa amarela". Aponte o erro de leitura e explique, cruzando o conteúdo do rótulo (Aula 02) com a classificação toxicológica atual (Aula 03), o que ele deveria de fato verificar.
B3. Numa tarde de safra no Cerrado mato-grossense, a temperatura passa de 35°C e a umidade relativa cai abaixo de 50%. O operador quer terminar a aplicação. Considerando ao mesmo tempo o risco de deriva e o risco toxicológico para quem aplica, assinale a alternativa correta.
(A) Calor e baixa umidade agravam ao mesmo tempo a deriva e a absorção dérmica do produto, desaconselhando a aplicação.
(B) O calor elevado reduz a deriva, porque a gota evapora antes de ser arrastada, o que torna a operação mais segura para o ambiente.
(C) A alta temperatura só interessa à deriva; a absorção do produto pela pele não muda com o calor do ambiente de trabalho.
(D) O risco toxicológico depende apenas da categoria do rótulo, de modo que a condição climática não altera a exposição do operador.
B4. A bula de um herbicida traz o nome comum 2,4-D, classe química ácido fenoxiacético, na formulação éster. O talhão vizinho é de soja não tolerante. Assinale a alternativa correta sobre o risco dessa aplicação.
(A) Por ser herbicida sistêmico, o 2,4-D não gera deriva de vapor, bastando controlar o tamanho de gota na ponta de pulverização.
(B) A formulação éster é mais volátil, com risco de deriva de vapor e baixo controle pelo aplicador.
(C) O nome comercial é o que define a volatilidade, então trocar a marca do mesmo 2,4-D éster elimina a deriva de vapor.
(D) A deriva de vapor depende só do vento no momento da aplicação e cessa assim que a gota se deposita na folha.
B5. A Aula 01 diz que o produto sozinho não controla a praga: "quem controla é a operação". A Aula 03 diz que "não é a assinatura no receituário que protege o trabalhador". Reúna as duas afirmações e explique, para um colega, por que emitir um receituário correto é condição necessária, mas não suficiente, para uma aplicação responsável, citando a hierarquia de controle da NR-31.
B6. Durante o preparo da calda, o auxiliar esvazia um frasco de concentrado emulsionável (CE) no tanque e pergunta ao agrônomo quando fazer a tríplice lavagem e por que o cuidado com esse produto é redobrado. Assinale a alternativa correta.
(A) A tríplice lavagem se faz depois da aplicação, descartando a água de lavagem no solo do próprio talhão tratado.
(B) O frasco de concentrado emulsionável é embalagem não lavável e vai direto ao inpEV, sem qualquer lavagem prévia.
(C) Como o concentrado emulsionável é pouco tóxico, dispensa-se o EPI no preparo, que é a etapa de menor exposição.
(D) A lavagem se faz durante o preparo, com a água retornando ao tanque, e o frasco é rígido lavável.
B7. A Aula 01 apresenta a aplicação como uma cadeia de etapas encadeadas, "cada uma podendo falhar por um motivo diferente, sem que a etapa seguinte compense a perda". Escolha a etapa de transporte da gota até o alvo e explique, com o conteúdo da Aula 04, por que uma aplicação com produto certo, dose certa e equipamento calibrado ainda pode causar dano fora do talhão.
B8. Uma aplicação terrestre em Mato Grosso ocorre a 120 m de um bairro e a 20 m de um talhão de cultura sensível, com vento fraco soprando na direção dessa cultura. Houve deriva e dano ao vizinho. O responsável técnico alega que "o vento é imprevisível". Assinale a alternativa correta.
(A) A faixa de 30 m para cultura sensível substitui as distâncias estaduais de população e água, que não valem para aplicação terrestre.
(B) Como o dano decorreu do vento, o aplicador está isento, e a responsabilidade recai apenas sobre o fabricante do produto.
(C) As distâncias de 300/150/200 m e a faixa de 30 m são cumulativas, e a deriva pelo vento não isenta quem decidiu aplicar.
(D) A distância de 90 m vale para a aplicação terrestre, de modo que os 120 m do bairro já bastavam para afastar qualquer responsabilidade.
B9. Um estudante afirma: "quem aprova o registro de um produto é o MAPA, então a classificação toxicológica também é do MAPA, e ela já resume todo o risco do produto". Corrija a afirmação explicando o modelo tripartite de registro (Aulas 02 e 03) e por que a classificação toxicológica precisa ser lida junto com outra classificação.
Bloco C: cálculo e diagnóstico integrado¶
Arredonde sempre para 4 casas decimais.
Mostre fórmula, substituição e resultado.
C1. A Aula 04 traz o cálculo de Brown (1951): para controlar uma população de praga com dano econômico, a dose teoricamente requerida seria de aproximadamente 30 mg/ha de ingrediente ativo, mas as doses realmente aplicadas em campo são mais de 3.000 vezes maiores. Usando a definição de eficiência da aplicação (Aula 01, Combellack) e a fórmula da Aula 04, calcule a eficiência dessa aplicação, adotando o fator de 3.000 vezes.
C2. Numa tarde de safra em Tangará da Serra (MT), a estação portátil na altura da barra indica temperatura de 30°C, umidade relativa de 50% e ΔT de 7,7°C. Use a equação de Amsden (1962) para o tempo de vida da gota até a evaporação e responda aos itens.
a) Calcule o tempo de vida de uma gota de 100 µm e de uma gota de 200 µm.
b) Diagnostique: para essa condição de temperatura e umidade, qual classe de gota a recomendação técnica indica, e por que a decisão também é uma decisão de segurança do operador (Aula 03)?
C3. Como o agrotóxico não figura nos Anexos 11 e 13 da NR-15, a insalubridade se avalia caso a caso pela Margem de Segurança (critério de Severn, 1984, adaptado por Machado Neto, 1997):
Para um trabalhador que abastece o tanque, adote: NOEL = 2,5 mg/kg/dia; peso corpóreo P = 70 kg; quantidade absorvível na exposição QAE = 35 mg/dia.
a) Calcule a MS e classifique a condição de trabalho.
b) Se insalubre, calcule a Necessidade de Controle da Exposição e indique duas medidas, na ordem de prioridade da NR-31, para reduzir a QAE.
Questões da 1ª Avaliação Escrita, Prova A (11/09/2026)¶
Banco de fórmulas
IDA = NOEL / 100MS = (NOEL × P) / (QAE × 10)NCE = (1 − MS) × 100
Q01. Numa aplicação de fungicida o depósito ficou concentrado sobre o alvo, não houve deriva para fora do talhão e a doença foi controlada, mas o operador usou o dobro da dose de bula para chegar a esse resultado. Pela definição de tecnologia de aplicação de Matuo (1990), a operação está tecnicamente correta?
(A) Não, mas apenas porque o excesso de produto eleva o resíduo na colheita, e não por descumprir a definição.
(B) Sim, pois o controle obtido já comprova que a quantidade empregada era a exigida pela definição naquele caso.
(C) Sim, pois a colocação correta sobre o alvo e a ausência de contaminação externa já atendem ao que a definição exige.
(D) Não, pois a definição só avalia a quantidade aplicada quando também há contaminação de área não pretendida.
(E) Não, pois a definição exige quantidade suficiente ao controle, e falhar nessa condição já invalida a operação.
Q02. Uma reportagem afirma que o Brasil consome mais defensivo que qualquer país, citando só o valor total comercializado em dólares no ano. Qual critério evita o mesmo erro metodológico da reportagem?
(A) O valor de mercado em preço ao consumidor por classe de produto, métrica já normalizada e usada internacionalmente para comparar países.
(B) Quantidade de ingrediente ativo por área cultivada ou por tonelada produzida, que normaliza o volume pela escala da produção.
(C) A posição do país no ranking de área tratada por bioinsumo, que reflete a mesma escala dos defensivos químicos.
(D) A participação dos herbicidas no volume tratado, que isola apenas o efeito da commodity mais cultivada no país.
(E) O crescimento percentual da área tratada no último ano, que já descarta qualquer efeito de câmbio ou preço do insumo.
Q03. Um agrônomo emite receituário só com nome comercial, dose e cultura, sem equipamento, ponta, taxa de aplicação ou janela climática. Por que o documento fica tecnicamente incompleto, mesmo cumprindo a exigência formal?
(A) Porque registra o produto, mas não a operação que controla a praga, e essa operação também precisa da supervisão do agrônomo.
(B) Porque a receita sem ponta e sem janela climática já configura, por si só, a responsabilidade solidária por dano ambiental a terceiros.
(C) Porque a ausência do equipamento na receita transfere ao produtor toda a responsabilidade civil pela aplicação.
(D) Porque toda receita sem taxa registrada é automaticamente uso fora de rótulo, segundo a fiscalização estadual.
(E) Porque a dose sem o nome completo do ingrediente ativo invalida o documento perante o AGROFIT, exigindo nova emissão.
Q04. Um estudante conclui que, em dia de vento forte e calor, basta reduzir mais o tamanho da gota para aumentar a eficácia, aceitando o risco ambiental maior como contrapartida inevitável. O que esse raciocínio erra?
(A) Reduzir a gota nessa condição aumenta a eficácia e reduz a deriva ao mesmo tempo, pela maior cobertura por volume.
(B) As condições que reduzem a eficácia são as mesmas que aumentam o risco de deriva, e reduzir a gota reduziria o controle.
(C) O raciocínio vale só para herbicida sistêmico; para fungicida de contato, reduzir a gota sempre ganha eficácia sem custo.
(D) O erro está só em ignorar o EPI do aplicador, já que a eficácia da gota fina não depende do clima daquele dia de aplicação.
(E) O raciocínio está certo, pois eficácia biológica e segurança são de fato objetivos opostos quando a temperatura sobe.
Q05. Um agrônomo redige o receituário citando apenas "tebuconazol", sem marca. Um colega alega que isso deixa o produtor sem orientação suficiente. Pela distinção entre nome comum e nome comercial, essa prescrição está correta?
(A) Está correta, pois o nome comum identifica o ingrediente ativo e permite usar qualquer produto registrado com ele.
(B) Está incompleta, pois o nome comum de um triazol não é reconhecido pela ISO nem pela BSI sem a marca associada.
(C) Está incorreta, pois o nome comum é uso interno da indústria, e o receituário deve refletir a nota fiscal do produtor.
(D) Está correta apenas se o produtor já souber de antemão qual fabricante produz esse ingrediente ativo no mercado.
(E) Está incorreta, pois só o nome comercial garante a rastreabilidade regulatória exigida pelo registro no MAPA.
Q06. Um produtor aplica em sequência dois inseticidas de classes químicas diferentes, mas ambos classificados no mesmo grupo de mecanismo de ação pelo IRAC, e conclui que está alternando o modo de controle e reduzindo a resistência. Essa conclusão está certa?
(A) Está certa, pois a sigla do IRAC identifica apenas a classe comercial do inseticida, sem relação com o mecanismo bioquímico de ação.
(B) Está errada, mas só porque os dois produtos deveriam ter a mesma classe química para configurar rotação real.
(C) Está certa, pois classes químicas diferentes sempre indicam sítios-alvo diferentes, mesmo com a mesma sigla do comitê.
(D) Está errada, pois os dois pertencem ao mesmo grupo de mecanismo de ação do IRAC, equivalendo a aplicar o mesmo produto duas vezes.
(E) Está certa, pois resistência cruzada depende do nome comercial de cada produto, não do grupo de mecanismo de ação do IRAC.
Q07. Uma empresa quer testar em campo, ainda em fase de pesquisa e por tempo limitado, um produto novo antes de concluído o registro. Um técnico diz que isso só será possível após o registro definitivo do MAPA. Essa afirmação procede?
(A) Não, pois o silêncio positivo já autoriza a comercialização de produto em pesquisa cujo prazo se esgote sem resposta.
(B) Sim, pois o Registro Especial Temporário só vale para produtos técnicos equivalentes, não para formulados em pesquisa.
(C) Não, pois a Lei 14.785/2023 criou o Registro Especial Temporário para permitir uso controlado de produto em pesquisa.
(D) Sim, pois nenhum produto ausente do AGROFIT, com registro ativo, pode ser comercializado ou aplicado no Brasil.
(E) Não, pois basta pagar a Taxa de Avaliação e de Registro para liberar o uso experimental em qualquer fase do pleito.
Q08. Um trabalhador vê, na embalagem, três pictogramas: risco para abelhas, uso obrigatório de luvas e manuseio de formulação líquida. A que categoria funcional pertence cada um, respectivamente, segundo o texto?
(A) Informação de EPI nos três casos, pois luva, abelha e formulação líquida indicam, cada um, um equipamento exigido.
(B) Informação de EPI, atividade de manuseio e advertência, pois a leitura do rótulo segue sempre essa ordem fixa entre as três categorias.
(C) Atividade de manuseio, advertência e informação de EPI, pois o símbolo da abelha descreve como manusear o produto.
(D) Advertência nos três casos, pois todo pictograma de risco ambiental, EPI ou manuseio cumpre a mesma função de alertar.
(E) Advertência, informação de EPI e atividade de manuseio, cada categoria com função distinta entre os pictogramas do rótulo.
Q09. Uma ordem de serviço traz três números: 150 L/ha de líquido a distribuir, 2 L/ha de produto comercial a incorporar, e 3.000 L de líquido total a preparar no tanque para cobrir a área do dia. A que grandezas correspondem, na ordem?
(A) Dose do produto comercial, taxa de aplicação e volume de calda a preparar, já que a dose sempre viria antes da taxa na ordem de serviço.
(B) Taxa de aplicação, dose do produto comercial e volume de calda a preparar, grandezas distintas que não podem ser confundidas.
(C) Taxa de aplicação, dose do produto comercial e concentração do ingrediente ativo na bula, igual ao volume do tanque.
(D) Volume de calda a preparar, taxa de aplicação e dose do produto comercial, sendo 150 L/ha o total dividido pela área.
(E) Taxa de aplicação, volume de calda a preparar e dose do produto comercial, pois o tanque é sempre a segunda grandeza.
Q10. Um ingrediente ativo tem NOEL de 0,8 mg/kg/dia, de estudo de toxicidade crônica. A Anvisa aplica o fator de segurança padrão para fixar a IDA desse composto. Qual é o valor da IDA, em mg/kg de peso corpóreo por dia?
(A) 80,0000 mg/kg p.c./dia
(B) 0,0800 mg/kg p.c./dia
(C) 0,0080 mg/kg p.c./dia
(D) 0,0040 mg/kg p.c./dia
(E) 0,8000 mg/kg p.c./dia
Q11. Um trabalhador de 60 kg opera pulverizador costal com um carbamato de NOEL 1,2 mg/kg/dia, absorvendo 36 mg por dia. O responsável técnico decide se a condição atual dispensa proteção coletiva adicional. Qual a MS e a conclusão?
(A) MS = 2,0000, condição segura, pois o valor supera 1 e nenhuma medida adicional é necessária.
(B) MS = 72,0000, condição segura, pois corresponde só ao numerador da fórmula, sem dividir pelo denominador.
(C) MS = 0,2000, condição insalubre, exigindo redução de 80% na exposição para tornar a condição segura.
(D) MS = 0,0200, condição insalubre, exigindo redução de 98% na exposição para tornar a condição segura.
(E) MS = 0,2000, condição insalubre, exigindo redução de 20% na exposição para tornar a condição segura.
Q12. Um produto em classificação apresenta DL50 oral de 200 mg/kg p.c., DL50 cutânea de 150 mg/kg p.c. e CL50 inalatória, vapor, de 15 mg/L. Qual a categoria final pelo GHS da RDC 294/2019, e qual via determina essa classificação?
(A) Categoria 3, pela média aritmética das três categorias obtidas em cada via testada separadamente.
(B) Categoria 2, pela via cutânea, pois entre as três é ela que resulta na classificação mais restritiva.
(C) Categoria 3, pela via oral, pois a classificação final segue sempre a via de exposição mais provável em campo.
(D) Categoria 4, pela via cutânea, que sendo a mais frequente em campo já define a classificação final.
(E) Categoria 4, pela via inalatória, pois é a única via com potencial de intoxicação aguda por vapor.
Q13. Um técnico afirma que, se a exposição de um trabalhador fica pouco abaixo do NOEL, basta reduzir mais um pouco para garantir margem confortável, já que o efeito cresceria de forma suave a partir desse ponto. O que essa afirmação ignora?
(A) Em muitos compostos, a transição entre ausência de efeito e efeito clínico ocorre numa faixa de dose estreita, não numa rampa suave.
(B) A afirmação vale só para toxicidade crônica, pois na aguda a resposta já é sempre proporcional à dose administrada.
(C) A curva dose-resposta é decrescente entre o NOEL e a DL50, de modo que reduzir a exposição pode até aumentar o efeito.
(D) O erro estaria em usar o NOEL, quando o parâmetro tecnicamente correto para essa decisão seria sempre a DL50.
(E) A afirmação está correta, pois abaixo do NOEL a resposta biológica já é nula por definição, tornando irrelevante qualquer margem adicional.
Q14. No preparo da calda num dia de calor intenso, um trabalhador respinga produto no antebraço e, minutos depois, sente odor forte do mesmo produto no ar junto ao tanque. Qual exposição tende a causar efeito sistêmico mais rápido, e por quê?
(A) A cutânea, pois o calor acima de 35 °C aumenta a permeabilidade da pele a ponto de superar a absorção alveolar.
(B) As duas são equivalentes, pois o calor intenso do Cerrado iguala a velocidade de absorção entre pele e vias respiratórias.
(C) A cutânea, pois a área de pele exposta no antebraço é sempre maior do que a área de troca gasosa nos pulmões.
(D) A respiratória, pois a vascularização alveolar confere capacidade de absorção maior que a da pele, mesmo com área menor.
(E) A respiratória, mas só porque o antebraço tem uma das menores taxas de absorção cutânea do corpo.
Q15. Um produtor quer resolver a segurança da equipe comprando de imediato mais respiradores e luvas, sem investir em abastecimento fechado do tanque nem em cabine pressurizada no autopropelido. O que essa decisão inverte, na hierarquia da NR-31?
(A) Ela inverte só a ordem de compra, pois EPI e proteção coletiva teriam tecnicamente exatamente o mesmo peso na hierarquia da norma.
(B) Ela prioriza corretamente o EPI, pois a NR-31 trata cabine pressurizada como item opcional, não medida de controle.
(C) Ela só inverte a hierarquia se a equipe não tiver Certificado de Aprovação para os respiradores recém-comprados.
(D) Ela prioriza a proteção individual, último nível da hierarquia, antes de esgotar controle na fonte e redução do risco.
(E) Ela erra por escolher EPI em vez de eliminar o risco trocando o produto, única medida antes da proteção individual.
Q16. Numa aplicação com gotas muito grossas e volume excessivo, parte do produto escorre das folhas e se acumula nas entrelinhas do próprio talhão, sem atingir a lavoura vizinha. Que fenômeno é esse, e qual mecanismo o explica?
(A) Endoderiva, pela evaporação do produto já depositado, fenômeno típico de dias de temperatura elevada.
(B) Endoderiva, mas só quando o produto é sistêmico, pois herbicida de contato nunca escorreria para as entrelinhas.
(C) Exoderiva, pelo mesmo mecanismo de escorrimento foliar, já que as duas formas de deriva compartilhariam a causa física.
(D) Exoderiva, pelo arrastamento aéreo de gotas pequenas pelo vento até uma área fora do talhão tratado.
(E) Endoderiva, por escorrimento e coalescência de gotas grossas, acima da capacidade normal de retenção foliar.
Q17. Duas pontas produzem o mesmo DMV, mas a razão DMV/DMN da primeira é 1,05 e da segunda é 1,60. Um técnico quer a ponta de espectro mais homogêneo, para reduzir a fração muito fina que mais causa deriva. Qual ponta escolher, e por quê?
(A) A segunda, pois razão DMV/DMN mais alta indica que o volume está concentrado em gotas grandes uniformes.
(B) A primeira, mas só porque DMV e DMN medem exatamente a mesma grandeza quando a ponta é bem calibrada.
(C) A primeira, pois quanto mais próxima de 1 a razão DMV/DMN, mais homogêneo o espectro de gotas.
(D) Indiferente, pois o PRD depende só do DMV, e a razão DMV/DMN não influencia esse percentual.
(E) A segunda, pois espectros mais heterogêneos favorecem gotas médias, as mais eficientes contra a deriva.
Q18. Um técnico quer reduzir o Potencial de Risco de Deriva sem trocar o modelo da ponta nem o ângulo do jato, e aumenta a pressão para elevar a vazão e cobrir a área mais rápido. Esse ajuste isolado tem o efeito esperado sobre a deriva?
(A) Não, pois pressão mais alta fragmenta mais o líquido, reduzindo o DMV e elevando o Potencial de Risco de Deriva.
(B) Sim, pois aumentar a pressão sempre produz gotas maiores na mesma ponta, reduzindo a fração fina que deriva.
(C) Não, mas só porque a vazão maior exige trocar o ângulo do jato, único fator relevante para o DMV nesse caso.
(D) Não, pois o efeito da pressão sobre o DMV depende do orifício, sendo neutro em pontas de qualquer modelo.
(E) Sim, mas só nas pontas de indução de ar, que dependem de pressão mais alta e por isso reduziriam sempre o risco de deriva.
Q19. Um agrônomo pergunta a um colega qual é "a" distância de buffer zone que deve constar de toda receita, para padronizar o procedimento em todas as fazendas. O que há de tecnicamente equivocado nessa pergunta?
(A) Nada está equivocado, pois o rótulo nunca traz distância própria, e a orientação genérica sempre prevalece no campo.
(B) O erro estaria em supor zona de amortecimento só para cultura sensível, quando ela se aplica também a curso de água.
(C) Nada está equivocado, pois a zona de amortecimento tem valor único definido em lei federal, igual em toda aplicação terrestre.
(D) O erro está em chamá-la de buffer zone, quando o termo correto para esse instrumento é só faixa de segurança de 30 m.
(E) A largura da zona de amortecimento não é fixa, varia com o produto, a condição meteorológica, a tecnologia e a área sensível.
Q20. Uma aplicação foi feita sobre folhas com orvalho ainda presente, com surfatante na calda, e parte visível do depósito escorreu para o solo logo após o contato com a folha. Que tipo de perda isso exemplifica, e o que amplificou o efeito?
(A) Uma perda física por escorrimento, mas o orvalho nesse caso reduziria o efeito do surfatante em vez de amplificá-lo.
(B) Uma perda química por fotodegradação, amplificada pela radiação solar sobre o filme de orvalho na folha.
(C) Uma perda química por degradação do ingrediente ativo, amplificada pelo pH da água usada no preparo da calda.
(D) Uma perda física por escorrimento, amplificada pelo filme do orvalho associado à presença de surfatante na calda.
(E) Uma perda física por deriva de partículas, amplificada pelo vento que carregou o produto fora da área tratada.