Glossário Técnico¶
Absorção foliar. Processo pelo qual moléculas de um produto fitossanitário atravessam a cutícula e os tecidos da folha até alcançar o interior da planta, etapa que depende do tempo de retenção da gota na superfície, da formulação do produto e da presença de adjuvantes que favoreçam a penetração.
Acidificante. Condicionador de água adicionado à calda para reduzir o pH a uma faixa que evite a hidrólise alcalina do ingrediente ativo, normalmente combinado com agentes tamponantes para manter essa condição estável durante o tempo de preparo e aplicação.
Adjuvante. Substância incorporada à calda fitossanitária sem possuir, por si, ação sobre o alvo biológico, mas capaz de alterar propriedades físicas e químicas da pulverização, como tensão superficial, tamanho de gotas, retenção foliar e penetração, melhorando o desempenho do produto aplicado.
Agente molhante (umectante). Adjuvante que reduz o ângulo de contato da gota com a superfície foliar, prolongando o tempo em que o depósito permanece úmido e evitando a formação prematura de cristais que impeçam a absorção do produto.
Agitação da calda. Movimento contínuo imposto ao líquido dentro do tanque do pulverizador, necessário para manter homogêneas as misturas que contêm partículas sólidas em suspensão, como as formulações de suspensão concentrada e pó molhável.
Agricultura de precisão. Conjunto de tecnologias que utiliza informação georreferenciada sobre a variabilidade espacial da lavoura para ajustar parâmetros de aplicação, como a taxa de aplicação ou a abertura de pontas individuais, conforme a necessidade de cada ponto do talhão.
Altura de voo. Distância vertical entre a aeronave (avião agrícola ou drone) e o topo do dossel da cultura durante a aplicação aérea, parâmetro que determina diretamente a uniformidade da deposição e o risco de deriva, já que alturas excessivas expõem as gotas a maior tempo de deslocamento no ar.
Alvo biológico. Organismo, estrutura vegetal ou superfície que se pretende atingir com a aplicação de um produto fitossanitário, podendo ser uma planta daninha, um inseto, um patógeno ou a própria planta cultivada, conforme o produto atue de forma direta ou indireta sobre esse organismo.
Amplitude relativa (AR). Índice que descreve a homogeneidade de um espectro de gotas a partir da dispersão dos diâmetros volumétricos acumulados, de modo que, quanto menor o valor, mais uniforme é o tamanho das gotas produzidas por determinada ponta de pulverização.
Ângulo de contato. Ângulo formado entre a superfície de uma gota e a superfície foliar no ponto de contato, cujo valor reduzido indica maior espalhamento da gota e melhor molhabilidade da folha.
Antagonismo. Interação entre dois ou mais produtos misturados na calda em que o efeito conjunto resultante é inferior à soma dos efeitos esperados de cada produto aplicado isoladamente.
Antiespumante. Adjuvante destinado a reduzir a formação de espuma durante o enchimento e a agitação do tanque, problema comum em caldas com agentes tensoativos que, em excesso, dificultam a leitura do nível de líquido e a operação do pulverizador.
Aplicação seletiva. Técnica em que sensores ópticos ou outros sistemas de reconhecimento de alvo identificam a presença da planta daninha, da praga ou da área a ser tratada, acionando a pulverização apenas nesses pontos e reduzindo o volume total de produto aplicado.
Assistência de ar. Tecnologia em que um fluxo de ar gerado pelo próprio pulverizador auxilia o transporte das gotas até o alvo, melhorando a penetração no dossel e reduzindo a deriva em condições de vento moderado.
Atomizador rotativo. Elemento gerador de gotas, comum em aplicações aéreas, que fragmenta o líquido pela ação de um disco ou tela giratória, com o tamanho da gota determinado pela rotação do dispositivo e pela velocidade de deslocamento da aeronave.
Avião agrícola. Aeronave tripulada utilizada na aplicação aérea de produtos fitossanitários, regulamentada por legislação específica do MAPA e da ANAC, com distâncias mínimas de aplicação maiores do que as exigidas para drones agrícolas.
Buffer zone (zona de amortecimento). Faixa de terreno mantida sem aplicação ao redor de áreas sensíveis, como cursos de água, povoações ou culturas suscetíveis, destinada a reduzir o risco de dano por deriva.
Calda fitossanitária. Mistura final composta por água, produto fitossanitário e, quando necessário, adjuvante, preparada no tanque do pulverizador e efetivamente liberada pelas pontas no momento da aplicação.
Calibração. Procedimento de aferição do pulverizador já regulado, no qual se verifica se a vazão, a velocidade de deslocamento e o espaçamento entre pontas estão produzindo a taxa de aplicação pretendida, normalmente medido pela coleta do volume liberado em determinado tempo ou distância percorrida.
Carga elétrica (carregamento eletrostático). Indução de cargas positivas ou negativas nas gotas de pulverização, técnica que aumenta a atração entre a gota e o alvo aterrado e pode melhorar a deposição em superfícies de difícil acesso, como a face inferior das folhas.
Classe química. Agrupamento de produtos fitossanitários conforme a estrutura química do ingrediente ativo, informação que orienta decisões de manejo de resistência e de compatibilidade em misturas.
Classificação toxicológica. Enquadramento de um produto fitossanitário em categorias de risco à saúde humana, definidas a partir dos valores de DL50 oral, DL50 cutânea e CL50 inalatória, indicadas no rótulo por meio de faixas coloridas conforme a categoria de perigo.
CL50 (concentração letal 50%). Concentração de uma substância no ar ou na água necessária para causar a morte de 50% dos indivíduos de um grupo de animais submetidos a teste, parâmetro utilizado para classificar a toxicidade por inalação e a toxicidade para organismos aquáticos.
Cobertura de pulverização. Fração da superfície do alvo efetivamente atingida pelas gotas, geralmente expressa em percentual de área coberta ou em número de gotas por centímetro quadrado, e diretamente relacionada ao tamanho das gotas e à taxa de aplicação utilizada.
Compatibilidade. Capacidade de dois ou mais produtos formarem, quando misturados na calda, uma combinação fisicamente estável e quimicamente inalterada, sem formação de grumos, separação de fases, precipitados ou perda de eficácia dos ingredientes ativos envolvidos.
Concentrado emulsionável (CE). Formulação líquida em que o ingrediente ativo é dissolvido em solvente orgânico e estabilizado por agentes emulsionantes, formando, ao ser diluída em água, uma emulsão de aspecto leitoso que dispensa agitação tão intensa quanto a exigida pelas suspensões.
Controlador eletrônico de pulverização. Sistema embarcado no pulverizador que monitora e ajusta automaticamente a vazão das pontas conforme a velocidade de deslocamento, mantendo a taxa de aplicação programada mesmo diante de variações de velocidade no campo.
Curva de vazão. Relação, fornecida pelo fabricante de pontas de pulverização, entre a pressão de trabalho e o volume liberado por unidade de tempo, utilizada para selecionar a ponta adequada a determinada taxa de aplicação e velocidade de deslocamento.
Deriva. Deslocamento de gotas ou vapor do produto fitossanitário para fora da área alvo da aplicação, fenômeno influenciado pelo tamanho das gotas, pela velocidade do vento, pela altura de liberação e pelas condições de estabilidade atmosférica.
Deriva de partícula. Deslocamento de gotas líquidas suspensas no ar para fora da área tratada, geralmente associado a gotas finas e a condições de vento ou turbulência durante a aplicação.
Deriva de vapor. Deslocamento de moléculas do produto fitossanitário em forma de vapor, originado pela volatilização do ingrediente ativo após a aplicação, processo que independe do tamanho original da gota e está mais relacionado à temperatura e à volatilidade da formulação.
Densidade de gotas. Número de gotas depositadas por unidade de área de um alvo, indicador de cobertura que deve ser interpretado em conjunto com o tamanho das gotas, já que volumes iguais de calda podem gerar densidades muito diferentes conforme a classe de gota utilizada.
Deposição. Quantidade de produto fitossanitário efetivamente depositada sobre a superfície do alvo após a pulverização, resultado da interação entre o tamanho das gotas, as condições climáticas e as características da superfície atingida.
Diâmetro Mediano Numérico (DMN). Diâmetro de gota que divide o espectro de pulverização em duas partes iguais quanto ao número de gotas, de modo que metade das gotas produzidas possui diâmetro menor que esse valor e a outra metade, diâmetro maior.
Diâmetro Mediano Volumétrico (DMV). Diâmetro de gota que divide o volume total pulverizado em duas partes iguais, sendo o parâmetro mais utilizado para classificar o espectro de gotas e relacioná-lo ao risco de deriva, à penetração no dossel e à cobertura do alvo.
Dose. Quantidade de produto comercial (formulado) recomendada por unidade de área ou por planta, expressa em massa ou volume do produto, distinta da taxa de aplicação, que se refere ao volume total de calda liberado.
DL50 (dose letal 50%). Quantidade de uma substância, por quilograma de peso corporal, capaz de causar a morte de 50% dos animais de um grupo submetido a teste, determinada separadamente para as vias oral e cutânea, e utilizada como principal parâmetro da classificação toxicológica aguda.
Drone agrícola. Aeronave remotamente pilotada (RPA) empregada na aplicação de produtos fitossanitários, classificada pela ANAC conforme o peso máximo de decolagem e sujeita a regras específicas do MAPA quanto a registro do operador, distância mínima de aplicação e curso de capacitação.
Dureza da água. Concentração de sais de cálcio e magnésio dissolvidos na água utilizada no preparo da calda, expressa em equivalentes de carbonato de cálcio, capaz de reagir com determinados ingredientes ativos e reduzir sua eficácia, como ocorre com o glifosato em águas muito duras.
Eficácia biológica. Capacidade de um tratamento fitossanitário produzir o efeito esperado de controle sobre o alvo biológico, resultado conjunto das propriedades do produto e da qualidade da tecnologia de aplicação empregada.
Embalagem. Recipiente que acondiciona o produto fitossanitário, projetado conforme exigências regulatórias para impedir vazamentos e facilitar a tríplice lavagem, devendo apresentar rotulagem obrigatória com as informações de identificação, classificação e uso do produto.
Emulsão. Dispersão estável de pequenos glóbulos de um líquido em outro líquido imiscível, como ocorre quando um concentrado emulsionável é diluído em água, resultando em calda de aspecto leitoso.
EPI (Equipamento de Proteção Individual). Conjunto de itens de proteção individual destinados a evitar o contato direto do trabalhador com o produto fitossanitário durante o preparo da calda, a aplicação e a descontaminação dos equipamentos, com uso e fornecimento regulados pela NR-31.
Espalhante. Adjuvante que reduz a tensão superficial da gota, diminuindo o ângulo de contato com a folha e favorecendo a distribuição do líquido sobre uma área maior da superfície foliar.
Espectro de gotas. Distribuição dos diversos tamanhos de gotas produzidos por uma pulverização, classificada segundo a norma ASABE/ABNT em categorias que vão de extremamente fina a ultra grossa, com base na comparação com pontas de referência.
Estabilidade atmosférica. Condição da atmosfera relacionada à diferença de temperatura entre camadas de ar próximas e distantes do solo, determinante para a ocorrência de inversões térmicas e para o comportamento vertical das gotas suspensas no ar.
FISPQ (Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos). Documento técnico que reúne dados sobre as propriedades físico-químicas, os riscos à saúde e ao ambiente e as medidas de segurança no manuseio, transporte e armazenamento de um produto químico.
Formulação. Forma física e composição final em que um ingrediente ativo é apresentado para comercialização, resultado da combinação do princípio ativo com ingredientes inertes que definem o comportamento do produto na calda, identificada por um código de duas letras conforme padronização do MAPA.
Grânulo dispersível (WG). Formulação sólida composta por partículas granuladas que, ao entrarem em contato com a água, se desintegram e formam uma suspensão de partículas finas, reunindo a facilidade de manuseio dos grânulos com o comportamento de um pó molhável já diluído.
Grupo de ação. Classificação de um produto fitossanitário conforme o tipo de organismo que ele controla, como inseticida, fungicida, herbicida, acaricida ou nematicida, base para decisões de manejo integrado e de rotação de mecanismos de ação.
Hidrólise alcalina. Reação de degradação de determinados ingredientes ativos quando em contato com água de pH elevado, capaz de reduzir significativamente a concentração do produto ainda na calda, antes mesmo da aplicação.
Higiene pessoal (do aplicador). Conjunto de cuidados relacionados ao banho, à troca de roupas e à descontaminação do corpo do trabalhador após o manuseio de produtos fitossanitários, prática preventiva complementar ao uso correto dos EPIs.
Incompatibilidade. Ocorrência de alteração física ou química indesejada quando dois ou mais produtos são misturados na calda, manifestada por separação de fases, formação de grumos, precipitados, espuma excessiva ou mudança de cor.
Indução de ar. Mecanismo presente em determinados modelos de pontas de pulverização que succiona ar para o interior da câmara de formação da gota, criando bolhas no interior de gotas grossas a muito grossas, característica associada à redução do potencial de deriva.
Inspeção periódica de pulverizadores (IPP). Programa de verificação técnica realizado em intervalos regulares para avaliar se um pulverizador atende a critérios mínimos de conformidade, como uniformidade de vazão entre pontas, precisão do manômetro e uniformidade de distribuição ao longo da barra.
Inversão térmica. Condição atmosférica em que uma camada de ar mais frio fica retida junto ao solo sob uma camada de ar mais quente, impedindo a dispersão vertical das gotas finas e favorecendo a ocorrência de deriva a longas distâncias.
Jato cônico. Padrão de pulverização produzido por pontas em que o líquido sai em formato de cone, podendo ser vazio, com deposição concentrada na periferia, ou cheio, com deposição distribuída por toda a área do cone.
Jato plano (leque). Padrão de pulverização produzido por pontas em que o líquido passa por um orifício elíptico ou retangular, formando um jato plano de projeção elíptica, padrão mais utilizado em aplicações sobre superfícies planas, como solo e folhagem.
Mecanismo de ação. Forma específica pela qual um ingrediente ativo interfere em um processo biológico do organismo-alvo, classificação utilizada principalmente para orientar estratégias de manejo de resistência.
Microemulsão. Formulação líquida na qual o ingrediente ativo é disperso em gotículas de dimensão muito reduzida, resultando, ao ser diluída em água, em uma mistura translúcida e estável que dispensa agitação constante.
Mistura em tanque. Prática de combinar dois ou mais produtos fitossanitários, adjuvantes ou fertilizantes foliares em uma mesma calda, realizada por razões agronômicas, operacionais ou econômicas, condicionada à verificação prévia de compatibilidade entre os componentes.
Nome comercial. Denominação sob a qual um produto fitossanitário é registrado e comercializado por determinada empresa, podendo variar entre fabricantes mesmo quando o ingrediente ativo é o mesmo.
Nome comum. Denominação simplificada e internacionalmente reconhecida do ingrediente ativo de um produto fitossanitário, independente da formulação ou do fabricante.
Nome técnico. Denominação química que identifica precisamente a estrutura molecular do ingrediente ativo de um produto fitossanitário, geralmente seguindo regras de nomenclatura da química orgânica.
Óleo mineral. Adjuvante derivado da destilação do petróleo, utilizado para reduzir a tensão superficial da calda e favorecer a penetração de ingredientes ativos pela cutícula foliar, com efeito fitotóxico potencialmente maior que o dos óleos vegetais.
Óleo vegetal. Adjuvante extraído de sementes oleaginosas, utilizado com função semelhante à do óleo mineral, mas geralmente tolerado em concentrações mais altas por apresentar menor risco de fitotoxicidade.
Ordem de mistura. Sequência recomendada para adição de diferentes formulações ao tanque durante o preparo da calda, definida para reduzir o risco de incompatibilidade, geralmente priorizando formulações sólidas no início e concentrados emulsionáveis próximo ao final do processo.
Penetração no dossel. Capacidade das gotas de pulverização atravessarem as camadas externas de folhagem de uma cultura e atingirem estratos internos ou inferiores das plantas, fator especialmente relevante em culturas com grande área foliar.
Pó molhável (WP). Formulação sólida composta por partículas finas que, ao serem diluídas em água, formam uma suspensão que exige agitação contínua para se manter homogênea, com dosagem realizada por peso e não por volume.
Ponta de pulverização. Componente do pulverizador responsável por fracionar a calda em gotas, determinando simultaneamente a vazão, a distribuição e o tamanho das gotas produzidas, conforme seu modelo, material e a pressão de trabalho aplicada.
Ponta de referência. Modelo de ponta de pulverização padronizado e utilizado pelas normas técnicas para delimitar os limites entre as classes de tamanho de gota, servindo de parâmetro de comparação para a classificação de outras pontas comerciais.
Potencial de Periculosidade Ambiental (PPA). Classificação de um produto fitossanitário quanto ao risco que representa para o meio ambiente, estabelecida pelo órgão ambiental competente e indicada na embalagem em categorias que variam de produto altamente perigoso a produto pouco perigoso.
Potencial de Risco de Deriva (PRD). Percentual do volume pulverizado constituído por gotas pequenas o suficiente para serem perdidas por deriva ou evaporação, parâmetro utilizado para comparar diferentes pontas e condições de pulverização quanto à sua propensão à deriva.
Pressão de trabalho. Pressão na qual o pulverizador opera no momento da liberação da calda pelas pontas, fator que influencia diretamente a vazão e o tamanho das gotas produzidas, sendo inversamente relacionada ao tamanho de gota em pontas hidráulicas.
Princípio ativo. Substância química ou biológica responsável pela ação de controle do produto fitossanitário sobre o organismo-alvo, presente na formulação em conjunto com os ingredientes inertes.
Produto fitossanitário. Substância ou mistura de substâncias destinada a prevenir, controlar ou eliminar pragas, doenças ou plantas daninhas que afetam a produção agrícola, termo regulatório que abrange inseticidas, fungicidas, herbicidas, acaricidas e nematicidas.
Pulverizador autopropelido. Equipamento de pulverização dotado de motor e sistema de tração próprios, projetado para operações de grande capacidade e velocidade em áreas extensas, dispensando o acoplamento a um trator.
Pulverizador costal. Equipamento de pulverização carregado nas costas do operador, utilizado em aplicações de pequena escala ou em áreas de difícil acesso a máquinas de maior porte.
Pulverizador de barra (tratorizado). Equipamento de pulverização acoplado a um trator, equipado com uma barra horizontal onde são montadas as pontas de pulverização em espaçamento regular, padrão mais comum nas aplicações terrestres de grandes lavouras.
Pulverização eletrostática. Técnica que adiciona carga elétrica às gotas de pulverização para aumentar sua atração pelo alvo aterrado, melhorando a deposição em superfícies de difícil alcance, ainda que sua eficácia na redução de deriva deva ser avaliada com cautela.
Qualidade de pulverização. Termo utilizado por fabricantes de pontas e em rótulos de produtos como sinônimo da classe de tamanho de gota recomendada, indicando a faixa de DMV adequada para determinada aplicação.
Receituário agronômico. Documento técnico emitido por profissional habilitado que prescreve o produto fitossanitário, a dose, o alvo biológico e as condições de aplicação recomendadas para determinada lavoura, exigido inclusive para a aplicação com drones agrícolas.
Redutor de deriva. Adjuvante que aumenta a viscosidade da calda e reduz a formação de gotas muito finas, diminuindo a fração do volume pulverizado sujeita à deriva e aumentando o diâmetro mediano volumétrico do espectro de gotas.
Regulagem. Ajuste das configurações do pulverizador, como tipo de ponta, pressão e velocidade de deslocamento, definido antes da operação a partir das características da cultura, do alvo biológico e do produto a ser aplicado, etapa anterior e distinta da calibração.
Retenção foliar. Capacidade de uma gota permanecer sobre a superfície da folha após o impacto, sem escorrer ou ricochetear, fator influenciado pela tensão superficial da calda, pelo ângulo de contato e pelas características da própria folha.
Rótulo e bula. Documentos que acompanham obrigatoriamente um produto fitossanitário registrado, contendo informações sobre composição, classificação toxicológica e ambiental, modo de uso, doses recomendadas, classe de gotas indicada e medidas de precaução, e que prevalecem sobre qualquer generalização técnica de literatura.
Sequestrante. Condicionador de água que se liga a íons de cálcio, magnésio, ferro ou alumínio presentes na água dura, evitando que esses íons reajam com o ingrediente ativo e reduzam sua eficácia.
Sinergismo. Interação entre dois ou mais produtos misturados na calda em que o efeito conjunto resultante é superior à soma dos efeitos esperados de cada produto aplicado isoladamente.
Suspensão concentrada (SC). Formulação líquida composta por partículas sólidas finamente dispersas em meio aquoso, que exige agitação para se manter homogênea, mas apresenta maior facilidade de dosagem do que o pó molhável, por ser medida em volume.
Tamponante. Condicionador de água que mantém o pH da calda estável em determinado valor, mesmo diante de variações na concentração dos produtos adicionados, evitando a degradação de ingredientes ativos sensíveis à acidez ou à alcalinidade.
Tanque do pulverizador. Reservatório do equipamento de pulverização onde a calda é preparada e armazenada durante a operação, cuja capacidade determina, em conjunto com a taxa de aplicação, a área que pode ser tratada por carga.
Taxa de aplicação. Quantidade de calda fitossanitária aplicada por unidade de área, normalmente expressa em litros por hectare, parâmetro distinto da dose, que se refere ao produto comercial, e diretamente relacionado à cobertura e à eficácia biológica da aplicação.
Taxa variável (VRA). Sistema de aplicação em agricultura de precisão que ajusta automaticamente a taxa de aplicação ao longo do deslocamento do pulverizador, conforme mapas de prescrição ou leituras de sensores sobre a variabilidade da lavoura.
Teste da garrafa (teste da jarra). Procedimento de validação prévia de uma mistura em tanque, realizado em pequena escala antes da aplicação em campo, no qual os produtos são combinados em um recipiente transparente, nas mesmas proporções previstas para o tanque, para observação de eventuais sinais de incompatibilidade.
Toxicidade aguda. Capacidade de uma substância causar efeito adverso à saúde após exposição única ou de curta duração, parâmetro avaliado pelos testes de DL50 e CL50 que fundamentam a classificação toxicológica de um produto.
Toxicidade crônica. Capacidade de uma substância causar efeito adverso à saúde em decorrência de exposição repetida ao longo do tempo, mesmo em doses individualmente baixas, distinta da toxicidade aguda por não depender de uma única exposição elevada.
Tríplice lavagem. Procedimento obrigatório de descontaminação de embalagens vazias de produtos fitossanitários, realizado imediatamente após o esvaziamento do produto, que consiste em enxaguar a embalagem três vezes com água, despejando cada enxágue no tanque do pulverizador, antes do encaminhamento da embalagem para destinação final.
Turboatomizador. Pulverizador equipado com sistema de assistência de ar, geralmente empregado em culturas arbustivas ou arbóreas, no qual um fluxo de ar gerado por turbina auxilia o transporte das gotas até o interior da copa das plantas.
Uniformidade de distribuição. Grau de regularidade com que a calda é distribuída ao longo da barra de um pulverizador, avaliado pelo coeficiente de variação da vazão entre pontas e por ensaios em mesa de distribuição, sendo um dos critérios de conformidade na inspeção periódica de pulverizadores.
Vazão. Volume de calda liberado por uma ponta de pulverização na unidade de tempo, parâmetro que depende do diâmetro do orifício da ponta e da pressão de trabalho aplicada, utilizado no cálculo da taxa de aplicação.
Via de exposição. Caminho pelo qual um produto fitossanitário entra em contato com o organismo humano, classificada em oral, dérmica ou respiratória, sendo a via dérmica a mais frequentemente subestimada pelos aplicadores, apesar de responder pela maior parte dos acidentes de intoxicação.
Volume de calda. Quantidade física de mistura preparada ou contida no tanque do pulverizador, conceito que se refere ao montante disponível para aplicação e não deve ser confundido com a taxa de aplicação, que expressa a proporção distribuída por unidade de área tratada.