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Revisão, Unidade II: Calda Fitossanitária (Aulas 05 a 08)

Tip

Antes de começar, tente responder tudo sem olhar o gabarito. O esforço de recuperar da memória é o que consolida o aprendizado; consultar a resposta cedo demais desperdiça o exercício. As questões do Bloco A não têm gabarito escrito: serão discutidas em sala. Confira os Blocos B e C no gabarito só depois de tentar.

Bloco A: síntese integradora (para discussão em sala)

A1. Um agrônomo afirma que "calda é só produto diluído em água". A partir do que você estudou na Unidade II, argumente por que essa frase é tecnicamente incorreta, explicando como os três componentes da calda (água, produto formulado e adjuvante) e a interação entre eles definem se a mistura chega à ponta de pulverização em estado adequado para formar gotas estáveis.

A2. A tendência de reduzir a taxa de aplicação apareceu nas quatro aulas da unidade. Reúna esse fio condutor: o que a redução da taxa de aplicação melhora, e quais três riscos técnicos distintos ela agrava, um ligado à cobertura, um ligado ao comportamento da gota no ar e um ligado à mistura de produtos no tanque.

A3. Diante de duas embalagens com códigos de formulação diferentes no rótulo, mostre como esse único dado (o código) encadeia decisões que atravessam três aulas da unidade: o preparo da calda, a necessidade (ou não) de adjuvante e a ordem de adição no tanque. Encerre explicando por que uma calda visualmente perfeita ainda pode falhar no campo.

Bloco B: questões integradas

B1. Com pressa, um operador adiciona um concentrado emulsionável (EC) ao tanque ainda com pouca água e só depois despeja o pó molhável (WP). Minutos depois forma-se uma pasta na camada superior, que obstrui filtros e o orifício da ponta de pulverização. Qual explicação técnica e conduta corretiva estão corretas?

(A) A pasta é uma incompatibilidade química por antagonismo, e a correção é substituir um dos produtos por outro princípio ativo de mesma função.
(B) A pasta veio da abrasividade do EC, que desgastou o filtro, e a correção é instalar uma malha de filtro de menor mesh na linha.
(C) A ordem inverteu a regra sólido antes de oleoso, e a correção é adicionar o WP antes do EC e refazer o teste da garrafa.
(D) O WP não foi pré-diluído e empedrou, e basta aumentar a pressão de trabalho para dispersar a pasta já formada.

B2. Uma análise laboratorial aponta água dura numa propriedade que vai aplicar glifosato. Explique (a) por que a dureza compromete especificamente a eficácia do glifosato, e (b) duas condutas técnicas distintas para proteger o ingrediente ativo, uma que atua sobre a água ou a calda e outra que atua sobre a taxa de aplicação.

B3. Numa aplicação de fungicida multissítio formulado como pó molhável (WP), a equipe reduz a taxa de aplicação de 150 para 60 L/ha para ganhar rendimento, mantendo a mesma dose por hectare. Qual consequência é tecnicamente esperada dessa decisão?

(A) A calda fica mais concentrada em partícula sólida, o que aumenta a abrasão sobre a ponta e o filtro.
(B) A abrasão desaparece, porque menos água significa menos partícula sólida circulando por todo o sistema.
(C) O WP passa a formar solução verdadeira, o que dispensa a agitação contínua durante a aplicação.
(D) A cobertura aumenta proporcionalmente, uma vez que a dose por hectare foi mantida constante na operação.

B4. Um técnico pretende adicionar um surfatante catiônico a uma calda de glifosato e conclui que, como o teste da garrafa não mostrou separação de fases, a mistura está segura. Aponte os dois erros técnicos desse raciocínio.

B5. Para uma mistura de três produtos numa lavoura de soja, o operador quer aplicar a 40 L/ha. Ao revisar a receita, o agrônomo recomenda subir para 100 L/ha apenas para essa combinação. Qual é a justificativa técnica central dessa recomendação?

(A) Volumes maiores reduzem a dose de cada produto por hectare, o que diminui o risco de fitotoxicidade na cultura.
(B) A 40 L/ha as gotas ficam grossas demais, e é preciso mais água na calda para afiná-las até o tamanho ideal.
(C) O maior volume acelera a degradação por hidrólise, o que encurta o tempo de uso seguro da calda preparada.
(D) Menos água eleva a concentração relativa dos componentes e, com isso, o risco de incompatibilidade da mistura.

B6. Um produto formulado como concentrado emulsionável (EC) já contém surfatante emulsificante. O revendedor sugere adicionar mais um espalhante organossiliconado ao tanque "para garantir". Qual avaliação técnica é a mais adequada?

(A) A adição é sempre benéfica, pois reduzir a tensão superficial da calda aumenta a mortalidade do alvo em qualquer situação de campo.
(B) O adjuvante interno já cumpre parte dessa função, e somar outro sem diagnóstico pode ser redundante ou até prejudicial.
(C) O organossiliconado corrige o pH da calda, sendo indispensável em qualquer água captada nas condições do Cerrado.
(D) O EC não possui surfatante próprio, portanto o espalhante externo é obrigatório para que a emulsão se forme no tanque.

B7. Um agrônomo quer misturar, na mesma calda, um fungicida formulado como suspensão concentrada (SC) e um produto biológico à base de Trichoderma spp. Explique por que o protocolo convencional de mistura é insuficiente nesse caso e liste as condutas de preparo específicas para essa mistura.

B8. Depois de reduzir a taxa de aplicação, o agrônomo adiciona um surfatante que reduz a tensão superficial da calda e, com isso, dobra o fator de espalhamento K da fórmula de Courshee. Considerando apenas esse fator, qual é o efeito esperado sobre a cobertura?

(A) A contribuição de K para a cobertura quadruplica, porque na fórmula de Courshee o fator K entra elevado ao quadrado.
(B) A cobertura simplesmente dobra, porque o fator de espalhamento K tem relação linear e direta com a cobertura obtida.
(C) A cobertura cai, porque o fator de espalhamento K aparece no denominador da fórmula de Courshee, junto com A e D.
(D) Não há efeito sobre a cobertura, porque K influencia apenas a taxa de recuperação R das gotas, e não o valor de C.

B9. Uma bula recomenda "0,72 kg e.a./ha em 100 L de calda/ha". No campo, um operador anota isso como "vou preparar 720 L de calda no caminhão-pipa". Usando a terminologia técnica correta, identifique cada grandeza citada e explique o erro de leitura do operador, distinguindo taxa de aplicação, volume de calda, dose e o papel do equivalente ácido.

B10. Numa calda com dicamba, o operador cogita adicionar sulfato de amônio (adjuvante aminado) "para melhorar a absorção", como faria com uma calda de glifosato. Qual é a avaliação correta dessa combinação?

(A) É recomendada, pois o sulfato de amônio sequestra os cátions da água dura e assim protege a molécula de dicamba da inativação.
(B) É desaconselhada, pois o adjuvante aminado eleva a volatilidade do dicamba e o risco de deriva por vapor para culturas vizinhas.
(C) É indiferente, pois o adjuvante aminado só interage com herbicidas do grupo do glifosato, não tendo efeito sobre o dicamba.
(D) É recomendada, pois o sulfato de amônio reduz o pH da calda e, com isso, estabiliza qualquer formulação salina utilizada.

Bloco C: cálculo e diagnóstico integrado

Arredonde sempre para 4 casas decimais. Mostre a fórmula, a substituição e o resultado.

C1. Um pulverizador de barra está regulado com pontas que entregam vazão individual de 0,80 L/min, espaçamento entre pontas de 50 cm e velocidade de deslocamento de 7,2 km/h. O produto é um fungicida para soja.

(a) Calcule a taxa de aplicação resultante (L/ha), com 4 casas decimais.

(b) Se esse fungicida for um multissítio formulado como pó molhável (WP), aponte dois cuidados de preparo e operação exigidos pela formulação.

C2. Uma água de pulverização tem dureza total de 875 ppm de CaCO₃. Vai-se aplicar glifosato na dose de 1,0 kg e.a./ha.

(a) Converta a dureza para a base de cálcio e calcule a fração de glifosato inativada a 120 L/ha, com 4 casas decimais.

(b) Recalcule para 60 L/ha e interprete o resultado no contexto de uma mistura em tanque.

Equação da Aula 06: % inativado = (Va × Dureza_Ca × 0,00047) / Dose_glifosato, com Dureza_Ca = dureza em CaCO₃ dividida por 2,5.

C3. Antes de aplicar, o agrônomo fará o teste da garrafa (1 L) de uma mistura. A recomendação é dose de 1.080 g de ingrediente ativo por hectare; o produto tem concentração de 720 g/L; a taxa de aplicação planejada é 120 L/ha.

(a) Calcule o volume de produto comercial por hectare e a quantidade de produto a colocar em 1 L de teste (4 casas decimais).

(b) Descreva os passos do teste que reproduzem o tanque real.


Gabarito

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