Revisão, Unidade II: Expressão do Potencial Produtivo (Aulas 05 a 08)¶
Tip
Lista integrativa de revisão da Unidade II. Cada questão dos Blocos B e C cruza pelo menos duas aulas: antes de resolver, identifique qual conceito se aplica. Tente antes de olhar o gabarito. O esforço de recuperar e integrar é o que consolida; ver a resposta cedo demais rouba justamente o efeito que a lista quer produzir. O gabarito comentado dos Blocos B e C está em arquivo separado. O Bloco A não tem gabarito: ele é discutido em sala.
Bloco A: Síntese integradora (discussão em sala)¶
A1. Um mesmo talhão atravessa a unidade em quatro decisões encadeadas: escolhe-se a cultivar (Aula 05), implanta-se o estande (Aula 06), lê-se a fertilidade do solo (Aula 07) e recomenda-se calagem e adubação (Aula 08). A cultivar "escreve o teto" da produtividade antes de a lavoura existir. Usando o arco inteiro, explique por que esse teto só se realiza se nenhum elo seguinte o rebaixar, e por que uma "recomendação de adubação" isolada, sem os elos anteriores, é uma decisão no escuro.
A2. A unidade repete, em quatro linguagens diferentes, um mesmo princípio: a heterose só existe na F1; um estande furado não se recupera na safra; a planta responde ao fator mais limitante, não ao nutriente que se aplicou; adubar em solo não corrigido é dinheiro parado no perfil; e na calagem escolhe-se a maior das três doses. Junte essas afirmações: qual é o princípio comum, e por que ele reorganiza a ordem das decisões (corrigir antes de nutrir, definir população antes de estande, escolher material antes de tudo)?
A3. A Unidade II é comparativa. Escolha uma cultura rústica (sorgo ou milheto) e uma exigente (milho ou trigo) e percorra as quatro decisões mostrando como elas mudam juntas: o tipo de material e o sistema reprodutivo (Aula 05), a população e a plasticidade (Aula 06), a personalidade nutricional e o metabolismo C3/C4 (Aula 07) e a dose de N, P e K (Aula 08). O que esse contraste ensina sobre por que não existe "receita única de cereal"?
Bloco B: Questões integradas¶
Cada questão cruza pelo menos duas aulas da Unidade II. Identifique primeiro qual conceito se aplica, depois resolva.
B1. (múltipla escolha) Um produtor de milho no Cerrado usa um híbrido simples de folha ereta em lavoura de alta fertilidade. Para "economizar", quer guardar grão da própria colheita (F1) para semear na safra seguinte e, de quebra, reduzir a população recomendada. Integrando o tipo de material e a implantação, a avaliação correta é:
(a) Guardar a F1 é seguro, pois o híbrido simples é uniforme e não segrega; só a densidade merece cautela.
(b) As duas economias custam rendimento: a F2 perde 15% a 40% e o híbrido de folha ereta exige população alta.
(c) Reduzir a população compensa a queda da F2, porque menos plantas competem menos entre si.
(d) A F2 se mantém vigorosa se a densidade for elevada, já que o adensamento recompõe a heterose perdida na segregação.
B2. (aberta) Um laudo de Cerrado, camada de 0 a 20 cm em solo argiloso, fecha com V = 38% e m = 6%. (i) Classifique a fertilidade natural (distrófico ou eutrófico; álico ou não álico) e diga qual é o fator que mais limita este solo. (ii) Entre os três métodos de necessidade de calagem, qual tende a dominar aqui, e por que a regra manda escolher a maior das três doses? (iii) Por que o gesso, embora leve cálcio, não resolve esse V baixo, e o que decide entre calcário calcítico e dolomítico?
B3. (múltipla escolha) Em plantio direto consolidado, com palhada espessa na superfície, o agrônomo vai aplicar a cobertura nitrogenada com ureia, sem previsão de chuva para os próximos dias. Cruzando o sistema de manejo com o comportamento da fonte, a leitura correta é:
(a) A palhada concentra urease e agrava a volatilização; sem chuva, o NBPT apenas adia a perda.
(b) A palhada barra a radiação e protege a ureia, tornando a volatilização desprezível nesse sistema.
(c) Em plantio direto a ureia não volatiliza, porque o solo coberto se mantém mais úmido sob a palha.
(d) O inibidor de urease elimina a volatilização independentemente de chuva, o que dispensa qualquer incorporação posterior.
B4. (múltipla escolha) Numa lavoura de milho de sequeiro sobre solo com camada compactada entre 5 e 20 cm, o produtor inoculou a semente com Azospirillum brasilense esperando "substituir parte da adubação". Veio um veranico e a lavoura murchou. Integrando a função do inoculante e os mecanismos de contato íon-raiz, a explicação correta é:
(a) O Azospirillum falhou porque não fixou o nitrogênio que substituiria o adubo mineral no cereal.
(b) A murcha decorre da falta de potássio, único nutriente que chega à raiz por difusão sob seca.
(c) O ganho do inoculante é radicular; a compactação barrou a raiz e cortou água e nutrientes de difusão.
(d) O veranico é irrelevante, pois o inoculante garante o aprofundamento radicular mesmo sob camada compactada e solo seco.
B5. (aberta) Um produtor afirma: "O milheto rende pouco grão, logo extrai e exige pouco nutriente." Avalie, cruzando por que o melhoramento nacional levou o milheto a esse patamar de grão (Aula 05) e o que a espécie faz com os nutrientes que absorve (Aula 07), e diga o que a relação C/N alta da palha impõe à adubação da cultura semeada logo depois.
B6. (múltipla escolha) Dois talhões vão receber a mesma dose de P₂O₅. No talhão 1, o fósforo do solo é baixo; no talhão 2, é alto (construído por anos de adubação). O operador quer aplicar tudo a lanço nos dois, para ganhar velocidade. Cruzando a mobilidade do fósforo com o critério de localização, a conduta correta é:
(a) Lanço nos dois: o fósforo é imóvel e não se perde, qualquer que seja o teor do solo e a superfície fixadora do Cerrado.
(b) Sulco nos dois, pois o fósforo de difusão sempre exige localização junto da semente, mesmo com teor alto.
(c) Lanço no talhão 1 e sulco no talhão 2, porque solo pobre aproveita melhor o adubo espalhado na superfície.
(d) Sulco no talhão 1, lanço no talhão 2: P baixo exige localização, P alto libera o lanço.
B7. (aberta) Na mesma fazenda, o agrônomo tende a copiar a adubação nitrogenada de cobertura do milho para o sorgo e o milheto. Cruzando o tipo de material e planta escolhido (Aula 05) com as tabelas de adubação (Aula 08), explique por que o milho puxa N de cobertura muito maior que sorgo e milheto, e por que a dose sai da expectativa de produtividade cruzada com o teor do solo, não do "grupo das gramíneas".
B8. (múltipla escolha) No planejamento de um trigo, a tabela pede 60 kg/ha de K₂O, e o agrônomo pensa em colocar tudo no sulco de semeadura junto com a semente, para simplificar a operação. Integrando o limite de salinidade e a qualidade do estande, a decisão correta é:
(a) Pôr os 60 kg/ha no sulco: o potássio tem índice salino baixo e não ameaça a semente.
(b) Levar todo o potássio para a cobertura, pois no sulco qualquer dose de K₂O queima a plântula.
(c) Deixar 50 kg/ha no sulco e 10 em cobertura: acima de 50 no sulco, o sal desidrata a semente.
(d) Trocar o cloreto pelo sulfato de potássio, o que remove por completo o risco salino e libera os 60 kg/ha no sulco.
B9. (múltipla escolha) Um produtor de MT quer fechar a safrinha e hesita entre milho e sorgo, e entre cultivares de ciclos diferentes. Ele acredita que "atrasar a semeadura se compensa escolhendo qualquer cultivar de ciclo longo". Cruzando os determinantes do ciclo com a época de semeadura, a avaliação correta é:
(a) Para milho e sorgo o fotoperíodo governa o ciclo, então basta usar material insensível e semear a qualquer momento.
(b) O sorgo tolera o fim da janela e o milho não; no fim da época, cabe cultivar precoce, não de ciclo longo.
(c) Ciclo longo no fim da janela é o ideal, pois alonga o enchimento e recupera o atraso da semeadura.
(d) Milho e sorgo têm a mesma data-limite no ZARC, de modo que a escolha entre eles não altera o risco da safrinha.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico integrado¶
C1. (cálculo integrado) Uma lavoura de milho no Cerrado usa um híbrido de folha ereta, em solo de alta fertilidade, boa água e época ideal. O catálogo recomenda 60.000 a 75.000 plantas/ha. Espaçamento 0,45 m, germinação do lote 90%, emergência não medida, PMS 340 g. (i) Justifique a população escolhida e calcule o estande (plantas/m). (ii) Calcule a fração de estabelecimento e as sementes por metro para regular a máquina. (iii) Calcule as sementes por hectare e os kg/ha de semente. Use as fórmulas exatas da Aula 06 e arredonde a 4 casas decimais.
C2. (cálculo integrado) Talhão de Cerrado, camada de 0 a 20 cm, solo argiloso (argila 42%). Laudo (cátions em cmolc/dm³): K = 39,1 mg/dm³, Ca²⁺ = 1,90, Mg²⁺ = 0,55, Al³⁺ = 0,40, H⁺ = 4,00. Calcário disponível de PRNT 90%; alvo V2 = 60%. (i) Calcule SB, T, V e m e classifique a fertilidade natural. (ii) Calcule a necessidade de calagem pelos três métodos e diga qual dose se adota. (iii) Escolha o tipo de calcário (calcítico, magnesiano ou dolomítico) com o critério da fonte. Fórmulas exatas da Aula 08; 4 casas decimais.
C3. (cálculo integrado) Trigo de sequeiro, expectativa 4,0 t/ha, solo com fósforo e potássio adequados, espaçamento 0,20 m (dentro da faixa de 17 a 20 cm do trigo). (i) Monte a dose de semeadura (N-P₂O₅-K₂O) pela tabela de manutenção do trigo e verifique se o K₂O cabe no sulco. (ii) Escolha uma fórmula NPK comercial que reproduza a proporção e calcule os kg/ha, ancorando no fósforo; confira a tolerância. (iii) Converta para gramas por metro de sulco. Fórmulas exatas das Aulas 06 e 08; 4 casas decimais.