Revisão, Unidade I: Fundamentos Biológicos (Aulas 01 a 04)¶
Tip
Lista de revisão de unidade: integrativa e cumulativa. Cada questão do Bloco B combina conceitos de mais de uma aula, parte do exercício é justamente identificar qual conceito se aplica. Tente resolver antes de abrir o gabarito. O esforço de recuperar e integrar é o que consolida o aprendizado. O Bloco A não tem gabarito: são questões de discussão, retomadas no fechamento da unidade.
Bloco A: Síntese integradora (para discutir em sala)¶
Responda por escrito, de forma breve. Não há resposta divulgada: traga suas respostas para a discussão.
A1. A Unidade I abre com uma distinção que parece trivial, semente e grão são botanicamente idênticos, e termina mostrando que valem coisas muito diferentes. Reconstrua esse arco: o que, entre o desenvolvimento no campo (formação e maturação), a composição química acumulada e o comportamento na germinação, transforma uma estrutura idêntica ao grão em algo que vale muitas vezes mais? E qual atributo, ausente do grão e ainda não medido nesta unidade, é o que a próxima unidade vai colocar no centro?
A2. Repete-se que, na produção de sementes, o agrônomo "pode conservar, mas não reconstituir" a qualidade do lote. Cruzando a maturidade fisiológica (o teto de matéria seca), a composição química que se acumulou até ali e o que a germinação depois revela, explique por que a qualidade máxima de um lote é decidida no campo, antes da colheita. Onde esse raciocínio encosta na deterioração, tema que abre a Unidade II?
A3. Um boletim de análise informa, na prática, apenas o percentual de germinação. Reunindo o que a Unidade I mostrou sobre o que a germinação de laboratório mede, e o que ela não mede, o que ainda falta para decidir a taxa e a época de semeadura em Mato Grosso? Que conceito, que abre a Unidade II, preenche exatamente essa lacuna?
Bloco B: Questões integradas¶
B1. Uma semente de soja e uma de milho germinam lado a lado. Sobre a mobilização das reservas nos primeiros dias, considerando onde cada espécie estoca essas reservas, é correto afirmar:
(A) Na soja, as reservas cotiledonares se mobilizam sem depender de sinal hormonal do eixo embrionário.
(B) No milho, a alfa-amilase é sintetizada pelos próprios cotilédones e enviada ao eixo embrionário em crescimento.
(C) Na soja, a camada de aleurona secreta as hidrolases assim que recebe a giberelina liberada pelo escutelo.
(D) No milho, o eixo embrionário torna-se dispensável desde que a aleurona receba giberelina do meio externo.
B2. Um produtor decide antecipar a colheita da soja apenas porque o teor de água caiu, sem avaliar mais nada. Explique, cruzando o conceito de maturidade fisiológica com a consequência sobre a qualidade fisiológica do lote, por que essa decisão pode capturar sementes de vigor inferior ao potencial da cultivar.
B3. Um campo de produção de sementes de soja sofreu contaminação por pólen de uma cultivar vizinha. O analista examina o tegumento das sementes colhidas nesse ano (geração F1) buscando detectar a mistura. O que se deve esperar?
(A) O tegumento das sementes colhidas já expressa a mistura, o que permite descartar o lote de imediato.
(B) O endosperma triploide não recebe gene paterno, de modo que a semente nada revela sobre o cruzamento.
(C) O tegumento é materno e não revela a contaminação, que só aparece na geração seguinte.
(D) A cor da testa muda de imediato, porque é o próprio embrião que dá origem ao tegumento da semente.
B4. Duas sementes de soja embebem no mesmo substrato: uma viável e uma morta. Sobre o padrão trifásico de embebição:
(A) A semente morta praticamente não absorve água na fase I, o que já a distingue da viável no início.
(B) Ambas absorvem água na fase I; a morta estagna na fase II e não retoma o crescimento.
(C) A morta avança até a fase III, mas não emite radícula por faltar giberelina no endosperma amiláceo.
(D) A viável pula a fase II, pois seu alto teor de proteína a leva direto à protrusão radicular.
B5. No Cerrado mato-grossense, um veranico com temperaturas acima de 30°C coincidiu com o enchimento de grãos de um lote de soja, que chegou ao armazém com muitas sementes esverdeadas. Explique, no nível da composição química e da maturação, o que aconteceu, e por que isso rebate na qualidade fisiológica do lote.
B6. Um lote de soja bem seco mantém alta germinação após meses de armazenamento em condição adequada. Do ponto de vista bioquímico, o que mais contribui para essa longevidade é:
(A) O predomínio de ácidos graxos poli-insaturados, que reduzem a reatividade dos lipídios com o oxigênio.
(B) A alta atividade de fitases na semente seca, que neutraliza as espécies reativas de oxigênio do lote.
(C) A permanência de água livre nos cotilédones, que dilui os solutos e retarda a deterioração celular.
(D) O acúmulo de sacarose e oligossacarídeos rafinósicos e a manutenção do estado vítreo.
B7. Dois lotes de soja apresentam 90% de germinação no laboratório, mas emergências de 70% e de 88% em campo, sob solo seco. A leitura correta é:
(A) A diferença reflete o vigor: a germinação de laboratório é o teto, e não prevê o campo adverso.
(B) O lote de 70% teve erro de análise, pois germinação e emergência de campo deveriam coincidir.
(C) O lote de 88% está dormente, e a dormência foi o que elevou artificialmente sua emergência.
(D) A diferença vem da pureza física, único atributo capaz de separar dois lotes de mesma germinação.
B8. Explique a origem e a ploidia de embrião, endosperma e tegumento a partir da dupla fertilização, e ligue essa origem ao fato de que, na semente madura, a soja guarda reservas nos cotilédones enquanto o milho as guarda no endosperma.
B9. Um lote de soja de baixo vigor foi semeado a 9 cm de profundidade e a emergência foi muito falha. Considerando o padrão de emergência da espécie, a melhor explicação é:
(A) A soja é hipógea, e nessa profundidade o coleóptilo não consegue alcançar a superfície do solo.
(B) A soja precisa de luz para germinar, e o fotoblastismo positivo bloqueia a protrusão a 9 cm.
(C) A soja é epígea, e a reserva não sustenta o hipocótilo até a superfície nessa profundidade.
(D) A temperatura mínima de germinação da soja não é atingida a essa profundidade no solo.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico integrado¶
C1. (Cálculo integrado) Compare a reserva acumulada por mil sementes de dois lotes, usando as composições médias da tabela de reservas do texto da unidade:
Soja: PMS = 180 g; proteína 37%, lipídio 17%, carboidrato 26%.
Milho: PMS = 320 g; proteína 10%, lipídio 5%, carboidrato 80%.
Calcule a massa (g) de proteína, lipídio e carboidrato por mil sementes de cada espécie.
(ii) Qual acumula mais lipídio por mil sementes, em valor absoluto?
(iii) Apesar da menor massa total, por que a soja é considerada mais suscetível à deterioração oxidativa?
Use 4 casas decimais nos resultados.
C2. (Cálculo/diagnóstico integrado) Da tabela de germinação em laboratório × emergência em campo (arroz) do texto de germinação, tome dois lotes:
Lote 3: germinação 95% / emergência subótima 68%.
Lote 4: germinação 97% / emergência subótima 82%.
(i) Calcule, para cada lote, a queda em pontos percentuais (germinação − emergência).
(ii) Calcule a emergência relativa = (emergência ÷ germinação) × 100.
(iii) Qual lote você recomendaria e por quê, cruzando com o conceito que a Unidade I aponta como decisivo?
Use 4 casas decimais nos resultados.
C3. (Diagnóstico integrado) Um lote de soja produzido em Tangará da Serra (MT) passou por veranico com temperaturas acima de 30°C durante o enchimento (fase de reserva), apresenta sementes esverdeadas e germinação de laboratório de 84%. O produtor quer semear em outubro, em solo quente e com risco de dias secos antes da primeira chuva. Diagnostique e recomende a conduta antes da semeadura, cruzando maturação, composição e germinação/vigor.