Revisão, Unidade III: Aplicação Fitossanitária (Aulas 09 a 12)¶
Tip
Antes de começar, tente responder tudo sem olhar o gabarito. O esforço de recuperar da memória é o que consolida o aprendizado; consultar a resposta cedo demais desperdiça o exercício. As questões do Bloco A não têm gabarito escrito: serão discutidas em sala. Confira os Blocos B e C no gabarito só depois de tentar. Esta é a lista de fechamento do curso: várias questões cruzam a Unidade III com as Unidades I e II.
Bloco A: síntese de fechamento (para discussão em sala)¶
A1. A ementa abriu a disciplina com a etapa "do produto à gota depositada no alvo". Percorra esse arco do início ao fim, mostrando onde cada uma das três unidades atua na cadeia e por que o último elo, a aplicação (Unidade III), pode destruir tudo o que os elos anteriores construíram. Encerre explicando por que "dois pulverizadores com a mesma calda e a mesma dose no tanque" entregam aplicações de qualidade completamente diferente.
A2. Ao longo da Unidade III repetiu-se uma hierarquia de decisão: primeiro o alvo, por último a pressão. Reconstrua essa hierarquia na ordem correta, explique por que regulagem não é calibração, e discuta a tese dos textos de que "o gargalo real da tecnologia de aplicação no Brasil não é tecnológico". Conecte ao caráter aplicado da disciplina (diagnosticar, recomendar, justificar ao produtor).
A3. A deriva foi introduzida na Unidade I e reapareceu, sob outra forma, em toda a Unidade III. Trace esse fio condutor pelas três unidades, mostrando como o mesmo fenômeno físico se manifesta em cada etapa, e encerre no ponto que unifica a decisão técnica e a responsabilidade do engenheiro agrônomo, inclusive o critério econômico que decide a adoção de qualquer tecnologia.
Bloco B: questões integradas¶
B1. Para elevar a taxa de aplicação de uma barra sem trocar nenhuma peça, o operador decide subir a pressão de trabalho. Considerando a formação da gota (Aula 09) e a lógica da calibração (Aula 10), qual avaliação é correta?
(A) Para dobrar a vazão basta dobrar a pressão, e a gota resultante fica maior e menos sujeita à deriva.
(B) A pressão eleva pouco a vazão e muito a fração de gota fina; para mudar a taxa, troca-se a ponta.
(C) A pressão altera apenas a vazão da ponta, sem qualquer efeito sobre o tamanho de gota ou a deriva.
(D) Para dobrar a vazão é preciso quadruplicar a pressão, o que engrossa a gota e reduz a deriva na barra.
B2. Em aplicação terrestre, a ponta de jato cônico costuma gerar gota mais fina que a de jato plano; em aplicação aérea, esse comparativo se inverte. Explique (a) o mecanismo próprio da aviação que explica essa inversão e (b) por que a norma de classificação do espectro de gotas usada em voo não é a mesma da barra terrestre.
B3. Um autopropelido segue um mapa de prescrição variando a taxa de aplicação apenas pelo ajuste da pressão no circuito hidráulico principal. Qual avaliação técnica é a mais correta?
(A) Variar a taxa pela pressão muda o DMV; com equipamento simples, limite a variação a cerca de 20% e use ponta de gota estável.
(B) As válvulas PWM variam a taxa subindo a pressão bico a bico, o que altera o tamanho de gota em cada ponta da barra.
(C) A pressão não afeta o tamanho de gota na barra, de modo que qualquer amplitude de variação da taxa de aplicação é segura.
(D) A injeção direta varia o volume de água e mantém o ativo constante, e é exatamente isso que preserva o DMV da gota.
B4. Uma prestadora de serviço propõe aplicar fungicida contra ferrugem da soja por drone a 5 L/ha "para render mais que os 10 L/ha usuais". Avalie a proposta em duas frentes: (a) o que a lógica de redução de volume (Aula 11) diz sobre esse suposto ganho e seus riscos, e (b) o que a pesquisa de eficácia biológica de drones (Aula 12) mostra sobre a taxa mínima de segurança por alvo.
B5. Para melhorar a cobertura na face inferior das folhas (baixeira) no manejo da ferrugem da soja, um técnico decide usar gota fina e cogita a assistência eletrostática. Qual avaliação é a correta?
(A) A eletrostática anula a deriva em todo o trajeto, e a gota fina chega ao alvo mesmo sob umidade relativa alta.
(B) A gota fina cobre menos que a grossa, e a carga elétrica não muda o número de impactos de gota por área.
(C) A eletrostática viabiliza a gota fina, mas concentra o depósito no ápice; a assistência de ar corrige a baixeira.
(D) A força elétrica só supera a gravidade em gotas acima de 300 µm, o que torna inútil aplicar com gota fina.
B6. Um aluno afirma que "calibrar um avião agrícola é igual a calibrar uma barra terrestre, só muda a altura". Corrija-o comparando o controle da taxa de aplicação nas duas plataformas: (a) as variáveis da equação de cada uma e (b) os parâmetros da aplicação aérea que não têm equivalente na barra terrestre, indicando quando a calibração ou a faixa deve ser refeita.
B7. Um agrônomo diz que vai "usar uma ponta de indução de ar para empurrar a gota para dentro do dossel com o ventilador". Qual é a avaliação correta dessa frase?
(A) Indução de ar é a carga elétrica aplicada à gota; o correto seria chamar o sistema de assistência eletrostática.
(B) Ele está certo: a ponta de indução de ar gera a cortina de ar externa que empurra a gota para dentro do dossel.
(C) Assistência de ar é a bolha de ar formada dentro da própria ponta, e por isso o sistema dispensa qualquer ventilador.
(D) Ele confunde indução de ar com assistência de ar: a ponta põe ar dentro da gota; o ventilador é que a empurra.
B8. Um produtor investe em pulverizador com taxa variável (VRA) e assistência de ar, mas mantém pontas desgastadas e um coeficiente de variação (CV) de distribuição de 25%. Explique (a) o que esse CV significa e sua causa provável, e (b) por que, segundo os textos, a tecnologia embarcada não compensa essa falha.
B9. Numa soja de dossel fechado, com percevejo e início de ferrugem concentrados no terço inferior, compara-se a deposição na baixeira entre a barra terrestre e o drone. Qual afirmação é tecnicamente correta?
(A) Na barra terrestre a cobertura é uniforme do topo à base, então a baixeira nunca limita o controle da ferrugem.
(B) O downwash do drone favorece o depósito no terço inferior, onde se concentram a ferrugem inicial e o percevejo.
(C) A ferrugem da soja se instala primeiro no topo do dossel, e por isso a penetração na baixeira é irrelevante.
(D) O drone deposita menos na baixeira que o tratorizado, porque o vento dos rotores afasta a gota da base.
B10. A Inspeção Periódica de Pulverizadores (barra terrestre) e o checklist de manutenção da aeronave agrícola compartilham um mesmo princípio sobre o conjunto de pontas ou atomizadores. Qual afirmação é a correta?
(A) Na aviação pode-se cortar a pá do atomizador para ajustar a vazão sem trocar a peça, o que a barra terrestre não permite.
(B) O critério de ponta desgastada muda entre as plataformas: é de 10% na barra terrestre e de 20% na aplicação aérea.
(C) Em ambas as plataformas, misturar modelos diferentes de ponta ou de atomizador reprova o conjunto, por desuniformizar vazão e espectro.
(D) Na barra terrestre, pontas de vazões diferentes são aceitáveis desde que a média fique dentro de 5% da taxa pretendida.
Bloco C: cálculo e diagnóstico integrado¶
Arredonde todos os resultados a 4 casas decimais. Mostre a fórmula, a substituição e o resultado.
C1. Uma barra usa pontas amarelas ISO 02, cuja vazão nominal de ponta nova é 0,79 L/min a 3 bar (tabela da Aula 09). O espaçamento entre pontas é 0,50 m e a velocidade de deslocamento é 6,0 km/h. Numa aferição de rotina, uma das pontas entregou 0,90 L/min.
(a) Essa ponta deve ser substituída? Justifique com o cálculo (4 casas decimais).
(b) Com a ponta nova (0,79 L/min), qual é a taxa de aplicação resultante (L/ha, 4 casas decimais)?
C2. Uma aplicação aérea com atomizadores rotativos usa taxa de aplicação de 18 L/ha, velocidade de voo de 190 km/h, faixa efetiva de deposição de 22 m e 8 atomizadores na barra.
(a) Calcule a vazão total da barra e a vazão individual por atomizador (L/min, 4 casas decimais).
(b) Para ganhar rendimento, o piloto aumenta a faixa efetiva para 26 m sem alterar a vazão total. Qual passa a ser a taxa de aplicação (4 casas decimais) e qual o risco técnico?
C3. Para confirmar a taxa praticada, o agrônomo usa o quadrado de calibração: demarca 25,0 m por 25,0 m, aplica em ritmo normal e gasta 11,5 L de calda. O tanque tem 2.000 L e a dose do produto comercial é 200 g/ha.
(a) Calcule a taxa de aplicação real (L/ha) e a quantidade de produto por tanque (4 casas decimais).
(b) O operador propõe cair para 100 L/ha "para render o dobro". Avalie tecnicamente.