Recomendação de Adubação¶
O terceiro passo da corrente¶
Nós já andamos duas etapas dessa história.
Interpretamos o talhão TH-07 e depois recomendamos a calagem e a gessagem para consertar o ambiente químico.
Corrigir o solo cria a casa.
Adubar é mobiliar.
De nada adianta um pH bonito e um alumínio desarmado se a planta não encontra nitrogênio para crescer, fósforo para arrancar e potássio para encher o grão.
Esta aula fecha a corrente: pegar o mesmo laudo e transformá-lo numa recomendação de adubação que você calcula, escreve num saco de fertilizante e calibra na adubadora.
Vou usar o TH-07 na camada de 0 a 20 cm, plantado com trigo sequeiro, o mesmo cenário da apresentação.
Trabalhe comigo com a calculadora aberta, porque adubação é a parte da recomendação onde mais gente erra conta boba e joga dinheiro fora.
No fim, quero você capaz de sair de um laudo, escolher a filosofia de adubação, definir as doses, montar a fórmula NPK, calcular quantos quilos por hectare e quantos gramas por metro de sulco, e ainda saber quando pode largar tudo a lanço e quando não pode.
| Talhão | Prof. (cm) | Argila (g/kg) | P* (mg/dm³) | K⁺ (mg/dm³) | CTC (T) | Classe P | Classe K |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| TH-07 | 0-20 | 371 | 9,5 | 29,4 | 6,0352 | adequado | médio |
Duas filosofias antes de qualquer número¶
Existe uma bifurcação que precede a conta, e quem pula ela recomenda no automático.
Adubar pode seguir duas lógicas diferentes, e elas respondem a perguntas distintas.
A adubação de manutenção repõe o que a lavoura vai exportar.
Você olha a expectativa de rendimento e devolve ao solo, mais ou menos, o que aquela produtividade vai retirar, mantendo o teor onde está.
É a filosofia para solo já corrigido e com fertilidade construída, onde o objetivo é sustentar, não elevar.
A adubação corretiva gradual faz outra coisa: aplica mais do que a cultura exporta, com a intenção de ir subindo o teor do solo ao longo dos anos, safra após safra, até chegar num nível adequado.
É a filosofia para solo ainda pobre, em fase de construção de fertilidade.
Você "paga a mais" agora para colher um solo melhor no futuro.
Para o TH-07, o fósforo já está adequado e o potássio está médio, então dá para trabalhar numa lógica de manutenção com um empurrãozinho corretivo no potássio, que ainda não chegou ao ideal.
Usando as tabelas de recomendação para trigo (Sousa e Lobato, 2004), com expectativa de 4,0 t/ha, cheguei aos números que vão guiar a aula inteira:
| Nutriente | Semeadura | Cobertura | Total (kg/ha) |
|---|---|---|---|
| N | 20 | 40 | 60 |
| P₂O₅ | 70 | 0 | 70 |
| K₂O | 50 | 10 | 60 |
Antes de sair calculando fórmula, preciso te explicar por que esses números caíram desse jeito na tabela, com o fósforo inteiro na semeadura e o nitrogênio e o potássio rachados entre semeadura e cobertura.
A resposta está no comportamento de cada nutriente dentro do solo, e essa é a teoria que sustenta tudo.
Como cada nutriente se comporta no solo, e por que isso decide o parcelamento¶
Nitrogênio, fósforo e potássio se movem de formas radicalmente diferentes no perfil, e é essa diferença de mobilidade que define quando e como cada um entra.
O nitrogênio é o andarilho.
Na forma de nitrato (NO₃⁻), ele é um ânion que não se prende aos coloides do solo (que também são negativos) e desce com a água da chuva.
Lixivia com facilidade.
Somado a isso, a planta não consome nitrogênio de uma vez: a demanda cresce ao longo do ciclo e explode nas fases de perfilhamento e alongamento.
Jogar todo o nitrogênio na semeadura seria duplamente burro: parte lixiviaria antes da planta precisar, e a que sobrasse estaria concentrada num momento de baixa demanda.
Por isso o nitrogênio é parcelado, uma dose de arranque na semeadura e o grosso em cobertura, na hora em que a cultura mais pede.
O fósforo é o oposto exato.
Ele é o sedentário.
Em solo de Cerrado, rico em óxidos de ferro e alumínio, o fósforo é fixado com força, formando ligações que o imobilizam.
Ele quase não se move e praticamente não lixivia.
Essa característica tem uma consequência que parece paradoxal mas é pura lógica: como o fósforo não anda, não faz sentido parcelar.
Uma aplicação em cobertura ficaria parada na superfície, longe das raízes, sem descer para onde a planta busca água e nutriente.
Então o fósforo vai todo na semeadura, colocado junto da semente, onde a raiz nova o encontra antes que o solo o fixe.
Parcelar fósforo não traria ganho, só trabalho.
O potássio é o intermediário.
Ele é um cátion (K⁺), então se prende aos sítios de troca, o que o segura mais que o nitrogênio.
Em solo argiloso com CTC razoável, o potássio fica retido.
Em solo arenoso de CTC baixa, ele lixivia parecido com o nitrogênio.
A decisão de parcelar potássio depende então de duas coisas: a dose e o tipo de solo.
Dose alta em solo de baixa retenção pede parcelamento.
E tem um segundo motivo, que é a salinidade, que eu vou detalhar já já.
Semeadura e cobertura, com nome e sobrenome¶
Já usei os termos, vou fechar as definições.
A adubação de semeadura (ou de base, ou de plantio) é a que vai junto com a semente, no momento da semeadura, geralmente depositada no sulco.
Ela entrega o fósforo inteiro, o potássio (parte ou todo) e uma dose de arranque de nitrogênio, o suficiente para a plântula sair bem nos primeiros dias, antes das raízes se espalharem.
A adubação de cobertura é a aplicada depois da emergência, com a cultura já estabelecida, distribuída sobre a superfície ou ao lado das linhas.
Ela entrega o grosso do nitrogênio e, quando a dose de potássio foi alta demais para caber no sulco, o potássio que sobrou.
O fósforo, pelo motivo que já expliquei, raramente aparece em cobertura.
No TH-07 o potássio total ficou em 60 kg/ha de K₂O.
Repare que a tabela colocou 50 na semeadura e 10 na cobertura.
Por que não os 60 juntos no sulco?
Aqui entra uma regra prática que vem da salinidade, e ela merece seção própria.
Salinidade dos fertilizantes: por que o sulco tem limite¶
Fertilizante é sal.
Cloreto de potássio, ureia, sulfato de amônio, todos são sais que, ao se dissolverem na água do solo, aumentam a concentração de solutos na solução ao redor da semente.
E aqui a física é implacável: água caminha do meio menos concentrado para o mais concentrado, por osmose.
Se você concentra sal demais junto da semente, você inverte o fluxo.
Em vez da semente puxar água do solo para germinar, é a solução salina que puxa água de dentro da semente e da plântula, desidratando e matando.
É o famoso efeito de "queima" do adubo no sulco.
Nem todo fertilizante sala igual.
O índice salino mede isso.
Fontes nitrogenadas (ureia, principalmente as amoniacais) e potássicas (cloreto de potássio) têm índice salino alto.
Fontes fosfatadas (MAP, superfosfatos) têm índice salino baixo.
Essa é a razão química de você poder empilhar fósforo no sulco sem medo, mas não poder empilhar nitrogênio e potássio: o fósforo quase não sala, o nitrogênio e o potássio salam muito.
Isso amarra a lógica toda de novo.
O nitrogênio é parcelado porque lixivia e porque a demanda é escalonada, e também porque sala.
O potássio é parcelado quando a dose é alta porque sala.
A regra prática que a apresentação traz é objetiva: doses de K₂O acima de 50 kg/ha no sulco, ou acima de 80 kg/ha a lanço, devem ser parceladas.
No TH-07, o K₂O total era 60, acima do limite de 50 no sulco.
Por isso 50 foram para a semeadura (no limite) e 10 escorreram para a cobertura.
Não foi capricho, foi para não queimar o trigo na largada.
Sulco ou lanço: o fósforo decide, e eu vou brigar por isso¶
Chegamos ao ponto onde eu tenho uma opinião firme e vou defendê-la, porque vejo erro demais no campo por causa de conveniência operacional.
Adubar no sulco é depositar o fertilizante numa linha estreita, junto da semente.
Adubar a lanço é espalhar o fertilizante na superfície de toda a área, sem localizar.
O lanço é muito mais rápido e barato de operar: você usa distribuidor de grande vazão, cobre muito hectare por dia, não depende de calibrar dosador de sulco.
A tentação de largar tudo a lanço é enorme, e é aí que mora o problema.
O fator que decide se você pode ou não ir a lanço é o fósforo do solo.
Lembre da teoria: o fósforo é fixado com voracidade pelos óxidos do Cerrado.
Quando você espalha fósforo a lanço num solo pobre em fósforo, você maximiza o contato do adubo com toda a superfície fixadora do solo, e o solo sequestra o fósforo antes da planta usar.
Você paga por fósforo que vira estátua no perfil.
Para vencer a fixação num solo de fósforo baixo, você precisa localizar, concentrar o fósforo numa linha estreita no sulco, reduzindo a superfície de contato com o solo e entregando o nutriente direto na zona de raiz nova.
Localizar é a forma de "enganar" a fixação.
Agora vem a virada.
Num solo que já tem fósforo adequado ou alto, construído por anos de adubação, a planta não depende daquele filete de fósforo do sulco para se alimentar, porque há fósforo disponível espalhado no perfil inteiro.
Nesse caso, e só nesse caso, você pode adubar a lanço com tranquilidade, ganhando velocidade operacional sem perder produtividade.
O critério objetivo é esse: fósforo do solo baixo obriga o sulco; fósforo adequado ou alto libera o lanço.
Minha posição, e é uma crítica ao hábito: o lanço vem sendo recomendado com frequência na busca por maior eficiência operacional, mesmo em solos onde o fósforo ainda é baixo e a localização faria diferença de sacas.
É uma economia de diesel que custa grão.
Antes de liberar o lanço, olhe o teor de fósforo do laudo.
Se ele não estiver pelo menos adequado, você está trocando produtividade por conveniência, e o cliente é quem paga a conta sem saber.
No TH-07 o fósforo está adequado, então tecnicamente o lanço seria defensável.
Como a apresentação trabalha a adubação de semeadura no sulco, é o que eu vou detalhar, e ela serve tanto para o TH-07 quanto para qualquer solo de fósforo baixo onde o sulco é obrigatório.
O que é uma fórmula NPK e como escolher a mais adequada¶
Uma fórmula NPK, ou grade, é a composição percentual do fertilizante em nitrogênio, fósforo (como P₂O₅) e potássio (como K₂O).
A fórmula 08-28-20 quer dizer 8% de N, 28% de P₂O₅ e 20% de K₂O em massa.
Cem quilos dela contêm 8 kg de N, 28 kg de P₂O₅ e 20 kg de K₂O.
O resto é matéria de enchimento e outros elementos.
O desafio é o seguinte: você calculou que precisa de 20 kg/ha de N, 70 de P₂O₅ e 50 de K₂O na semeadura, mas o mercado não vende uma fórmula "20-70-50".
Você tem que achar uma fórmula comercial cuja proporção entre os três nutrientes bata com a proporção que você precisa, e depois calcular quantos quilos dela aplicar.
O método é reduzir a sua necessidade à proporção mais simples e procurar uma grade com a mesma cara.
Começo dividindo os três números desejados por um valor comum para enxergar a proporção.
Dividindo 20-70-50 por 20:
20 ÷ 20 = 1,0000 70 ÷ 20 = 3,5000 50 ÷ 20 = 2,5000
A proporção que eu procuro é 1,0000 : 3,5000 : 2,5000.
Agora multiplico essa proporção por fatores crescentes até bater numa fórmula que existe no mercado:
| Fator | N | P₂O₅ | K₂O |
|---|---|---|---|
| × 4 | 4,0000 | 14,0000 | 10,0000 |
| × 5 | 5,0000 | 17,5000 | 12,5000 |
| × 6 | 6,0000 | 21,0000 | 15,0000 |
| × 7 | 7,0000 | 24,5000 | 17,5000 |
| × 8 | 8,0000 | 28,0000 | 20,0000 |
No fator 8 apareceu 8,0000 - 28,0000 - 20,0000, que é exatamente a fórmula comercial 08-28-20.
Achei minha grade.
A proporção dela é idêntica à que eu precisava, então ela vai entregar N, P e K na medida certa quando eu acertar a dose.
Como escolher entre várias grades possíveis?
Três critérios objetivos.
O primeiro é a proporção: ela tem que reproduzir a relação entre os três nutrientes que você calculou.
O segundo é a concentração: uma grade muito diluída te obriga a jogar toneladas de produto por hectare, cara e desconfortável de operar; uma grade concentrada demais pode não existir na proporção certa.
O terceiro é a disponibilidade real na sua região, porque a fórmula perfeita no papel que ninguém vende não serve para nada.
E há a régua de tolerância, que fecha a decisão: a variação entre o que você desejava e o que a fórmula entrega, para cada nutriente, deve ficar em no máximo mais ou menos 10 kg/ha.
Se a grade entrega tudo dentro dessa margem, ela está aprovada.
Cálculo da dose de semeadura¶
Escolhida a fórmula 08-28-20, preciso descobrir quantos quilos dela aplicar por hectare para entregar os 70 kg/ha de P₂O₅ que eu quero.
Ancoro a regra de três no fósforo, porque na semeadura o fósforo é o nutriente que eu quero acertar com precisão (ele vai inteiro aqui e não terá segunda chance na cobertura).
Cem quilos da fórmula têm 28 kg de P₂O₅:
100 kg de 08-28-20 entregam 28 kg de P₂O₅ x kg de 08-28-20 entregam 70 kg de P₂O₅
x = (100 × 70) ÷ 28 = 250,0000 kg/ha de 08-28-20
Agora confiro se essa dose entrega os outros dois nutrientes dentro da tolerância, multiplicando a dose pela fração de cada um:
N: 250 × 0,08 = 20,0000 kg/ha de N (desejado 20, diferença 0) P₂O₅: 250 × 0,28 = 70,0000 kg/ha de P₂O₅ (desejado 70, diferença 0) K₂O: 250 × 0,20 = 50,0000 kg/ha de K₂O (desejado 50, diferença 0)
Os três bateram exatos, bem dentro do mais ou menos 10 kg/ha.
A semeadura fecha em 250 kg/ha de 08-28-20.
Se algum nutriente tivesse estourado a margem, eu voltaria e testaria outra grade.
Como a proporção era idêntica, deu redondo.
Quantos gramas por metro de sulco: o passo que ninguém deveria pular¶
Aqui está, na minha opinião, o cálculo mais negligenciado e mais decisivo da adubação.
Uma recomendação de 250 kg/ha impecável no papel não vale nada se o dosador da semeadora estiver despejando a quantidade errada no sulco.
O produtor não regula a máquina em quilos por hectare, ele regula em gramas por metro de linha.
Traduzir uma coisa na outra é o que faz a recomendação virar realidade no campo.
Preciso saber quantos metros de sulco existem em um hectare, e isso depende do espaçamento entre as fileiras.
Para o trigo, com espaçamento de 0,17 m entre linhas, cada faixa de 0,17 m de largura carrega uma linha.
Em um hectare (10.000 m²):
Metros de sulco por hectare = 10.000 ÷ 0,17 = 58.823,5294 m/ha
Agora distribuo os 250 kg/ha ao longo desses metros, convertendo para gramas (multiplicando por 1.000):
Quantidade por metro = (250 × 1.000) ÷ 58.823,5294 = 4,2500 g/m de 08-28-20
O produtor então calibra a semeadora para largar 4,2500 gramas da fórmula a cada metro de linha.
Repare como o espaçamento mexe tudo: se fosse milho a 0,50 m, os metros de sulco por hectare despencariam e a grama por metro subiria na mesma proporção.
Errar o espaçamento nessa conta é errar a dose real na lavoura inteira, mesmo com a recomendação por hectare correta.
Cálculo da cobertura¶
Falta a cobertura do TH-07, que precisa entregar 40 kg/ha de N e os 10 kg/ha de K₂O que sobraram da semeadura.
Fósforo, zero.
A necessidade é 40-0-10.
Reduzo à proporção dividindo por 10:
40 ÷ 10 = 4,0000 0 ÷ 10 = 0,0000 10 ÷ 10 = 1,0000
Proporção 4,0000 : 0,0000 : 1,0000.
Procuro uma grade comercial de nitrogênio e potássio com proporção parecida e encontro a 36-00-12 (proporção 3 : 0 : 1, próxima o bastante, e vamos conferir pela régua dos 10 kg/ha).
Ancoro a regra de três no nitrogênio, que é o nutriente principal da cobertura:
100 kg de 36-00-12 entregam 36 kg de N x kg de 36-00-12 entregam 40 kg de N
x = (100 × 40) ÷ 36 = 111,1111 kg/ha de 36-00-12
Confiro o potássio:
N: 111,1111 × 0,36 = 40,0000 kg/ha de N (desejado 40, diferença 0) K₂O: 111,1111 × 0,12 = 13,3333 kg/ha de K₂O (desejado 10, diferença 3,3333)
O potássio saiu em 13,3333, acima dos 10 desejados, mas a diferença de 3,3333 está bem dentro do mais ou menos 10 kg/ha.
Aprovado.
A cobertura fecha em 111,1111 kg/ha de 36-00-12.
O programa completo do TH-07¶
Junto tudo na receita que eu assinaria para o produtor de trigo sequeiro no TH-07:
Na semeadura, aplicar 250,0000 kg/ha da fórmula 08-28-20 no sulco, o que equivale a calibrar a semeadora em 4,2500 g/m de linha no espaçamento de 0,17 m.
Isso entrega 20 kg/ha de N de arranque, os 70 kg/ha de P₂O₅ inteiros e 50 kg/ha de K₂O.
Em cobertura, aplicar 111,1111 kg/ha da fórmula 36-00-12, entregando 40 kg/ha de N no momento de maior demanda e completando 13,3333 kg/ha de K₂O.
Somando as duas etapas, a lavoura recebe 60 kg/ha de N (20 mais 40), 70 kg/ha de P₂O₅ e 63,3333 kg/ha de K₂O (50 mais 13,3333).
Bate com o planejado de 60-70-60, com aquela pequena sobra de potássio dentro da tolerância.
Está fechada a adubação.
Agora é com você: um programa do zero¶
Chega de me seguir.
Vou te dar um cenário novo, o talhão TH-20, plantado com milho, e você monta o programa completo: fórmula e dose de semeadura, gramas por metro de sulco, e fórmula e dose de cobertura.
Este solo tem fósforo alto, então pense também se cabe adubação a lanço.
Dados de recomendação para o TH-20, milho, espaçamento de 0,50 m:
| Nutriente | Semeadura (kg/ha) | Cobertura (kg/ha) |
|---|---|---|
| N | 30 | 90 |
| P₂O₅ | 90 | 0 |
| K₂O | 30 | 40 |
Fósforo do solo classificado como alto.
Tente antes de descer.
Gabarito do TH-20¶
Semeadura.
A necessidade é 30-90-30.
Divido pela proporção, usando 30:
30 ÷ 30 = 1,0000 90 ÷ 30 = 3,0000 30 ÷ 30 = 1,0000
Proporção 1,0000 : 3,0000 : 1,0000.
Multiplicando por 10, chego a 10,0000 - 30,0000 - 10,0000, que é a fórmula comercial 10-30-10.
Ancoro no fósforo:
x = (100 × 90) ÷ 30 = 300,0000 kg/ha de 10-30-10
Confiro: N: 300 × 0,10 = 30,0000 kg/ha (desejado 30, diferença 0) P₂O₅: 300 × 0,30 = 90,0000 kg/ha (desejado 90, diferença 0) K₂O: 300 × 0,10 = 30,0000 kg/ha (desejado 30, diferença 0)
Os três exatos.
Como o fósforo do solo está alto, você tem a opção de aplicar essa adubação a lanço, ganhando velocidade, porque a planta não depende do fósforo localizado no sulco.
Se optar pelo sulco mesmo assim, calculo os gramas por metro no espaçamento de 0,50 m:
Metros de sulco por hectare = 10.000 ÷ 0,50 = 20.000,0000 m/ha Quantidade por metro = (300 × 1.000) ÷ 20.000 = 15,0000 g/m de 10-30-10
Cobertura.
A necessidade é 90-0-40.
Divido por 10, chego à proporção 9,0000 : 0,0000 : 4,0000.
Uma grade próxima é a 30-00-15 (proporção 2 : 0 : 1).
Ancoro no nitrogênio:
x = (100 × 90) ÷ 30 = 300,0000 kg/ha de 30-00-15
Confiro: N: 300 × 0,30 = 90,0000 kg/ha (desejado 90, diferença 0) K₂O: 300 × 0,15 = 45,0000 kg/ha (desejado 40, diferença 5,0000)
O potássio saiu 5 kg/ha acima, dentro do mais ou menos 10.
Aprovado.
Um detalhe de manejo: 90 kg/ha de N em cobertura no milho costuma ser rachado em duas aplicações, e o K₂O de 45 está abaixo do limite de parcelamento, então não gera problema de salinidade.
Se o seu programa bateu com esse, da proporção da fórmula até os gramas por metro, você já sabe fechar uma adubação completa.
Se travou em algum passo, volte na seção correspondente e refaça só aquela parte.
O que importa é você entender por que o fósforo vai inteiro, por que o nitrogênio racha, por que o potássio tem limite no sulco e por que o fósforo do solo é quem libera ou proíbe o lanço.
Os números seguem a teoria, nunca o contrário.
Uma provocação para levar para o campo¶
Você reparou que o TH-07 e o TH-20 receberam quantidades bem diferentes de fósforo, e que essa diferença não veio da cultura, veio do solo?
O TH-07 tinha fósforo adequado e recebeu 70 de P₂O₅ de manutenção.
O TH-20 tinha fósforo alto e ainda assim recebeu 90, mas com a liberdade de ir a lanço.
Adubação não é uma tabela que você copia, é uma conversa entre o que a planta quer e o que o solo já tem.
Então fica a pergunta que separa o agrônomo que adubina do que entende adubação: quando o preço do fertilizante disparar e o cliente te pedir para cortar custo, você vai cortar linearmente de todo mundo, ou vai ter a leitura de solo na mão para saber de qual nutriente, em qual talhão, dá para tirar sem perder um grão sequer de produtividade?