Como Estudar Fitotecnia¶
Você provavelmente estuda relendo o material e grifando o que parece importante. Isso é normal, quase todo mundo aprendeu a estudar assim na escola. O problema é que reler e grifar estão, entre todas as técnicas de estudo já testadas, entre as que menos ajudam a reter o conteúdo. Elas dão a sensação de que você já sabe o assunto, porque os nomes dos estádios fenológicos e das faixas de adubação ficam familiares aos seus olhos. Reconhecer esses nomes quando você lê de novo é diferente de saber o que fazer diante de uma lavoura real, com uma cultura específica, num estádio específico, num solo com resultado de análise específico.
Nesta disciplina eu não pergunto se você lembra o que é soma térmica. Eu pergunto o que você decidiria diante de uma lavoura de um dos cinco cereais, numa fase fenológica definida, com um resultado de análise de solo na mão e uma expectativa de produtividade definida pelo produtor.
O ciclo de raciocínio que se repete em quase toda aula¶
Isso exige um ciclo de raciocínio que se repete em quase toda aula da disciplina: analisar a situação da lavoura, diagnosticar o que limita a produtividade, planejar a operação e recomendar tecnicamente a decisão.
- Analisar significa levantar os dados da lavoura, a cultura, o estádio fenológico, o resultado da análise de solo, o histórico climático da região.
- Diagnosticar significa identificar o que, nesses dados, limita o potencial produtivo, um gargalo fisiológico, uma falha de implantação, um nutriente limitante, um sintoma de doença.
- Planejar significa decidir a operação, a época de semeadura conforme o ZARC, a dose de adubação de semeadura e cobertura, a estratégia de manejo integrado de pragas, doenças ou plantas daninhas.
- Recomendar significa justificar tecnicamente essa decisão para o produtor que vai executá-la e pagar por ela.
A prova cobra as quatro etapas, não só a última, porque um agrônomo que recomenda sem diagnosticar o gargalo real da lavoura está apenas aplicando receita genérica de cultura.
O cálculo é habilidade, não memorização¶
Dentro desse ciclo, o cálculo é a parte mais concreta e também a mais mal estudada. Calcular soma térmica em graus-dia para prever estádio fenológico, calcular população de plantas e ajustar espaçamento, calcular recomendação de adubação de semeadura e cobertura a partir da análise de solo, estimar produtividade a partir dos componentes de produção, isso é habilidade, não é conhecimento de memorização.
Habilidade se aprende do mesmo jeito que se aprende a dirigir ou a fazer uma sutura, com repetição de tentativa e correção de erro, não com leitura da fórmula no material. Ler a fórmula de soma térmica ou de população de plantas uma vez e entender a lógica é o começo, não é o fim.
O erro mais comum
Se você não errou uma conta de adubação ou de população de plantas pelo menos algumas vezes antes da prova, com números diferentes dos exemplos do material, é bem provável que trave na hora que a prova mudar um dado do exemplo que você decorou.
O que funciona¶
O que funciona, então, é diferente do que você está acostumado.
- Refaça os cálculos de soma térmica, população de plantas e adubação a partir de dados novos, inventados por você mesmo ou pegos de outra fonte, não só os exemplos já resolvidos no material.
- Tente resolver de cabeça, ou no papel, antes de checar a resposta, porque o erro seguido de correção fixa muito mais do que reler a conta pronta.
- Espalhe essa prática ao longo da semana, não deixe para a véspera da prova, porque cálculo é habilidade motora de raciocínio, e habilidade motora não se instala num dia só.
- Use casos reais de lavoura discutidos em aula para praticar o ciclo completo, da análise à recomendação, não só o cálculo isolado.
Uma mudança de identidade¶
Por fim, uma mudança que não é de método, é de identidade. Você não está cursando uma disciplina para conseguir a nota e passar para a próxima. Você está se formando o profissional que vai decidir, numa lavoura real, a época de semeadura, a dose de adubo e o manejo que definem se aquela safra dá lucro ou prejuízo para alguém.
Essa cobrança começa aqui, antes da carteira profissional, porque é aqui que ainda dá tempo de errar sem custar a safra de ninguém.