Como Estudar Tecnologia de Aplicação¶
Você provavelmente estuda lendo o material na véspera ou no dia da prova.
Isso é normal, quase todo mundo aprendeu a estudar assim na escola.
O problema é que ler e reler estão, entre todas as técnicas de estudo já testadas, entre as que menos ajudam a reter o conteúdo.
Elas dão a sensação de que você já sabe o assunto, porque o rótulo, a fórmula ou a classificação do produto ficam familiares aos seus olhos.
Reconhecer o nome de uma formulação quando você lê de novo é diferente de saber o que fazer quando essa formulação está na sua mão, num tanque, num dia de vento.
Nesta disciplina eu não pergunto se você lembra o que é uma suspensão concentrada.
Eu pergunto o que você faria diante de um produto formulado como suspensão concentrada, com um alvo biológico específico, um equipamento disponível e uma condição de clima real.
Isso exige um ciclo de raciocínio que se repete em quase toda aula da disciplina: analisar a situação, diagnosticar o que está errado ou insuficiente nela, planejar a operação e recomendar tecnicamente a solução.
Analisar significa levantar os dados relevantes, o produto, a formulação, o alvo, o equipamento disponível, a condição climática do dia.
Diagnosticar significa identificar o que, nessa situação, compromete o resultado, uma incompatibilidade de mistura, um risco de deriva pelo vento, uma ponta inadequada para o alvo.
Planejar significa decidir a operação, a taxa de aplicação, o adjuvante, a ponta, a calibração do pulverizador.
Recomendar significa justificar tecnicamente essa decisão para quem vai executar a aplicação ou para o produtor que vai pagar por ela.
A prova cobra as quatro etapas, não só a última, porque um agrônomo que recomenda sem analisar e sem diagnosticar está apenas repetindo bula.
Dentro desse ciclo, o cálculo é a parte mais concreta e também a mais mal estudada.
Calcular a taxa de aplicação em litros por hectare, conferir o volume de calda efetivamente aplicado numa calibração, relacionar pressão, vazão e tamanho de gota numa ponta de pulverização, isso é habilidade, não é conhecimento de memorização.
Habilidade se aprende do mesmo jeito que se aprende a dirigir ou a fazer uma sutura, com repetição de tentativa e correção de erro, não com leitura da fórmula no material.
Ler a fórmula da taxa de aplicação uma vez e entender a lógica é o começo, não é o fim.
Se você não errou uma conta de calibração pelo menos algumas vezes antes da prova, com dados diferentes dos exemplos do material, é bem provável que trave na hora que a prova mudar um número do exemplo que você decorou.
O que funciona, então, é diferente do que você está acostumado.
Refaça os cálculos de taxa de aplicação e de calibração a partir de dados novos, inventados por você mesmo ou pegos de outra fonte, não só os exemplos já resolvidos no material.
Tente resolver de cabeça, ou no papel, antes de checar a resposta, porque o erro seguido de correção fixa muito mais do que reler a conta pronta.
Espalhe essa prática ao longo da semana, não deixe para a véspera da prova, porque cálculo é habilidade motora de raciocínio, e habilidade motora não se instala num dia só.
Use os casos discutidos em aula, os mesmos que envolvem produtores atendidos pela extensão da universidade, para praticar o ciclo completo, da análise à recomendação, não só o cálculo isolado.
Por fim, uma mudança que não é de método, é de identidade.
Você não está cursando uma disciplina para conseguir a nota e passar para a próxima.
Você está se formando o profissional que vai calibrar, recomendar e assinar tecnicamente uma aplicação que pode salvar ou destruir uma lavoura, e pode adoecer ou proteger quem trabalha nela.
Essa cobrança começa aqui, antes da carteira profissional, porque é aqui que ainda dá tempo de errar sem custar a segurança de ninguém.