Estádios Fenológicos e Manejo por Estádio¶
Tabelas com todos os estádios fenológicos, acrescidas de uma coluna manejo: o que se define ou se faz em cada estádio: determinação de componentes de produtividade, aplicação de herbicida, inseticida e fungicida, adubação de cobertura, monitoramento e colheita.
Cada estádio específico é definido quando 50% ou mais das plantas no campo estiverem naquele estádio ou além dele. Janelas de manejo dependem de cultivar, região e monitoramento, usar como referência, não como calendário fixo.
Trigo (Feekes & Large)¶
| Código | Estádio | Manejo |
|---|---|---|
| Perfilhamento | ||
| 1. | Plantas recém-emergidas, com uma ou mais folhas. | Estabelecimento; início da determinação do nº de espigas/m² (Feekes 1). Tratamento de sementes protege contra oídio, ferrugem, pulgões e corós (~18–40 dias). Herbicida pré-emergente (ex.: pendimetalina). Monitorar corós e Spodoptera frugiperda desde a emergência. |
| 2. | Início do perfilhamento. | N em cobertura no perfilhamento (Feekes 2–5), prática de maior impacto sobre o nº de espigas/m². Herbicida pós-emergente a partir do início do perfilhamento (bentazon, metsulfurom, 2,4-D, iodosulfurom, clodinafope) com daninhas em 2–6 folhas. Período crítico de competição (PCPI, 12–24 DAE). Monitorar pulgões (NA: 10% de plantas infestadas). |
| 3. | Perfilhos formados. Folhas frequentemente enroladas em espiral. Em algumas variedades de trigo, as plantas podem apresentar hábito prostrado. | Fim da janela de determinação do nº de espigas/m² (Feekes 5). Continuar herbicidas pós-emergentes até o 1º nó. Monitorar percevejos-barriga-verde (Diceraeus) e pulgões. |
| 4. | Início do aparecimento do pseudocaule. Bainhas foliares começam a alongar-se. | Encerramento do perfilhamento; N aplicado após o Feekes 5 desloca o efeito para nº de grãos e qualidade. Limite final para herbicidas hormonais (2,4-D só até o 1º nó). |
| 5. | Pseudocaule (formado por bainhas foliares) fortemente desenvolvido. | Transição para o alongamento do colmo; fim da janela de intervenção sobre espigas/m². |
| Alongamento do colmo | ||
| 6. | Primeiro nó do colmo visível na base da gema. | Início da janela de risco de doenças foliares (Feekes 6) e da determinação do nº de grãos/espiga (Feekes 6). 1ª aplicação de fungicida possível (elongação: ~+738 kg/ha). Monitorar percevejos no reprodutivo (NA: 2/m²). |
| 7. | Segundo nó do colmo já formado. | Alongamento; proteção da área foliar em formação contra ferrugens e manchas. |
| 8. | Folha bandeira visível, mas ainda enrolada. Início do período de emborrachamento. | Folha bandeira torna-se o principal alvo de proteção (a partir do Feekes 9). Fungicida no emborrachamento: maior retorno de aplicação única (~+846 kg/ha). |
| 9. | Lígula da folha bandeira já visível. | Folha bandeira totalmente exposta, alvo prioritário do fungicida foliar. |
| 10. | Bainha da folha bandeira completamente desenvolvida, mas as espigas ainda não são visíveis. | Janela de doenças foliares (Feekes 10); ferrugem do colmo passa a ser risco (Feekes 10.1–11.1). |
| Espigamento | ||
| 10.1. | Primeiras espigas apenas visíveis. | Início da suscetibilidade da espiga a brusone e giberela (Feekes 10.1–10.5.3). Brusone: fungicida preventivo nas 48 h que antecedem clima favorável. |
| 10.2. | Um quarto do processo de espigamento completo. | Prosseguir monitoramento climático para brusone/giberela. |
| 10.3. | Metade do processo completo. | |
| 10.4. | Três quartos do processo de espigamento completo. | |
| 10.5. | Todas as espigas estão fora da bainha. | Fim do espigamento; espiga totalmente exposta. |
| Florescimento | ||
| 10.5.1. | Início do florescimento. | Antese (Feekes 10.5.1–10.5.2): período crítico do nº de grãos/espiga. Fungicida preventivo para giberela (Feekes 10.5.1–10.5.3) e brusone; volume 150–200 L/ha, gotas de 150–250 µm, jato dirigido à espiga. Calor >30 °C por >4 h reduz a viabilidade do pólen → abortamento. |
| 10.5.2. | Florescimento completo na parte apical da espiga. | Continuidade da janela de fecundação; proteção da espiga. |
| 10.5.3. | Florescimento completo na parte basal da espiga. | |
| 10.5.4. | Final de florescimento, grão no estádio aquoso. | Fecha a janela do nº de grãos/espiga (antese + ~10 dias). |
| Maturação | ||
| 11.1. | Grãos no estádio leitoso. | Início da determinação da massa de mil grãos (MMG), enchimento (Feekes 11.1–11.3). Monitorar pulgão-da-espiga (NA: 10 pulgões/espiga) e lagartas (Mythimna, NA: 10 lagartas >2 cm/m²). Calor >30 °C acelera a maturação e reduz a MMG. |
| 11.2. | Grãos no estádio de massa (conteúdo macio e seco). | Enchimento; déficit hídrico pós-antese reduz a MMG por menor remobilização de reservas. |
| 11.3. | Grãos duros (difíceis de serem rompidos com a unha do polegar). | Fim do enchimento. Risco de germinação pré-colheita (chuva reduz o Número de Queda). Possível dessecação pré-colheita. |
| 11.4. | Maturação de colheita. Palhas secas. | Ponto de colheita. Colher no momento correto para evitar germinação pré-colheita e perdas por debulha. |
Cada estádio é definido quando 50% ou mais das plantas estiverem naquele estádio ou além dele.
Arroz¶
| Código | Estádio | Manejo |
|---|---|---|
| Estádios de plântula | ||
| S0 | Semente seca de arroz | Semeadura e tratamento de sementes (inseticida/fungicida). Início da janela do nº de panículas/m² (S0 a R4). Germinação: embebição até 25–35% de umidade. |
| S1 | Emergência da radícula ou coleóptilo | Germinação; herbicida pré-emergente / controle inicial de plantas daninhas (0–10 DAE). |
| S2 | Emergência da radícula e coleóptilo | Estabelecimento da plântula; controle inicial de daninhas. |
| S3 | Emergência da primeira folha do coleóptilo | Plântula depende das reservas do endosperma até a 3ª folha. Monitoramento semanal (germinação → perfilhamento); pragas iniciais (cupim, cigarrinha, broca-do-colo). |
| Estádios vegetativos | ||
| V1 | Colar formado na 1ª folha do colmo principal | Herbicida pós-emergente (V3–V4, 15–25 DAE); scouting de Spodoptera e percevejos. |
| V2 | Colar formado na 2ª folha do colmo principal | Fase inicial, período de maior dano das pragas antes do controle biológico se estabelecer. |
| V3 | Colar formado na 3ª folha do colmo principal | Início da janela de perfilhamento (V3 a V7). Herbicida pós-emergente; início da adubação nitrogenada em cobertura (V4–V6, 25–35 DAE). |
| V4 | Colar formado na 4ª folha do colmo principal | N em cobertura; scouting de pragas. |
| V5 | Colar formado na 5ª folha do colmo principal | Perfilhamento ativo; aumento do IAF. |
| V6 | Colar formado na 6ª folha do colmo principal | N em cobertura (referência: 45–65 GD antes de R0 em sequeiro); avaliar IAF e perfilhamento. |
| V7 | Colar formado na 7ª folha do colmo principal | Fim da janela de perfilhamento (V3 a V7). Scouting de brusone nas folhas. |
| V8 | Colar formado na 8ª folha do colmo principal | Perfilhamento em conclusão; alongamento lento dos entrenós superiores. |
| V9 (VF-4*) | Colar formado na 9ª folha do colmo principal | Aproximação da folha-bandeira; monitorar doenças foliares. |
| V10 (VF-3*) | Colar formado na 10ª folha do colmo principal | |
| V11 (VF-2*) | Colar formado na 11ª folha do colmo principal | |
| V12 (VF-1*) | Colar formado na 12ª folha do colmo principal | |
| V13 (VF*) | Colar formado na 13ª folha do colmo principal | Folha-bandeira formada; pré-emborrachamento. |
| Estádios reprodutivos | ||
| R0 | Iniciação da panícula | Início da janela do nº de espiguetas/panícula (R0 a R4). Abertura da janela crítica de fungicida para brusone (pescoço/panícula), R0–R2, ~45–65 DAE. |
| R1 | Diferenciação da panícula | Fungicida para brusone; nº de espiguetas em definição. |
| R2 | Elongação da panícula (emborrachamento) | "Gargalo invisível", microsporogênese, extremamente sensível a estresses. Fungicida preventivo para brusone (janela R2–R4); manter lâmina d'água / evitar déficit hídrico. |
| R3 | Saída da panícula | Exserção da panícula; evitar frio e seca (exserção incompleta → esterilidade). |
| R4 | Antese | Florescimento (9h–13h). Fecha nº de panículas/m² (S0–R4) e nº de espiguetas/panícula (R0–R4); abre nº de grãos/panícula (R4–R6) e massa do grão (R4–R8). Evitar déficit hídrico; monitorar percevejos-do-grão. |
| R5 | Elongação da cariopse até o fim da casca | Início do enchimento (subfase Lag); divisão celular no endosperma. |
| R6 | Enchimento do grão | Fecha o nº de grãos/panícula (R4–R6). Enchimento linear; scouting de mancha-dos-grãos. Sensível à temperatura noturna alta (gessamento). |
| R7 | Pelo menos um grão da panícula do colmo principal com casca amarela | Dessecação; encerramento do manejo fitossanitário. |
| R8 | Pelo menos um grão da panícula do colmo principal com casca marrom | Fecha a janela da massa do grão (R4–R8); ponto de maturidade fisiológica (PMF ≈ 25–30% de umidade). |
| R9 | Todos os grãos que atingiram o estádio R6 apresentam casca marrom (ponto de colheita) | Ponto de colheita (umidade ideal do grão entre 18% e 22%). |
*VF = folha-bandeira (-4, -3, -2, -1: folhas que faltam para o surgimento da folha-bandeira). Cada estádio é definido quando 50% ou mais das plantas estiverem naquele estádio ou além dele.
Milho¶
| Código | Estádio | Manejo |
|---|---|---|
| Estádios vegetativos | ||
| VE | Emergência | Estabelecimento; nº de plantas/ha definido. Não aplicar herbicida nos primeiros 5 dias após a emergência (risco de intoxicação). |
| V1 | 1ª folha com colar visível | Início do sistema radicular nodular; controle inicial de daninhas. |
| V2 | 2ª folha com colar visível | Herbicida pós-emergente possível (daninhas nas primeiras folhas verdadeiras). |
| V3 | 3ª folha com colar visível | Produção potencial definida (iniciação de todas as folhas e espigas potenciais). Herbicida pós-emergência (dicotiledôneas até 4–6 folhas; 2,4-D com o milho até 4 folhas). |
| V4 | 4ª folha com colar visível | Adubação nitrogenada em cobertura (V4–V6). 1ª aplicação de fungicida possível (V4–V6, limite de entrada do trator), estratégia preventiva. |
| V5 | 5ª folha com colar visível | Estádio crítico a estresse; limite para glifosato em milho RR (V5). Herbicida em jato dirigido só após esse ponto. Janela de N em cobertura (V4–V6). |
| V6 | 6ª folha com colar visível, Meristema apical acima da superfície do solo | Fim da janela de N em cobertura (V4–V6). Fitotoxicidade de herbicida aumenta acima de 6 folhas; espigas visíveis por dissecação. Jato dirigido na entrelinha com a lavoura a 50–80 cm. |
| V7 | 7ª folha com colar visível | 1ª aplicação de fungicida (≈V7), quando a folha da espiga se define, alvo: folha da espiga + folhas abaixo. |
| V8 | 8ª folha com colar visível | Número de fileiras por espiga definido. Fim da janela prática de aplicação terrestre em porte baixo. |
| V9 | 9ª folha com colar visível | Monitorar lagarta-do-cartucho e cigarrinha-do-milho a partir daqui. |
| V10 | 10ª folha com colar visível | Taxa de acúmulo de matéria seca torna-se rápida. |
| Vn | n folha com colar visível | Continuidade do desenvolvimento vegetativo (nº de folhas varia por híbrido). |
| V18 | 18ª folha com colar visível | Surgem as raízes de sustentação (adventícias/aéreas). |
| VT | Pendoamento | 2ª aplicação de fungicida (folhas acima da espiga); a partir daqui só aplicação aérea. Potencial produtivo (nº de grãos) já definido, fungicida apenas preserva, não aumenta. Polinização inicia 2–3 dias depois. |
| Estádios reprodutivos | ||
| R1 | Florescimento | Início da definição do peso de grãos (R1–R6); nº de óvulos fertilizados definido. Estresse hídrico crítico (2 dias → >20% de perda; 4–8 dias → >50%). Lagartas da espiga nos estilos-estigmas; aplicação para grãos ardidos/micotoxinas no silking. |
| R2 | Grão leitoso - Ponto de pamonha | Densidade do grão definida. Limiar prático de fungicida: 5% de incidência nas duas folhas acima e abaixo da espiga. Máxima transferência de N e P para a espiga. |
| R3 | Grão pastoso | Enchimento; divisões celulares no endosperma concluídas. |
| R4 | Grão farináceo | Grãos já acumularam ~50% do peso seco final. |
| R5 | Grão farináceo-duro | "Linha de leite" avança; estresse reduz o peso dos grãos, não o número. |
| R6 | Maturidade fisiológica | Camada preta; máximo peso seco; umidade 30–35%. Colheita (após secagem no campo/artificial); ponto de colheita para silagem de planta inteira. |
Cada estádio é definido quando 50% ou mais das plantas estiverem naquele estádio ou além dele.
Sorgo¶
| Código | Estádio | Manejo |
|---|---|---|
| E0 | Emergência | Estabelecimento (EC1); estande sensível à umidade do solo, não tem recuperação ao longo do ciclo. Ponto de crescimento subterrâneo (danos aéreos até V6 são recuperáveis). |
| E1 | Colar da 3ª folha visível | Herbicida pós-emergente inicial; controle de daninhas. |
| E2 | Colar da 5ª folha visível | Adubação nitrogenada em cobertura; monitorar plantas daninhas. |
| E3 | Diferenciação do ponto de crescimento | Iniciação da panícula (fecha EC1): define o tamanho potencial da panícula. Estresse hídrico/nutricional em V7–V8 compromete esse componente. A partir de V7 o ponto de crescimento emerge, dano aéreo passa a matar a planta (critério de ressemeadura). |
| E4 | Folha-bandeira visível | Fase reprodutiva (EC2). Início da definição do número de grãos por panícula (E4–E6); proteção da área foliar. |
| E5 | Emborrachamento | Definição do número de grãos por panícula (E4–E6). Monitorar pragas e daninhas; possível corte/pastejo para forragem/silagem. |
| E6 | Florescimento | Antese (fecha EC2): encerra a definição do número de grãos por panícula (E4–E6). Estresse hídrico/nutricional compromete a fecundação. Monitorar percevejos e doenças da panícula. |
| E7 | Grão leitoso | EC3: define o peso dos grãos. Enchimento; manter área foliar verde (stay-green). |
| E8 | Grão pastoso | Enchimento avançado; sensível a déficit hídrico. |
| E9 | Maturidade fisiológica | Umidade ~28–30%; translocação cessa. Ponto de colheita avaliado pelo terço inferior da panícula (último a maturar). |
Cada estádio é definido quando 50% ou mais das plantas estiverem naquele estádio ou além dele.
Milheto (material da disciplina)¶
| Código | Estádio | Manejo |
|---|---|---|
| FC1 | Fase de Crescimento 1 (Fase vegetativa) | Estabelecimento e crescimento vegetativo (ED0–ED3); define o número máximo de folhas e o potencial de perfilhamento. |
| ED0 | Emergência | Estabelecimento; formação do estande. |
| ED1 | Colar da 3ª folha visível | Crescimento inicial; controle de plantas daninhas. |
| ED2 | Colar da 5ª folha visível | Aplicar N em cobertura (20–30 DAE). |
| ED3 | Formação da panícula | Aplicar N em cobertura; monitorar plantas daninhas. |
| FC2 | Fase de Crescimento 2 (Fase de desenvolvimento da panícula) | Fase reprodutiva (ED4–ED6); desenvolvimento da panícula e florescimento. |
| ED4 | Colar da folha-bandeira visível | Monitorar pragas e plantas daninhas; possível corte/pastejo para forragem/silagem. |
| ED5 | Emborrachamento | Corte/pastejo para forragem-silagem; dessecação para cobertura do solo ao atingir 5–10% de pendão. |
| ED6 | Florescimento | 50% de florescimento (protoginia). Monitorar percevejos e fungos. |
| FC3 | Fase de Crescimento 3 (Fase de enchimento de grão) | Enchimento de grão (ED7–ED9) até a maturidade fisiológica. |
| ED7 | Grão leitoso | Monitorar ferrugem e ergot. |
| ED8 | Grão pastoso/farináceo | Monitorar ferrugem e ergot; enchimento avançado. |
| ED9 | Maturidade fisiológica | Camada preta no hilo (20–25 dias após o florescimento; umidade ~28–35%). Aguardar 13–15% de umidade para a colheita mecânica. |
Cada estádio é definido quando 50% ou mais das plantas estiverem naquele estádio ou além dele.