Revisão, Unidade III: Proteção da Produtividade (Aulas 09 a 12)¶
Tip
Lista de revisão integrativa da Unidade III, última do curso. Tente resolver cada questão antes de olhar o gabarito: o esforço de recuperar e aplicar o conteúdo é o que consolida o aprendizado; ler a resposta pronta, não.
O Bloco A é para discussão em sala e não tem gabarito. Os Blocos B e C têm gabarito comentado em arquivo separado (unidade-3-...-ALUNO-gabarito.md).
Cada questão dos Blocos B e C cruza pelo menos duas aulas. Comece decidindo qual conceito se aplica.
Bloco A: Síntese integradora de fechamento do curso (discussão em sala) · sem gabarito¶
A1. O curso construiu a produtividade em camadas: primeiro o potencial foi contratado (a cultivar, o clima, o solo definem o teto antes de a lavoura existir), depois esse potencial foi expresso (a fenologia, a água e a nutrição transformam o teto em planta), e a Unidade III tratou de protegê-lo (Aulas 09, 10 e 11) e de convertê-lo em grão colhido e em sistema que dure (Aula 12). Usando esse arco inteiro, defenda a tese de que a proteção contra daninhas, pragas e doenças não cria produtividade, apenas impede a fuga de um potencial já contratado, e mostre por que, mesmo com proteção perfeita, a Aula 12 ainda é onde a lavoura ganha ou perde a safra.
A2. As Aulas 09, 10 e 11 repetem a mesma arquitetura de decisão: um limiar econômico (nível de dano econômico da daninha, da praga e da doença) que decide se e quando controlar, um repertório de métodos (preventivo, cultural, biológico, químico, genético) que decide como, e um eixo de resistência que decide com qual mecanismo e por quanto tempo aquele controle continuará funcionando. Compare as três aulas por essa arquitetura comum: o que muda de daninha para praga e para doença na forma de medir o limiar, e por que "manejo integrado" significa, nas três, o mesmo abandono do calendário fixo e da ferramenta única.
A3. O texto da Aula 12 diz que "o produtor não vende potencial produtivo, vende grão colhido, seco, dentro do padrão comercial". Some a isso o fato de que a proteção das Aulas 09 a 11 é irreversível no tempo (perda por competição fora do período crítico não volta, dano de praga já causado não se desfaz, tecido necrosado não ressuscita). Construa o mapa dos pontos de fuga do potencial ao longo do ciclo, do período crítico das daninhas ao rendimento de grãos inteiros no engenho, e sustente por que a decisão que fecha o curso, escolher o sistema de produção (rotação, consórcio, integração, cobertura o ano inteiro), é a que protege o potencial de todas as safras futuras, não só o da atual.
Bloco B: Questões integradas · gabarito no arquivo separado¶
B1. (múltipla escolha) Para "rotacionar", um agrônomo alterna dois inseticidas de marcas comerciais diferentes na lavoura de milho e dois fungicidas de marcas diferentes no trigo, e fica tranquilo quanto à resistência. O que de fato garante que houve rotação real e não apenas troca de rótulo?
(a) Trocar a marca comercial já basta, pois marcas distintas trazem ingredientes ativos distintos.
(b) Conferir se os produtos pertencem a grupos IRAC (inseticida) e FRAC (fungicida) diferentes.
(c) Alternar produtos de classes químicas diferentes, mesmo que dentro do mesmo grupo IRAC ou FRAC.
(d) Escolher sempre o produto de maior espectro, que atinge mais alvos numa só aplicação.
B2. (aberta) Um produtor do Cerrado rotaciona milho, sorgo e milheto no mesmo talhão, safra após safra, convencido de que trocar a espécie "quebra o ciclo" das pragas e doenças. Explique por que essa rotação falha contra a lagarta-do-cartucho (A10) e, ao mesmo tempo, contra o complexo Fusarium fujikuroi (FFSC) e o nematoide Pratylenchus brachyurus (A11), e diga o que barraria cada um de fato.
B3. (múltipla escolha) Como sorgo e milheto não têm graminicida seletivo, um técnico decide reduzir o espaçamento e adensar a lavoura para fechar o dossel cedo e sombrear as gramíneas daninhas. Que efeito colateral fitossanitário ele precisa antecipar?
(a) Maior risco de doença foliar: dossel fechado retém umidade e prolonga o molhamento.
(b) Menor competição das gramíneas daninhas C4, que precisariam de sombra para germinar em profundidade no solo.
(c) Queda automática das pragas sugadoras, afugentadas pelo sombreamento do dossel denso.
(d) Aumento da eficiência do herbicida de contato, favorecido pela cobertura foliar densa.
B4. (múltipla escolha) Milho no estádio V4. O plano é aplicar nicosulfuron em pós-emergência contra as daninhas e, no mesmo período, acefato (organofosforado) contra lagarta e percevejo. O que o agrônomo deve prever?
(a) O acefato potencializa a seletividade do nicosulfuron, acelerando bastante a degradação do herbicida na própria planta.
(b) Nenhuma interação, pois herbicida e inseticida atuam em rotas independentes na planta.
(c) Fitotoxicidade ao milho, porque o organofosforado inibe o P450 que detoxifica o nicosulfuron.
(d) Perda de eficácia do inseticida, neutralizado pela mistura com o herbicida sistêmico.
B5. (aberta) No sistema soja verão / milho safrinha, um produtor passa a repetir milho sobre milho no mesmo talhão em plantio direto e vê a cercosporiose (mancha-cinzenta) explodir. Explique, pela estratégia trófica do patógeno (A11) e pelo arranjo do sistema de produção (A12), por que repetir milho favorece a doença, por que a rotação/sucessão com espécie não hospedeira resolve neste caso, e por que essa mesma rotação não resolveria contra um fungo de solo como o míldio.
B6. (múltipla escolha) Área com histórico de enfezamentos do milho (fitoplasma e espiroplasma), transmitidos pela cigarrinha Dalbulus maidis. Para escapar do vetor, o produtor decide rotacionar milho com sorgo. A avaliação correta é:
(a) A rotação elimina a cigarrinha, que precisa alternar milho e sorgo para se reproduzir.
(b) A troca de espécie basta, pois o vetor é polífago e acompanha toda a sucessão de gramíneas.
(c) O tratamento de sementes previne a doença, matando a cigarrinha antes de qualquer inoculação.
(d) Eliminar plantas voluntárias e soqueiras de milho, que abrigam o vetor entre as safras.
B7. (aberta) O sorgo tem registrados apenas atrazina, simazina e 2,4-D, e o milheto apenas atrazina e 2,4-D, nenhum graminicida seletivo em qualquer dos dois. Explique por que, contra gramíneas daninhas, essas duas culturas dependem do manejo cultural e da arquitetura da lavoura (A09), e como isso conversa com o destino de sistema que essas mesmas culturas costumam receber (A12).
B8. (múltipla escolha) Lavoura de arroz de terras altas com percevejo-do-grão (Oebalus spp.) acima do nível de controle no enchimento, sem controle. No engenho, o lote apresenta muitos grãos gessados e manchados. Qual é a consequência comercial correta?
(a) Nenhuma consequência: as manchas superficiais saem inteiramente no polimento e não afetam o rendimento de grãos inteiros.
(b) Queda no rendimento de grãos inteiros, pois os grãos gessados e manchados quebram no polimento.
(c) Ganho de renda do benefício, já que o dano aumenta a fração vendável de grãos quebrados.
(d) Elevação do peso hectolítrico, porque o grão gessado é mais denso que o translúcido.
B9. (aberta) Num mesmo dia de planejamento, três recomendações "para economizar": reduzir a dose do glifosato na dessecação (A09), reduzir a dose do inseticida aplicado na área de refúgio do milho Bt (A10) e reduzir a dose do fungicida unissítio no trigo (A11). Explique o eixo comum que torna as três recomendações erradas e diga o que a boa prática manda nos três casos.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico integrado · gabarito no arquivo separado¶
Arredonde a 4 casas decimais e use exatamente as fórmulas da fonte.
C1. (cálculo integrado) Uma lavoura de trigo de sequeiro no Cerrado tem produtividade esperada estimada em 3.808 kg/ha (400 espigas/m² × 28 grãos × 34 g ÷ 100). O preço é R$ 1,50/kg, o custo do controle da doença (fungicida mais aplicação) é R$ 200/ha e a eficiência do fungicida sobre o alvo é 75% (0,75).
(i) Calcule o valor da lavoura por hectare. (ii) Pela fórmula do nível de dano econômico de doença, d ≥ Cc / (Y × P × Ec), calcule o dano proporcional mínimo (d) que paga a aplicação e expresse-o em porcentagem. (iii) Diga o que aconteceria com esse limiar se o preço do trigo subisse, e por que a decisão de doença é mais preventiva que a de praga.
C2. (cálculo integrado) Uma lavoura de sorgo granífero em safrinha no Cerrado tem, na amostragem, 15 panículas produtivas/m² e massa média de grãos por panícula de 30 g.
(i) Estime a produtividade pela fórmula do sorgo, Produtividade (kg/ha) = panículas/m² × massa de grãos por panícula (g) × 10, e converta para sacas de 60 kg. (ii) O produtor não controlou as daninhas dentro do período crítico (PCPI 20 a 45 DAE) e conviveu com a comunidade infestante por cerca de 4 semanas, faixa em que o sorgo perde até 35%. Calcule a produtividade realizada e a perda em kg/ha. (iii) Explique por que aplicar herbicida agora, aos 60 DAE, não recupera essa perda.
C3. (cálculo e diagnóstico integrado) Um lote de milho foi colhido com 8.000 kg a 19% de umidade e será negociado à umidade de referência de 14%. A análise acusou fumonisinas (B1+B2) = 4.800 µg/kg.
(i) Corrija o peso pela umidade, Pcu = Pc × (100 − Uc) ÷ (100 − U), e diga quanto da diferença é água, não grão. (ii) O lote será destinado a milho em grão para posterior processamento. Ele está dentro do limite máximo tolerado (LMT) da IN 160/2022 (Anvisa)? (iii) E se o mesmo lote fosse destinado a farinha de milho / fubá, a resposta mudaria?