Glossário Técnico¶
Acamamento. Tombamento permanente do colmo ou das raízes da planta antes da colheita, por dobramento ou quebra dos entrenós ou por falha de ancoragem radicular. Resulta da combinação de fatores intrínsecos (cultivar de colmo fraco, porte alto, sistema radicular superficial) com fatores de manejo e clima (excesso de nitrogênio, alta densidade de plantas, vento e chuva na fase reprodutiva). Interrompe a translocação normal de fotoassimilados para o grão e eleva as perdas na colheita mecanizada.
Adubação corretiva e adubação de manutenção. Duas filosofias de reposição de nutrientes ao solo. A corretiva aplica mais do que a cultura exporta, elevando o teor do solo em direção à faixa adequada, e é indicada para solos ainda pobres; pode ser feita de uma vez ou de forma gradual ao longo de safras. A de manutenção repõe apenas o que a lavoura exporta, mantendo o teor já construído do solo, e é a filosofia adequada quando a fertilidade já foi corrigida em ciclos anteriores.
Adubação de cobertura. Aplicação de fertilizante realizada após a semeadura, ao longo do desenvolvimento da cultura, em vez de toda a dose ser aplicada de uma vez no sulco. É a forma usual de parcelar nitrogênio e, quando a dose é elevada, também potássio, reduzindo o risco de perdas por lixiviação e o efeito salino do fertilizante concentrado junto à semente.
Adubação fosfatada. Suprimento de fósforo ao solo, nutriente de baixíssima mobilidade e de disponibilidade natural reduzida nos solos de Cerrado. Deve ser aplicada preferencialmente no sulco de semeadura, na zona de desenvolvimento inicial das raízes, e apresenta efeito residual que se estende por vários anos após a aplicação corretiva, sendo maior em doses mais altas.
Adubação nitrogenada. Suprimento de nitrogênio, nutriente móvel tanto no solo quanto na planta, absorvido continuamente ao longo do ciclo e remobilizado das folhas mais velhas para os órgãos em crescimento sob deficiência. Está sujeito a perdas por lixiviação (na forma de nitrato, mais intensa em solo arenoso), por volatilização (na forma de amônia, mais intensa quando a ureia fica exposta na superfície sem incorporação) e por desnitrificação em solo encharcado. Por isso costuma ser parcelada entre a semeadura e uma ou mais coberturas ao longo do ciclo vegetativo.
Adubação potássica. Suprimento de potássio, segundo nutriente mais absorvido pelos cereais e de reserva mineral naturalmente pequena nos solos de Cerrado. Por ser veiculado em sais de alta solubilidade, está sujeito a lixiviação, sobretudo em solos arenosos e de baixa capacidade de troca catiônica, o que torna o parcelamento entre semeadura e cobertura recomendável quando a dose total é elevada.
Adubação verde. Uso de espécies vegetais, leguminosas, gramíneas ou seus consórcios, cultivadas para serem incorporadas ou mantidas como cobertura antes da semeadura da cultura principal, com o objetivo de melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. A escolha da espécie deve considerar seu efeito sobre pragas e doenças da cultura seguinte, pois algumas espécies de cobertura favorecem organismos indesejados na sequência.
Alelopatia. Liberação de metabólitos secundários por uma planta, por lixiviação, exsudação radicular, volatilização ou decomposição de resíduos, que inibem a germinação ou o crescimento de outras plantas nas proximidades. É um mecanismo de interferência indireta entre plantas cultivadas e daninhas, e também entre a cultura principal e a espécie de cobertura que a antecede.
Amido. Principal composto de reserva do endosperma dos cereais, formado por duas frações, amilose e amilopectina, em proporções que variam por espécie e cultivar. Determina o comportamento do grão na indústria de moagem e na formação de gel quando aquecido.
Antese. Abertura das flores da inflorescência, momento em que ocorre a exposição das anteras e do estigma e se completa a polinização. Nos cereais autógamos de interesse desta disciplina, ocorre predominantemente antes ou no momento da abertura floral, o que restringe a fecundação cruzada e mantém a identidade genética da cultivar entre gerações.
Arranjo de plantas. Conjunto de decisões de manejo que determina como as plantas de uma lavoura se distribuem no espaço, incluindo espaçamento entre linhas, população final desejada e método de semeadura. Junto com a época de semeadura, é uma das decisões que mais influenciam a interceptação de radiação, a competição por água e nutrientes e, por consequência, os componentes de rendimento.
Arquitetura foliar. Ângulo de inserção das folhas em relação ao colmo, que classifica cultivares em arquitetura ereta, semiereta ou aberta (decumbente). Folhas eretas permitem maior penetração de luz no dossel e sustentam populações mais altas de plantas sem perda de eficiência fotossintética, enquanto folhas decumbentes saturam a fotossíntese em menor intensidade luminosa e sombreiam as folhas inferiores.
Banco de sementes do solo. Reservatório de sementes viáveis, majoritariamente de plantas daninhas, acumulado no perfil do solo, formado pela produção de sementes das plantas já presentes e pela dispersão vinda de áreas vizinhas. Sua persistência é sustentada pela dormência de parte das sementes, e sua distribuição em profundidade responde diretamente ao sistema de preparo do solo: no plantio direto concentra-se na superfície, mais exposto a intempéries e à predação, enquanto o preparo convencional redistribui sementes profundas de volta à camada germinável.
Bioclimatologia. Classificação de cultivares conforme sua exigência de frio para completar a transição da fase vegetativa para a reprodutiva, relevante sobretudo em cereais de inverno. Reúne grupos de resposta à vernalização e ao fotoperíodo que orientam a escolha de cultivar para cada região produtora.
Brusone. Doença causada por um fungo hemibiotrófico do gênero Pyricularia (sinônimo Magnaporthe), capaz de infectar folhas, colmo e panícula ou espiga, com maior gravidade quando atinge o pescoço da inflorescência, comprometendo o enchimento de grãos. Favorecida por temperatura amena, alta umidade relativa e molhamento foliar prolongado, é uma das doenças de manejo mais difícil entre os cereais, respondendo pouco ao controle químico e dependendo fortemente de resistência genética e de práticas culturais que reduzam o período de molhamento.
Buva. Planta daninha de folha larga do gênero Conyza, de disseminação rápida por sementes pequenas e leves carregadas pelo vento a longas distâncias. Tornou-se uma das daninhas de manejo mais difícil nas lavouras brasileiras pela ocorrência disseminada de biótipos resistentes ao glifosato, exigindo controle em estádios iniciais de desenvolvimento da planta para manter eficácia.
Calagem. Aplicação de calcário ao solo com o objetivo de corrigir a acidez, elevar o pH, neutralizar o alumínio trocável tóxico às raízes e fornecer cálcio e, no caso do calcário dolomítico, magnésio. Deve ser realizada com antecedência mínima de dois a três meses da semeadura, pois sua reação no solo depende de umidade e tempo, e seu efeito não é permanente, exigindo reaplicação periódica conforme o resultado de novas análises de solo.
Camada preta. Estrutura de tecido escurecido que se forma próximo ao ponto de inserção do grão com a ráquis ou o sabugo, sinalizando visualmente a maturidade fisiológica em diversos cereais. Sua formação marca o momento em que cessa a importação de fotoassimilados para o grão, ainda que a umidade nesse ponto permaneça elevada demais para a colheita mecanizada imediata.
Cariopse. Fruto seco e indeiscente característico das gramíneas, no qual o pericarpo, parede do fruto, está fundido ao tegumento da semente, formando uma estrutura única e inseparável. Distingue-se a cariopse nua, que se solta livremente das glumelas na maturação, da cariopse vestida, na qual lema e pálea permanecem aderidas ao grão e precisam ser removidas no beneficiamento.
Cereais. Grãos comestíveis produzidos por plantas da família botânica Poaceae que formam fruto do tipo cariopse e possuem relevância expressiva de cultivo. Suprem grande parte das calorias e das proteínas de origem vegetal consumidas no mundo, e se distinguem de plantas cujos grãos são usados de modo semelhante na alimentação mas pertencem a outras famílias botânicas, chamadas por isso de pseudocereais.
Cereais de inverno e cereais de verão. Categorização agronômica das culturas de cereais conforme sua exigência térmica para germinar, crescer e florescer. Os cereais de inverno exigem temperaturas amenas a frias e, em muitas cultivares, um período de frio para induzir o florescimento (vernalização), sendo semeados no outono; os cereais de verão exigem calor, são sensíveis a geadas e não dependem de vernalização, sendo semeados na primavera ou no início da estação quente.
Ciclo de desenvolvimento. Sequência de fases pelas quais passa a planta de cereal entre a semeadura e a maturidade, tipicamente dividida em fase vegetativa (emissão de folhas e perfilhos), fase reprodutiva (diferenciação e desenvolvimento da inflorescência) e fase de enchimento de grãos (acúmulo de matéria seca até a maturidade fisiológica). A duração de cada fase tem controle genético relativamente independente das demais, o que permite ao melhoramento ajustar isoladamente a precocidade de uma fase sem alterar as outras.
Coeficiente de cultura (Kc). Relação entre a evapotranspiração da cultura em determinado estádio e a evapotranspiração de referência do ambiente, usada para estimar a necessidade hídrica ao longo do ciclo em modelos de balanço hídrico e de manejo de irrigação. Varia conforme a fase fenológica, sendo menor no estabelecimento inicial e mais alto durante o desenvolvimento vegetativo pleno e a fase reprodutiva.
Colheita mecanizada. Operação de retirada dos grãos da lavoura por meio de colhedora automotriz, cujo fluxo interno passa por corte, trilha (entre cilindro e côncavo), separação e limpeza antes do armazenamento no tanque graneleiro. A regulagem correta de cada mecanismo, ajustada à umidade do grão e à taxa de alimentação da máquina, determina o equilíbrio entre perdas por grão não debulhado e danos mecânicos por esmagamento ou trinca.
Colmo. Caule das gramíneas, de formato cilíndrico e geralmente oco, constituído por nós e entrenós, dos quais em geral apenas os superiores se alongam. Funciona também como órgão de reserva temporária de carboidratos, mobilizados para o grão durante o enchimento, processo que enfraquece a parede dos entrenós e pode predispor a planta ao acamamento quando a demanda do grão supera a oferta corrente da fotossíntese.
Compactação do solo. Degradação da estrutura do solo que eleva sua densidade e reduz a porosidade, restringindo a infiltração de água, a aeração e o desenvolvimento do sistema radicular. Resulta de manejo inadequado, como preparo repetido sempre na mesma profundidade ou tráfego intenso de máquinas, e seu diagnóstico é feito por exame do formato das raízes, abertura de trincheiras ou uso de penetrômetro em solo próximo à capacidade de campo.
Componentes de rendimento. Modelo multiplicativo que decompõe a produtividade de grãos em fatores sucessivamente definidos ao longo do ciclo: número de inflorescências por área, número de grãos por inflorescência, fração de espiguetas ou flores férteis e massa unitária do grão. Cada componente é fixado numa janela fenológica específica e, uma vez encerrada essa janela, o manejo tardio não recupera o que foi perdido nela, embora exista alguma compensação entre componentes dentro de limites fisiológicos.
Consórcio de culturas. Cultivo simultâneo, no mesmo espaço e período, de duas ou mais espécies com finalidades distintas, como grão e forragem, sob semeadura simultânea ou defasada no tempo. Difere da rotação, que alterna espécies ao longo do tempo na mesma área, e da sucessão, que emprega uma única espécie por vez em ciclos sucessivos.
Cultivar. Variedade cultivada, registrada e estável, com características agronômicas definidas, obtida por melhoramento genético. Distingue-se do híbrido, que resulta do cruzamento controlado entre linhagens geneticamente distintas e expressa vigor híbrido apenas na primeira geração, perdendo uniformidade e desempenho se a semente colhida for reutilizada para nova semeadura.
Déficit hídrico. Insuficiência de água disponível às plantas em relação à demanda evapotranspirativa do momento, com efeito sobre o rendimento fortemente dependente do estádio fenológico em que ocorre. A fase que envolve o florescimento e o início do enchimento de grãos é, de modo geral, a mais sensível entre os cereais, pois compromete simultaneamente a fertilização das flores e a definição do número de grãos.
Densidade de semeadura. Quantidade de sementes distribuídas por unidade de área ou por metro de sulco, calculada a partir da população de plantas desejada, do poder germinativo do lote e da fração esperada de estabelecimento em campo. É ajustada conforme o espaçamento entre linhas, o vigor do lote de sementes e as condições de solo e clima previstas para a semeadura.
Desvernalização. Perda parcial ou total do efeito promotor da vernalização quando a planta, logo após o período de frio, é exposta a temperaturas elevadas por alguns dias. Evidencia que o estado vernalizado é uma condição fisiológica reversível, e não uma alteração genética permanente da planta.
Eficiência do uso da água. Quantidade de matéria seca produzida por unidade de água consumida pela planta ao longo do ciclo. Cultivos de metabolismo fotossintético C4 apresentam, de modo geral, maior eficiência do uso da água que cultivos C3, por perderem menos água por unidade de carbono fixado.
Eficiência do uso da radiação. Quantidade de matéria seca produzida por unidade de radiação solar interceptada pela cultura, variável central na determinação do potencial produtivo. Culturas de metabolismo C4 convertem radiação em matéria seca com maior eficiência que culturas C3, sobretudo sob temperatura e luminosidade elevadas.
Emergência. Aparecimento visível da plântula na superfície do solo, evento que sucede a germinação e depende, além da viabilidade da semente, de fatores do solo e do manejo, como profundidade de semeadura, temperatura, umidade e eventual compactação superficial. É sempre inferior à germinação medida em condições ideais de laboratório.
Enchimento de grãos. Fase do ciclo compreendida entre o florescimento e a maturidade fisiológica, durante a qual ocorre o acúmulo de matéria seca no grão, proveniente tanto da fotossíntese corrente das folhas superiores quanto da remobilização de reservas de carboidratos armazenadas no colmo. Estresses térmicos ou hídricos nessa fase reduzem a massa final do grão sem possibilidade de compensação por outros componentes de rendimento.
Endosperma. Tecido de reserva do grão de cereal, correspondente à maior fração do peso da cariopse, rico em amido e, em quantidade menor, proteínas. Envolve o embrião e sustenta a nutrição da plântula durante a germinação e o estabelecimento inicial.
Época de semeadura. Janela de tempo definida para a semeadura de uma cultura em determinada região, estabelecida a partir das exigências fisiológicas da espécie, do sistema de produção local e do risco climático regional. É orientada oficialmente pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, e seu escalonamento entre cultivares de ciclos diferentes é uma estratégia usual para diluir o risco de perdas por evento climático adverso.
Erosão hídrica. Perda de solo pela ação da água que escoa sobre a superfície sem infiltrar, fenômeno agravado pela ausência de cobertura vegetal e pela extensão do declive. É contida por práticas conservacionistas como manutenção de palhada, semeadura em curvas de nível e, em declives longos, construção de terraços, que dissipam a energia do escoamento sem eliminá-la totalmente.
Escala fenológica. Sistema padronizado de códigos que descreve, de forma objetiva e comparável entre observadores, o estádio de desenvolvimento de uma cultura em determinado momento. Divide o ciclo em fases vegetativas e reprodutivas identificáveis por marcos morfológicos, permitindo orientar decisões de manejo, como aplicação de fungicida ou regulador de crescimento, ao estádio correto da planta.
Espiga. Tipo de inflorescência em que as espiguetas se inserem diretamente e de forma séssil sobre o eixo central (ráquis), sem pedicelo. É a estrutura reprodutiva típica dos cereais de inverno tratados nesta disciplina.
Espigueta. Unidade básica da inflorescência das gramíneas, formada por duas glumas na base, que protegem uma ou mais flores, cada uma envolta por lema e pálea. É a estrutura a partir da qual se conta o número potencial de grãos por inflorescência.
Esterilidade floral. Falha na fertilização ou no desenvolvimento normal da flor, resultando em grãos ausentes ou chochos. É o componente de rendimento mais vulnerável a estresses ambientais concentrados no florescimento, como frio, calor, déficit hídrico, vento forte e excesso de nitrogênio.
Estande. Número de plantas estabelecidas por metro de sulco, medida usada para avaliar o resultado da semeadura em escala local. Distingue-se da população, que expressa o número de plantas por hectare, escala em que se avalia o resultado da semeadura para a lavoura inteira.
Faixa de friabilidade. Condição de umidade do solo em que este se desagrega facilmente sob leve pressão, sem formar torrões nem se comprimir de forma plástica, considerada a condição ideal para operações de preparo do solo como aração, escarificação e gradagem. Operar fora dessa faixa, em solo mais seco ou mais úmido que o ideal, favorece a formação de torrões ou a compactação, respectivamente.
Fator de reprodução (FR). Razão entre a população final e a população inicial de um nematoide após o cultivo de determinada espécie ou cultivar, usada como critério de escolha para rotação de culturas. Valores abaixo de um indicam cultura ou cultivar que suprime a população do nematoide, enquanto valores iguais ou superiores a um indicam hospedeira que mantém ou multiplica o inóculo, devendo por isso ser evitada na sequência de cultivo quando o objetivo é reduzir a infestação.
Fixação biológica de nitrogênio. Conversão do nitrogênio atmosférico em formas assimiláveis pela planta, realizada por bactérias diazotróficas associadas às raízes. Em cereais, essa associação é predominantemente associativa e não simbiótica como em leguminosas, permitindo reduzir, mas não eliminar, a necessidade de adubação nitrogenada mineral.
Fotoperiodismo. Resposta da planta ao comprimento relativo do dia e da noite, capaz de acelerar ou retardar a transição da fase vegetativa para a reprodutiva. Cultivares sensíveis ao fotoperíodo têm seu florescimento deslocado conforme a época e a latitude de semeadura, enquanto cultivares insensíveis mantêm ciclo mais estável entre ambientes.
Fotossíntese C3. Via fotossintética na qual a enzima ribulose-1,5-bisfosfato carboxilase-oxigenase (rubisco) realiza diretamente a fixação do dióxido de carbono, mas também catalisa uma reação competitiva com o oxigênio (fotorrespiração) que reduz a eficiência fotossintética sob temperatura elevada. É a via característica de parte dos cereais tratados nesta disciplina (Triticum aestivum, Oryza sativa).
Fotossíntese C4. Via fotossintética na qual o dióxido de carbono é fixado inicialmente por uma enzima de alta afinidade no mesofilo e depois concentrado nas células da bainha do feixe vascular antes de entrar no ciclo de Calvin, suprimindo quase completamente a fotorrespiração. Confere maior eficiência de uso da radiação e da água sob temperatura elevada, em comparação à via C3. É a via de Zea mays, Sorghum bicolor e Cenchrus americanus.
Geada. Formação de gelo na superfície da planta quando a temperatura do ar próximo ao solo cai abaixo de zero grau Celsius, geralmente à noite. Classifica-se em geada branca, associada a ar úmido, e geada negra, associada a ar seco e geralmente mais severa; o florescimento é, de modo geral, a fase de maior sensibilidade ao dano por geada entre os cereais.
Germinação. Retomada da atividade metabólica da semente após a absorção de água, processo que culmina na protrusão da radícula através do tegumento sob condições adequadas de umidade, temperatura e oxigênio. Distingue-se da emergência, evento posterior e visível de aparecimento da plântula na superfície do solo.
Gesso agrícola. Condicionador de solo, sulfato de cálcio hidratado, usado de forma complementar à calagem para corrigir a toxidez de alumínio e suprir cálcio em camadas subsuperficiais do solo, além do alcance de correção do calcário. Ao contrário da calagem, não eleva o pH do solo, e seu principal benefício agronômico é permitir maior aprofundamento do sistema radicular, com melhor aproveitamento de água armazenada em profundidade durante períodos de veranico.
Heterose. Superioridade de desempenho agronômico do descendente de um cruzamento controlado entre linhagens geneticamente distintas, em relação a qualquer um dos progenitores, expressa principalmente na primeira geração. É a base biológica da produção de sementes híbridas, e sua expressão declina acentuadamente se a semente colhida do híbrido for reutilizada para nova semeadura.
Índice de área foliar. Relação entre a área total de folhas de uma cultura e a área de solo ocupada, variável central na interceptação de radiação solar pelo dossel. Aumenta ao longo da fase vegetativa até um valor máximo próximo ao florescimento, a partir do qual a senescência das folhas mais velhas passa a reduzi-lo.
Índice de colheita. Razão entre a massa seca de grãos colhidos e a massa seca total da planta, incluindo palha e colmo. Reflete a eficiência de partição de fotoassimilados para o grão em relação à produção biológica total, e seu aumento histórico, obtido pela introdução de genes de porte reduzido, foi um dos principais fatores de ganho de produtividade dos cereais ao longo do século vinte.
Inflorescência. Estrutura reprodutiva da planta na qual se organizam as flores, com arquitetura que distingue as culturas de cereais entre si: espiga, quando as espiguetas se inserem diretamente sobre o eixo central, e panícula, quando se inserem sobre ramificações pediceladas.
Integração Lavoura-Pecuária. Sistema de produção que combina, na mesma área e ao longo do tempo, o cultivo de grãos com a criação animal sobre pastagem, geralmente por meio de consórcio entre a cultura granífera e uma forrageira. Diversifica a fonte de renda da propriedade, melhora a cobertura e a estrutura do solo entre os ciclos de grão e viabiliza a recuperação de pastagens degradadas com o custeio proporcionado pela comercialização do grão.
Irrigação. Aplicação artificial de água à lavoura para suplementar ou substituir a precipitação, com manejo orientado por medição do solo (tensiômetros), do clima (evaporação de tanque associada a coeficientes de cultura) ou de indicadores da própria planta. A decisão de quando e quanto irrigar busca evitar tanto o déficit quanto o excesso hídrico, sendo a fase reprodutiva, em geral, a de maior sensibilidade entre os cereais.
Manejo Integrado de Doenças. Conjunto articulado de práticas voltadas à redução do impacto de doenças na lavoura, incluindo escolha de cultivar resistente, ajuste de época de semeadura, equilíbrio nutricional, diversificação espacial e temporal de cultivares, rotação de culturas e monitoramento de campo para orientar a decisão sobre aplicação de fungicida. Nenhuma dessas práticas isoladas costuma ser suficiente; sua eficácia depende da combinação coerente entre elas.
Manejo Integrado de Pragas. Conjunto de ações que busca preservar ou ampliar os fatores naturais de mortalidade de insetos-praga, mantendo sua população abaixo do nível capaz de causar prejuízo econômico, em vez de buscar sua eliminação completa. Combina monitoramento sistemático, preservação de inimigos naturais, controle biológico dirigido, resistência genética, práticas culturais e aplicação de inseticida apenas quando o nível de ação é atingido.
Massa de mil grãos. Peso de mil grãos de um lote, determinação usada como componente de rendimento e como indicador do tamanho relativo dos grãos produzidos. Reflete o resultado final do enchimento de grãos, sendo definida ao longo de toda essa fase e não recuperável por manejo posterior à sua conclusão.
Maturidade fisiológica. Ponto do desenvolvimento em que o grão atinge seu máximo acúmulo de matéria seca, ainda ligado à planta-mãe, marcando o início do declínio progressivo da qualidade caso a colheita seja postergada além desse ponto. A umidade do grão nesse momento costuma ser elevada demais para permitir a colheita mecanizada imediata, exigindo perda adicional de água no campo antes da entrada da colhedora.
Mesocótilo. Estrutura que liga a semente ao ponto de crescimento definitivo da plântula, responsável por empurrar o coleóptilo até a superfície do solo durante a emergência. Sua elongação variável em função da profundidade de semeadura faz com que a profundidade final do ponto de crescimento da planta seja relativamente constante, independentemente de a semente ter sido depositada mais rasa ou mais funda.
Micotoxinas. Compostos tóxicos produzidos por determinados fungos sob condições específicas de temperatura e umidade, prejudiciais à saúde animal e humana quando presentes no grão. Podem ser produzidas ainda no campo, antes da colheita, ou durante o armazenamento de grãos mal conservados, e sua presença não está necessariamente associada à presença visível do fungo que as originou.
Monocultura. Repetição da mesma espécie na mesma área ao longo de safras sucessivas, sem alternância com outras culturas. Tende a favorecer a proliferação de pragas, doenças e nematoides específicos daquela espécie, além de degradar progressivamente a estrutura física, química e biológica do solo, com queda de produtividade ao longo do tempo.
Necessidade de calcário. Quantidade de calcário a ser aplicada para corrigir a acidez do solo até um nível adequado à cultura, calculada a partir de métodos que consideram a elevação desejada da saturação por bases, a neutralização do alumínio trocável ou a elevação dos teores de cálcio e magnésio, ajustada sempre ao poder relativo de neutralização total do calcário disponível.
Nível de ação e nível de dano econômico. Parâmetros que orientam a decisão de controle em manejo integrado de pragas e doenças. O nível de dano econômico é a densidade populacional ou a intensidade de doença a partir da qual o prejuízo se iguala ou supera o custo do controle; o nível de ação é o ponto, ligeiramente anterior a esse limite, em que a intervenção deve efetivamente começar, considerando o tempo de resposta do controle aplicado.
Panícula. Tipo de inflorescência em que as espiguetas se inserem sobre ramificações pediceladas que partem de um eixo central, em vez de se fixarem diretamente sobre ele. É a estrutura reprodutiva típica de diversos cereais de verão tratados nesta disciplina.
Perda na colheita. Quantidade de grãos não recolhida pela colhedora durante a operação de colheita mecanizada, distribuída entre a plataforma de corte e os mecanismos internos de trilha, separação e limpeza. É avaliada por amostragem em área conhecida antes e depois da passagem da máquina, permitindo isolar a perda natural de pré-colheita da perda efetivamente causada pela regulagem da colhedora, e comparada a um limite tolerável específico de cada cultura.
Perfilho (perfilhamento). Colmo secundário emitido a partir de gemas localizadas nos nós basais não alongados da planta, processo que se inicia poucos dias após a emergência. Determina, em boa parte, o número de inflorescências por área, um dos componentes centrais de rendimento, e é caráter varietal de grande importância no melhoramento das culturas em que é desejável.
Período crítico de competição com plantas daninhas. Janela do ciclo da cultura durante a qual a presença de plantas daninhas causa perda de produtividade não recuperável, delimitada entre o período em que a cultura ainda tolera a convivência sem prejuízo e o período em que a daninha já deve estar controlada para que não haja dano irreversível. Fora dessa janela, o manejo de plantas daninhas ainda pode ser necessário por outras razões, como facilitar a colheita, mas já não altera de forma relevante a produtividade final.
Planta daninha. Toda planta indesejada em determinado espaço e tempo agrícola, cujo conceito é relativo ao contexto e não a uma lista fixa de espécies. Classifica-se, entre outros critérios, pelo ciclo biológico em anuais, bianuais e perenes, e pelo hábito de propagação em espécies que se reproduzem apenas por sementes e espécies que também se propagam vegetativamente por estruturas como rizomas, estolões, bulbos ou tubérculos.
Plantio direto (Sistema Plantio Direto). Prática de semeadura realizada sem preparo prévio do solo por aração, escarificação ou gradagem, mantendo os restos da cultura anterior na superfície. Quando associado à cobertura permanente do solo e à rotação planejada de culturas, constitui o Sistema Plantio Direto, cujos três princípios operam de forma interdependente e só entregam seu resultado pleno quando aplicados em conjunto.
Ponto de colheita. Momento definido pelo estádio de desenvolvimento e pela umidade do grão em que a colheita deve ser realizada, buscando equilibrar a minimização de perdas quantitativas e de danos mecânicos com a viabilidade operacional da máquina. Situa-se sempre após a maturidade fisiológica, uma vez que esta costuma ocorrer com umidade do grão ainda elevada demais para a colheita mecanizada.
População. Número de plantas estabelecidas por hectare, medida usada para avaliar o resultado da semeadura em escala da lavoura inteira. Distingue-se do estande, que expressa o número de plantas por metro de sulco, medida de escala local.
Prolificidade. Capacidade de uma planta completar o desenvolvimento de mais de uma inflorescência fértil por colmo. Em algumas culturas de cereais é traço favorável ao rendimento sob baixa densidade de plantas, enquanto em outras é fenômeno indesejável, associado a estresse ou a baixa densidade, sem que a inflorescência adicional costume completar seu desenvolvimento normalmente.
Radiação solar interceptada. Fração da radiação solar incidente que é efetivamente absorvida pela folhagem da cultura, determinada pelo índice de área foliar e pela arquitetura do dossel. É a variável de entrada central dos modelos de potencial de rendimento baseados em radiação, junto com a eficiência de conversão dessa radiação em matéria seca e o índice de colheita.
Regulador de crescimento. Substância aplicada à cultura para reduzir a estatura da planta e o risco de acamamento, atuando geralmente na inibição da biossíntese de giberelina. Deve ser aplicado em janela específica do desenvolvimento vegetativo, associada à formação dos primeiros nós do colmo, sendo pouco eficaz se aplicado cedo demais e arriscado à produtividade se aplicado tarde demais ou sob deficiência hídrica severa.
Resistência genética. Capacidade de uma cultivar de reduzir o dano causado por uma praga ou um patógeno, por mecanismos herdáveis que dificultam a infecção, a colonização ou a reprodução do organismo nocivo. É a base mais durável do manejo integrado de doenças em patógenos biotróficos, que dependem de tecido vivo e não respondem bem a medidas culturais como a rotação de culturas.
Rotação de culturas. Alternância planejada de diferentes espécies cultivadas na mesma área ao longo do tempo, em contraposição à monocultura. Cumpre funções de quebra do ciclo de pragas, doenças e nematoides específicos de cada cultura, melhoria da estrutura do solo pela diversidade de sistemas radiculares e, quando envolve leguminosas, aporte de nitrogênio pela fixação biológica; sua eficácia contra determinado patógeno depende de este não possuir estruturas de resistência de longa duração no solo nem hospedeiros secundários amplos.
Saturação por alumínio. Proporção do alumínio trocável em relação à soma de bases e alumínio na capacidade de troca catiônica efetiva do solo, índice que diagnostica a toxidez de alumínio de forma independente do teor geral de fertilidade do solo. Valores elevados restringem diretamente o crescimento radicular e reduzem o acesso da planta a água e nutrientes em profundidade.
Saturação por bases. Proporção de cátions básicos (cálcio, magnésio e potássio) em relação à capacidade de troca catiônica total do solo, principal índice usado para decidir a necessidade e a dose de calagem. Correlaciona-se fortemente com o pH do solo, e a produtividade dos cereais tende a crescer com seu aumento até um patamar, estabilizando-se e podendo declinar acima de um valor excessivo.
Semeadura. Operação de distribuição de sementes no solo, própria das culturas de cereais tratadas nesta disciplina, todas propagadas por semente e não por estruturas vegetativas. É a etapa que define grande parte do potencial produtivo da lavoura, pois erros de profundidade, uniformidade ou época dificilmente são corrigidos ao longo do restante do ciclo.
Silício. Elemento benéfico, dispensável ao ciclo de vida da planta mas absorvido pelas raízes e depositado como sílica na epiderme, formando barreira física contra a penetração de fungos patogênicos e o ataque de insetos; contribui também para a tolerância a estresses abióticos como déficit hídrico e salinidade. Cereais diferem bastante na capacidade de acumulá-lo, o que se reflete em diferenças na magnitude dos benefícios observados entre espécies.
Sistema radicular. Conjunto de raízes da planta de cereal, tipicamente fasciculado, formado inicialmente por raízes seminais originadas diretamente da semente, que sustentam a plântula nos primeiros estádios, e posteriormente substituído como principal via de absorção pelas raízes nodais ou coronais, emitidas a partir dos nós basais do colmo já enraizado no solo. Sua profundidade e volume final dependem mais das condições de solo, água e nutrientes do que da profundidade em que a semente foi originalmente depositada.
Soca. Capacidade de uma planta de cereal já colhida de emitir novos perfilhos férteis a partir do sistema radicular remanescente, produzindo uma segunda colheita sem nova semeadura ou novo preparo do solo. Reduz o consumo de água e a demanda de mão de obra em relação a um novo cultivo completo, ainda que com produtividade geralmente inferior à do cultivo principal.
Sucessão de culturas. Uso de duas ou mais culturas, uma após a outra, na mesma área e no mesmo ano agrícola, sem sobreposição temporal entre elas, como ocorre entre a safra principal de verão e uma segunda safra semeada logo após sua colheita. Distingue-se da rotação, que implica alternância planejada entre diferentes espécies ao longo de vários anos, e do consórcio, em que as espécies coexistem simultaneamente na área.
Vernalização. Processo pelo qual a exposição de uma planta a temperaturas relativamente baixas, por um período mínimo, induz ou acelera sua transição da fase vegetativa para a fase reprodutiva. É exigência característica de cultivares de inverno entre os cereais, e seu efeito, embora necessário ao florescimento normal dessas cultivares, é uma condição fisiológica reversível e não uma mudança genética permanente da planta.
Veranico. Período de estiagem de duração limitada, geralmente entre dez e vinte dias, ocorrido dentro de uma estação chuvosa que de outro modo forneceria água suficiente à lavoura. Quando coincide com a fase de florescimento das culturas de sequeiro, pode causar esterilidade de flores em proporção elevada, com impacto direto e não recuperável sobre o rendimento.
Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Instrumento oficial que define, por município, cultura e tipo de solo, as épocas de semeadura de menor risco climático, com base em modelos que cruzam a demanda hídrica da cultura em cada fase fenológica com a probabilidade de ocorrência de chuva. A adesão às janelas do ZARC é condição para acesso a crédito rural subsidiado e a instrumentos de seguro agrícola, e suas datas variam de uma cultura para outra mesmo dentro do mesmo município e safra.