Glossário Técnico¶
Aleurona (camada de aleurona). Camada mais externa do endosperma em algumas sementes, sobretudo em gramíneas, formada por células ricas em vacúolos de reserva proteica.
Durante a germinação, essa camada responde a sinais hormonais liberados pelo embrião secretando enzimas hidrolíticas, entre elas a alfa-amilase, que degradam o amido armazenado no endosperma e disponibilizam açúcares para a nutrição da plântula em formação.
Alogamia. Mecanismo reprodutivo em que a fecundação ocorre predominantemente entre indivíduos geneticamente distintos, por meio de polinização cruzada.
Espécies alógamas, como o milho, mantêm alta variabilidade genética dentro da população e exigem distâncias de isolamento maiores nos campos de produção de sementes, justamente para evitar a contaminação por pólen estranho à cultivar em multiplicação.
Amostra de trabalho. Porção retirada da amostra média, em quantidade definida pelas Regras para Análise de Sementes para cada determinação (pureza, germinação, tetrazólio, peso de mil sementes, entre outras), sobre a qual o teste laboratorial é efetivamente conduzido.
A tomada correta da amostra de trabalho, sem seleção tendenciosa das sementes, é condição para que o resultado represente o lote de origem.
Amostra média. Amostra formada pela reunião e homogeneização das amostras simples coletadas em diferentes pontos de um lote, reduzida por quarteamento até o peso mínimo estabelecido para a espécie.
É a partir dela que se obtêm as amostras de trabalho usadas em cada teste do laudo de análise.
Amostra submetida. Quantidade de sementes enviada pelo requerente ao laboratório para análise, que pode coincidir com a amostra média ou ser maior do que ela, dependendo do método de coleta utilizado no campo ou no armazém.
Análise de sementes. Conjunto de procedimentos laboratoriais padronizados, normatizados no Brasil pelas Regras para Análise de Sementes do MAPA, destinados a determinar atributos de qualidade física, fisiológica e sanitária de um lote, como pureza, germinação, teor de água e peso de mil sementes.
Seu resultado é registrado em boletim e fundamenta decisões de comercialização, certificação e uso agronômico do lote.
ATF. Documento obrigatório que acompanha o lote de sementes e atesta o tratamento fitossanitário aplicado, com a identificação do produto utilizado, a dosagem e a data da aplicação.
Junto com a ficha de lote e a nota fiscal de sementes, compõe a documentação que assegura a rastreabilidade do lote desde o beneficiamento até o produtor rural.
Autogamia. Mecanismo reprodutivo em que a fecundação ocorre predominantemente entre gametas originados da mesma planta, por autopolinização.
Espécies autógamas, como soja, arroz, feijão e trigo, mantêm populações geneticamente mais homogêneas, o que permite distâncias de isolamento reduzidas nos campos de produção de sementes.
Beneficiamento de sementes. Conjunto de operações realizadas após a colheita, incluindo pré-limpeza, secagem, limpeza, classificação por tamanho e densidade, tratamento químico e embalagem, com o objetivo de elevar a qualidade física do lote e eliminar impurezas, sementes danificadas, de outras espécies ou de plantas daninhas.
É conduzido em unidades especializadas, as UBS.
Biodefensivo. Produto de origem biológica, como microrganismos ou seus derivados, aplicado sobre a semente para o controle de pragas e patógenos, em substituição ou complementação aos defensivos químicos sintéticos.
Integra, junto com inoculantes e bioestimulantes, o conjunto de tecnologias embarcadas que agregam valor à semente comercial.
Bioestimulante. Substância ou organismo aplicado à semente com a finalidade de estimular processos fisiológicos da planta, como o desenvolvimento radicular, a absorção de nutrientes ou a tolerância a estresses abióticos, sem atuar diretamente como nutriente ou defensivo.
Boletim de Análise de Sementes. Documento oficial emitido pelo laboratório responsável, no qual são registrados os resultados de todas as determinações realizadas sobre um lote, como pureza, germinação, teor de água e peso de mil sementes, conforme os critérios das Regras para Análise de Sementes.
É o documento de referência para a leitura técnica da qualidade do lote.
Cadeia produtiva de sementes. Conjunto articulado de agentes envolvidos na geração, multiplicação, beneficiamento, certificação, distribuição e comercialização de sementes, desde os melhoristas que desenvolvem novas cultivares até o produtor rural que adquire o produto final para semeadura.
Campo de produção de sementes. Área agrícola credenciada junto ao órgão competente para a multiplicação de sementes de determinada categoria, sujeita a requisitos específicos de isolamento, identidade da semente de partida, manejo fitossanitário e inspeções, requisitos que a distinguem de um campo destinado exclusivamente à produção de grãos.
Cariopse. Fruto seco indeiscente, característico das gramíneas, no qual o pericarpo está fundido ao tegumento da semente, formando uma única estrutura.
Por isso, o que popularmente se chama de semente de milho, arroz ou trigo é, do ponto de vista botânico, um fruto.
Certificação de sementes. Processo de produção conduzido sob controle de qualidade em todas as etapas do ciclo, com rastreabilidade da origem genética e controle do número de gerações de multiplicação, que resulta na atestação formal de que a semente atende aos padrões estabelecidos para sua categoria.
Certificação por processo. Modalidade de certificação em que a conformidade da semente é assegurada pelo acompanhamento e pela documentação de todas as etapas da produção, desde a escolha da semente de partida até o beneficiamento final.
Certificação por terceira parte. Modalidade de certificação em que a verificação da conformidade é realizada por uma entidade certificadora independente, distinta do produtor de sementes, o que confere maior isenção ao processo de atestação da qualidade.
Classificador. Equipamento da unidade de beneficiamento de sementes responsável por separar as sementes por tamanho, forma ou densidade, etapa que contribui para a uniformidade física do lote e para o desempenho da semeadora na distribuição em campo.
Colhedora. Máquina utilizada na colheita mecânica de sementes, cuja regulagem, incluindo velocidade de operação, rotação do cilindro trilhador e abertura de côncavo, precisa ser ajustada especificamente para minimizar danos mecânicos às sementes, exigência mais rigorosa do que a colheita destinada à produção de grãos.
Cotilédone. Estrutura embrionária responsável pela reserva ou pela mobilização de nutrientes durante a germinação, dependendo do grupo vegetal.
Em sementes não endospérmicas, como as de leguminosas, os cotilédones concentram a maior parte das reservas nutritivas; em sementes endospérmicas, atuam principalmente na transferência das reservas armazenadas no endosperma para o eixo embrionário.
CRISPR (edição gênica). Tecnologia de edição precisa do material genético, que permite alterar sequências específicas do DNA de uma cultivar sem necessariamente introduzir genes de outras espécies, distinguindo-se da transgenia clássica.
Seu uso em sementes ainda está sujeito a debate regulatório quanto ao enquadramento legal do produto resultante.
Cultivar. Variedade cultivada, registrada e estável, com características agronômicas definidas, geralmente homozigótica, obtida por melhoramento genético em culturas autógamas, como soja e arroz.
Distingue-se do híbrido por manter suas características ao longo das gerações quando reproduzida por autofecundação.
Danos mecânicos. Lesões causadas à estrutura da semente, sobretudo ao tegumento e ao eixo embrionário, durante operações de colheita, transporte ou beneficiamento.
Constituem um dos principais pontos de entrada para o processo de deterioração, ao comprometerem a integridade das membranas celulares e facilitarem a entrada de microrganismos e de água em condições inadequadas.
Decreto nº 10.586/2020. Norma que regulamenta a Lei nº 10.711/2003, detalhando os procedimentos operacionais para a produção, o beneficiamento, a certificação, a comercialização e a fiscalização de sementes e mudas no Brasil.
Definição de Semente Pura. Parâmetro técnico, estabelecido pelas Regras para Análise de Sementes por gênero ou família botânica, que delimita quais estruturas devem ser classificadas como semente pura e quais devem ser classificadas como outras sementes ou material inerte durante o teste de pureza, padronizando a interpretação entre laboratórios.
Densidade de semeadura. Quantidade de sementes distribuídas por unidade de área ou por metro de sulco, ajustada conforme o vigor do lote, o valor cultural, o espaçamento entre linhas e o estande final desejado para a cultura.
Deterioração. Conjunto de alterações fisiológicas e bioquímicas progressivas e irreversíveis que reduzem a qualidade da semente ao longo do tempo, envolvendo danos às membranas celulares, perda de compartimentalização, acúmulo de radicais livres, degradação do DNA e comprometimento do metabolismo energético.
É acelerada por temperatura e umidade relativa elevadas, por danos mecânicos e pela ação de microrganismos de armazenamento.
Distância de isolamento. Distância mínima exigida entre um campo de produção de sementes e outras lavouras da mesma espécie ou de espécies sexualmente compatíveis, estabelecida para evitar a contaminação por pólen estranho e preservar a pureza varietal.
Varia conforme a espécie, o mecanismo reprodutivo, autógamo ou alógamo, e a categoria de semente em multiplicação, sendo mais rigorosa quanto mais elevada a categoria.
Dormência. Condição fisiológica em que uma semente viável não germina mesmo quando submetida a condições ambientais favoráveis de água, temperatura, luz e oxigênio.
Representa, em muitos casos, uma adaptação ecológica da espécie, mas, do ponto de vista agronômico, constitui um problema a ser diagnosticado e superado para garantir germinação uniforme no campo.
Dormência combinada. Tipo de dormência em que mais de um mecanismo atua simultaneamente sobre a mesma semente, como a associação entre uma restrição física do tegumento e uma inibição fisiológica do embrião, o que exige a combinação de mais de um método de superação.
Dormência física. Tipo de dormência causada pela impermeabilidade do tegumento à água, comum em sementes de leguminosas, que impede a embebição mesmo em condições ambientais favoráveis.
É superada por métodos de escarificação que rompem ou afinam a barreira tegumentar.
Dormência fisiológica. Tipo de dormência em que a semente é permeável à água, mas apresenta um mecanismo inibitório interno ao embrião, associado ao equilíbrio entre os hormônios ácido abscísico e giberelina, que impede a protrusão da radícula.
É superada por tratamentos com ácido giberélico ou por exposição a baixas temperaturas.
Dormência morfofisiológica. Tipo de dormência em que se combinam um embrião morfologicamente imaturo e um bloqueio fisiológico adicional à germinação, o que exige tanto tempo para a complementação do desenvolvimento embrionário quanto tratamentos específicos para superar a inibição fisiológica.
Dormência morfológica. Tipo de dormência, também chamada de dormência pós-colheita, presente em sementes cujo embrião ainda não completou seu desenvolvimento no momento da dispersão.
É superada pela continuidade do desenvolvimento embrionário durante um período de armazenamento, sem necessidade de tratamento adicional.
Dormência primária. Dormência adquirida pela semente ainda na planta-mãe, durante a fase de maturação, geralmente como mecanismo associado à tolerância à dessecação.
Dormência química. Tipo de dormência causada pela presença de substâncias inibidoras da germinação nos tecidos que envolvem o embrião, como o pericarpo ou o tegumento, substâncias que precisam ser removidas, lixiviadas ou degradadas para que a germinação ocorra.
Dormência secundária. Dormência adquirida pela semente após sua dispersão da planta-mãe, em resposta à ausência prolongada de condições favoráveis à germinação, e não presente no momento da colheita.
Dupla fertilização. Evento reprodutivo exclusivo das angiospermas em que, dentro do mesmo saco embrionário, um dos núcleos espermáticos do tubo polínico se funde à oosfera, originando o zigoto diploide, enquanto o outro se funde aos dois núcleos polares, originando o núcleo triploide que dará origem ao endosperma.
Eixo embrionário. Estrutura central do embrião, composta pela radícula, pelo hipocótilo e pela plúmula, que dá origem ao sistema radicular e à parte aérea da plântula durante a germinação.
Embebição. Processo de absorção de água pela semente no início da germinação, descrito classicamente em três fases sucessivas: uma absorção rápida e predominantemente física, seguida de uma fase de baixa absorção em que ocorrem os principais eventos metabólicos preparatórios, e uma terceira fase de retomada da absorção associada à protrusão da radícula.
Embriogênese. Sequência de divisões e diferenciações celulares pelas quais o zigoto, após a fecundação, se transforma em um embrião organizado, já com eixo embrionário e cotilédone ou cotilédones diferenciados.
Emergência. Aparecimento visível da plântula na superfície do solo, processo que sucede a germinação e depende, além da viabilidade da semente, de fatores do solo e do manejo, como profundidade de semeadura, compactação e umidade superficial.
Emergência epígea. Padrão de emergência em que os cotilédones são trazidos acima da superfície do solo pelo alongamento do hipocótilo, expondo-os à luz.
Emergência hipógea. Padrão de emergência em que os cotilédones permanecem abaixo da superfície do solo, sendo apenas a plúmula e o epicótilo trazidos para cima.
Encapsulamento de sementes. Processo de recobrimento de sementes pequenas, irregulares ou difíceis de distribuir, no qual o material aplicado modifica completamente a forma original, aproximando-a de uma esfera, destinado especificamente à semeadura de precisão.
Endosperma. Tecido triploide originado da fusão tripla durante a dupla fertilização, que atua como reserva nutritiva para o embrião em germinação em sementes endospérmicas, sendo geralmente rico em amido, óleos e proteínas.
Equação de viabilidade de Ellis e Roberts. Modelo matemático utilizado para prever a perda de viabilidade de um lote de sementes ao longo do armazenamento, em função do teor de água da semente, da temperatura de armazenamento e do tempo decorrido, permitindo estimar a longevidade esperada sob diferentes condições ambientais.
Escarificação. Conjunto de métodos físicos, mecânicos, térmicos ou químicos utilizados para romper ou afinar barreiras do tegumento que impedem a embebição de água, empregados na superação de dormência física.
Estande. Número de plantas estabelecidas por metro de sulco, medida utilizada para avaliar o resultado da semeadura e o desempenho inicial de uma lavoura em escala local, distinta da população, que expressa o número de plantas por hectare.
Fecundação. União dos gametas masculino e feminino que origina o zigoto, etapa que sucede a polinização e a germinação do grão de pólen sobre o estigma, e que, nas angiospermas, ocorre na forma de dupla fertilização.
Ficha de lote. Documento que reúne as informações de identificação, origem, manejo e resultados de análise de um lote de sementes específico, utilizado para assegurar sua rastreabilidade desde o campo de produção até a comercialização.
Fotoblastismo. Sensibilidade da germinação de uma semente à presença ou ausência de luz.
Sementes fotoblásticas positivas germinam preferencialmente na presença de luz, enquanto sementes fotoblásticas negativas têm a germinação inibida por ela.
Gametófito feminino. Estrutura haploide originada do megásporo funcional, após sucessivas divisões mitóticas, que constitui o saco embrionário e contém a oosfera, célula que será fecundada para formar o zigoto.
Gametófito masculino. Estrutura haploide originada do micrósporo, correspondente ao grão de pólen maduro, que contém a célula vegetativa, responsável pela formação do tubo polínico, e a célula generativa, que origina as duas células espermáticas envolvidas na dupla fertilização.
Germinação. Do ponto de vista fisiológico, retomada do crescimento ativo do embrião após reidratação, culminando na protrusão da radícula através do tegumento, sob condições adequadas de água, temperatura, oxigênio e, para algumas espécies, luz.
Distingue-se da emergência, evento posterior e visível de aparecimento da plântula na superfície do solo.
Giberelina. Classe de hormônio vegetal que, em equilíbrio com o ácido abscísico, promove a germinação ao ativar a síntese de enzimas hidrolíticas responsáveis pela mobilização das reservas armazenadas, sendo frequentemente utilizada na forma de ácido giberélico para a superação de dormência fisiológica.
Grão. Denominação atribuída à mesma estrutura botânica da semente quando seu destino é a comercialização para consumo ou processamento industrial, e não a multiplicação da cultura.
A distinção entre grão e semente não é botânica, mas de uso e de tecnologia agregada: a semente carrega atributos de qualidade genética, física, fisiológica e sanitária controlados especificamente para garantir o estabelecimento de uma nova lavoura, exigência que não recai sobre o grão.
Grau de umidade. Teor de água presente na semente, expresso em porcentagem com base no peso úmido, determinado por métodos padronizados como a secagem em estufa.
É um dos fatores mais determinantes da conservação da qualidade da semente durante o armazenamento, pois influencia diretamente a velocidade de deterioração e a atividade de microrganismos.
Híbrido. Semente resultante de cruzamento controlado entre linhagens endogâmicas geneticamente distintas, que expressa vigor híbrido, ou heterose, na primeira geração.
É típico de culturas de polinização cruzada, como o milho, e perde suas características superiores se a semente colhida do híbrido for reutilizada para nova semeadura.
Hipocótilo. Porção do eixo embrionário situada entre a radícula e os cotilédones, responsável, em espécies de emergência epígea, por se alongar e elevar os cotilédones acima da superfície do solo.
Identidade genética. Conjunto de caracteres genotípicos e fenotípicos que definem uma cultivar específica, atributo que deve ser preservado ao longo de todo o sistema de produção de sementes, das gerações genética e básica até as categorias certificadas.
Incrustamento. Processo de recobrimento de sementes com materiais sólidos que aumentam significativamente sua massa e alteram sua forma original, sem, contudo, transformá-la em um grânulo esférico, podendo incorporar nutrientes, fungicidas e inseticidas.
Índice de velocidade de emergência. Medida que expressa a rapidez com que as plântulas de um lote emergem no solo, calculada a partir de contagens periódicas do número de plântulas emergidas ao longo do tempo, sendo utilizada como indicador de vigor.
Inoculante. Produto que contém microrganismos vivos, como bactérias fixadoras de nitrogênio, aplicado à semente antes da semeadura para estabelecer uma associação benéfica com a planta em desenvolvimento, reduzindo a necessidade de adubação nitrogenada em culturas como a soja.
Lei de Proteção de Cultivares. Lei nº 9.456, de 25 de abril de 1997, que confere ao obtentor de uma nova cultivar o direito de propriedade intelectual sobre ela, permitindo a cobrança de royalties pela multiplicação e pela comercialização de suas sementes, ao mesmo tempo em que resguarda, dentro de limites legais, o uso próprio da semente pelo agricultor.
Lei nº 10.711/2003. Lei que institui o Sistema Nacional de Sementes e Mudas no Brasil, definindo as categorias de sementes, os requisitos para produção, beneficiamento, comercialização e fiscalização, e as competências do órgão gestor responsável pelo controle do setor.
Lipídios de reserva. Classe de compostos de reserva armazenados sob a forma de óleos em sementes oleaginosas, que constituem fonte concentrada de energia para a germinação, mas que, em geral, estão associados a menor potencial de armazenamento, já que sementes com alto teor de óleo tendem a se deteriorar mais rapidamente do que sementes amiláceas.
Longevidade. Período de tempo durante o qual uma semente permanece viável sob determinadas condições de armazenamento.
É uma característica geneticamente determinada, que varia entre espécies e entre cultivares de uma mesma espécie, e que pode ser estimada por modelos como a equação de viabilidade de Ellis e Roberts.
Material inerte. Componente do teste de pureza formado por estruturas que não atendem à definição de semente pura nem se enquadram como outras sementes, como fragmentos de sementes, tegumentos soltos, palhas, torrões, pó e impurezas diversas presentes no lote.
Maturação fisiológica. Ponto do desenvolvimento da semente, ainda ligada à planta-mãe, em que ela atinge seu máximo acúmulo de matéria seca, seu maior potencial germinativo e seu maior vigor, marcando o início do declínio progressivo da qualidade caso a colheita seja postergada.
Megagametogênese. Processo de formação do gametófito feminino a partir do megásporo funcional, que sofre divisões mitóticas sucessivas até constituir o saco embrionário maduro, com a oosfera, as sinérgidas, as antípodas e os núcleos polares.
Megásporo. Célula haploide originada da meiose da célula-mãe do megásporo, dentro do óvulo, da qual apenas uma, o megásporo funcional, sobrevive e dá origem ao gametófito feminino.
Megasporogênese. Processo de formação dos megásporos a partir da divisão meiótica da célula-mãe do megásporo, no interior do óvulo, etapa que precede a megagametogênese.
Mesa de gravidade. Equipamento da unidade de beneficiamento que separa sementes de mesma faixa de tamanho por diferenças de densidade, usando vibração e fluxo de ar sobre uma superfície inclinada, etapa importante para a remoção de sementes leves, danificadas ou imaturas.
Micrósporo. Célula haploide originada da meiose da célula-mãe do micrósporo, no interior da antera, que se desenvolve em grão de pólen e constitui o gametófito masculino.
Microsporogênese. Processo de formação dos micrósporos a partir da divisão meiótica da célula-mãe do micrósporo, dentro do saco polínico da antera, etapa que precede o desenvolvimento do grão de pólen.
Não conformidade. Situação em que um lote de sementes, em qualquer etapa do processo de produção ou de beneficiamento, deixa de atender a um requisito de qualidade, de identidade ou de documentação previsto na legislação ou no sistema interno de controle, o que exige ação corretiva, reprocessamento ou descarte.
Nota fiscal de sementes. Documento fiscal específico que acompanha a comercialização de um lote de sementes, contendo informações que permitem vincular a transação ao boletim de análise e à ficha de lote correspondentes, documento que compõe o conjunto que assegura a rastreabilidade até o produtor rural.
Outras sementes. Componente do teste de pureza formado por sementes de espécies diferentes da semente em análise, sejam elas cultivadas, silvestres ou nocivas, cuja quantificação no laudo é relevante para a decisão sobre a aprovação do lote em certas categorias.
Peletização. Processo de recobrimento de sementes com materiais sólidos em quantidade suficiente para formar grânulos de forma aproximadamente esférica ou elíptica, que podem conter uma ou mais sementes por unidade, aumentando substancialmente a massa original e facilitando a semeadura de precisão de sementes pequenas, como as de hortaliças.
Peliculização. Processo de recobrimento da semente com uma fina película de polímero solúvel em água, que altera pouco a massa e a forma original da semente, mas melhora a aderência de produtos químicos como fungicidas, inseticidas e micronutrientes.
Pericarpo. Parede do fruto, derivada da parede do ovário, que em algumas espécies, como as gramíneas, está fundida ao tegumento da semente, formando uma única estrutura protetora.
Perisperma. Tecido de reserva nutritiva derivado do nucelo, presente em algumas espécies não endospérmicas, que cumpre função semelhante à do endosperma na nutrição do embrião durante a germinação.
Peso de mil sementes. Determinação obtida pela pesagem de oito repetições de cem sementes puras, tomadas ao acaso, utilizada para estimar a densidade de semeadura, calcular a quantidade de sementes por área e indicar o tamanho relativo das sementes do lote.
Plantio. Operação de implantação de uma cultura por meio de estruturas vegetativas, como manivas, toletes, mudas ou tubérculos, e não por sementes.
O termo não se aplica a culturas propagadas por semente, como milho e soja, para as quais o termo correto é semeadura.
Plântula anormal. Plântula que, ao final do teste de germinação, germinou, mas não apresenta desenvolvimento suficiente ou intacto de suas estruturas, faltando-lhe, por exemplo, parte do sistema radicular ou da parte aérea, de modo que não indica capacidade de originar uma planta normal sob condições favoráveis de campo.
Plântula normal. Plântula que, ao final do teste de germinação, apresenta desenvolvimento suficiente e intacto de suas estruturas, com sistema radicular e parte aérea bem formados, indicando capacidade de originar uma planta normal sob condições favoráveis de campo.
A proporção de plântulas normais em relação ao total de sementes testadas define a porcentagem de germinação do lote.
Plúmula. Porção do eixo embrionário correspondente ao primeiro primórdio foliar, situada na extremidade oposta à radícula, que dá origem à parte aérea da plântula.
Polinização. Transferência do grão de pólen da antera até o estigma, etapa que antecede a germinação do grão de pólen, a formação do tubo polínico e a fecundação do óvulo.
Polinização cruzada. Transferência de pólen entre flores de plantas geneticamente distintas, mecanismo predominante em espécies alógamas e responsável pela manutenção da variabilidade genética nessas populações.
Ponto crítico de controle. Etapa do fluxo de beneficiamento ou de produção em que a probabilidade de comprometer a qualidade do lote é elevada, etapa na qual, por isso, devem ser concentradas as ações de monitoramento, amostragem e correção dentro do sistema de controle de qualidade.
Ponto de colheita. Momento, definido em função do estádio de desenvolvimento e do teor de água da semente, em que a colheita deve ser realizada para minimizar perdas quantitativas e danos mecânicos, preservando o vigor e o poder germinativo do lote.
Ponto de maturidade fisiológica. Momento do desenvolvimento da semente em que ocorre o máximo acúmulo de matéria seca e o maior potencial fisiológico, antes do início do processo natural e gradual de declínio de qualidade que acompanha a permanência da semente no campo após esse ponto.
População. Número de plantas estabelecidas por hectare, medida utilizada para avaliar o resultado da semeadura em escala de área total da lavoura, distinta do estande, que expressa o número de plantas por metro de sulco.
Potencial de armazenamento. Capacidade de uma semente ou de um lote manter sua viabilidade ao longo do tempo sob determinadas condições de armazenamento, característica que varia entre espécies, entre cultivares de uma mesma espécie e em função da composição química da semente, do teor de água e da temperatura de conservação.
Pré-limpeza. Primeira etapa do beneficiamento, realizada logo após o recebimento do lote na unidade de beneficiamento, destinada a remover impurezas grosseiras, como palhas, torrões e materiais estranhos de maior tamanho, antes da secagem e da limpeza propriamente dita.
Primeira contagem de germinação. Contagem de plântulas normais realizada em data anterior à contagem final do teste de germinação, em momento padronizado para a espécie, utilizada como indicador de vigor, já que lotes mais vigorosos tendem a germinar mais rapidamente.
Proteínas de reserva. Classe de compostos de reserva, classificados conforme sua solubilidade em albuminas, globulinas, prolaminas e glutelinas, que constituem fonte de aminoácidos, nitrogênio e carbono mobilizados durante a germinação.
Leguminosas em geral, e a soja em particular, apresentam teores elevados desses compostos.
Pureza genética. Característica de um indivíduo cuja identidade corresponde à cultivar de origem, atributo distinto da pureza varietal, que se refere à composição de um lote inteiro de sementes.
Pureza varietal. Característica de um lote de sementes composto exclusivamente por uma única cultivar, sem mistura de outras variedades.
É um dos atributos genéticos de qualidade mais monitorados ao longo da produção, do transporte e do beneficiamento, etapas em que podem ocorrer fontes de contaminação varietal.
Quiescência. Estado de repouso metabólico reduzido de uma semente viável, totalmente reversível assim que as condições de água, temperatura e oxigênio se tornam favoráveis, sem a inibição interna característica da dormência.
Radical livre. Molécula instável, gerada por alterações bioquímicas durante a deterioração, que reage com componentes celulares como lipídios de membrana, proteínas e ácidos nucleicos, reação que contribui para o avanço do dano celular associado à perda de qualidade fisiológica.
Radícula. Porção do eixo embrionário que dá origem à raiz primária da plântula.
Sua protrusão através do tegumento, em sentido estrito, define o evento botânico da germinação.
RAS. Sigla das Regras para Análise de Sementes, normativa elaborada pelo MAPA que padroniza, em nível nacional, os métodos de amostragem e de análise de sementes, sendo a referência técnica que prevalece sobre generalizações de literatura sempre que o tema envolver laudo ou padrão de qualidade.
Rastreabilidade. Capacidade de acompanhar a origem e o histórico de um lote de sementes ao longo de toda a cadeia, desde o campo de produção até o produtor rural, sustentada pela documentação obrigatória e pelos resultados de análise vinculados ao lote.
Reinspeção. Nova verificação da conformidade de um lote de sementes já certificado ou já liberado para comercialização, realizada em ponto posterior da cadeia, como o ponto de venda, para confirmar que a qualidade original foi mantida.
RENASEM. Registro Nacional de Sementes e Mudas, instrumento de controle ao qual devem se inscrever produtores, beneficiadores, reembaladores e comerciantes de sementes, condição para que possam exercer legalmente suas atividades no sistema nacional de sementes.
RNC. Registro Nacional de Cultivares, registro no qual uma cultivar precisa estar inscrita, após a comprovação de seu valor de cultivo e uso, como condição para que suas sementes possam ser legalmente produzidas, beneficiadas e comercializadas no país.
Roguing. Prática de eliminação de plantas atípicas, fora do padrão da cultivar, ou de plantas de outras espécies dentro de um campo de produção de sementes, realizada em momentos críticos do ciclo da cultura para preservar a pureza varietal do lote.
Royalties. Remuneração paga pelo produtor de sementes ao obtentor de uma cultivar protegida pela Lei de Proteção de Cultivares, pela permissão de multiplicar e comercializar sementes daquela cultivar, custo que se reflete no preço final da semente certificada.
Semeadora. Máquina utilizada para distribuir sementes, e em geral também fertilizante, em linhas no solo, com dosagem volumétrica ou pneumática, empregada nas culturas propagadas por semente.
Semeadura. Operação de distribuição de sementes no solo, própria das culturas propagadas por semente, como milho, soja, arroz e trigo, distinta do plantio, que se aplica a culturas propagadas por estruturas vegetativas.
Semente. Estrutura botânica formada por um óvulo maduro e fecundado, contendo um embrião, tecido de reserva (endosperma ou cotilédones) e um ou mais envoltórios protetores (tegumento).
Quando destinada à multiplicação de uma cultura, carrega atributos de qualidade genética, física, fisiológica e sanitária controlados especificamente para esse fim, distinção que não é botânica, mas de uso, em relação ao grão, estrutura idêntica destinada à comercialização para consumo ou processamento.
Semente básica. Categoria de semente obtida pela multiplicação direta da semente genética, ou eventualmente da própria semente genética, mantendo identidade genética e pureza varietal elevadas, produzida sob responsabilidade da empresa ou instituição detentora da cultivar ou de terceiro por ela autorizado.
Semente certificada. Semente das categorias C1, certificada de primeira geração, e C2, certificada de segunda geração, obtidas pela multiplicação da semente genética, básica ou, no caso da C2, também da própria C1, dentro do sistema oficial de certificação, que assegura origem genética conhecida e padrões mínimos de qualidade por espécie.
Semente convencional. Semente que não incorpora eventos de transformação genética, em contraposição à semente transgênica, ainda amplamente comercializada e relevante na estrutura do mercado brasileiro de sementes.
Semente de partida. Lote inicial utilizado para a instalação de um campo de produção de sementes, cuja origem genética e rastreabilidade precisam estar comprovadas antes do credenciamento do campo junto ao órgão competente.
Semente dormente. Na análise de sementes, semente que absorveu água durante o teste de germinação, não está obviamente morta, mas também não produziu plântula no período do teste, sendo necessário verificar seu potencial germinativo por métodos como o teste de tetrazólio antes de classificá-la definitivamente.
Semente dura. Na análise de sementes, semente que não absorveu água até o final do teste de germinação, incluído o período adicional previsto, em razão da impermeabilidade do tegumento, sendo contabilizada separadamente das sementes dormentes e das sementes mortas no boletim de análise.
Semente fiscalizada. Denominação anteriormente atribuída às categorias não certificadas, S1 e S2, produzidas sob acompanhamento do órgão fiscalizador, mas sem submissão ao processo formal de certificação, categorias distintas tanto das sementes certificadas quanto das sementes ilegais.
Semente genética. Categoria de semente obtida diretamente do processo de melhoramento, sob supervisão do melhorista responsável, na qual a identidade e a pureza genética da cultivar são definidas com o maior rigor de todas as categorias.
Semente ilegal. Semente comercializada em desacordo com os requisitos da legislação de sementes, seja por ausência de registro no RENASEM, por falta de inscrição da cultivar no Registro Nacional de Cultivares, por descumprimento dos padrões mínimos de qualidade ou por sonegação de royalties devidos ao obtentor, situação distinta da semente não certificada, que é legal desde que produzida sob fiscalização.
Semente morta. Na análise de sementes, semente que se apresenta visivelmente mole, mofada ou deteriorada, sem qualquer indício de potencial germinativo, contabilizada no boletim de análise junto às sementes dormentes que, após verificação, revelaram-se inviáveis.
Semente não certificada. Semente das categorias S1, não certificada de primeira geração, e S2, não certificada de segunda geração, produzida fora do sistema formal de certificação, mas sob acompanhamento de fiscalização, amplamente utilizada pelos produtores de sementes no Brasil.
Semente ortodoxa. Semente capaz de suportar secagem até teores de água baixos sem dano ao metabolismo celular, característica que permite seu armazenamento por períodos prolongados.
A maioria das espécies agrícolas de interesse comercial produz sementes ortodoxas.
Semente para uso próprio. Semente, também chamada de semente salva ou reservada, separada pelo próprio agricultor de sua colheita para semeadura na safra seguinte, exclusivamente em sua propriedade, prática legalmente admitida dentro de limites definidos quando a semente de origem pertence a uma categoria certificada ou não certificada autorizada.
Semente pura. Na análise de pureza, fração formada pelas estruturas que atendem à Definição de Semente Pura estabelecida para o gênero ou família botânica em questão, incluindo sementes maduras, intactas, de tamanho normal, ainda que danificadas ou atacadas por doenças, desde que sua identidade como semente daquela espécie seja reconhecível.
Semente recalcitrante. Semente que não tolera secagem até teores baixos de água, perdendo a viabilidade quando submetida à dessecação característica do armazenamento convencional.
Diferencia-se da semente ortodoxa por ser liberada da planta-mãe em estado hidratado e por germinar logo após a dispersão.
Semente revestida. Semente submetida a qualquer processo de recobrimento, como peliculização, incrustamento, peletização ou encapsulamento, que modifica, em diferentes graus, sua massa, seu tamanho ou sua forma original, com o objetivo de facilitar a semeadura, proteger a semente ou agregar insumos à sua superfície.
Semente transgênica. Semente que incorpora em seu genoma um ou mais genes provenientes de outro organismo, inseridos por engenharia genética, conferindo características como resistência a herbicidas ou a determinadas pragas, sujeita a regulação específica de biossegurança distinta da aplicada às cultivares convencionais.
Singamia. Fusão do núcleo de um dos gametas masculinos com o núcleo da oosfera, que origina o zigoto diploide, uma das duas fusões que compõem a dupla fertilização das angiospermas.
Tecidos de reserva. Estruturas da semente, como o endosperma, o perisperma ou os cotilédones, especializadas no acúmulo de carboidratos, lipídios e proteínas que serão mobilizados para nutrir o embrião durante a germinação.
Tegumento. Envoltório protetor da semente, derivado dos integumentos do óvulo após a fecundação, que protege o embrião e as reservas nutritivas e pode influenciar a permeabilidade da semente à água, com implicações diretas sobre a ocorrência de dormência física.
Testa. Denominação dada à camada externa protetora de células mortas que reveste a semente, correspondente ao tegumento, camada que, em algumas espécies, pode estar fusionada ao pericarpo do fruto.
Teste de condutividade elétrica. Teste de vigor baseado na integridade do sistema de membranas celulares.
Sementes de menor vigor liberam maior quantidade de eletrólitos durante a embebição em água, o que se traduz em maior condutividade elétrica da solução de embebição, lida em condutivímetro após período padronizado.
Teste de envelhecimento acelerado. Teste de vigor em que as sementes são expostas a condições controladas de alta temperatura e umidade relativa próxima da saturação, por período padronizado para a espécie, antes de serem submetidas ao teste de germinação.
Lotes mais vigorosos suportam melhor o estresse imposto e originam percentuais mais elevados de plântulas normais após o tratamento.
Teste de frio. Teste de vigor em que as sementes são submetidas a um período de baixa temperatura em substrato úmido, simulando condições adversas de semeadura precoce, antes de serem transferidas para condições favoráveis de germinação, sendo particularmente indicado para sementes de milho.
Teste de tetrazólio. Teste bioquímico que avalia a viabilidade da semente pela diferença de coloração entre tecidos vivos, que se coram em vermelho pela ação de uma enzima desidrogenase sobre o sal de tetrazólio, e tecidos mortos, que permanecem descoloridos, o que permite diagnosticar viabilidade, vigor e causas de dano em prazo muito mais curto do que o teste de germinação.
Tolerância à dessecação. Capacidade de uma semente sobreviver à perda progressiva de água até teores muito baixos, sem dano irreversível ao metabolismo celular.
Sementes ortodoxas adquirem essa capacidade durante a maturação, o que permite sua secagem e seu armazenamento prolongado, ao passo que sementes recalcitrantes não a desenvolvem e permanecem sensíveis à secagem.
Tratamento de sementes. Aplicação de produtos químicos, biológicos ou físicos sobre a superfície da semente, geralmente fungicidas e inseticidas, com a finalidade de proteger a semente e a plântula em formação contra patógenos e pragas presentes na própria semente ou no solo.
Tratamento industrial de sementes. Modalidade de tratamento de sementes realizada em equipamentos especializados de alta precisão de dosagem, em substituição ao tratamento rústico realizado diretamente na propriedade rural, modalidade que vem ganhando espaço em função da modernização das técnicas e das exigências de segurança do trabalho.
UBS. Unidade de Beneficiamento de Sementes, instalação industrial planejada para receber, pré-limpar, secar, limpar, classificar, tratar, embalar e armazenar sementes com fluxo contínuo e risco mínimo de mistura varietal, contaminação ou perda de qualidade física e fisiológica do lote.
Unidade-Semente Múltipla. Estrutura de dispersão que reúne mais de uma semente em uma única unidade, como ocorre em algumas espécies forrageiras, contabilizada de forma específica nos testes de pureza e de germinação, já que, quando origina mais de uma plântula normal, apenas uma é computada para o cálculo da porcentagem de germinação.
UPOV. Organização internacional responsável pelas convenções que estabelecem os princípios de proteção de cultivares entre os países signatários, cujas diferentes atas, de 1961, 1978 e 1991, definiram o alcance da proteção do obtentor e os limites do uso próprio da semente pelo agricultor.
Valor cultural. Índice que combina os resultados de pureza física e de germinação de um lote, utilizado para estimar a proporção de sementes efetivamente aptas a originar plântulas, parâmetro empregado no cálculo da quantidade de sementes necessária por área de semeadura.
Valor de Cultivo e Uso. Conjunto de ensaios agronômicos a que uma nova cultivar é submetida para determinar seus descritores e suas características de desempenho, etapa exigida para sua inscrição no Registro Nacional de Cultivares.
Variedade. Material vegetal de polinização aberta, com variabilidade genética interna, termo tecnicamente correto para esse tipo de material, mas que, em contexto técnico formal referente a materiais registrados e estáveis, deve ceder lugar ao termo cultivar.
Variedade essencialmente derivada. Conceito que reconhece como derivada de uma cultivar protegida toda nova variedade obtida predominantemente a partir dela, retendo a expressão de seus caracteres principais, de modo que sua exploração comercial também depende de autorização do obtentor da cultivar original.
Viabilidade. Condição de uma semente estar viva e potencialmente capaz de germinar sob condições favoráveis, atributo avaliado diretamente pelo teste de germinação ou indiretamente por métodos bioquímicos como o teste de tetrazólio, condição que declina ao longo do tempo segundo o processo de deterioração.
Vigor. Atributo multidimensional da qualidade fisiológica da semente, que reflete a soma das propriedades responsáveis pelo nível de atividade e de desempenho de lotes com germinação semelhante, sob ampla diversidade de condições ambientais.
Determina diferenças de desempenho entre lotes que apresentam a mesma porcentagem de germinação, sendo avaliado por testes específicos, como envelhecimento acelerado, condutividade elétrica, frio e tetrazólio.
Zigoto. Célula diploide resultante da fusão do gameta masculino com a oosfera, ponto de partida do desenvolvimento embrionário que culminará na formação do embrião contido na semente madura.