Calda Fitossanitária e Taxa de Aplicação¶
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A calda sai do tanque, percorre a barra, passa pela ponta de pulverização e se fragmenta em gotas.
O que acontece nesse trajeto curto determina se a aplicação funciona ou não.
Uma calda de fungicida sistêmico a 150 L/ha controla a ferrugem asiática da soja com folga de cobertura; a mesma dose, na mesma lavoura, com a mesma ponta, aplicada a 50 L/ha, pode falhar.
O produto é idêntico, a área é idêntica, e o volume de água muda o resultado biológico.
Isso incomoda quem trata taxa de aplicação como número de rodapé da bula, mas é exatamente aqui que a tecnologia de aplicação decide entre controle e reaplicação.
A discussão sobre taxa de aplicação no Brasil acumulou décadas de equívoco prático.
O produtor costuma enxergar volume de calda como custo logístico, não como parâmetro técnico.
A pesquisa valida fungicidas a 150 L/ha e o pulverizador vai a campo com 50 L/ha, e essa distância entre bula e prática não nasce de um erro do agricultor nem de um erro da bula: nasce de dois sistemas de referência que raramente conversam entre si.
Entender por que isso acontece, e o que se perde quando acontece, é o assunto deste texto.
Calda fitossanitária: composição e função de cada componente¶
A calda não é produto diluído em água; é um sistema físico-químico com comportamento próprio.
Calda fitossanitária
Mistura final composta por água, produto fitossanitário e, quando necessário, adjuvante, preparada no tanque do pulverizador e liberada pelas pontas no momento da aplicação.
A água é o componente majoritário em qualquer aplicação terrestre convencional, respondendo por mais de 95% do volume total da calda.
Sua função é carregar o ingrediente ativo até a superfície do alvo em quantidade suficiente e distribuída de forma adequada.
O produto fitossanitário é adicionado à água já dentro do tanque, em doses calculadas por hectare ou por volume de calda, conforme a indicação da bula.
O adjuvante, quando presente, modifica as propriedades físico-químicas da mistura: reduz a tensão superficial, aumenta a adesão, corrige o pH ou estabiliza a emulsão.
A interação entre os três componentes começa antes da ponta de pulverização.
A solubilidade do ingrediente ativo, o tipo de formulação e a qualidade da água já definem se a calda vai chegar à ponta num estado adequado para formar gotas estáveis.
Uma calda com precipitado, com fases separadas ou com pH fora da faixa de estabilidade do ingrediente ativo está comprometida antes mesmo de sair da barra, e nenhum ajuste de ponta ou de pressão corrige esse tipo de problema depois que ele já aconteceu no tanque.
Qualidade da água de pulverização¶
A água inadequada pode neutralizar o produto antes de ele atingir o alvo.
A água representa a maior fração da calda, e suas características químicas e físicas interferem diretamente na eficácia do ingrediente ativo.
Os três parâmetros que mais comprometem a qualidade da aplicação são o pH, a dureza e o teor de sólidos em suspensão.
O potencial hidrogeniônico da água define a estabilidade das moléculas de ingredientes ativos.
Para a maioria dos produtos fitossanitários, o pH ideal da calda situa-se entre 4 e 6.
O pH alcalino, acima de 7, acelera a degradação de muitos compostos por hidrólise alcalina, quebrando a molécula em produtos inativos antes mesmo de a calda atingir o alvo: cipermetrina dissolvida em água com pH 9,0 perde 55% do princípio ativo em 2 horas e 90% em 24 horas.
O pH ácido é menos destrutivo que o alcalino, mas valores extremos também degradam alguns ingredientes ativos ou comprometem a estabilidade de formulações emulsionáveis.
Não existe pH ideal universal para toda aplicação, o valor certo depende do ingrediente ativo específico, e o fabricante do produto é a fonte obrigatória para essa consulta.
Como referência de consulta rápida, valem as faixas conhecidas por grupo de produto:
| Ingrediente ativo | pH ideal |
|---|---|
| Cipermetrina | 4,0 |
| Permetrina | 4,0 |
| Dimetoato | 4,0 |
| Glifosato | 4,0 |
| Atrazina | 4,0 |
| Fluazifope | 4,0 |
| Etefom | 3,0 |
| Dicamba | 5,0 |
| Simazina | 5,0 |
| Diquate | 5,0 |
| GA3 (ácido giberélico) | 5,0 |
| Trifluralina | 5,5 |
| Diurom | 7,0 |
| Iprodiona | 7,0 |
| Metribuzim | Não é afetado pelo pH |
| Clorotalonil | Não é afetado pelo pH |
| Fenarimol | Não é afetado pelo pH |
| Endossulfam | Instável em meio alcalino |
| Paraquate | Afetado em meio alcalino |
| Alaclor | Afetado em águas alcalinas |
A correção de pH é feita adicionando o redutor com o tanque parcialmente cheio, antes dos produtos fitossanitários.
Nota técnica
A correção de pH não deve ser generalizada como rotina de toda calda. A maioria das águas de propriedade agrícola brasileira, e no Cerrado mato-grossense em particular, é tipicamente branda e de pH próximo do neutro, o que reduz o risco de inativação por pH frente a regiões de clima temperado. A conduta correta é confirmar a característica da água por análise laboratorial e corrigir quando a bula do produto indicar a necessidade, e não por hábito.
A dureza é determinada pela concentração de cátions bivalentes dissolvidos, principalmente cálcio (Ca²⁺) e magnésio (Mg²⁺), expressa em equivalentes de carbonato de cálcio.
Esses cátions se ligam às moléculas de ingredientes ativos ou aos tensoativos das formulações, precipitando compostos insolúveis, entupindo filtros e reduzindo a quantidade de ativo disponível para atingir o alvo.
O efeito é mais severo com formulações salinas: glifosato, 2,4-D amina, cletodim, sethoxydim e glufosinato de amônio são especialmente sensíveis.
| Classificação | Escala internacional (mmol/L) | Escala americana (ppm de CaCO₃) |
|---|---|---|
| Leve | < 1,6 | < 160 |
| Moderadamente dura | 1,6 a 3,2 | 160 a 320 |
| Dura | 3,2 a 4,6 | 320 a 460 |
| Muito dura | > 4,6 | > 460 |
O poder desativador dos cátions sobre o glifosato varia por espécie iônica: ferro (Fe³⁺) e alumínio (Al³⁺) têm efeito muito severo, cálcio (Ca²⁺) e zinco (Zn²⁺) causam inativação severa, magnésio (Mg²⁺) causa inativação moderada e potássio (K⁺) não afeta o produto.
A literatura técnica considera admissível para o glifosato uma dureza total de até 150 ppm, valor bem mais restritivo que o piso geral de intervenção da tabela acima, precisamente porque o mecanismo de ação da molécula é sensível de forma particular a esses cátions.
A fração de glifosato inativada pela dureza cálcica é estimada pela equação:
% inativado = (Va × Dureza_Ca × 0,00047) / Dose_glifosato
Onde Va é o volume de água em L/ha, Dureza_Ca é a dureza baseada em cálcio em ppm, obtida dividindo a dureza em CaCO₃ por 2,5, e Dose_glifosato é a dose em ingrediente ativo em kg/ha.
A equação revela um efeito contraintuitivo e operacionalmente decisivo: quanto menor o volume de água, menor a inativação.
Aplicando 1 kg/ha de glifosato em água cuja dureza cálcica é 400 ppm de Ca²⁺ (o valor de Dureza_Ca que entra direto na equação), a 100 L/ha aproximadamente 18,8% do produto é inativado; reduzindo o volume para 50 L/ha, a inativação cai para 9,4%.
Em água dura, reduzir a taxa de aplicação protege o ingrediente ativo, o contrário do que a intuição de campo costuma sugerir.
A correção de dureza é feita com quelatizantes ou surfatantes não iônicos adicionados à água antes de qualquer produto fitossanitário.
Sulfato de amônio a 3,0 kg por 100 L de calda é a opção mais usada para proteger formulações de glifosato em água dura.
Argila, silte, matéria orgânica e outros sólidos em suspensão adsorvem ingredientes ativos, especialmente herbicidas do grupo dos bipiridílios (paraquate, diquate) e o glifosato, reduzindo a quantidade de ativo disponível para o alvo.
Esse efeito se agrava quando a calda permanece no tanque por mais de uma hora após o preparo.
Os sólidos abrasivos também desgastam filtros e pontas de forma prematura e entopem orifícios, comprometendo a uniformidade de distribuição.
| Problema | Consequência | Solução |
|---|---|---|
| Água suja (sólidos em suspensão) | Inativação de ativos, entupimento de pontas, desgaste prematuro | Mudar a fonte, usar filtros, aplicar a calda imediatamente após o preparo |
| Água dura (Ca²⁺, Mg²⁺ elevados) | Inativação de formulados salinos, precipitados no tanque | Quelatizante ou surfatante não iônico, sulfato de amônio com glifosato, reduzir o volume de água |
| pH > 7,0 | Hidrólise alcalina de ingredientes ativos | Redutor de pH, aplicar imediatamente após o preparo |
| pH alcalino com poder tampão alto | Resistência à correção do pH | Produtos específicos para neutralizar agentes tamponantes da água |
Terminologia técnica: taxa de aplicação, volume de calda e dose¶
Confundir taxa de aplicação com volume de calda é o mesmo que confundir velocidade com distância.
Esses três termos circulam juntos no campo e são usados como sinônimos com frequência. Não são.
Taxa de aplicação
Quantidade de calda fitossanitária distribuída sobre uma unidade de área durante a aplicação, expressa em litros por hectare (L/ha) ou, mais raramente, em kg/ha. É um parâmetro de operação do pulverizador: define quanto de mistura sai por hectare percorrido.
Volume de aplicação
Sinônimo técnico de taxa de aplicação. Algumas fontes preferem "volume de aplicação" para enfatizar que é uma grandeza por área; outras preferem "taxa de aplicação" por precisão operacional. Os dois são corretos.
Volume de calda
Quantidade física de mistura preparada ou contida no tanque do pulverizador. É medida absoluta, em litros, não uma taxa por área. Um tanque de 2.000 L contém 2.000 L de volume de calda; se o pulverizador trabalha a 100 L/ha, esse tanque cobre 20 ha antes do reabastecimento.
| Termo | Grandeza | Unidade | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Taxa de aplicação | Calda por área | L/ha | 80 L/ha |
| Volume de aplicação | Calda por área (sinônimo) | L/ha | 80 L/ha |
| Volume de calda | Quantidade total no tanque | L | 2.400 L no tanque |
| Dose | Produto comercial por área | L/ha, mL/ha, g/ha, kg/ha | 0,5 L/ha de fungicida |
Usar volume de calda no lugar de taxa de aplicação é o erro mais comum no campo.
Quando um técnico diz "vou usar 100 L de calda por hectare", está descrevendo a taxa de aplicação; quando diz "preparei 2.000 L de calda no caminhão-pipa", está descrevendo o volume de calda.
Misturar esses conceitos leva a erro de preparo e de comunicação com o operador.
Taxa de aplicação também não é dose.
A taxa se refere à calda fitossanitária; a dose, ao produto comercial formulado.
Uma bula pode recomendar 200 mL/ha de produto comercial (dose) aplicado em 80 L/ha de calda (taxa de aplicação): são variáveis independentes, e é possível manter a mesma dose com taxas muito diferentes, ajustando só a concentração do produto na calda.
A bula expressa a recomendação de duas formas distintas, e confundir as duas leva a erro grosseiro de preparo.
Na dose por área (0,5 L/ha, 200 g/ha), a quantidade de produto é fixa por hectare e independe do volume de calda, forma usual para a maioria dos herbicidas e para culturas de campo.
Na dose por concentração (200 g por 100 L de água, ou 0,2%), a quantidade de produto é proporcional ao volume de calda aplicado, comum em culturas arbóreas e em recomendações de fungicidas e inseticidas para aplicação até o ponto de escorrimento.
Aplicar uma dose por concentração como se fosse dose por área, ou o inverso, resulta em sub ou superdosagem severa.
Classificação da taxa de aplicação¶
A taxa define a filosofia de aplicação, não apenas o quanto de água se usa.
Dois sistemas de referência coexistem na literatura técnica brasileira: a classificação da ASABE (S327.3, 2007), com categorias simples para culturas de campo, e a classificação de Matthews (2000), que distingue culturas anuais de culturas arbóreas.
| Classe | Volume ASABE (L/ha) |
|---|---|
| Ultra ultra baixo volume (U-UBV) | < 0,5 |
| Ultra baixo volume (UBV) | 0,5 a 5 |
| Baixo volume (BV) | 5 a 50 |
| Médio volume (MV) | 50 a 500 |
| Alto volume (AV) | > 500 |
| Classe (Matthews, 2000) | Culturas anuais (L/ha) | Culturas arbóreas (L/ha) |
|---|---|---|
| Ultra baixo volume | < 5 | < 50 |
| Muito baixo volume | 5 a 50 | 50 a 200 |
| Baixo volume | 50 a 200 | 200 a 500 |
| Médio volume | 200 a 600 | 500 a 1.000 |
| Alto volume | > 600 | > 1.000 |
Para drones agrícolas existe classificação própria: ultrabaixo volume (< 5 L/ha), baixo volume (5 a 30 L/ha) e médio volume (30 a 50 L/ha), com volumes acima de 50 L/ha tecnicamente inadequados para essa plataforma pela limitação de carga útil das aeronaves.
Nota técnica
As taxas usadas com drones se classificam como baixo volume (5 a 30 L/ha, predominante), ultrabaixo (< 5 L/ha) e médio (30 a 50 L/ha). Para fungicidas com drone, os melhores parâmetros aparecem a partir de 25 L/ha; para inseticidas e herbicidas, a partir de 20 L/ha. Taxas menores aumentam a capacidade operacional, mas aumentam igualmente o risco de cobertura insuficiente.
Cerrado / MT
A prática de campo em culturas anuais no Cerrado mato-grossense opera, majoritariamente, abaixo da classe médio volume de Matthews. Fungicidas em soja são comumente aplicados entre 80 e 130 L/ha; herbicidas pós-emergentes com glifosato, entre 60 e 100 L/ha; inseticidas, entre 30 e 80 L/ha. Taxas abaixo de 50 L/ha para fungicidas de contato em soja com dossel fechado (R5 em diante) representam risco técnico real de subdose de cobertura, mesmo com a dose correta do produto.
A tabela a seguir reúne as faixas de taxa de aplicação praticadas e recomendadas para culturas anuais no Brasil, por classe e tipo de produto.
A bula do produto registrado no Agrofit prevalece sobre qualquer generalização desta tabela.
| Classe | Tipo / mecanismo de ação | Taxa terrestre (L/ha) | Taxa drone (L/ha) | Observação técnica |
|---|---|---|---|---|
| Herbicida | Pré-emergente (solo) | 80 a 120 | Não recomendado | Gotas grossas a muito grossas; alvo é o solo |
| Herbicida | Pós-emergente sistêmico (glifosato, graminicidas) | 60 a 100 | 20 a 30 | Volume menor pode beneficiar absorção em alguns produtos |
| Herbicida | Pós-emergente de contato (paraquate, diquate) | 100 a 150 | 20 a 30 | Cobertura mais alta que sistêmico; não redistribui |
| Inseticida | Sistêmico (neonicotinoides, diamidas) | 50 a 80 | 20 a 30 | Alta sistemia permite densidades menores de gotas |
| Inseticida | Contato/ingestão (piretroides, organofosforados) | 80 a 150 | 20 a 30 | Exige maior cobertura para contato direto com o inseto |
| Acaricida | Contato (abamectina, espirodiclofeno) | 80 a 150 | Avaliar caso a caso | Face abaxial da folha; ácaro é alvo muito pequeno |
| Fungicida | Sistêmico (triazóis, estrobilurinas, carboxamidas) | 80 a 130 | 25 a 35 | Redistribuição facilita controle com cobertura menor |
| Fungicida | Contato/multissítio (mancozebe, clorotalonil, cobre) | 100 a 200 | 25 a 35 (eficácia experimental) | Maior exigência de cobertura; sem redistribuição interna |
| Fungicida | Mistura sistêmico + contato | 80 a 150 | 25 a 35 | Ajustar pelo componente de contato |
| Bionematicida/fungicida biológico | Contato/colonização | 100 a 200 | Avaliar produto específico | Viabilidade depende de umidade relativa no depósito |
Para culturas arbóreas e semiperenes, como citros, café e cana-de-açúcar, as taxas são substancialmente maiores e frequentemente expressas em L/planta ou L/m³ de dossel, não em L/ha.
Cálculo da taxa de aplicação¶
A taxa de aplicação é resultado de três variáveis que o operador controla e uma que costuma esquecer de medir.
A relação entre os parâmetros de regulagem do pulverizador e a taxa de aplicação resultante é dada por:
Q (L/ha) = q (L/min) × 600 / [V (km/h) × e (m)]
Onde Q é a taxa de aplicação, q é a vazão total das pontas da barra, V é a velocidade de deslocamento do pulverizador e e é a largura útil da barra.
Com o espaçamento entre pontas em centímetros, a mesma equação assume a forma:
Q (L/ha) = qᵢ (L/min) × 60.000 / [V (km/h) × eᵢ (cm)]
Onde qᵢ é a vazão de uma ponta individual e eᵢ o espaçamento entre pontas.
Isolando a vazão necessária para atingir uma taxa pré-definida:
qᵢ (L/min) = V (km/h) × eᵢ (cm) × Q (L/ha) / 60.000
Essa equação seleciona a ponta adequada: calcula-se a vazão necessária por ponta e busca-se, no catálogo do fabricante, a ponta que entrega essa vazão na faixa de pressão desejada.
Confirmar que o pulverizador regulado está de fato entregando a taxa planejada é função da calibração, verificação empírica que se faz depois da regulagem, não no lugar dela.
Cobertura do alvo: o que a pulverização precisa entregar¶
Cobertura não é sinônimo de volume: é a porção da superfície do alvo efetivamente atingida pelas gotas.
A cobertura é a fração da superfície do alvo que recebe deposição de gotas, expressa em percentual.
Resulta da combinação entre a densidade de gotas por cm² e o espalhamento de cada gota sobre a superfície.
Uma cobertura de 20 a 30% já é suficiente para a maioria dos tratamentos com produtos sistêmicos, que se redistribuem internamente após a absorção foliar.
Produtos de contato, sobretudo fungicidas de contato e inseticidas que atuam por contato direto com o inseto, exigem coberturas maiores, com frequência acima de 50%.
A cobertura é avaliada em campo com papéis hidrossensíveis, colocados no alvo antes da aplicação e retirados logo depois.
As gotas, ao impactar, produzem manchas azuis cujo diâmetro é maior que o da gota original, com fator de expansão entre 1,8 e 2,5.
A contagem das manchas com lupa ou software de análise de imagem fornece a densidade de gotas e a cobertura percentual.
Volumes acima de 400 L/ha em culturas com pequena área foliar podem saturar o papel hidrossensível, impedindo a contagem individual das gotas; nesses casos o critério de avaliação muda para início de escorrimento na folha, o chamado volume alto, ou aplicação até o ponto de escorrimento.
Nenhuma ponta de pulverização produz gotas de um único tamanho.
Toda pulverização gera um espectro de gotas, faixa de diâmetros que vai de gotas muito finas a gotas grossas dentro do mesmo jato, e por isso falar em "tamanho da gota" exige um parâmetro estatístico que represente o conjunto.
DMV (diâmetro mediano volumétrico)
, também chamado Dv0,5: diâmetro de gota que divide o volume total pulverizado em duas metades iguais. Metade do volume está em gotas menores que o DMV; a outra metade, em gotas maiores. Expresso em micrômetros; um fio de cabelo tem cerca de 100 µm de espessura.
O DMV é o parâmetro mais usado, mas não deve ser lido isoladamente.
O diâmetro mediano numérico (DMN) divide a população de gotas pela contagem, não pelo volume; e a amplitude relativa mede a homogeneidade do espectro.
Quanto maior a amplitude relativa, mais heterogêneo o espectro, com maior proporção de gotas finas suscetíveis à deriva.
Um espectro ideal teria DMV próximo do DMN e amplitude relativa baixa, indicando gotas de tamanho uniforme.
Na prática isso é impossível de obter por completo, mas pontas de melhor qualidade produzem espectros mais homogêneos.
As classes de tamanho de gota são padronizadas pela norma ASABE S572 (e revisões S572.1 e S572.3), por comparação com pontas de referência, reconhecendo oito classes:
| Classe | Símbolo | Cor | DMV aproximado (µm) |
|---|---|---|---|
| Extremamente fina | XF | Roxo | < 60 |
| Muito fina | VF | Vermelho | 60 a 145 |
| Fina | F | Laranja | 145 a 225 |
| Média | M | Amarelo | 226 a 325 |
| Grossa | C | Azul | 326 a 400 |
| Muito grossa | VC | Verde | 401 a 500 |
| Extremamente grossa | XC | Branco | 501 a 650 |
| Ultra grossa | UC | Preto | > 650 |
Nota técnica
A cor associada à classe de gota não deve ser confundida com a cor da ponta de pulverização, que segue codificação própria referente à vazão em determinada pressão. A ISO 25358 e a revisão ASABE S572.3 alinharam os limites entre as faixas C/VC, VC/XC e XC/UC; os catálogos de pontas dos fabricantes vêm sendo atualizados para esse padrão.
O tamanho da gota é controlado pela escolha da ponta e, em segundo plano, pela pressão de trabalho.
Aumentar a pressão reduz o DMV pelo maior fracionamento, mas trocar o modelo ou a vazão da ponta é mais eficaz do que variar a pressão dentro do limite recomendado de uma mesma ponta.
Reduzir deriva pela troca de ponta é mais seguro do que reduzir deriva baixando a pressão.
Densidade de gotas, tamanho de gota e volume de aplicação¶
Gotas menores são mais eficientes por unidade de volume, mas muito mais vulneráveis ao ambiente.
A relação entre volume de aplicação, diâmetro das gotas e número de gotas por cm² é expressa por:
N = (60/π) × (100/d)³ × Q
Onde N é o número teórico de gotas por cm², d é o diâmetro da gota em µm e Q é a taxa de aplicação em L/ha.
A equação revela uma relação cúbica com o diâmetro: reduzir o diâmetro da gota à metade multiplica o número de gotas por oito, para o mesmo volume aplicado.
| Diâmetro da gota (µm) | Gotas/cm² (para 1 L/ha) |
|---|---|
| 10 | 19.099 |
| 20 | 2.387 |
| 50 | 153 |
| 100 | 19 |
| 200 | 2,4 |
| 400 | 0,3 |
| 1.000 | 0,02 |
A implicação prática é direta: para manter a mesma densidade de gotas ao reduzir a taxa de aplicação, é preciso reduzir proporcionalmente o diâmetro das gotas.
Uma aplicação que passa de 150 para 50 L/ha só mantém a mesma densidade se o diâmetro cair para cerca de 69% do original (raiz cúbica de 1/3), o que na prática equivale a trocar gotas médias por gotas finas.
A densidade mínima de gotas por cm² varia por classe de produto, e essa variação não é arbitrária:
| Classe de produto | Gotas/cm² (mínimo) | Espectro de gotas recomendado |
|---|---|---|
| Inseticida sistêmico | 20 a 30 | Médias e grossas |
| Inseticida de contato | 50 a 70 | Finas e médias |
| Herbicida pré-emergente | 20 a 30 | Médias a muito grossas |
| Herbicida pós-emergente sistêmico | 20 a 30 | Médias a muito grossas |
| Herbicida pós-emergente de contato | 30 a 40 | Finas a médias |
| Fungicida sistêmico | 30 a 40 | Finas e médias |
| Fungicida de contato | > 70 | Muito finas e finas |
A diferença reflete o mecanismo pelo qual cada produto interage com o alvo.
Produtos sistêmicos, como inseticidas neonicotinoides, herbicidas do grupo do glifosato e fungicidas triazóis e estrobilurinas, são absorvidos pela planta e redistribuídos internamente via xilema ou floema: cada gota depositada pode alcançar partes da planta muito além do ponto de contato.
Para inseticidas e herbicidas sistêmicos, 20 a 30 gotas/cm² já bastam; fungicidas sistêmicos e mesostêmicos exigem um pouco mais, 30 a 40 gotas/cm², porque o patógeno ainda precisa ser fisicamente alcançado na superfície antes da absorção.
Com 20 a 40 gotas/cm², conforme o produto, a cobertura percentual da folha é relativamente baixa, menos de 15%, mas o ingrediente ativo penetra e se redistribui por toda a área foliar.
A exigência de densidade é menor porque o produto encontra o alvo por redistribuição interna, não porque cada ponto da superfície precise ser atingido.
Produtos de contato, como fungicidas multissítios (mancozebe), inseticidas piretroides e carbamatos de ação por contato, agem só onde depositam.
Não há redistribuição: um fungo de superfície foliar não atingido por uma gota não será controlado, e a exigência elevada, acima de 50 a 70 gotas/cm² para fungicidas de contato, reflete a necessidade de cobertura alta o suficiente para que sobrem poucas falhas na proteção da folha.
Inseticidas de contato e ingestão exigem densidades intermediárias a altas por um raciocínio diferente: o alvo é o inseto, móvel, não a folha, e a densidade alta de gotas finas aumenta a probabilidade de contato do inseto em trânsito com o produto depositado.
Herbicidas pré-emergentes têm o solo como alvo, e 20 a 30 gotas/cm² bastam porque o produto se distribui por difusão e umidade, com gotas grossas preferidas para reduzir deriva.
Herbicidas pós-emergentes de contato, como paraquate e diquate, não se movem na planta e exigem densidade intermediária, de 30 a 40 gotas/cm², menor que a de fungicidas de contato porque destruir parte suficiente da área foliar já mata a planta daninha.
Em síntese, quanto mais o produto depende de redistribuição interna, menor a exigência de densidade de gotas; quanto mais precisa atingir fisicamente cada ponto do alvo, maior a exigência.
Essa lógica, combinada ao tamanho e à mobilidade do alvo biológico, explica por que um fungicida de contato em soja no estádio R5 concentra as condições mais rigorosas de toda a tecnologia de aplicação em culturas anuais.
| Gotas/cm² | Cobertura (%) | DMV aproximado (µm) |
|---|---|---|
| 85 | 10 | 250 |
| 70 | 20 | 275 |
| 60 | 30 | 300 |
| 55 | 40 | 312 |
| 40 | 50 | 325 |
A fórmula de Courshee: entendendo o que controla a cobertura¶
Courshee formalizou, em uma equação, o que a prática de campo só aprenderia décadas depois.
A fórmula de Courshee (1967) conecta, numa única expressão, as variáveis que o técnico manipula com as que dependem do ambiente e da cultura:
C = 15 × (V × R × K²) / (A × D)
Onde C é a cobertura, em percentual da área coberta pelas gotas; V é a taxa de aplicação em L/ha; R é a taxa de recuperação, percentual do volume aplicado efetivamente captado pelo alvo; K é o fator de espalhamento das gotas na superfície; A é a superfície vegetal existente por hectare, determinada pelo índice de área foliar; e D é o diâmetro mediano volumétrico das gotas.
V, R e K² estão no numerador e têm relação direta com a cobertura: aumentar qualquer um deles, mantendo os demais constantes, aumenta C.
V é a variável mais simples de ajustar pelo operador, mas tem custo operacional direto.
R depende das condições meteorológicas, da trajetória das gotas e da técnica de aplicação, e é pouco manipulável no campo.
K é quadrático, o que faz pequenas mudanças no fator de espalhamento produzirem efeito desproporcional sobre a cobertura: um surfatante que reduz a tensão superficial pode duplicar K e, com isso, quadruplicar sua contribuição para C.
A e D estão no denominador, com relação inversa: quanto maior a superfície vegetal, menor a cobertura obtida com o mesmo volume, e quanto maior o diâmetro das gotas, menor a cobertura, porque gotas maiores cobrem menos área por unidade de volume.
Como D aparece com expoente 1 no denominador, dobrar o diâmetro da gota, de 100 µm para 200 µm, reduz a cobertura pela metade, mantendo V, R, K² e A constantes.
Dobrar a taxa de aplicação, mantendo tudo mais constante, dobra a cobertura, e isso explica por que a pesquisa de fungicidas costuma ser validada a 150 L/ha: é o volume que garante cobertura suficiente com espectro de gotas finas no dossel fechado da soja em R5.
A taxa de recuperação representa a fração do volume que de fato se deposita sobre o alvo, descontando perdas por escorrimento, deriva, evaporação e captação pelo solo; gotas muito finas têm baixa massa e são facilmente desviadas antes de atingir o alvo, e o carregamento eletrostático das gotas é a intervenção mais eficaz para aumentar R, porque gotas carregadas induzem carga oposta na superfície do alvo e são atraídas mesmo em locais de difícil acesso, como a face abaxial das folhas.
O fator de espalhamento depende do ângulo de contato da gota com a superfície foliar: ângulo baixo significa alto espalhamento e K alto.
Superfícies cerosas ou pilosas, como as folhas de soja e milho, têm ângulo de contato naturalmente alto, o que limita K e justifica adjuvantes umectantes.
A superfície vegetal acompanha o índice de área foliar da cultura: a soja em R1 pode ter IAF próximo de 4, o equivalente a 40.000 m² de folhas por hectare, e à medida que o dossel fecha até R5, quando o IAF pode ultrapassar 5, A aumenta, a cobertura cai e o volume necessário para manter o mesmo nível de cobertura sobe na mesma proporção.
Suponha uma aplicação de fungicida em soja a 150 L/ha com gotas finas, DMV de 150 µm, produzindo uma cobertura C₁.
Reduzindo o volume para 50 L/ha e mantendo as demais variáveis constantes, a cobertura cai para C₁/3, um terço do valor original, porque V caiu na mesma proporção.
Para recuperar a cobertura perdida mantendo gotas finas, seria preciso reduzir D de 150 para aproximadamente 104 µm, usando D₂ = D₁ × ∛(50/150) = 150 × 0,693 ≈ 104 µm, o que coloca as gotas na faixa muito fina e aumenta bastante o risco de deriva e evaporação no Cerrado, onde temperatura alta e baixa umidade relativa são frequentes no horário de aplicação.
flowchart TD
A[Redução da taxa de aplicação V] --> B{Cobertura mantida?}
B -->|Não| C[Opções para compensar]
C --> D[Reduzir D: usar gotas menores]
C --> E[Aumentar K²: usar surfatante]
C --> F[Aumentar R: melhores condições meteorológicas]
D --> G{Risco de deriva/evaporação?}
G -->|Sim| H[Avaliar viabilidade no contexto climático]
G -->|Não| I[Viável operacionalmente]
E --> J[Verificar compatibilidade com o produto]
F --> K[Restringir janela de aplicação]
Taxa de aplicação, cobertura e eficácia biológica¶
A dose está no rótulo, mas a cobertura define se ela chega onde precisa.
A relação entre taxa de aplicação e eficácia biológica não é linear e depende do mecanismo de ação do produto, do alvo biológico e da arquitetura da cultura.
Produtos sistêmicos, como herbicidas do grupo do glifosato, fungicidas triazóis e inseticidas neonicotinoides, toleram melhor a redução de volume porque se redistribuem internamente após a absorção por qualquer ponto da superfície foliar.
Produtos de contato, como fungicidas protetores à base de cobre ou mancozebe e inseticidas piretroides de contato direto, exigem cobertura uniforme e densa porque não se movem dentro da planta depois do depósito.
Para herbicidas pós-emergentes sistêmicos, volumes reduzidos, entre 40 e 80 L/ha, podem até melhorar a eficácia em alguns casos, porque a maior concentração do ativo por gota acelera a passagem pela cutícula, sobretudo em condições de temperatura baixa.
Para o glifosato, a relação entre volume e eficácia é mais complexa: volumes menores aumentam a concentração e aceleram a absorção, mas reduzem a cobertura, e a dose total precisa chegar ao alvo de qualquer forma.
Para fungicidas em soja no Cerrado, o consenso técnico aponta 150 L/ha como volume de referência para validação de produtos e garantia de cobertura em estádios avançados (R5 a R5.3).
Volumes crescentes entre 70 e 150 L/ha ao longo do ciclo, acompanhando o crescimento do IAF, produzem controle equivalente ao uso fixo de 150 L/ha em todas as aplicações, com redução do volume total usado na safra.
A janela horária de aplicação interage fortemente com a taxa.
No Cerrado, os horários entre 10h e 14h costumam ser mais favoráveis para fungicidas em soja, porque o heliotropismo verticaliza as folhas e melhora a penetração no dossel, mas a temperatura e a umidade relativa nesse período podem ser limitantes, principalmente para gotas finas.
Temperatura acima de 30 °C e umidade relativa abaixo de 55% aumentam a evaporação das gotas em trânsito, reduzindo a taxa de recuperação e, com isso, a cobertura real.
Tendências em taxa de aplicação¶
A pressão para reduzir o volume de calda é real, mas os limites técnicos também são.
A tendência global na tecnologia de aplicação é de redução progressiva da taxa de aplicação, e a razão principal não é agronômica, é operacional.
O custo de transportar água ao campo, as paradas para reabastecimento e a necessidade de tratar áreas maiores em janelas climáticas cada vez mais estreitas criam incentivo permanente para operar com menos litros por hectare.
Um pulverizador autopropelido com tanque de 2.500 L operando a 100 L/ha cobre 25 ha por abastecimento; com 50 L/ha, cobre 50 ha.
O aumento de capacidade operacional existe e é real, mas é menor do que a intuição sugere: numa simulação, a redução de 100 para 50 L/ha elevou a capacidade operacional de cerca de 23 ha/h para cerca de 29,5 ha/h, ganho de aproximadamente 6,5 ha/h, ou 28%.
O ganho não é proporcional à redução de volume porque o tempo de deslocamento e manobra permanece igual, independentemente de quanto líquido sai por hectare.
Reduzir o volume não é a única forma, nem a mais segura, de aumentar o rendimento operacional: melhorar a logística de preparo de calda e reduzir o tempo de manobras também aumenta a autonomia, sem o risco técnico de subdose de cobertura.
Controladores eletrônicos que compensam variações de velocidade ajustando a vazão em tempo real, pontas de duplo leque, pontas de indução de ar com orifício de pré-pressão, atomizadores rotativos e sistemas PWM (pulse width modulation) que mantêm o espectro de gotas estável mesmo com variações de pressão são as principais inovações que viabilizam redução de volume com menor risco de perda de cobertura.
Sensores ópticos que acionam a pulverização só quando detectam presença do alvo, a aplicação seletiva, representam a fronteira dessa tendência.
Os drones agrícolas são a expressão mais radical dela: taxas de 10 a 25 L/ha são tecnicamente viáveis para inseticidas e herbicidas pós-emergentes, e para fungicidas em soja com dossel fechado, 25 L/ha é o piso adequado de volume.
Abaixo disso, a cobertura no terço inferior do dossel costuma ser insuficiente para o controle de doenças como a ferrugem asiática.
Baixo e ultrabaixo volume: vantagens reais, riscos concretos¶
Aplicar em baixo volume não é usar menos água: é mudar toda a filosofia de trabalho.
O termo "baixo volume", usado de forma vaga no campo, cobre situações tecnicamente muito diferentes.
Uma aplicação de herbicida pós-emergente sistêmico a 60 L/ha com gotas médias grossas tem cuidados diferentes de uma aplicação de fungicida de contato a 60 L/ha com gotas finas em soja em R5, e confundir os dois casos é a origem de boa parte dos insucessos atribuídos ao baixo volume.
A redução da taxa de aplicação produz aumento da área tratada por hora e por abastecimento, redução do consumo de água e do custo de transporte, e, em alguns produtos sistêmicos, aumento da velocidade de absorção pela maior concentração do ativo nas gotas.
Quando bem executada com gotas adequadas, também reduz perdas por escorrimento em culturas com IAF baixo.
Para herbicidas sistêmicos como o glifosato e alguns graminicidas de pós-emergência, volumes reduzidos podem melhorar a eficácia, principalmente em condições de temperatura amena e umidade relativa adequada, porque a concentração elevada do ativo na gota favorece a passagem pela cutícula.
O outro lado da moeda pesa mais do que costuma parecer numa planilha de custo operacional.
Reduzir volume implica quase sempre gotas menores para manter a cobertura, e gotas menores evaporam mais rápido em temperatura alta e umidade baixa, condições típicas do Cerrado nos horários de aplicação, são mais vulneráveis à deriva pelo vento e têm menor energia cinética para penetrar no dossel.
No Cerrado mato-grossense, a combinação de volume reduzido, gotas finas e condições meteorológicas marginais é uma das causas mais frequentes de falha de controle.
Misturas com volumes abaixo de 50 L/ha também são mais problemáticas do ponto de vista químico: a concentração elevada dos produtos por litro aumenta o risco de incompatibilidade física, sobretudo com formulações salinas, e alterações de pH ocorrem mais rápido em caldas concentradas, acelerando a degradação de ingredientes ativos sensíveis.
A redução da taxa aumenta a dependência das condições meteorológicas: janelas de trabalho mais estreitas e consequências mais severas quando a aplicação foge dos parâmetros recomendados de temperatura, umidade relativa e vento.
Cinco erros comuns acompanham o uso de baixo e ultrabaixo volume:
- Reduzir o volume sem reduzir o diâmetro das gotas, mantendo pontas de jato plano padrão que produzem gotas grossas, com cobertura insuficiente já previsível pela fórmula de Courshee.
- Transferir a lógica de volumes reduzidos usada para herbicidas sistêmicos para fungicidas de contato, sem ajustar o espectro de gotas nem aumentar a atenção às condições meteorológicas.
- Calcular apenas o ganho de rendimento operacional sem contabilizar o risco de falha de controle, que pode exigir reaplicação com custo bem maior que a diferença de rendimento.
- Recomendar taxas abaixo das indicadas em bula sem respaldo de ensaios locais que validem a eficácia nessas condições.
- Confundir a lógica de aplicação aérea com a lógica terrestre: uma taxa considerada moderada para aplicação aérea é baixa demais para fungicidas de contato em soja por pulverizador terrestre, principalmente em estádios avançados.
A aplicação em baixo volume é uma filosofia de trabalho que precisa ser aprendida e respeitada, e é arriscada demais quando empregada apenas como receita momentânea.
Reduzir volume exige capacitação profissional específica, monitoramento das condições meteorológicas e avaliação sistemática da cobertura.
Não é decisão que o operador deveria tomar sozinho na hora de encher o tanque.
Por que as bulas recomendam taxas altas e por que o campo não as usa¶
A bula foi escrita por quem quer que o produto funcione; a decisão de campo é feita por quem quer que a colheita seja viável.
As taxas de bula foram definidas durante o registro no MAPA, com base em ensaios de eficácia conduzidos pela empresa registrante, sob protocolos conservadores que garantem eficácia em condições controladas, com volume suficiente para maximizar a cobertura e excluir a taxa de aplicação como variável de falha.
É a recomendação de maior segurança técnica para que o produto entregue o desempenho prometido.
Na prática, essas taxas costumam ficar entre 100 e 300 L/ha para culturas anuais, com alguns produtos chegando a 400 L/ha para arbóreas, faixas tecnicamente corretas para os ensaios que as geraram.
A divergência com o que o agricultor pratica não é erro do agricultor, e também não é erro da bula.
O que a bula não conta é que ela não foi escrita para o sistema agrícola do Cerrado mato-grossense de hoje, foi escrita para garantir eficácia do produto.
Enquanto isso, o produtor de Mato Grosso opera com pulverizadores de 36 metros de barra a 25 km/h, cobrindo de 150 a 200 ha por dia, numa janela climática de 4 a 6 horas úteis entre o desorvalho e o calor do meio-dia.
Pulverizar a 200 L/ha com esse equipamento significa abastecer a cada 10 ha; numa safra de soja com 5 aplicações em 1.000 ha, a diferença de rendimento operacional entre 100 e 50 L/ha pode significar a diferença entre aplicar dentro da janela agronômica ou perder 3 dias de trabalho para a chuva.
Há também um componente histórico: muitos produtos foram registrados em décadas anteriores, quando a tecnologia de pontas disponível não permitia distribuição uniforme abaixo de 100 a 150 L/ha com equipamentos de barra.
A tecnologia evoluiu; a bula, em muitos casos, não acompanhou, embora algumas empresas venham atualizando as faixas de volume nos documentos de registro, processo lento e regulado.
Nota técnica
A bula fixa legalmente o limite inferior da taxa de aplicação recomendada. Aplicar abaixo desse limite sem evidência experimental de eficácia equivalente é assumir risco técnico que, em caso de falha de controle, pode comprometer a responsabilidade técnica do profissional que assinou a receita agronômica. Recomendar volumes abaixo da bula exige validação local e documentação adequada.
A saída que o campo encontrou foi a prática empírica: consultores e produtores testaram reduções graduais de volume até encontrar o limite abaixo do qual o controle começa a falhar, piso que varia por produto, cultura, alvo biológico e condição regional.
Esse processo raramente é documentado ou publicado, e a informação não retorna aos registros regulatórios.
Acho isso o ponto mais frágil de toda a discussão sobre taxa de aplicação no Brasil: existe conhecimento tácito de altíssima qualidade nas mãos de consultores e produtores experientes, testado e refinado ao longo de anos, e boa parte dele nunca vira dado publicável nem entra na atualização das bulas.
A tecnologia de aplicação avança mais rápido no campo do que no papel, e essa distância tem custo, tanto para quem inova sem documentar quanto para quem segue a bula sem saber que ela já ficou defasada para o equipamento que está usando.
Ajuste da taxa de aplicação conforme cultura, alvo biológico, estádio fenológico e clima¶
A taxa correta não é um número fixo: é a resposta a uma situação específica de alvo, cultura e ambiente.
O principal erro de concepção na tecnologia de aplicação é tratar a taxa de aplicação como parâmetro fixo da safra.
A fórmula de Courshee deixa claro que a taxa precisaria aumentar à medida que a cultura cresce, porque a superfície vegetal aumenta e dilui a cobertura.
Na prática, o ajuste da taxa ao longo do ciclo é raro, mas tecnicamente necessário para manter a eficácia constante.
O alvo define a densidade mínima de gotas necessária e, com ela, a combinação de taxa e espectro adequada.
Para cada alvo biológico existe uma faixa ótima de tamanho de gota.
Para o controle de insetos por contato direto, o tamanho ótimo situa-se entre 20 e 50 µm, gotas finas.
Insetos de contato, como lagartas e percevejos, exigem densidades acima de 50 gotas/cm² e são melhor controlados com gotas finas ou médias.
Percevejos que habitam o terço médio do dossel exigem gotas com massa suficiente para penetrar até essa posição.
Fungos de superfície foliar, como ferrugem e mancha, exigem cobertura uniforme da folha e se beneficiam de gotas finas e volume adequado.
Pragas de solo tratadas em pré-emergência toleram gotas muito grossas, porque o alvo é o solo e a deriva é indesejável.
DMV ótimo por finalidade
O tamanho de gota ideal maximiza a deposição no alvo com o mínimo de contaminação ambiental. Gotas menores cobrem mais e penetram melhor, mas evaporam e derivam mais. Gotas grandes são preferidas para herbicidas sistêmicos de dessecação, como o glifosato; gotas finas, para inseticidas e fungicidas de menor sistemia.
| Diâmetro da gota (µm) | Classe | Tempo para cair 3 m | Deslocamento lateral com vento de 5 km/h |
|---|---|---|---|
| 20 | Muito fina | 252 s | 335 m |
| 100 | Muito fina | 10 s | 13,4 m |
| 240 | Média | 6 s | 8,5 m |
| 400 | Grossa | 2 s | 2,6 m |
| 1.000 | Ultra grossa | 1 s | 1,4 m |
Nota técnica
Os valores de tempo de queda e deslocamento lateral são aproximações que variam com o modelo físico adotado.
Esses números explicam a tensão central da tecnologia de aplicação: a mesma redução de tamanho que aumenta a cobertura, pela relação cúbica já vista na equação do número de gotas, aumenta de forma exponencial o risco de deriva.
Uma gota de 100 µm percorre lateralmente quase cinco vezes mais que uma de 240 µm sob o mesmo vento.
Alvos muito pequenos, como ácaros e ovos de insetos, exigem densidades muito altas de gotas muito finas, aproximando a tecnologia de aplicação do ultrabaixo volume com gotas de alta concentração.
Esse é o único caso em que a lógica do ultrabaixo volume é tecnicamente justificada para culturas anuais no Cerrado, com cuidado redobrado quanto às condições meteorológicas.
O índice de área foliar é o parâmetro da planta que mais diretamente controla a necessidade de volume.
Na soja, o IAF em V3 é tipicamente menor que 1,0; em R1 pode alcançar 3,0 a 4,0; em R5 pode ultrapassar 5,0.
Uma aplicação de fungicida com 80 L/ha em V5 e com 80 L/ha em R5 não é a mesma aplicação: a cobertura em R5 será bem menor para o mesmo volume, pelo simples aumento da superfície foliar a cobrir.
A aplicação em plantas jovens com a dose recomendada por hectare resulta com frequência em sobredose por área foliar, porque a dose foi calculada para cobrir um IAF típico de planta adulta e está sendo depositada sobre muito menos área foliar, com implicações de fitotoxicidade e de custo de produção.
No Cerrado mato-grossense, as condições meteorológicas durante a safra de soja, de novembro a março, costumam inviabilizar aplicações com gotas finas no período diurno entre 10h e 15h: temperatura acima de 30 °C e umidade relativa abaixo de 55% aumentam a evaporação das gotas em trânsito, reduzindo a taxa de recuperação e a cobertura final.
A compensação técnica passa por aumentar a taxa de aplicação, usar gotas mais grossas, que evaporam menos, adicionar adjuvantes antievaporantes à calda, ou restringir a aplicação aos períodos de temperatura e umidade mais adequados, início da manhã ou final da tarde.
A velocidade de vento ideal para pulverização situa-se entre 3,2 e 6,5 km/h, faixa em que as folhas oscilam levemente e o vento favorece a penetração das gotas no dossel sem provocar deriva excessiva.
Cerrado / MT
Aplicações de fungicidas em soja realizadas entre 10h e 14h produzem depósitos de 2 a 3 vezes maiores no terço inferior das plantas do que aplicações nas primeiras horas da manhã, pelo efeito do heliotropismo foliar. Essa recomendação horária, originada em estudos de outras regiões do país, precisa ser calibrada para o Cerrado mato-grossense, onde a temperatura e a umidade no meio do dia durante a safra podem ser impeditivas, especialmente para espectros de gotas finas.
Estabilidade da calda e prazo de uso após o preparo¶
Calda preparada e não usada no mesmo dia é calda em risco.
A calda fitossanitária é um sistema instável depois do preparo.
A degradação dos ingredientes ativos por hidrólise começa de imediato, com velocidade determinada pelo pH da calda, pela temperatura e pelo tipo de ingrediente ativo: caldas com pH alcalino e temperatura elevada degradam bem mais rápido.
Formulações salinas, como as de glifosato, 2,4-D amina e glufosinato de amônio, são especialmente vulneráveis à formação de fases e à cristalização quando permanecem em repouso por tempo prolongado.
O princípio técnico é simples: a calda deve ser preparada imediatamente antes do uso e consumida no mesmo dia.
O tempo total entre o preparo e o fim da aplicação deve ser estimado antes de encher o tanque, somando o tempo de preparo, o deslocamento até a área e o tempo de aplicação.
Para misturas complexas com formulações salinas, caldas em repouso por mais de 80 a 100 minutos precisam ser reavaliadas, visualmente e, quando possível, com filtragem em malha de 50 a 80 mesh, antes de continuar a aplicação.
O armazenamento da calda por mais de 24 horas é tecnicamente inaceitável para a maioria dos produtos.
Além da degradação dos ingredientes ativos, a sedimentação de formulações sólidas em suspensão (pó molhável, grânulo dispersível, suspensão concentrada) e a separação de fases de formulações oleosas (concentrado emulsionável, óleo dispersível) comprometem a uniformidade da calda que resta no tanque.
A agitação contínua durante a aplicação é obrigatória para manter essa uniformidade, sobretudo com formulações que sedimentam rápido; interrupções prolongadas da agitação durante paradas de campo podem produzir calda não homogênea, com concentração mais baixa nas primeiras passadas após a retomada e mais alta ao final do tanque.
Uma calda bem calculada no papel e mal aplicada no campo falha do mesmo jeito que uma calda mal calculada.
A taxa de aplicação é o ponto onde a conta do escritório encontra a física da gota, e é também onde a maior parte dos ajustes finos da tecnologia de aplicação (água, adjuvante, diâmetro de gota, estádio da cultura, horário) se cruza numa única decisão prática antes de ligar o pulverizador.
Quem trata esse número como fixo, copiado da bula e repetido em toda aplicação da safra, está deixando de usar a ferramenta mais barata que a tecnologia de aplicação oferece para melhorar o controle: ajustar o que já sai de graça do próprio tanque.
Referências¶
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GAZZIERO, D. L. P.; OLIVEIRA, R. B. de; OVEJERO, R. F. L.; BARBOSA, H. N.; PRECIPITO, L. M. B. Manual técnico para subsidiar a mistura em tanque de agrotóxicos e afins. Londrina: Embrapa Soja, 2021. 23 p. (Embrapa Soja. Documentos, 437).
MINGUELA, J. V.; CUNHA, J. P. A. R. Manual de aplicação de produtos fitossanitários. Viçosa: Aprenda Fácil, 2013.
MACIEL, C. D. G.; GAZZIERO, D. L. P.; THEISEN, R.; BRIDI, L. G. H.; ADEGAS, F. S. Tecnologia de aplicação de pesticidas. Londrina: Embrapa Soja, 2025. (Embrapa Soja. Documentos, 477).
SOARES, R. M.; SCHRÖDER, E. P. Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática. Londrina: Embrapa Soja, 2025. (Embrapa Soja. Documentos, 474).
MATUO, T.; PIO, L. C.; RAMOS, H. H.; FERREIRA, M. C. Proteção de plantas: tecnologia de aplicação dos agroquímicos e equipamentos. Jaboticabal: FUNEP, 2010.
Exercícios¶
Tip
Tente resolver antes de abrir o gabarito. O esforço de recuperar e raciocinar é o que consolida o aprendizado; consultar a resposta cedo demais desperdiça esse ganho. O Bloco A não tem gabarito: são questões de discussão, retomadas no início da próxima aula. Nos cálculos, use 4 casas decimais e mostre fórmula, substituição e resultado.
Bloco A: para discutir na próxima aula¶
Responda por escrito, de forma breve. Não há resposta divulgada: traga suas respostas para a discussão em sala.
A1. Na Aula 05, vimos que a formulação (WP, SC, EC, WG...) define o comportamento físico do produto na calda: a SC e o WP formam suspensão que sedimenta e é abrasiva, o EC só forma a emulsão leitosa quando encontra a água no tanque, o SL forma solução verdadeira. Agora, na Aula 06, o texto afirma que "a solubilidade do ingrediente ativo, o tipo de formulação e a qualidade da água já definem se a calda vai chegar à ponta num estado adequado para formar gotas estáveis" e que "nenhum ajuste de ponta ou de pressão corrige esse tipo de problema depois que ele já aconteceu no tanque". Junte as duas aulas: por que a decisão que governa a qualidade da calda começa antes de ligar o pulverizador, e não na barra?
A2. O texto abre com um caso incômodo: um fungicida a 150 L/ha controla a ferrugem da soja com folga; a mesma dose, na mesma lavoura, com a mesma ponta, a 50 L/ha, pode falhar. O produto é idêntico, a área é idêntica, e só o volume de água muda o resultado biológico. Explique por que isso acontece e use o caso para separar, com precisão, os três termos que o campo trata como sinônimos: taxa de aplicação, volume de calda e dose.
A3. Na fórmula de Courshee, C = 15 × (V × R × K²) / (A × D), o fator de espalhamento K entra ao quadrado: um surfatante que reduz a tensão superficial pode duplicar K e, com isso, quadruplicar sua contribuição para a cobertura. O texto lembra ainda que a água pura tem tensão superficial alta (aproximadamente 72 mN/m) e que folhas cerosas, como as de soja, têm ângulo de contato alto, o que limita K. Se um único componente adicionado à calda pode ter esse efeito desproporcional sobre a cobertura, o que isso antecipa sobre o tema da próxima aula, que trata do que um adjuvante modifica na calda e na gota depositada?
Bloco B: consolidação da aula¶
B1. No preparo de uma aplicação, a técnica enche um caminhão-pipa com 2.400 L de mistura, o pulverizador está regulado para trabalhar a 80 L/ha e a bula do fungicida recomenda 0,5 L/ha. Um estagiário anota na ficha: "volume de calda = 80 L/ha". Qual a correção técnica?
(A) O valor 80 L/ha é a dose, não o volume de calda nem a taxa de aplicação.
(B) O valor 80 L/ha é a taxa de aplicação; volume de calda são os 2.400 L do tanque.
(C) Os 2.400 L são a taxa de aplicação e 80 L/ha é o volume de calda por área.
(D) Dose e taxa de aplicação são sinônimos, ambos expressos em litros por hectare.
B2. Um inseticida à base de cipermetrina foi preparado em água de pH 9,0 e, por causa de uma chuva, a calda permaneceu no tanque por cerca de 24 horas antes de a aplicação recomeçar. O que se espera desse ativo?
(A) A cipermetrina precipita por dureza, entupindo os filtros do pulverizador.
(B) O pH ácido da calda preserva a molécula, sem perda de eficácia relevante.
(C) A hidrólise alcalina degrada a cipermetrina, com perda em torno de 90% do ativo.
(D) Nada ocorre, pois a cipermetrina não é afetada pelo pH da água de preparo.
B3. Um consultor vai aplicar glifosato em água comprovadamente dura e recomenda reduzir a taxa de aplicação para proteger o produto. O operador estranha: "menos água não deixa o produto mais concentrado e mais exposto?". Explique por que, para o glifosato em água dura, reduzir o volume protege o ingrediente ativo, e cite uma medida de correção da dureza prevista no texto.
B4. Um consultor recomenda aplicar um fungicida de contato (mancozebe) em soja no estádio R5, com dossel fechado, a 45 L/ha e gota fina, alegando ganho de rendimento operacional. Como avaliar tecnicamente essa recomendação?
(A) Arriscada: abaixo de 50 L/ha há risco real de subdose de cobertura em R5.
(B) Correta, pois fungicida de contato tolera bem a redução do volume de calda.
(C) Correta, já que 45 L/ha corresponde à classe médio volume de Matthews.
(D) Ideal, porque a gota fina compensa por completo o baixo volume aplicado.
B5. ("Explique ao produtor") Ao fim da tarde, um produtor preparou uma calda de glifosato mais 2,4-D amina, mas uma chuva interrompeu o serviço. Ele quer guardar a calda no tanque e terminar a aplicação na manhã seguinte, "para não desperdiçar produto". Em linguagem de lavoura, explique por que isso é tecnicamente inaceitável e qual é a conduta correta.
B6. Um técnico aplica o mesmo fungicida a 80 L/ha em dois momentos: na soja em V5 e na mesma lavoura em R5. Ele conclui que "é a mesma aplicação, o volume é igual". Usando o índice de área foliar (IAF) e a fórmula de Courshee, explique por que não é a mesma aplicação e qual é o problema em cada estádio.
Bloco C: cálculo e diagnóstico¶
C1. (Cálculo, taxa de aplicação) Um pulverizador de barra tem pontas espaçadas em eᵢ = 50 cm, trabalha à velocidade V = 12 km/h e cada ponta entrega vazão qᵢ = 0,8 L/min. Use a equação do texto:
(i) Calcule a taxa de aplicação Q resultante da regulagem atual.
(ii) Para tratar um fungicida em soja R5, o agrônomo quer elevar a taxa para 130 L/ha, mantendo a mesma velocidade e o mesmo espaçamento. Calcule a vazão por ponta qᵢ necessária.
(iii) Comente o que muda entre a regulagem e a calibração, e por que a taxa de 80 L/ha poderia ser inadequada em R5.
Use 4 casas decimais nos resultados.
C2. (Cálculo, inativação por dureza) Vai-se aplicar glifosato na dose de 1,2 kg e.a./ha em uma água cuja dureza é 500 ppm de CaCO₃. Pela equação do texto:
em que Dureza_Ca é obtida dividindo a dureza em CaCO₃ por 2,5.
(i) Converta a dureza para Dureza_Ca.
(ii) Calcule a fração de glifosato inativada a 120 L/ha e a 60 L/ha.
(iii) Calcule a razão entre as duas frações e comente a implicação prática.
Use 4 casas decimais nos resultados.