Manejo Integrado de Plantas Daninhas em Cereais¶
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Cerca de 20% a 30% do custo de produção de uma lavoura de cereal se destina ao controle de plantas daninhas, e esse número esconde uma armadilha temporal: a redução de produtividade causada pela competição é irreversível.
Passada a janela crítica, remover a daninha não devolve o rendimento perdido.
O agrônomo não decide apenas como controlar, decide quando e se controlar, e essa decisão muda conforme a cultura em manejo.
Os cinco cereais desta disciplina expõem o problema em sua forma mais rica.
Arroz e trigo são plantas C3, com metabolismo fotossintético menos eficiente; milho, sorgo e milheto são C4, e partilham rota metabólica com as gramíneas daninhas mais agressivas do planeta.
Ao mesmo tempo, o arsenal químico disponível para cada um é radicalmente desigual: o milho conta com dezenas de moléculas registradas, enquanto o milheto dispõe de apenas duas e o sorgo de três, nenhuma delas graminicida.
Dominar o manejo de daninhas em cereais significa saber operar tanto onde há muitas ferramentas quanto onde quase não há nenhuma.
Planta daninha e interferência: o que de fato compete¶
Nenhuma planta é daninha por essência; ela se torna daninha quando prejudica um objetivo humano.
Definir planta daninha é menos trivial do que parece.
Todos os conceitos convergem para a indesejabilidade em relação a uma atividade humana: uma planta é daninha quando interfere negativamente nos objetivos do produtor, ainda que a mesma espécie seja útil em outro contexto (controle de erosão, reciclagem de nutrientes, néctar para abelhas).
Uma planta cultivada também pode ser daninha fora do lugar, como o trigo remanescente que germina na soja seguinte, ou a soja voluntária que infesta o milho safrinha.
Planta daninha verdadeira
espécie com atributos que a fixam como infestante, não melhorada geneticamente, rústica ao ataque de pragas e doenças, com alta produção de dissemínulos, dormência e germinação desuniformes. Distingue-se da daninha comum, que não sobrevive em condições adversas.
Os prejuízos vão além da queda de produtividade.
As daninhas reduzem a qualidade do produto (sementes de picão-preto no algodão, tubérculos de tiririca dentro da batata), impedem a certificação de sementes quando misturadas a espécies proibidas (arroz-vermelho, capim-massambará), hospedam pragas e patógenos (espécies de Sida transmitem o mosaico-dourado do feijoeiro; mais de 50 espécies hospedam Meloidogyne javanica) e dificultam a colheita (corda-de-viola enrolando na plataforma, Mucuna pruriens liberando toxinas que inflamam a pele do operador).
O que torna uma daninha temível é seu conjunto de atributos de agressividade.
A tabela abaixo reúne as características que explicam por que essas espécies dominam a área quando o produtor não interfere, com exemplos quantitativos das fontes.
| Atributo de agressividade | Expressão quantitativa (exemplo) |
|---|---|
| Alta produção de dissemínulos | Amaranthus retroflexus: 117.400 sementes por planta; Cyperus rotundus: um tubérculo gera 126 tubérculos em 60 dias |
| Longevidade dos dissemínulos no solo | Sementes viáveis por décadas: das 107 espécies enterradas, 36 germinavam após 38 anos |
| Germinação a grandes profundidades | Euphorbia heterophylla germina a 20 cm; Avena fatua a 17 cm; Ipomoea sp. a 12 cm |
| Germinação desuniforme (dormência) | Do banco de 2.000 a 50.000 sementes/m² nos 10 cm superficiais, só 2% a 5% germinam por ciclo |
| Mecanismos alternativos de reprodução | Sorghum halepense: sementes e rizomas; Cynodon dactylon: sementes e estolões; tiririca: sementes e tubérculos |
| Dispersão facilitada dos propágulos | Vento, água, aderência à lã e ao pelo de animais, máquinas e o próprio homem |
A soma desses prejuízos e atributos foi reunida por Pitelli sob um conceito mais amplo que a competição isolada: a interferência.
Ela designa o conjunto de pressões que a comunidade infestante exerce sobre a cultura, incluindo competição por recursos, alelopatia e a interferência física na colheita e nas práticas culturais.
Separar competição de interferência não é preciosismo terminológico: o controle precisa mirar o efeito global, não apenas a disputa por um recurso.
Recursos em disputa e a base fisiológica C3 versus C4¶
A vantagem competitiva das daninhas C4 se decide na bioquímica da fotossíntese, sob calor e luz intensa.
Toda planta precisa de água, luz, CO₂ e nutrientes para completar o ciclo.
Quando cultura e daninha crescem no mesmo espaço e ao menos um desses recursos falta, instala-se a competição.
A regra prática que orienta o manejo é direta: a primeira planta que se estabelece tende a excluir as demais.
Se a cultura emerge e cresce primeiro, sombreia e suprime as daninhas; se a daninha larga na frente, a cultura paga em produtividade.
As daninhas costumam vencer porque foram moldadas pela seleção natural, enquanto as cultivadas foram melhoradas para acumular grão, muitas vezes sacrificando o vigor competitivo.
Fatores que sustentam essa superioridade: porte e arquitetura, maior velocidade de germinação e estabelecimento, sistema radicular mais extenso e rápido, maior índice de área foliar e a produção de aleloquímicos.
A competição por água mostra o abismo fisiológico. Bidens pilosa extrai água do solo em tensões três vezes maiores que a soja e o feijão, drenando fotoassimilados para as raízes na fase inicial.
A competição por luz e a por CO₂ dependem da rota fotossintética, e aqui está o ponto decisivo para os cereais desta disciplina.
A tabela compara as duas rotas e traduz a diferença em vantagem de campo.
| Característica | Fotossíntese C3 | Fotossíntese C4 |
|---|---|---|
| Fotorrespiração | Presente (25% a 30% da fotossíntese) | Não mensurável por troca de gases |
| Ponto de compensação de CO₂ | Alto (50 a 150 ppm) | Baixo (0 a 10 ppm) |
| Temperatura ótima | Próxima de 25 °C | Próxima de 35 °C |
| Saturação luminosa | Satura a 1/3 da luz máxima | Não satura com aumento da luz |
| Coeficiente transpiratório | 450 a 1.000 g H₂O/g biomassa | 150 a 350 g H₂O/g biomassa |
| Cereais desta disciplina | Arroz, trigo | Milho, sorgo, milheto |
Nota técnica
as faixas numéricas destes parâmetros variam conforme a comparação-fonte, e é normal encontrar valores um pouco diferentes entre aulas. Os números acima seguem a literatura de plantas daninhas (fotorrespiração de 25% a 30%; ponto de compensação de CO₂ de 50 a 150 ppm nas C3; 0 a 10 ppm nas C4). A aula de fisiologia (texto Fisiologia e Desenvolvimento dos Cereais) adota a comparação clássica milho×feijão, com fotorrespiração de 20% a 40% e ponto de compensação de 30 a 70 ppm nas C3 e de 5 a 10 ppm nas C4. As diferenças refletem espécies e métodos de medida distintos, não contradição: a hierarquia se mantém em todas as fontes: as C3 têm fotorrespiração alta e ponto de compensação elevado, as C4 o oposto.
Sob temperatura elevada, alta luminosidade e déficit hídrico temporário, condições típicas do verão tropical em que se cultiva a maioria dos cereais, as plantas C4 acumulam o dobro de biomassa por área foliar no mesmo tempo.
A enzima Rubisco das plantas C3, saturada de luz e acima de 25 °C, passa a atuar como oxigenase e libera CO₂; a PEP-carboxilase das C4 continua fixando carbono mesmo com estômatos parcialmente fechados.
O dado que confronta o senso comum: entre as dez daninhas mais nocivas do mundo, oito são C4 (Cyperus rotundus, Cynodon dactylon, Sorghum halepense, Echinochloa crusgalli, Eleusine indica, entre outras).
Um produtor de milho, sorgo ou milheto disputa recursos com daninhas que compartilham exatamente a mesma maquinaria fisiológica de alta eficiência da sua cultura.
A competição por nutrientes depende da quantidade extraída, não do teor no tecido.
Em arroz de sequeiro, por ocasião do florescimento, cerca de 80% do cálcio disponível foi imobilizado pelas plantas daninhas, enquanto 85% do manganês foi retido pela cultura.
Os acúmulos de Ca e Mn no arroz caíram 40% e 28% pela interferência da comunidade infestante.
Alelopatia¶
Aleloquímicos são armas químicas liberadas por uma planta que afetam a germinação e o crescimento de outra.
As plantas superiores sintetizam metabólitos secundários, os aleloquímicos, sem função direta no metabolismo primário, mas com papel de adaptação e defesa.
Liberados no ambiente por volatilização, exsudação radicular, lixiviação e decomposição de resíduos, esses compostos afetam germinação, fotossíntese, respiração, permeabilidade de membranas e atividade enzimática das plantas vizinhas.
A alelopatia das daninhas sobre as culturas soma-se à competição: Brachiaria plantaginea afeta o crescimento e a nodulação da soja.
O efeito inverso, da cultura sobre a daninha, é menos comum, porque o melhoramento eliminou genótipos produtores de taninos e alcaloides ao buscar melhor paladar e menor toxicidade nos grãos.
A alelopatia ganha uso prático nas coberturas mortas do plantio direto.
Nabo forrageiro, colza, aveia e centeio deixam resíduos que reduzem a infestação de Brachiaria plantaginea, Cenchrus echinatus e Euphorbia heterophylla na cultura seguinte.
O próprio sorgo é aleloquímico ativo: exsudato radicular de plantas de sorgo reduziu a área foliar de alface em 68,4%, e a cobertura com Sorghum bicolor associado a Mucuna aterrima e Mucuna pruriens controlou Digitaria horizontalis, Hyptis lophanta e Amaranthus spinosus, atribuído aos taninos condensados e esteroides dos resíduos.
Nota técnica
o efeito alelopático da cobertura é transitório e pode voltar-se contra a cultura. Resíduos de trigo em decomposição hospedam Penicillium urticae, que produz a fitotoxina patulina, tóxica à cultura sucessora. Por isso, no plantio direto, respeita-se um intervalo entre a dessecação e a semeadura para que os aleloquímicos da palha se degradem antes da emergência da nova cultura.
Período crítico de competição: PAI, PTPI e PCPI¶
O período crítico define a janela em que o controle é imprescindível; fora dela, controlar é desperdício ou é tarde demais.
Quanto maior o tempo de convivência entre cultura e daninhas, maior tende a ser a interferência, mas o momento importa mais que a duração.
Pitelli e Durigan estabeleceram três períodos que organizam a decisão de controle, hoje adotados para todas as culturas anuais.
Os três períodos de convivência
- PAI (Período Anterior à Interferência): tempo, a partir da emergência, em que a cultura convive com as daninhas sem perda econômica. O fim do PAI marca o início das perdas.
- PTPI (Período Total de Prevenção da Interferência): tempo em que a cultura deve permanecer no limpo para não sofrer perdas. Após o PTPI, novas daninhas não causam dano porque a cultura já sombreia e suprime as concorrentes.
- PCPI (Período Crítico de Prevenção da Interferência): intervalo entre o fim do PAI e o fim do PTPI. É a janela em que o controle precisa ser efetivamente executado.
A natureza irreversível da interferência é o que dá peso a esses conceitos.
Removida a daninha depois do PAI, a produtividade não se recupera.
Práticas que aceleram o crescimento inicial da cultura (semeadura no ponto, boa qualidade de semente, cultivar vigorosa, arranjo adequado) encurtam o PTPI e reduzem a dependência de controle prolongado.
Os períodos variam com a cultura, a cultivar, a densidade, a fertilidade e a composição da comunidade infestante.
A tabela reúne os valores das cinco culturas e de outras anuais como referência.
| Cultura | PAI | PCPI | PTPI | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Milheto | 0 a 20 DAE | 20 a 45 DAE | 0 a 45 DAE | Perdas de grão de 36% até 90% sem controle |
| Trigo | 0 a 15 DAE | 15 a 36 DAE | 0 a 36 DAE | Nabo + azevém, cv. de ciclo precoce-médio (Agostinetto et al., 2008) |
| Sorgo | 0 a 20 DAE | 20 a 45 DAE | 0 a 45 DAE | Estádios V3 a V7; perda até 35% (4 semanas) e até 70% (ciclo todo) |
| Arroz de sequeiro | 0 a 20 DAE | 20 a 50 DAE | 0 a 50 DAE | Divergência entre estudos; faixa conservadora 15 a 45 DAE |
| Milho | 0 a 20 DAS | 20 a 45 DAS | 0 a 45 DAS | Ramos e Pitelli, 1994 |
O caráter conservador da faixa do arroz merece atenção: o arroz C3 só fecha o dossel por volta de 45 DAE, e antes disso a competição com as gramíneas C4 de terras altas é sistematicamente desfavorável, o que empurra o PTPI para valores altos.
O fluxograma abaixo traduz a lógica temporal em decisão de campo.
flowchart TD
A[Emergência da cultura] --> B{Dentro do PAI?}
B -- Sim --> C[Conviver sem perda: controle ainda não imprescindível]
C --> D{Chegou ao fim do PAI?}
D -- Não --> C
D -- Sim --> E[Início do PCPI: executar o controle]
B -- Não --> E
E --> F{Passou o PTPI?}
F -- Não --> G[Manter a cultura no limpo]
G --> F
F -- Sim --> H[Dossel fechado: novas daninhas não causam dano]
Manejo integrado versus controle: a moldura de decisão¶
Controle é a ação pontual de um método; manejo é o sistema que integra métodos ao longo do tempo.
Confundir controle com manejo é o erro conceitual que sustenta a dependência exclusiva do herbicida. Controle é a ação de eliminar daninhas por um método específico numa dada operação. Manejo integrado de plantas daninhas é o sistema que combina todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produzir com danos econômicos abaixo do limiar, ao longo de todo o ciclo e das safras sucessivas.
O manejo decide quais controles usar, quando e em que combinação.
O critério que fecha essa decisão é econômico.
A redução da interferência deve ir até o ponto em que a perda evitada se iguala ao custo do controle, sem gasto além do necessário e sem prejuízo ao ambiente.
Nível de dano econômico
densidade de infestação a partir da qual o custo do controle se paga pela perda de produtividade evitada. Abaixo dele, controlar é gastar mais do que se recupera. O manejo integrado busca manter a população abaixo desse limiar, não a erradicação a qualquer custo.
Um bom programa de manejo se resume a três metas: máxima produção no menor tempo, máxima sustentabilidade da produção e mínimo risco.
O roteiro operacional cabe em dez passos, úteis como lista de verificação antes de decidir qualquer controle.
As dez palavras-chave do programa de manejo
- Monitorar as sementes e espécies da área.
- Identificar as espécies-problema e suas densidades.
- Estudar os métodos já usados na propriedade.
- Conhecer as espécies dominantes e suas interações.
- Prever as populações e suas mudanças.
- Decidir quando o controle deve ser feito.
- Escolher as tecnologias de controle compatíveis com o sistema.
- Considerar os recursos e as necessidades do produtor.
- Integrar o controle às demais medidas de proteção da cultura.
- Avaliar os impactos ambiental, social e econômico a curto e longo prazo.
Essa moldura reorganiza tudo o que vem a seguir.
Os métodos de controle, apresentados na sequência do preventivo ao químico, são peças de um sistema, e o herbicida é a última peça, não a primeira nem a única.
Os métodos não-químicos: preventivo, cultural, mecânico e biológico¶
Antes de aplicar qualquer produto, quatro métodos reduzem a infestação e a dependência do controle químico.
O controle preventivo impede a introdução, o estabelecimento e a disseminação de espécies-problema em áreas ainda não infestadas.
O elemento humano é a chave: usar sementes de alta pureza, limpar máquinas e colhedoras entre talhões, inspecionar mudas e matéria orgânica trazidas de fora, controlar daninhas em beiras de estradas, cercas, terraços e canais.
A legislação de sementes atua como controle preventivo em escala nacional, ao fixar limites de sementes de daninhas toleradas e listas de espécies proibidas.
O controle cultural usa as próprias características ecológicas da cultura para dar-lhe vantagem.
Rotação de culturas com espécies de hábito contrastante quebra o ciclo de daninhas adaptadas a uma única cultura.
Redução do espaçamento e ajuste da densidade antecipam o fechamento do dossel e o sombreamento das daninhas.
Coberturas verdes e adubação equilibrada reforçam o vigor inicial.
Esses ganhos aparecem nos dados: em milho, espaçamento reduzido para 0,45 m diminuiu a matéria seca de infestantes, efeito mais forte em híbridos de arquitetura foliar ereta, que sombreiam o solo mais cedo.
O controle mecânico ou físico reúne o arranquio manual, a capina com enxada, a roçada, a inundação, a solarização, a cobertura morta e o cultivo mecanizado.
Cada técnica tem um nicho: a roçada protege terrenos declivosos contra erosão em pomares e cafezais; a inundação erradica perenes difíceis como tiririca e grama-seda ao suspender o oxigênio das raízes, mas não afeta o capim-arroz, que tolera solo encharcado; a capina mecânica controla bem a entrelinha e mal a linha, exigindo complemento manual, e deve ser rasa para não trazer sementes de camadas profundas à zona de germinação.
O controle biológico usa inimigos naturais (fungos, insetos, peixes) para reduzir a população de uma daninha ao equilíbrio.
No arroz irrigado, a rizipiscicultura introduz carpa-capim e carpa-húngara, que se alimentam de sementes e plântulas.
A limitação é intrínseca: o agente precisa ser altamente específico, e ao controlar uma espécie costuma favorecer outra, o que torna o método eficiente apenas integrado a outros.
A tabela sintetiza os quatro métodos, seu mecanismo e sua principal limitação.
| Método | Mecanismo | Principal limitação |
|---|---|---|
| Preventivo | Barra a entrada de propágulos na área | Depende de disciplina operacional contínua |
| Cultural | Dá vantagem competitiva à cultura (dossel, rotação, vigor) | Reduz, não elimina, a infestação |
| Mecânico/físico | Elimina fisicamente a planta ou impede a germinação | Baixa eficiência na linha; risco de trazer sementes à superfície |
| Biológico | Inimigo natural reduz a população da daninha | Alta especificidade exigida; favorece outra espécie |
Controle químico: o herbicida como ferramenta do sistema¶
O herbicida é a ferramenta mais poderosa e mais perigosa do manejo, eficiente só quando integrada aos demais métodos.
O controle químico tornou-se indispensável por razões concretas: menor dependência de mão de obra escassa e cara, eficiência mesmo em épocas chuvosas, controle na linha de semeadura sem ferir as raízes da cultura, viabilização do plantio direto e capacidade de atingir daninhas de propagação vegetativa.
Os herbicidas respondem por mais da metade do volume de produtos fitossanitários comercializados no Brasil.
Esse poder cobra cuidado.
O herbicida é uma molécula que exige manuseio correto, com risco de intoxicação do aplicador e de contaminação de solo, água e alimentos.
Cerca de 80% dos problemas de campo com herbicidas vêm de falha de mão de obra na aplicação.
O produto é uma ferramenta a mais, não a substituta do sistema: usado como método único e generalizado, inviabiliza economicamente a lavoura e desequilibra o sistema de produção, além de acelerar a seleção de resistência.
A integração dos métodos aparece com clareza no manejo da tiririca, a daninha considerada a pior do mundo, presente em mais de 50 culturas e reproduzida por tubérculos e bulbos.
O plantio direto reúne três controles simultâneos e transforma uma espécie extremamente problemática em espécie comum.
O fluxograma mostra a lógica da integração.
flowchart TD
A[Área infestada com tiririca] --> B[Controle cultural: não revolver o solo]
B --> C[Tubérculos e rizomas não são fragmentados nem espalhados]
A --> D[Controle químico: dessecação com sistêmico glifosato + 2,4-D]
D --> E[Elimina a parte aérea sem cultivo do solo]
C --> F[Cultura competitiva: milho ou feijão sombreiam a tiririca]
E --> F
F --> G[Redução de 90% a 95% da população em 2 anos]
G --> H[Redução acima de 90% no banco de tubérculos em 3 anos]
O resultado quantitativo confirma o princípio da moldura: nenhum dos três métodos isolados alcançaria essa redução.
A dessecação sistêmica sem revolver o solo, somada à competição da cultura, esgota o banco de tubérculos ao longo de safras sucessivas.
Classificação dos herbicidas¶
Um mesmo herbicida se classifica por seletividade, espectro, translocação e época, e cada eixo decide um aspecto do uso.
O herbicida se organiza em quatro eixos independentes, e conhecer os quatro é o que permite escolher o produto certo para a situação certa.
Quanto à seletividade, o herbicida é seletivo quando uma espécie ou cultivar o tolera mais que outras, dentro de certas condições.
A seletividade é sempre relativa: depende do estádio, do clima, do solo e da dose.
O metribuzin é seletivo para a soja apenas em pré-emergência; em pós, mesmo em subdose, é tóxico.
O herbicida não seletivo atua sobre praticamente todas as plantas, usado como dessecante ou em aplicação dirigida (glifosato, glufosinato de amônio, diquat).
Quanto ao espectro de ação, distinguem-se os latifolicidas, eficientes sobre folhas largas (dicotiledôneas), e os graminicidas, eficientes sobre folhas estreitas (gramíneas).
O 2,4-D é latifolicida clássico; os "fops" e "dims" (haloxifope, cletodim, setoxidim) são graminicidas seletivos.
A atrazina controla bem dicotiledôneas e apenas regularmente as monocotiledôneas.
Quanto à translocação, o herbicida de contato atua no ponto onde penetra, sem se mover na planta (diquat, glufosinato de amônio, lactofen); o sistêmico se transloca pelo floema e/ou xilema, atingindo pontos distantes como as regiões meristemáticas e as estruturas subterrâneas (glifosato, 2,4-D, nicosulfuron, picloram).
Essa distinção decide o controle de perenes: só o sistêmico alcança rizomas e tubérculos.
Quanto à época de aplicação, o produto pode ser de pré-plantio incorporado (PPI, para moléculas voláteis como o trifluralin), pré-emergência (aplicado antes de a daninha ou a cultura emergir) e pós-emergência (após a emergência).
As tabelas separam cada eixo.
Os pares que se confundem merecem definição explícita.
| Eixo | Categoria | Definição | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Seletividade | Seletivo | Tolerado por uma cultura em certas condições | Atrazina no milho; metsulfurom no trigo |
| Seletividade | Não seletivo | Atua sobre quase todas as espécies | Glifosato, glufosinato |
| Espectro | Latifolicida | Controla folhas largas (dicotiledôneas) | 2,4-D, atrazina |
| Espectro | Graminicida | Controla folhas estreitas (gramíneas) | Haloxifope, cletodim |
| Translocação | Contato | Age no ponto de penetração | Diquat, glufosinato |
| Translocação | Sistêmico | Transloca-se pelo floema/xilema | Glifosato, nicosulfuron |
| Época | PPI / pré / pós | Antes do plantio, antes ou depois da emergência | Trifluralin (PPI); atrazina (pré ou pós) |
Modo de ação versus mecanismo de ação
o modo de ação é a sequência completa de reações do contato do produto à morte da planta; o mecanismo de ação é a primeira lesão bioquímica ou biofísica que desencadeia esse processo. Um herbicida pode afetar vários processos, mas seu mecanismo é a lesão inicial.
Seletivo versus não seletivo em pós de cereais
um cereal é gramínea; um graminicida que controla a daninha de folha estreita também tende a ferir a cultura. A seletividade em pós-emergência de gramíneas cultivadas depende de mecanismos bioquímicos internos, tratados na seção seguinte, não de o produto ser latifolicida ou graminicida.
Nota técnica
o erro mais comum e mais grave em recomendação é aplicar um herbicida não seletivo em pós-emergência de cultura convencional. Glifosato ou glufosinato aplicados sobre trigo, milho, arroz, sorgo ou milheto convencionais no estádio vegetativo matam a cultura, não apenas as daninhas. O não seletivo em pós só se justifica em três situações: cultura que carrega o evento de tolerância correspondente (milho RR, LL ou Enlist); aplicação dirigida, com jato na entrelinha sem atingir a cultura; ou pré-plantio e pré-emergência (dessecação, antes de a cultura emergir). Recomendar glifosato para o trigo em pleno perfilhamento é receita para perder a lavoura, não para controlar a daninha.
Mecanismos de ação e as bases da seletividade em cereais¶
A seletividade de um herbicida em cereal quase sempre nasce do metabolismo diferencial, não do produto em si.
Quanto ao mecanismo de ação, os herbicidas se agrupam pelo sítio bioquímico que inibem.
A tabela reúne os grupos relevantes para cereais, um exemplo de cada e o sintoma característico de fitotoxicidade, útil no diagnóstico de campo.
| Grupo (mecanismo) | Exemplo | Sintoma de intoxicação |
|---|---|---|
| Mimetizadores de auxina | 2,4-D, dicamba, picloram | Epinastia, retorcimento de caule e folhas, engrossamento de gemas |
| Inibidores do fotossistema II (triazinas, ureias) | Atrazina, simazina, diuron | Clorose que progride da borda para dentro, seguida de necrose |
| Inibidores da ALS (sulfonilureias, imidazolinonas) | Nicosulfuron, imazapic | Paralisação do crescimento, clorose, necrose e morte |
| Inibidores da ACCase (fops, dims) | Haloxifope, cletodim | Necrose do meristema, morte das gramíneas |
| Inibidores da EPSPs | Glifosato | Amarelecimento generalizado, morte lenta |
| Inibidores da HPPD (triquetonas) | Mesotrione, tembotrione | Branqueamento das folhas, necrose em 1 a 2 semanas |
| Inibidores de VLCFA (cloroacetamidas) | S-metolachlor, acetochlor | Coleóptilo não abre, folhas definitivas enrugadas |
| Inibidores da divisão celular (dinitroanilinas) | Trifluralin, pendimethalin | Paralisação do crescimento das radículas |
O ponto que os alunos costumam achar contra-intuitivo: um herbicida seletivo não "poupa" a cultura por escolha.
A seletividade nasce de quatro mecanismos, e o mais importante para os cereais é o metabolismo diferencial.
A seletividade por metabolismo diferencial ocorre quando a cultura degrada a molécula antes que ela atinja o sítio de ação.
O milho e o sorgo toleram a atrazina porque suas raízes contêm benzoxazinonas, que degradam rapidamente a molécula por hidroxilação e conjugação.
O arroz tolera o propanil porque suas folhas contêm de 10 a 30 vezes mais a enzima arilacilamidase que as gramíneas infestantes, degradando o herbicida antes que ele chegue ao cloroplasto.
A seletividade toponômica ou por posição protege culturas por barreira física: o diuron, pouco móvel no solo, não atinge as raízes do algodão em solo de textura média, mas pode intoxicá-lo em solo arenoso.
A absorção diferencial e a translocação diferencial completam o quadro.
Essa base metabólica tem uma consequência prática perigosa, que ilustra por que a seletividade é frágil.
O milho tolera o nicosulfuron porque o metaboliza depressa via citocromo P450.
Quebrar esse sistema de detoxificação transforma um produto seletivo em fitotóxico.
Nota técnica
o nicosulfuron exige intervalo de 7 dias em relação à adubação nitrogenada de cobertura e aos inseticidas organofosforados. O mecanismo do segundo caso é bioquímico: os organofosforados (por exemplo, acefato) inibem o citocromo P450, o mesmo sistema que degrada o nicosulfuron no milho. Sem a detoxificação, o herbicida se acumula e causa dano. Não é cautela genérica de bula, é incompatibilidade metabólica específica, e explica por que a seletividade em cereais precisa ser respeitada como um equilíbrio, não como garantia absoluta.
Dessecação e manejo pré-semeadura¶
A dessecação abre o plantio direto, e nas cinco culturas ela se apoia na dupla glifosato mais 2,4-D.
No plantio direto, a dessecação em pré-semeadura elimina a vegetação existente, forma a cobertura morta e garante o controle inicial.
A base é sempre um sistêmico não seletivo, o glifosato, capaz de atingir as estruturas subterrâneas das perenes, associado ao 2,4-D para reforçar o controle de folhas largas e da soja voluntária.
Essa combinação atende às cinco culturas de cereais, com sequenciais de contato (glufosinato de amônio, saflufenacil, diquat) ou graminicidas (fops e dims) quando há escapes ou daninhas resistentes ao glifosato.
O paraquat, bipiridílio de contato antes comum nessa etapa, teve o registro banido no Brasil (ANVISA, 2020) por risco toxicológico, e não deve mais ser recomendado.
A tabela reúne os dessecantes e seus intervalos de segurança até a semeadura.
| Dessecante | Ação | Intervalo até semear | Observação |
|---|---|---|---|
| Glifosato | Sistêmico, total | Sem intervalo obrigatório ("plante e aplique") | Cuidado em áreas de muita massa: plântula pode se intoxicar ao atravessar a palha em decomposição |
| 2,4-D | Sistêmico, folhas largas | 1 dia por 100 mL de produto aplicado | Ex.: 1,0 L/ha exige ~10 dias de espera |
| Glufosinato, saflufenacil ou diquat | Contato, ação rápida | 1 a 3 dias antes da semeadura | Sequenciais de "escape"; ocupam o lugar do paraquat, banido em 2020 |
| Graminicidas (haloxifope, cletodim) | Sistêmicos, gramíneas | 15 a 20 dias (produtos com residual) | Para azevém resistente ao glifosato, aplicar antecipado |
O manejo pré-semeadura precisa considerar o que a cultura anterior deixou no solo.
Os cereais, sobretudo o sorgo, estão entre as plantas mais sensíveis a resíduos de herbicidas, e o sorgo é usado como cultura-teste em protocolos de pesquisa de resíduo.
Cerrado / MT
na sucessão típica do Centro-Oeste, resíduos de herbicidas da soja (diclosulam, imazaquin, imazethapyr, sulfentrazone) e do algodão (clomazone, diuron, sulfentrazone) podem intoxicar milho e sorgo em safrinha. O estresse hídrico durante o cultivo antecessor reduz a degradação do herbicida no solo e aumenta o risco. Conhecer o histórico de aplicação da área é condição para semear o cereal em sucessão.
Resistência a herbicidas¶
Resistência é a conta da dependência química: a pressão de seleção repetida multiplica o biótipo que sobrevive.
Três conceitos precisam ser separados.
A planta sensível tem crescimento alterado e morre na dose recomendada.
A tolerância é característica inata de uma espécie, que sobrevive e se reproduz após o tratamento mesmo com injúria, por variabilidade genética natural.
A resistência é a capacidade adquirida por biótipos de uma população de sobreviver a doses que normalmente os controlariam, selecionada pelo uso repetido do herbicida.
Quatro mecanismos conferem resistência, isolados ou combinados.
A tabela os organiza com um exemplo de cada.
| Mecanismo | Como opera | Exemplo |
|---|---|---|
| Alteração do local de ação | Mutação muda o sítio, e o herbicida perde afinidade | Resistência a inibidores de ALS por mutação da prolina 197 (Pro-197) ou do triptofano 574 (Trp-574) |
| Metabolização | A planta degrada a molécula antes do sítio | Lolium rigidum a triazinas e inibidores de ACCase |
| Compartimentalização | A molécula é conjugada ou isolada no vacúolo | Resistência ao paraquat |
| Absorção e translocação reduzidas | Menos herbicida chega ao sítio de ação | Resistência aos bipiridílios |
A resistência cruzada ocorre quando um único mecanismo confere resistência a dois ou mais herbicidas; a resistência múltipla, quando a planta acumula dois ou mais mecanismos distintos e resiste a herbicidas de grupos químicos diferentes.
A múltipla é o problema mais grave: biótipos de Lolium rigidum na Austrália metabolizam inibidores de ACCase, ALS e fotossistema II e ainda possuem ACCase e ALS mutadas.
A evolução da resistência é darwiniana e silenciosa.
O uso repetido do mesmo mecanismo elimina os sensíveis e deixa o campo aos resistentes preexistentes.
O quadro mostra por que o problema só aparece quando já é grave.
| Ano de uso repetido | Plantas resistentes | Plantas sensíveis | Controle aparente | Percepção |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 1 | 1.000.000 | 99,9999% | Imperceptível |
| 3 | 1 | 1.000 | 99,9% | Imperceptível |
| 5 | 1 | 10 | 90,0% | Pouco perceptível |
| 6 | 1 | 5 | 80,0% | Perceptível |
| 7 | 1 | 2 | 50,0% | Evidente |
Antes de atribuir uma falha de controle à resistência, o agrônomo precisa descartar as causas triviais.
O fluxograma reproduz o roteiro de diagnóstico a campo.
flowchart TD
A[Falha de controle na lavoura] --> B{Produto, dose, estádio, calibração e clima foram adequados?}
B -- Não --> C[Corrigir a operação: não é resistência]
B -- Sim --> D{A falha atingiu só uma espécie?}
D -- Não --> C
D -- Sim --> E{Houve reinfestação por novas emergências?}
E -- Sim --> C
E -- Não --> F{Repetiu-se o mesmo mecanismo de ação?}
F -- Não --> C
F -- Sim --> G[Suspeita de resistência: coletar sementes e testar com doses crescentes]
G --> H[Confirmar em vaso e informar o fabricante]
A confirmação segue o método do HRAC: colher sementes de cerca de 40 plantas suspeitas e de plantas sensíveis padrão, semear e tratar com metade da dose, dose recomendada, o dobro e o quádruplo.
Diferença grande de controle aponta alteração do local de ação; diferença pequena aponta metabolismo.
Confirmada a resistência, erradicar as plantas remanescentes antes que reponham o banco de sementes é a primeira providência.
Rotação e associação de mecanismos de ação¶
Alternar e misturar mecanismos é o manejo integrado reaplicado à resistência: a estratégia é diversificar a pressão.
A prevenção da resistência repousa em dois processos: reduzir a pressão de seleção e controlar os resistentes antes que se multipliquem.
As práticas que os operacionalizam são o próprio manejo integrado voltado à resistência: usar herbicidas de mecanismos diferentes, fazer aplicações sequenciais, misturar produtos de mecanismos e detoxificação distintos, rotacionar mecanismos de ação, limitar a repetição de um mesmo herbicida, rotacionar culturas, métodos de controle e preparo do solo, e monitorar a flora.
A mistura de mecanismos funciona porque a probabilidade de uma planta resistir a dois mecanismos ao mesmo tempo é o produto de duas probabilidades pequenas.
Para que a mistura seja eficaz, os produtos devem controlar o mesmo espectro, ter persistência similar e mecanismos e detoxificação diferentes.
O quadro do HRAC gradua o risco conforme as práticas adotadas.
| Prática | Risco baixo | Risco médio | Risco alto |
|---|---|---|---|
| Mecanismos herbicidas usados | Mais de dois | Dois | Um |
| Mistura de herbicidas | Mais de dois mecanismos | Dois | Um |
| Métodos de controle | Cultural, mecânico e químico | Cultural e químico | Só químico |
| Rotação de culturas | Completa | Limitada | Nenhuma |
| Controle nos últimos 3 anos | Bom | Declinando | Ruim |
O Brasil já convive com casos que exigem essa estratégia.
A tabela reúne os biótipos resistentes de maior interesse para os cereais e sistemas relacionados.
| Biótipo | Nome comum | Mecanismo ao qual resiste |
|---|---|---|
| Lolium multiflorum | Azevém | Inibidores da EPSPs (glifosato); casos de ALS e ACCase |
| Bidens pilosa / B. subalternans | Picão-preto | Inibidores da ALS |
| Euphorbia heterophylla | Leiteiro | Inibidores da ALS; ALS + PPO |
| Brachiaria plantaginea | Capim-marmelada | Inibidores da ACCase |
| Digitaria ciliaris | Capim-colchão | Inibidores da ACCase |
| Echinochloa spp. | Capim-arroz | Auxina sintética (quinclorac) |
| Conyza bonariensis | Buva | Inibidores da EPSPs (glifosato) |
O azevém no Sul é o caso didático completo: começou resistente ao glifosato, evoluiu para ALS e ACCase e chegou à resistência múltipla, forçando a rotação de mecanismos e a volta dos métodos culturais.
A lição fecha o arco iniciado na moldura do manejo: a resistência é o preço de tratar o químico como método único, e sua solução é o próprio manejo integrado.
Particularidades por cereal¶
As cinco culturas partilham os conceitos, mas divergem no arsenal químico, e é aí que o manejo se diferencia.
A tabela mestre resume as diferenças que decidem o manejo de cada cereal, do metabolismo à resistência.
| Cultura | Rota | Herbicidas registrados (AGROFIT) | Daninha-chave | Resistência relevante |
|---|---|---|---|---|
| Milho | C4 | Amplo: ~17 i.a., inclui HPPD, ALS, triazinas, cloroacetamidas; eventos RR, LL e Enlist | Tiririca, corda-de-viola, capim-marmelada | Buva e azevém (glifosato) na sucessão |
| Trigo | C3 | 2,4-D, metsulfurom, graminicidas (fops/dims), pinoxaden | Nabo, azevém, buva | Azevém múltiplo |
| Arroz | C3 | Propanil, quinclorac, imidazolinonas (sistema Clearfield) | Capim-arroz, arroz-vermelho | Echinochloa (quinclorac) |
| Sorgo | C4 | Só atrazina, simazina e 2,4-D; nenhum graminicida | Capim-colchão, timbete | Limitada pela ausência de moléculas |
| Milheto | C4 | Só atrazina e 2,4-D | Corda-de-viola, gramíneas | Não relevante (arsenal mínimo) |
O contraste que organiza a comparação: quanto mais rico o arsenal, mais o manejo pode se apoiar na química; quanto mais pobre, mais o manejo cultural vira a espinha dorsal.
Sorgo e milheto, ambos gramíneas sem graminicida seletivo registrado, dependem de entrar bem estabelecidos, com estande cheio, espaçamento reduzido e palhada, porque a única defesa contra gramíneas daninhas é o sombreamento e a competição da própria cultura.
As espécies mais problemáticas mudam por cultura e por sistema de cultivo, e reconhecê-las orienta a escolha de mecanismo e de época.
A tabela reúne as principais de cada cereal.
| Cultura | Plantas daninhas mais problemáticas |
|---|---|
| Trigo | Nabo e nabiça (Raphanus raphanistrum, R. sativus), azevém (Lolium multiflorum), buva (Conyza bonariensis, C. canadensis), aveia-preta (Avena strigosa) |
| Milho (verão) | Tiririca (Cyperus rotundus), capim-marmelada (Brachiaria plantaginea), corda-de-viola (Ipomoea spp.), timbete (Cenchrus echinatus) |
| Milho (safrinha) | Predomínio de folhas largas: picão-preto (Bidens spp.), corda-de-viola (Ipomoea spp.), trapoeraba (Commelina benghalensis) |
| Arroz de terras altas | Capins C4: braquiárias, capim-colchão (Digitaria spp.), timbete (Cenchrus echinatus), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica); trapoeraba e corda-de-viola |
| Arroz irrigado | Capim-arroz (Echinochloa crus-galli, E. colonum), arroz-vermelho (Oryza sativa), ciperáceas (junquinho, cuminho) |
| Sorgo | Capim-colchão (Digitaria spp.), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), corda-de-viola (Ipomoea spp.), timbete |
| Milheto | Corda-de-viola (Ipomoea grandifolia) e gramíneas anuais em geral |
A época de controle em pós-emergência é decidida pelo estádio das plantas daninhas e limitada pela tolerância da cultura.
Perder essa janela significa controle deficiente (daninha grande demais) ou fitotoxicidade (cultura fora do estádio seguro).
| Cultura | Janela de pós-emergência | Limite imposto pela cultura |
|---|---|---|
| Trigo | 2,4-D no perfilhamento inicial (a partir do início do perfilhamento) e antes do emborrachamento; metsulfurom e graminicidas com as daninhas jovens | Fora dessa janela, o 2,4-D causa fitotoxicidade ao trigo |
| Milho | Folhas largas até 6 folhas; gramíneas até 3 a 4 perfilhos; não aplicar nos primeiros 5 dias após a emergência | Fitotoxicidade sobe acima de 6 folhas do milho; jato dirigido com a lavoura a 50 a 80 cm |
| Arroz | Aplicação precoce, com o arroz entre 3 e 4 folhas (início do perfilhamento) | Controle tardio, já no perfilhamento ativo, reduz o número de panículas/m² |
| Sorgo | Sorgo de 3 a 5 folhas; a atrazina alcança as dicotiledôneas até cerca de 6 folhas e as gramíneas até o início do perfilhamento | Eficiência cai acentuadamente após esses estádios |
| Milheto | 2,4-D com o milheto a partir de 3 a 4 folhas ou 25 cm de altura | Antes desse porte, risco de fitotoxicidade à cultura |
Milho: três sistemas, três manejos¶
O milho não tem um único manejo de daninhas, tem três, conforme o arranjo de cultivo.
A distinção é decisiva porque o que é seletivo num sistema é destrutivo em outro.
No milho solteiro, o arsenal completo está disponível: pré-emergentes (atrazina, s-metolachlor, isoxaflutole), pós-emergentes latifolicidas (atrazina, 2,4-D, mesotrione, tembotrione) e graminicidas seletivos (nicosulfuron, foramsulfuron), com jato dirigido na entrelinha como recurso de escape.
É o sistema em que a seletividade metabólica do milho, via P450 e benzoxazinonas, é aproveitada ao máximo.
No milho consorciado com braquiária (integração lavoura-pecuária), o objetivo se inverte: não eliminar a gramínea companheira, mas contê-la sem matá-la.
O manejo usa doses reduzidas de nicosulfuron, da ordem de 20% a 50% da dose do milho solteiro, para apenas paralisar o crescimento da braquiária enquanto o milho se estabelece.
A dose ideal ainda está em estudo, e o erro para mais elimina o capim, para menos não o segura.
No milho consorciado com crotalária ou mix de plantas de cobertura (nabo forrageiro, crotalária, coquetéis), o manejo químico praticamente desaparece.
As companheiras são dicotiledôneas, e qualquer latifolicida (atrazina, 2,4-D, mesotrione) que controlasse as folhas largas daninhas mataria também a crotalária e o nabo; um graminicida, por sua vez, feriria o milho.
Infere-se dessa incompatibilidade que o controle de daninhas no consórcio com mix se apoia quase inteiramente no posicionamento de pré-emergentes antes da semeadura das companheiras, no manejo cultural e no efeito de abafamento do próprio coquetel, que fecha o solo e suprime as daninhas por competição e cobertura.
Milho tolerante a herbicida: RR, Liberty Link e Enlist¶
A biotecnologia criou seletividade onde a metabólica não existia, e é ela que legitima o uso de não seletivos em pós-emergência do milho.
Cada evento insere genes que tornam a planta tolerante a um ou mais herbicidas, convertendo produtos que matariam o milho convencional em ferramentas de pós.
O milho RR (Roundup Ready) expressa uma versão da enzima EPSPs insensível ao glifosato, o que permite aplicar o herbicida em pós-emergência sem intoxicar a cultura.
O milho Liberty Link (LL) carrega o gene pat (ou bar), que produz a enzima capaz de detoxificar o glufosinato de amônio, inibidor da glutamina sintetase, tolerando esse herbicida em pós.
O milho Enlist é o evento mais recente e mais amplo: combina genes que conferem tolerância a quatro herbicidas de mecanismos diferentes, o 2,4-D colina (auxínico), o glifosato (EPSPs), o glufosinato de amônio (glutamina sintetase) e o graminicida haloxifope (ACCase).
Essa amplitude devolve ao produtor vários mecanismos para rotacionar contra folhas largas e gramíneas já resistentes ao glifosato.
A formulação de 2,4-D colina do sistema (Enlist Colex-D) tem baixa volatilidade, o que reduz o risco de deriva sobre culturas dicotiledôneas sensíveis na vizinhança.
Os eventos estaqueados somam essas tolerâncias à resistência a insetos (Bt) e continuam exigindo área de refúgio por causa do componente Bt.
| Evento | Herbicida(s) tolerado(s) | Mecanismo do herbicida |
|---|---|---|
| RR (Roundup Ready) | Glifosato | Inibidor da EPSPs |
| Liberty Link (LL) | Glufosinato de amônio | Inibidor da glutamina sintetase |
| Enlist | 2,4-D colina + glifosato + glufosinato + haloxifope | Auxínico + EPSPs + glutamina sintetase + ACCase |
A implicação de manejo fecha o arco com o erro mais comum de recomendação: só nesses eventos é legítimo aplicar o não seletivo por cima do milho, e ainda assim respeitando o estádio-limite da cultura.
A própria história brasileira mostra o custo de ignorar a rotação: a sucessão soja RR e milho RR, apoiada apenas no glifosato, selecionou buva e azevém resistentes, e é justamente o que motiva a chegada de eventos como o Enlist, que recolocam mais de um mecanismo à disposição do produtor.
O manejo de daninhas em cereais é um problema de decisão antes de ser um problema de produto.
Quem trata o herbicida como primeira resposta, e não como última peça de um sistema, colhe resistência em poucas safras e perde as moléculas que ainda funcionam.
Quem entende que sorgo e milheto são reféns do manejo cultural, que o milho muda de regra conforme esteja solteiro ou consorciado, e que a seletividade do nicosulfuron se desfaz diante de um organofosforado, decide com a cultura na frente, não com a bula.
É essa leitura integrada, da fisiologia C3 e C4 ao arsenal registrado em cada AGROFIT, que separa o técnico que controla daninhas do técnico que as maneja.
Referências¶
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BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. AGROFIT: sistema de agrotóxicos fitossanitários. Brasília, DF: MAPA, 2026. Disponível em: https://agrofit.agricultura.gov.br. Acesso em: jul. 2026.
COBUCCI, T.; RABELO, R. R.; SILVA, W. Manejo de plantas daninhas na cultura do arroz de terras altas na região dos Cerrados. Santo Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2001. 60 p. (Circular Técnica, 42).
CORTEVA AGRISCIENCE. Sistema Enlist: tecnologia de tolerância a herbicidas para milho e soja. Barueri: Corteva Agriscience, 2024. Disponível em: https://www.corteva.com/br. Acesso em: jul. 2026.
EMBRAPA. Arroz: o produtor pergunta, a Embrapa responde. 2. ed. rev. ampl. Brasília, DF: Embrapa, 2013. (Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas).
EMBRAPA. Milho: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2011. (Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas).
EMBRAPA. Sorgo: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília, DF: Embrapa, 2015. (Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas).
EMBRAPA. Trigo: o produtor pergunta, a Embrapa responde. Brasília, DF: Embrapa, 2016. (Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas).
JAKELAITIS, A. et al. Dinâmica populacional de plantas daninhas sob diferentes sistemas de manejo nas culturas de milho e feijão. Planta Daninha, Viçosa, v. 21, n. 1, p. 71-79, 2003.
MARIANI, F.; VARGAS, L. Manejo de plantas daninhas na cultura do trigo. Revista Plantio Direto, Passo Fundo, v. 21, n. 128, p. 18-24, 2012.
PITELLI, R. A. Interferência de plantas daninhas em culturas agrícolas. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 11, n. 129, p. 16-27, 1985.
RAMOS, L. R. M.; PITELLI, R. A. Efeitos de diferentes períodos de controle da comunidade infestante sobre a produtividade da cultura do milho. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 29, n. 10, p. 1523-1531, 1994.
SILVA, A. A. da et al. Controle de plantas daninhas. Brasília, DF: ABEAS; Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 2006. (Curso de Proteção de Plantas. Módulo 3).
Aula 09: Manejo Integrado de Plantas Daninhas em Cereais · Lista de Exercícios (perguntas)¶
Tip
Tente responder antes de olhar o gabarito das respostas, ao final desta página. O esforço de recuperar da memória, mesmo com erro, é o que consolida a aprendizagem; conferir a resposta antes de tentar rende muito menos. As questões do Bloco A não têm gabarito: serão discutidas no início da Aula 10. As dos Blocos B e C têm gabarito comentado no gabarito das respostas, ao final desta página.
Bloco A: Recuperação (discussão no início da Aula 10)¶
A1. Na Aula 08 você viu que a adubação de semeadura entrega o fósforo inteiro, parte do potássio e uma dose de arranque de nitrogênio, "o suficiente para a plântula sair bem nos primeiros dias". Na Aula 09, a regra que organiza o período crítico é que "a primeira planta que se estabelece tende a excluir as demais", e as práticas que aceleram o crescimento inicial da cultura encurtam o PTPI. (i) Ligue as duas aulas: como uma adubação de arranque bem feita reduz a dependência do controle de daninhas ao longo do ciclo? (ii) Um produtor concentrou nitrogênio e potássio demais no sulco e queimou parte do estande. Explique, cruzando a salinidade no sulco (Aula 08) com o período crítico (Aula 09), por que essa falha na largada agrava a competição com as daninhas.
A2. O texto afirma que arroz e trigo são C3 e milho, sorgo e milheto são C4, e que "entre as dez daninhas mais nocivas do mundo, oito são C4". (i) Por que a faixa de PTPI do arroz de sequeiro (0 a 50 DAE) é a mais conservadora entre as cinco culturas, e o que a base fisiológica C3 tem a ver com isso? (ii) Explique por que um produtor de milho, sorgo ou milheto "disputa recursos com daninhas que compartilham exatamente a mesma maquinaria fisiológica de alta eficiência da sua cultura", e o que isso muda no manejo em comparação com arroz e trigo.
A3. A moldura da aula separa controle (ação pontual de um método) de manejo integrado (sistema que combina métodos ao longo do tempo), e fecha com o nível de dano econômico como critério de decisão e a rotação/associação de mecanismos de ação (quadro HRAC) como estratégia contra a resistência. (i) Por que tratar o herbicida como primeira resposta, e não como última peça do sistema, "colhe resistência em poucas safras"? (ii) A próxima aula pergunta quando uma população de insetos passa a representar prejuízo econômico. Que conceitos desta aula você espera reencontrar, quase sem mudar, no manejo integrado de pragas?
Bloco B: Consolidação da Aula 09¶
B1. (múltipla escolha) Um técnico, diante de azevém em pleno perfilhamento numa lavoura de trigo convencional, recomenda glifosato em pós-emergência "porque é sistêmico e resolve a gramínea". Avalie a recomendação.
(a) Mata o trigo: o glifosato não é seletivo e o cereal convencional não o tolera em pós-emergência.
(b) Está correta, pois o glifosato é um graminicida seletivo que controla o azevém de folha estreita sem ferir o trigo.
(c) Está correta em subdose, porque a redução da dose torna o glifosato seletivo, poupando o trigo e controlando o azevém.
(d) Funciona como dessecante seletivo, pois o glifosato sistêmico se transloca apenas para o azevém, não para o trigo.
B2. (múltipla escolha) Num milho cujo PAI vai de 0 a 20 DAS e o PTPI até 45 DAS (Ramos e Pitelli, 1994), o produtor só entrou com o controle aos 30 DAS. Sobre o resultado:
(a) Como controlou antes dos 45 DAS, ainda dentro do PTPI, a lavoura não sofre perda de produtividade.
(b) A perda só existiria se ele deixasse as daninhas o ciclo inteiro; controlar aos 30 DAS zera o prejuízo.
(c) Parte da perda é irreversível: o PAI terminou aos 20 DAS e o rendimento perdido não retorna.
(d) O controle aos 30 DAS antecipa o fim do PTPI e devolve a produtividade que vinha sendo perdida.
B3. (múltipla escolha) Para reduzir uma infestação de tiririca (Cyperus rotundus), que se reproduz por tubérculos e bulbos, a propriedade discute qual característica do herbicida é decisiva. A escolha tecnicamente correta baseia-se em:
(a) usar um graminicida seletivo (cletodim), supondo que a tiririca seja uma gramínea de folha estreita.
(b) usar um herbicida de contato (diquat), que queima a planta inteira e esgota os tubérculos.
(c) usar um pré-emergente, que atinge o tubérculo antes de ele brotar e impede a rebrota.
(d) usar um sistêmico (glifosato), que se transloca e alcança as estruturas subterrâneas.
B4. (múltipla escolha) Numa sucessão soja RR e milho RR conduzida só com glifosato, apareceram buva e azevém resistentes. Pelo quadro de risco do HRAC, a prática que mais reduz a seleção de novos resistentes é:
(a) aumentar a dose do glifosato a cada safra para superar os biótipos sobreviventes na área.
(b) integrar mais de dois mecanismos de ação, métodos culturais e rotação de culturas.
(c) alternar as marcas comerciais de glifosato disponíveis no mercado a cada aplicação.
(d) misturar no tanque dois produtos formulados à base do mesmo inibidor da EPSPs.
B5. (aberta) O texto afirma que "a seletividade de um herbicida em cereal quase sempre nasce do metabolismo diferencial, não do produto em si". (i) Explique, com os exemplos da fonte, como milho e sorgo toleram a atrazina e como o arroz tolera o propanil. (ii) O milho tolera o nicosulfuron por metabolizá-lo via citocromo P450. Por que aplicar acefato (organofosforado) poucos dias antes ou depois pode transformar esse herbicida seletivo em fitotóxico?
B6. (aberta) No milho, "o que é seletivo num sistema é destrutivo em outro". Compare o manejo químico de daninhas nos três arranjos: (i) milho solteiro; (ii) milho consorciado com braquiária (integração lavoura-pecuária); (iii) milho consorciado com um mix de plantas de cobertura (nabo forrageiro, crotalária). Explique por que a dose de nicosulfuron muda entre (i) e (ii) e por que o manejo químico "praticamente desaparece" em (iii).
B7. (aberta) Sorgo e milheto são gramíneas C4 sem nenhum graminicida seletivo registrado (o sorgo conta só com atrazina, simazina e 2,4-D; o milheto, só com atrazina e 2,4-D), enquanto o milho dispõe de arsenal amplo. (i) Explique por que, nessas duas culturas, o manejo cultural "vira a espinha dorsal". (ii) Que práticas culturais específicas o texto indica para suprir a falta de graminicida, e qual é o mecanismo pelo qual elas controlam a gramínea daninha?
Bloco C: Cálculo e diagnóstico¶
C1. (cálculo/diagnóstico) Num plantio direto, o produtor quer semear milho o quanto antes. No dia 0 aplicou a dessecação de base, glifosato + 2,4-D, com o 2,4-D a 1,25 L/ha (1.250 mL/ha). Como houve escape de folhas largas, planeja um sequencial de contato com glufosinato de amônio. Usando os intervalos de segurança da fonte: (i) calcule o intervalo mínimo até a semeadura imposto pelo 2,4-D; (ii) informe o intervalo do glifosato e do glufosinato; (iii) conclua qual produto comanda a data de semeadura e em quantos dias, no mínimo, o milho pode ser semeado. Arredonde a 4 casas decimais.
C2. (diagnóstico) Numa sucessão no Sul, o produtor faz a dessecação de pré-semeadura só com glifosato há vários anos. Nesta safra, o azevém (Lolium multiflorum) escapou: sobrou verde depois da aplicação. Ele conferiu, e o produto, a dose, o estádio, a calibração e o clima estavam adequados; a falha atingiu só o azevém; não houve reinfestação por novas emergências; e repetiu-se o mesmo mecanismo de ação (inibidor da EPSPs) todos os anos. (i) Percorra o roteiro de diagnóstico do texto e diga a que conclusão ele leva. (ii) Como confirmar a suspeita pelo método do HRAC? (iii) Que estratégia de manejo o texto recomenda para o caso, e por que o azevém é o exemplo didático mais completo?