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Gabarito comentado, Aula 05: Formulações de Produtos Fitossanitários

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Tip

Use este gabarito depois de tentar resolver sozinho. Cada questão explica por que a resposta certa é certa e por que cada distratora é tentadora, é aí que mora metade do aprendizado. O Bloco A não tem gabarito aqui: é discutido no início da próxima aula.

Bloco B: consolidação da aula

B1. Gabarito: (B). O EC no galão é uma solução clara ou levemente turva do ingrediente ativo em solvente orgânico, não é uma emulsão. A emulsão (aspecto leitoso) só se forma no tanque, quando o concentrado encontra a água e o emulsificante se posiciona na interface solvente-água.

(A) inverte isso, tomando o aspecto da calda como se fosse o esperado no galão.

(C) confunde com ME, que é outro código e outro produto.

(D) confunde com SC, que teria partículas sólidas em suspensão, não uma solução em solvente.

B2. Gabarito: (C). Calda translúcida, homogênea em escala molecular e estável sem agitação é o comportamento da solução verdadeira, próprio das formulações sólidas solúveis SP e SG, em que o ativo se dissolve, e não apenas se dispersa.

(A) WP, (B) SC e (D) WG formam suspensão turva, com partículas sólidas que exigem agitação e podem sedimentar, o oposto de uma calda translúcida estável. A distratora explora exatamente a confusão entre dissolver (solução) e dispersar (suspensão).

B3. Resposta esperada.

No WG, as mesmas partículas do pó molhável são aglomeradas em grânulos de 0,2 a 4,0 mm; ao contato com a água o grânulo se desintegra e regenera o pó fino, formando a mesma suspensão do WP, mas o caminho até lá é mais seguro.

Vantagens do WG sobre o WP (citar ao menos três): (1) pouca formação de poeira no manuseio, com redução significativa da exposição inalatória do operador; (2) dosagem mais fácil por volume, porque a densidade aparente do grânulo é mais consistente que a do pó solto (no WP a dosagem é por massa, menos intuitiva); (3) facilidade de uso de embalagem hidrossolúvel, em que o saco de polímero solúvel vai direto à água, eliminando o contato do operador com o produto.

O WP ainda resiste nos fungicidas multissítios (mancozebe, clorotalonil e oxicloreto de cobre), que voltaram a ganhar espaço no manejo de resistência e continuam frequentemente comercializados nessa formulação.

B4. Resposta esperada.

Nenhum precisa estar fraudado. A concentração e a sigla dizem o que e quanto de ativo há, mas não dizem como ele foi formulado. Uma formulação carrega, além do ativo, de cinco a sete famílias de "outros ingredientes" (o que a lavoura chama de inerte): emulsificantes, dispersantes, molhantes, espessantes, antiespumantes e outros.

No caso de dois SC, são justamente os dispersantes e o estabilizador de viscosidade que definem se a suspensão fica bem dispersa e estável ou se sedimenta e trava a ponta. Essas escolhas são definidas por cada fabricante e raramente reveladas, costumam ser segredo industrial.

A norma exige equivalência toxicológica e ecotoxicológica entre produtos com o mesmo ativo, mas não exige identidade entre as formulações. Por isso dois produtos com o mesmo ativo, mesma concentração e mesma sigla podem entregar desempenho de campo distinto, na compatibilidade, na estabilidade da calda e até na deposição foliar, sem que haja fraude. A lição prática: comparar produtos só pela concentração e pela sigla não basta; o comportamento na calda depende da formulação específica.

B5. Gabarito: (A). A CS tem um risco específico para abelha: a microcápsula pode ser carregada pela operária para dentro da colmeia, onde o ingrediente ativo é liberado gradualmente no meio do enxame, um mecanismo de exposição diferente do contato direto com calda fresca, que pode ser subestimado em análise que considera só o momento da aplicação. Por isso a aplicação de CS em cultura em floração exige cuidado redobrado quanto à proximidade de apiário e ao horário.

(B) e (C) tratam o encapsulamento como se fosse sinônimo de segurança para a abelha, exatamente o erro que o texto desfaz.

(D) nega que a formulação crie um risco próprio, quando o problema é justamente específico da CS.

B6. Resposta esperada.

Dois problemas encadeados.

(1) Sedimentação e perda de homogeneidade: a SC é uma suspensão de partículas sólidas que exige agitação intensa e contínua (retorno de pelo menos 30% da vazão nominal da bomba ao tanque). Com agitação deficiente, a partícula concentra no fundo do tanque durante a jornada: as últimas linhas aplicadas recebem calda mais concentrada, ou praticamente só água se o sólido sedimentou por completo, comprometendo a homogeneidade do tratamento inteiro.

(2) Sedimentação compactada na calda pré-preparada: em calda deixada para uso posterior o risco é maior, porque a partícula sedimentada pode compactar no fundo e não se redispersar nem com agitação forte depois.

Vale ainda lembrar a abrasividade da suspensão (WP, SC, WG), que desgasta a ponta de pulverização e o filtro; volume baixo de calda agrava o desgaste por concentrar mais partícula no sistema; ponta desgastada altera vazão e espectro de gota sem o operador perceber, comprometendo a calibração.

Conduta correta: manter agitação contínua, não pré-preparar calda de SC para uso posterior e monitorar o desgaste da ponta.

Bloco C: cálculo e diagnóstico

C1. Resolução (4 casas decimais).

(i) Percentual de e.a. no sal de isopropilamina: % e.a. = (169 ÷ 228) × 100 = 74,1228%. Ou seja, cerca de 74% da massa do sal é molécula ativa; os cerca de 26% restantes são o íon isopropilamina, que solubiliza a molécula em água mas não tem ação biológica.

(ii) Dose de produto comercial para 720 g e.a./ha (dose = 720 ÷ concentração em e.a.):

  • Produto A (360 g e.a./L): 720 ÷ 360 = 2,0000 L/ha.
  • Produto B (540 g e.a./L): 720 ÷ 540 = 1,3333 L/ha.
  • Produto C (720 g e.a./kg): 720 ÷ 720 = 1,0000 kg/ha.

(iii) Comentário: a recomendação vem em g e.a./ha, não em quantidade de produto comercial, justamente porque o mesmo ativo existe em formas químicas de massa molar distinta (sal de isopropilamina, potássico, de amônio, éster). A mesma massa de produto formulado entrega quantidades diferentes de molécula ativa. Comparar A, B e C pela concentração do sal faria parecer que o mais concentrado "rende menos por litro", mas o que interessa é o equivalente ácido: os três, ajustados pelo e.a., entregam os mesmos 720 g e.a./ha em volumes ou massas diferentes. Ignorar o e.a. e dosar pela concentração aparente do sal é o caminho mais direto para um erro grave de dose.

C2. Diagnóstico e recomendação esperados.

A conduta acumula três erros previsíveis para um WP.

  1. Pó jogado direto no tanque seco ou com água forma grumo. O WP exige pré-diluição obrigatória: misturar antes com pequena quantidade de água em recipiente auxiliar até formar pasta fluida, que só então vai ao tanque sob agitação. Adicionado direto, o pó forma grumo que não se dispersa mesmo com agitação intensa e pode entupir filtro e ponta.

  2. Volume baixo de calda agrava a abrasão. O WP forma suspensão de partículas com potencial abrasivo sobre ponta de pulverização e filtro, sobretudo com veículo mineral de dureza elevada; volume baixo concentra mais partícula no sistema e agrava esse desgaste. Ponta desgastada altera vazão e espectro de gota sem o operador perceber, comprometendo a calibração e a uniformidade.

  3. Jornada longa com agitação insuficiente compromete a homogeneidade. O WP exige agitação mantida para evitar sedimentação; com agitação deficiente, a partícula concentra no fundo e as últimas linhas recebem calda mais concentrada, ou quase só água se o sólido sedimentou por completo.

Recomendações: fazer a pré-diluição do WP em pasta fluida antes de ir ao tanque; manter agitação contínua durante toda a jornada; não reduzir o volume de calda ao ponto de concentrar demais a partícula (rever a taxa de aplicação); e monitorar o desgaste da ponta e do filtro. Cuidado adicional de manuseio: o WP tem risco inalatório no preparo (pó fino), exigindo EPI adequado, motivo pelo qual a indústria vem substituindo o WP por WG e SC.