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Gabarito comentado, Aula 06: Calda Fitossanitária e Taxa de Aplicação

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Confira suas respostas depois de tentar resolver. O comentário explica por que a alternativa correta está certa e por que cada distratora é tentadora, é aí que mora metade do aprendizado. O Bloco A não tem gabarito aqui: é discutido no início da próxima aula.

Bloco B: consolidação da aula

B1. Gabarito: (B). 80 L/ha é calda por área: taxa de aplicação (sinônimo de volume de aplicação), parâmetro de operação do pulverizador. O volume de calda é a quantidade física no tanque, medida absoluta em litros: os 2.400 L.

(A) confunde taxa com dose (a dose aqui é 0,5 L/ha do produto comercial).

(C) inverte os dois conceitos: volume de calda não é "por área".

(D) funde dose e taxa, que são variáveis independentes (a mesma dose pode ser aplicada em taxas muito diferentes).

B2. Gabarito: (C). Em pH alcalino (9,0) a cipermetrina sofre hidrólise alcalina; o texto quantifica: perde 55% em 2 horas e 90% em 24 horas.

(A) troca o mecanismo por dureza (cátions Ca²⁺/Mg²⁺), que não é o problema aqui; o problema é o pH.

(B) chama a água de "ácida", quando pH 9,0 é alcalino, e supõe preservação inexistente.

(D) atribui à cipermetrina a insensibilidade ao pH que o texto reserva a metribuzim, clorotalonil e fenarimol; a cipermetrina tem pH ideal 4,0.

B3. Resposta esperada.

O efeito é contraintuitivo, mas está na equação de inativação: % inativado = (Va × Dureza_Ca × 0,00047) / Dose. O volume de água (Va) está no numerador: quanto menor o volume, menor a fração de glifosato inativada pelos cátions (o texto exemplifica: a 100 L/ha cerca de 18,8% é inativado; a 50 L/ha cai para cerca de 9,4%).

A razão física é que os cátions bivalentes (Ca²⁺, Mg²⁺) se ligam à molécula de glifosato e a precipitam; mais água significa mais cátions disponíveis por hectare para desativar o ativo. Por isso, em água dura, reduzir a taxa protege o glifosato, o contrário do que a intuição de campo sugere.

Correção da dureza: adicionar quelatizante ou surfatante não iônico antes de qualquer produto, sendo o sulfato de amônio a 3,0 kg por 100 L de calda a opção mais usada para proteger formulações de glifosato em água dura. A literatura admite para o glifosato dureza total de até 150 ppm.

B4. Gabarito: (A). O texto é explícito: taxas abaixo de 50 L/ha para fungicidas de contato em soja com dossel fechado (R5 em diante) representam risco técnico real de subdose de cobertura, mesmo com a dose correta do produto, porque o produto de contato não se redistribui e exige cobertura alta (acima de 50%, densidade acima de 50 a 70 gotas/cm²).

(B) inverte a lógica: quem tolera volume reduzido é o sistêmico, não o de contato.

(C) erra a classe: 45 L/ha é muito baixo volume em Matthews (anuais), não médio volume (200 a 600 L/ha).

(D) supõe compensação total: a gota fina eleva cobertura, mas evapora e deriva mais no Cerrado, agravando o risco em vez de anulá-lo.

B5. Resposta esperada.

A calda é um sistema instável a partir do momento em que é preparada: a degradação dos ativos por hidrólise começa de imediato (mais rápida com pH alto e temperatura elevada), e as formulações salinas (glifosato, 2,4-D amina, glufosinato) são justamente as mais vulneráveis à formação de fases e à cristalização quando ficam paradas por muito tempo.

Guardar a calda por mais de 24 horas é tecnicamente inaceitável para a maioria dos produtos: além da degradação, há sedimentação ou separação e perda de uniformidade, de modo que as primeiras passadas do dia seguinte podem sair mais fracas e as últimas mais concentradas.

O princípio é simples: preparar a calda imediatamente antes do uso e consumir no mesmo dia, estimando antes de encher o tanque o tempo total (preparo mais deslocamento mais aplicação). Caldas salinas em repouso por mais de 80 a 100 minutos já pedem reavaliação visual e, se possível, filtragem em malha de 50 a 80 mesh.

Conduta: não guardar de um dia para o outro; preparar apenas o volume que se consegue aplicar na janela disponível.

B6. Resposta esperada.

Não é a mesma aplicação porque a superfície vegetal a cobrir muda drasticamente com o estádio, e ela está no denominador de Courshee (C = 15 × (V × R × K²) / (A × D)): quanto maior A (que acompanha o IAF), menor a cobertura para o mesmo volume V. Na soja, o IAF em V5 é baixo (tipicamente menor que 1); em R5 pode ultrapassar 5.

Em R5, com dossel fechado, os 80 L/ha se distribuem sobre muito mais folha, e a cobertura cai: pode ser insuficiente, sobretudo para o componente de contato, exigindo aumentar a taxa para manter a eficácia.

Em V5, com pouca área foliar, o mesmo volume (e a dose calculada por hectare para planta adulta) é depositado sobre pouca folha, resultando com frequência em sobredose por área foliar, com risco de fitotoxicidade e custo desnecessário.

A conclusão do texto: tratar a taxa como número fixo da safra é o principal erro de concepção; ela precisaria aumentar à medida que a cultura cresce para manter a eficácia constante.

Bloco C: cálculo e diagnóstico

C1. Cálculo: taxa de aplicação.

(i) Q = (qᵢ × 60.000) / (V × eᵢ) = (0,8 × 60.000) / (12 × 50) = 48.000 / 600 = 80,0000 L/ha.

(ii) qᵢ = (V × eᵢ × Q) / 60.000 = (12 × 50 × 130) / 60.000 = 78.000 / 60.000 = 1,3000 L/min.

(iii) A regulagem ajusta a máquina no papel (escolher a ponta que entrega aproximadamente 1,3 L/min na pressão desejada, buscando o valor no catálogo do fabricante). A calibração é a verificação empírica, em campo, de que o pulverizador regulado está de fato entregando a taxa planejada, feita depois da regulagem, não no lugar dela. Sobre a taxa: 80 L/ha está na faixa praticada no Cerrado para fungicidas em soja (80 a 130 L/ha), mas em R5, com dossel fechado e componente de contato, o piso de segurança de cobertura sobe; por isso elevar para 130 L/ha (aumentando qᵢ para 1,3 L/min, ou seja, trocando por uma ponta de maior vazão) reduz o risco de subdose de cobertura.

C2. Cálculo: inativação por dureza.

(i) Dureza_Ca = 500 / 2,5 = 200,0000 ppm.

(ii) A 120 L/ha: % inativado = (120 × 200 × 0,00047) / 1,2 = 11,28 / 1,2 = 9,4000%.

A 60 L/ha: % inativado = (60 × 200 × 0,00047) / 1,2 = 5,64 / 1,2 = 4,7000%.

(iii) Razão: 9,4000 / 4,7000 = 2,0000. Reduzir o volume à metade reduz à metade a fração de glifosato inativada pela dureza, porque Va está no numerador da equação. A implicação prática confirma o resultado do Bloco B: em água dura, reduzir a taxa de aplicação protege o glifosato. Ainda assim, o volume não pode cair além do que a cobertura do alvo exige: a proteção química por baixo volume compete com a exigência de cobertura, e a correção da dureza (sulfato de amônio, quelatizante) continua sendo a medida de fundo.