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Gabarito comentado, Aula 07: Adjuvantes de Pulverização

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Tip

Use este gabarito depois de tentar resolver sozinho. Ao conferir, não olhe só se acertou: leia por que cada alternativa errada é tentadora, é aí que mora metade do aprendizado. As questões do Bloco A não têm gabarito aqui; elas serão discutidas no início da próxima aula.

Bloco B: consolidação da Aula 07

B1. Gabarito: (B). O mecanismo central é a redução da tensão superficial (a água pura tem aproximadamente 72 mN/m): a gota deixa de ser esférica, achata-se ao atingir a folha, o ângulo de contato diminui e ela se espalha, ganhando área de contato e cobertura.

(A) inverte o sentido do efeito (o adjuvante reduz a tensão, não a aumenta).

(C) comete o erro conceitual central da aula: o adjuvante age sobre a física da gota, não sobre a biologia do alvo, e não atua pela raiz.

(D) inverte a relação ângulo-espalhamento: menor ângulo significa mais espalhamento, não escorrimento.

B2. Gabarito: (A). O glifosato se ioniza negativamente; um surfatante catiônico (carga positiva) reage com ele, precipita e faz o herbicida perder eficácia.

(B) está errada: o não iônico é a classe mais segura e a que predomina na formulação de adjuvantes, justamente por ter menor risco de incompatibilidade iônica.

(C) atribui ao anfotérico uma "carga fixa negativa" que ele não tem: sua carga varia com o pH, o que o torna bom compatibilizante.

(D) erra o sinal do glifosato (ele é aniônico, não positivo); o aniônico é incompatível com o paraquat, não com o glifosato.

B3. Gabarito: (D). O texto é explícito: a seleção correta do tipo e do tamanho da ponta continua sendo o método mais confiável para controlar o tamanho de gota, e usar redutor de deriva como substituto disso é tecnicamente inadequado.

(A) é falsa: o organossiliconado é superespalhante, reduz o DMV e pode agravar a deriva.

(B) é falsa pela mesma razão de (D): o redutor de deriva não dispensa a ponta.

(C) é falsa: num estudo com ponta de jato plano de impacto, a calda com surfatante produziu DMV maior que a com óleo, porque naquele desenho o DMV é inversamente relacionado à viscosidade; "óleo sempre gera gota maior" é a intuição que o texto derruba.

B4. Resposta esperada.

São funções distintas. O molhante age no momento da deposição: reduz a tensão superficial e o ângulo de contato, vence a repulsão da cera foliar e forma um filme sobre a superfície, resolvendo o contato da gota com a folha.

O umectante age depois, sobre o depósito já formado: retarda a taxa de evaporação da gota e pode reidratar depósitos secos, resolvendo a permanência.

O molhante responde à dificuldade de a gota "pegar" na folha cerosa; o umectante responde a alta temperatura e baixa umidade relativa (e a produtos de absorção lenta), quando o depósito secaria depressa demais; usam-se poliglicol, glicerol, sorbitol. Em uma frase: um resolve o contato, o outro resolve a permanência.

B5. Resposta esperada.

O ponto de partida é que cada produto fitossanitário já traz seus próprios adjuvantes na formulação (adjuvante interno); somar outro por hábito, sem diagnóstico da necessidade real, é a origem de boa parte dos problemas de campo.

Adicionar espalhante por rotina pode causar: fitotoxicidade (surfatante iônico inadequado ou óleo em excesso danifica a membrana, sobretudo em folhas novas); redução de seletividade (um penetrante forte demais elimina a barreira que separa a cultura da planta daninha, num herbicida seletivo); favorecimento de fungos foliares (a remoção da cera tira a proteção natural da folha); antagonismo (surfatante iônico reage com o ingrediente ativo e forma complexo inativo, catiônico com glifosato, aniônico com paraquat); além de espuma no tanque e mais resíduo ou impacto ambiental.

O exemplo que fecha o argumento: num ensaio, dois organossiliconados (os produtos com maior poder de reduzir a tensão superficial) reduziram a mortalidade de lagartas frente ao inseticida aplicado sozinho.

Conduta correta: o diagnóstico precede a escolha; se a formulação já resolve o problema, não há motivo técnico para adicionar nada ao tanque.

B6. Resposta esperada.

Os três eixos são complementares, não concorrentes: o grande grupo descreve o propósito geral (ativador ou utilitário); a classe funcional descreve o que o adjuvante faz na prática (espalhante, molhante, penetrante, adesivo, redutor de deriva); e a base química descreve o que o adjuvante é (surfatante, óleo mineral, óleo vegetal, organossiliconado, nitrogenado, polimérico).

Dizer "espalhante" define apenas o eixo funcional, mas a mesma função de espalhamento pode ser obtida por químicas muito distintas, com custo, risco de fitotoxicidade e compatibilidade diferentes. "Um espalhante" pode ser um organossiliconado de alto desempenho e alto custo (que ainda pode agravar a deriva) ou um tensoativo convencional bem mais barato para o mesmo efeito prático. Sem cruzar o eixo químico, não se sabe qual foi indicado, e é aí que mora o erro de recomendar sem saber o que se está recomendando.

Bloco C: cálculo e diagnóstico

C1. Resolução (4 casas decimais).

Denominador comum: 4πR = 4 × π × 0,0100 = 0,1256637 m.

Água pura: γ = 9,00 / 0,1256637 = 71,6197 mN/m.

Calda com adjuvante: γ = 3,00 / 0,1256637 = 23,8732 mN/m.

Redução percentual: (71,6197 − 23,8732) / 71,6197 × 100 = 47,7465 / 71,6197 × 100 = 66,6667%.

Comentário: o valor calculado para a água pura, 71,6197 mN/m, praticamente coincide com o valor de referência de aproximadamente 72 mN/m que o texto atribui à água, o que valida o método. Com o adjuvante, a tensão caiu para abaixo de 25 mN/m (23,8732 mN/m), exatamente a faixa que o texto associa aos organossiliconados. Fisicamente, essa queda de dois terços na tensão superficial é o que reduz o ângulo de contato e permite o superespalhamento da gota sobre a folha.

C2. Diagnóstico esperado.

Cruzando as quatro dimensões de decisão e o quadro "quando não usar adjuvante externo", a proposta é contraindicada em todas as frentes:

Produto: a formulação já contém surfatante emulsificante com emulsão estável (o adjuvante interno já cumpre o molhamento) e a bula não recomenda adjuvante externo, e a recomendação da bula prevalece. Somar surfatante externo é, no melhor caso, redundante.

Alvo e produto: para inseticida de contato, o superespalhante organossiliconado (o mais potente em reduzir a tensão superficial) não é o mais adequado: há caso documentado em que dois organossiliconados reduziram a mortalidade de lagartas frente ao inseticida isolado. O que o contato exige é cobertura e densidade de gotas, não superespalhamento.

Gota e deriva: o organossiliconado reduz o DMV e pode aumentar a fração de gotas finas e agravar a deriva, o oposto do desejável.

Alvo (planta): folhas novas e cutícula fina elevam o risco de fitotoxicidade com surfatante ativo.

Conduta: não adicionar o organossiliconado. Confiar no surfatante que a própria formulação já traz; se for preciso mais cobertura, ajustá-la pela ponta, densidade de gotas e volume de calda (inseticida de contato pede cobertura, não superespalhamento), não por um adjuvante que agrava deriva e pode antagonizar o resultado. Em síntese: o diagnóstico precede a escolha, e aqui o diagnóstico manda não usar.