Gabarito comentado, Aula 08: Mistura em Tanque de Produtos Fitossanitários¶
Tip
Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.
Bloco B¶
B1: (A) antagonismo. O texto define antagonismo exatamente como "efeito conjunto inferior ao do produto mais ativo aplicado isolado", e o aponta como o mecanismo da incompatibilidade química e o risco mais relevante da mistura: é o caso do dicamba com quizalofope ou clethodim reduzindo o controle de milho RR voluntário.
(B) sinergismo é o oposto: efeito superior à soma dos individuais (piretroide mais PBO aumentando o poder residual).
(C) efeito aditivo é efeito igual à soma, com cada produto contribuindo proporcionalmente à própria dose.
(D) potencialização é efeito aumentado, em que um ativo amplifica o outro; também não descreve uma perda de controle.
B2: (C) sequestrante, WP, SC, EC, fertilizante foliar. O protocolo Embrapa manda condicionar a água primeiro (sequestrante), depois dissolver a formulação sólida que exige mais água (WP), depois a suspensão (SC), depois a oleosa (EC), que emulsifica melhor com o restante já disperso, e por fim o fertilizante foliar, reativo com herbicida e sempre com pré-teste.
As alternativas (A) e (D) colocam o EC oleoso antes dos sólidos, causa clássica de pasta insolúvel (EC antes de WP).
A (B) esquece o condicionador no início e o joga para depois dos produtos, quando a água já reagiu com o ativo.
B3: (B) aplicar com agitação constante, situação arriscada. Separação entre 5 e 10 minutos cai nessa faixa da tabela de decisão: a calda ainda é aplicável, mas exige agitação ininterrupta e atenção.
A (A) confunde com a faixa de separação em até 1 minuto ou imediata, aí sim "não aplicar".
A (C) ignora que houve separação: só "estabilidade perfeita" libera aplicar sem restrição.
A (D) pula uma etapa: diante de incompatibilidade, a primeira ação é alterar a sequência de adição e repetir o teste; só se o problema persistir com toda sequência é que a mistura é abandonada; não se descartam os produtos de imediato.
B4: Resposta esperada.
O erro foi de posição do óleo (EC) na sequência: adicionado por último, sobre uma calda que já continha glifosato (SL) e cletodim, o óleo não emulsificou e formou fase oleosa sobrenadante, responsável pela queima de folíolo.
O texto documenta a correção para o mesmo conjunto de produtos: corretor de pH, óleo (EC), cletodim (EC), glifosato (SL): a emulsão ficou estável, com aspecto esbranquiçado e sem fitotoxicidade. A única diferença entre a calda que queimou e a que não queimou foi a posição do óleo.
Lição: a ordem de adição é o principal fator controlável de incompatibilidade física; a sequência do rótulo ou bula prevalece, na ausência dela o protocolo Embrapa orienta, e casos específicos podem exigir o teste da garrafa como critério de desempate: a decisão não é "qual produto", é "em que ordem".
B5: Resposta esperada.
A ausência de informação científica sobre uma combinação não é autorização técnica para misturar; é fator de risco que o profissional precisa considerar antes de assinar. A Lei 14.785/2023 (Art. 39, parágrafo 2º) autoriza o profissional habilitado a recomendar mistura em tanque quando necessário, mas o Art. 50 impõe responsabilidade civil e administrativa por dano decorrente de receita errada, imperícia, imprudência ou negligência; e a IN 40/2018 (Art. 3º) exige receita em consonância com as boas práticas agrícolas e a informação científica disponível.
Ao assinar, o agrônomo passa a responder por três dimensões ao mesmo tempo: (1) compatibilidade física da calda; (2) compatibilidade química entre os ativos; (3) eficácia biológica do controle pretendido. Nenhuma se resolve sozinha: uma calda fisicamente estável pode ser quimicamente antagônica.
Conduta: recomendar teste prévio, fundamentar em literatura aplicável e não prescrever combinação que o rótulo contraindique expressamente.
B6: Resposta esperada.
Quando o ingrediente ativo é um organismo vivo (fungo, bactéria, vírus, nematoide), a pergunta deixa de ser só "a calda fica homogênea?" e passa a ser "o organismo permanece viável até atingir o alvo?". O Manual Técnico da Embrapa é explícito: suas recomendações valem para produto químico, e misturar biológico só se deve fazer com estudo específico que comprove a possibilidade.
O fungo de controle biológico corre o maior risco: fungicida convencional reduz de forma substancial sua viabilidade, mesmo em dose que não causaria fitotoxicidade: Dalacosta et al. (2019) registraram incompatibilidade entre Trichoderma spp. e difenoconazol, fluazinam, iprodiona e tiabendazol.
Recomendações: consultar o fabricante para a lista de compatibilidade já estudada; adicionar o biológico por último, reduzindo o tempo de contato com o químico; aplicar logo após o preparo, sem armazenamento; e, quando a compatibilidade não estiver documentada, separar as aplicações no tempo (biológico numa data, químico noutra) em vez de arriscar a viabilidade do organismo.
Bloco C¶
C1: Resolução (4 casas decimais).
(i) Volume de produto por hectare = dose de ingrediente ativo ÷ concentração do ativo no produto: Vprod = 1.200 g/ha ÷ 500 g/L = 2,4000 L/ha.
(ii) Proporção produto/calda = volume de produto por hectare ÷ taxa de aplicação: P = 2,4000 / 130 = 0,0185 L/L (0,0184615...).
(iii) Quantidade para 1 L de teste = proporção × 1.000 mL: 0,0184615 × 1.000 = 18,4615 mL.
(iv) Água inicial = dois terços de 1 L: (2/3) × 1 L = 0,6667 L (aproximadamente 666,6667 mL).
Comentário: o cálculo reproduz a lógica do exemplo do texto: dose de i.a. dividida pela concentração dá o volume de produto; produto dividido pela taxa dá a proporção; proporção multiplicada pelo volume do teste dá a dosagem. O teste começa com dois terços da água, adiciona o condicionador, depois o produto na sequência prevista, completa o restante da água, agita e deixa em repouso por 2 horas.
C2: Diagnóstico esperado.
Vários fatores de risco se somam.
(1) Taxa de 40 L/ha (menor que 50 L/ha): com menos água por área, cada produto ocupa proporção maior do volume e a concentração relativa sobe: Antuniassi (2019) documentou a mesma mistura incompatível a 50 L/ha com o tanque a um quarto e compatível a 100 L/ha com o tanque a três quartos; a mesma calda pode ser compatível ou não só pela diluição.
(2) Cinco produtos: a mistura com mais de cinco ativos soma a probabilidade de interação binária entre pares; volume maior é preferível para três produtos ou mais em condição de incompatibilidade potencial.
(3) Água de açude com sedimento: sólidos em suspensão adsorvem o ativo e danificam mecanicamente mangueira, filtro e ponta; fonte suspeita exige análise laboratorial de pH e dureza, com condicionador antes de qualquer produto.
(4) Completar com água no campo: dissolve o sintoma visível (espuma) com frequência, mas não corrige incompatibilidade química nem antagonismo, e gera calda heterogênea, distribuída de forma irregular ao longo da barra.
Conduta: aumentar o volume para aproximadamente 100 L/ha (ou reduzir o número de produtos), definindo isso na receita para antecipar a decisão do operador; analisar e condicionar a água no início; refazer o jar test de 1 L na sequência prevista, começando com dois terços de água; se separar em até 1 minuto, mudar a ordem e repetir; persistindo, abandonar a mistura.