Gabarito comentado, Aula 09: Pulverização Agrícola e Pulverizadores Terrestres¶
Tip
Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.
Bloco B¶
B1: (A) grossa (C), risco de deriva baixo. A classe grossa (C) tem DMV aproximado de 326 a 400 µm, cor de identificação azul e risco de deriva baixo (2,9 a 5,7% do volume em gotas menores que 150 µm); 380 µm cai nessa faixa.
A (B) confunde com a média (M), cuja faixa termina em 325 µm; "arredondar" 380 para média ignora o limite superior da classe.
A (C) sobreestima: muito grossa (VC) só começa em 401 µm.
A (D) subestima grosseiramente: fina (F) vai de 145 a 225 µm, com risco alto.
Lembre que a cor da classe de gota não é a cor da ponta física, que codifica a vazão.
B2: (B) a vazão sobe pouco e a gota afina, com mais deriva. A vazão varia com a raiz quadrada da pressão (V2/V1 = raiz(P2/P1)): dobrar a pressão eleva a vazão apenas cerca de 1,41 vez, pouco. Ao mesmo tempo, a relação pressão-tamanho de gota é inversa: mais pressão fragmenta mais a lâmina e gera gota menor, aumentando a fração que deriva e o desgaste da ponta.
A (A) inverte a direção do efeito (pressão maior gera gota menor, não maior).
A (C) trata vazão e taxa como proporcionais à pressão, ignorando a raiz quadrada: para dobrar a vazão seria preciso quadruplicar a pressão.
A (D) ignora que a gota se afina e superestima o ganho de vazão. Para mudar a classe de gota, troca-se a série ou o orifício da ponta, não a pressão.
B3: (C) multiplica-se por oito. Mantida a taxa de aplicação, o número de gotas por cm² é inversamente proporcional ao cubo do diâmetro (N proporcional a Q/d³): reduzir o DMV à metade multiplica os impactos por oito (2³). É por isso que produto de contato depende de gota menor: o que cobre o alvo é o número de impactos por área, não o volume depositado.
A (A) inverte o sentido (menor diâmetro dá mais gotas).
A (B) ignora a geometria da fragmentação.
A (D) esquece o expoente cúbico e trata a relação como linear (×2 em vez de ×8).
B4: Resposta esperada.
Produto de contato com alvo na face inferior ou terço inferior de dossel denso exige cobertura alta com penetração: logo, gota fina (fina a média ou muito fina, como o texto indica para inseticida e acaricida de contato na face inferior).
A ponta indicada é a de jato plano duplo ou jato cônico vazio, que lançam gotas em ângulos diferentes; a turbulência das gotas finas dentro do dossel permite a deposição na face abaxial, e por isso superam o jato plano simples em cultura de dossel fechado.
O equipamento de escala é o autopropelido de barra, com vantagem para a barra assistida por ar (tipo Vortex), que transporta a gota ao alvo e melhora a penetração.
O custo é a janela climática mais estreita: gota fina só é segura com menor temperatura, maior umidade e vento fraco (abaixo de 8 km/h). Registre o limite físico: em dossel muito denso, subir a pressão gera o efeito guarda-chuva (as folhas do topo barram a calda); a solução real para penetração é assistência de ar, não pressão.
B5: Resposta esperada.
A deposição é assimétrica e insuficiente onde a doença começa: o padrão reproduz o estudo citado (70 a 83% de cobertura no topo e 3 a 14% na base), e a ferrugem se instala primeiro no terço inferior e médio, o estrato menos coberto. A ponta muda a penetração: jato cônico vazio deu a melhor penetração, seguido do jato plano duplo; a indução de ar, apesar de cobrir bem o topo, produziu a pior penetração na região média e baixa.
Ajustes por modo de ação: para fungicida de contato preventivo, combinar taxa maior com gota fina para aumentar a penetração (se o clima permitir); para fungicida sistêmico, a menor dependência de cobertura viabiliza gota maior, com menos deriva.
Limitação da ferramenta: o papel hidrossensível serve para comparação relativa a campo (a gota se espalha com fator de expansão variável) e não reproduz com fidelidade o DMV, a amplitude relativa nem o V100: para caracterizar o espectro de forma absoluta, só o analisador por difração de laser.
B6: Resposta esperada.
O herbicida auxínico exige gota grossa a muito grossa, obtida com ponta de jato plano com indução de ar (leque com bolhas de ar, espectro grosso a extremamente grosso, risco de deriva baixo).
A razão é dupla: reduzir a deriva de partícula e, sobretudo, a fitointoxicação por deriva de vapor na cultura sensível vizinha: a gota grossa tem menor fração abaixo de 150 µm e maior velocidade terminal, portanto menos arraste. Para esses produtos, o rótulo é determinante e prevalece sobre qualquer generalização técnica: a rastreabilidade legal da aplicação começa no cumprimento do rótulo.
Cuidado adicional: o pulverizador precisa de lavagem e descontaminação completas após o uso, pelo risco de resíduo do auxínico causar dano na aplicação seguinte sobre outra cultura.
Bloco C¶
C1: Resolução (4 casas decimais).
(i) Vazão necessária por ponta pela fórmula do texto: vazão = (L/ha × km/h × E) / 600 = (150 × 6 × 0,50) / 600 = 450 / 600 = 0,7500 L/min.
(ii) Cor aproximada no catálogo: 0,7500 L/min é praticamente a vazão nominal da ponta amarela, código 02 (0,76 L/min a 40 psi; 0,79 L/min a 3 bar pela ISO 10625). Escolhe-se a cor pela vazão e o modelo pelo espectro adequado ao alvo.
(iii) Vazão a 6 bar pela relação V2/V1 = raiz(P2/P1), partindo de V1 = 0,7500 L/min a 3 bar: V2 = 0,7500 × raiz(6/3) = 0,7500 × raiz(2) = 0,7500 × 1,4142 = 1,0607 L/min.
Dobrar a pressão elevou a vazão só cerca de 41% (não 100%): para dobrar a vazão seria preciso quadruplicar a pressão (12 bar). Além disso, a pressão maior afina a gota e aumenta a deriva e o desgaste da ponta, por isso subir a pressão não é a via para aumentar a taxa de aplicação.
Comentário: a fórmula da vazão individual é a do texto (E = espaçamento em metros); a identificação de cor é aproximada porque a referência de pressão do catálogo (40 psi / 3 bar) não é exatamente a de operação: o próprio texto adverte que "a diferença de pressão de referência faz as vazões equivalentes não baterem exatamente".
C2: Diagnóstico esperado (4 casas decimais).
Excesso de vazão = vazão em uso ÷ vazão nova: 0,90 / 0,80 = 1,1250, ou seja, 12,50% acima da ponta nova.
Decisão: a ponta é considerada desgastada e deve ser trocada quando a vazão excede em 10% a de uma ponta nova do mesmo modelo e pressão: 12,50% ultrapassa o limite, portanto trocar.
Consequências de mantê-la: além da superdose por ponta (vazão maior que o planejado, risco de fitotoxicidade), o orifício alargado altera o ângulo do jato e o perfil de distribuição, degradando a uniformidade da barra (o coeficiente de variação sob a barra sobe acima dos 15% aceitos no Brasil). Ponta desgastada, sozinha, pode desperdiçar até 50% do produto aplicado.
Agravante silencioso: o controle falha sem que a causa apareça, gera falsa impressão de resistência da praga, e o produtor troca de produto quando o problema estava na ponta; por isso a ordem prática do texto: meça as pontas primeiro. Economicamente, uma ponta barata que desgasta rápido sai mais cara que uma durável, antes mesmo de contar o prejuízo agronômico da aplicação irregular durante o desgaste progressivo.