Gabarito comentado, Aula 10: Regulagem, Calibração e Inspeção de Pulverizadores¶
Tip
Confira depois de ter tentado a lista inteira. O gabarito comentado explica por que a resposta certa é certa e por que cada distratora é tentadora; é aí que mora metade do aprendizado. As questões do Bloco A não têm gabarito aqui: são discutidas em sala, no início da próxima aula.
Bloco B: consolidação¶
B1. Gabarito: (C). Selecionar pontas, definir pressão e ajustar a altura da barra é regulagem: decidir o que a máquina deve fazer. Calibração é a etapa seguinte: aferir em campo se essa configuração entrega a taxa de aplicação planejada, em L/ha.
(A) confunde regulagem com manutenção (verificação do estado do equipamento antes de qualquer ajuste).
(B) reproduz a confusão mais comum, tratar regulagem e calibração como sinônimos.
(D) inverte a sequência, que é inflexível: manutenção, depois regulagem, depois calibração.
B2. Resposta esperada.
O erro é usar malha fina (100 mesh, aproximadamente 0,15 mm) com formulação em suspensão. WP, SC e WG carregam partículas sólidas em suspensão que entopem malha fina; por isso essas formulações exigem malha mais aberta, 30 a 50 mesh (30 mesh aproximadamente 0,58 mm; 50 mesh aproximadamente 0,30 mm).
A malha fina (80 a 100) só é adequada a solução verdadeira ou emulsão (concentrado solúvel, concentrado emulsionável), como o herbicida solúvel da aplicação anterior; daí o filtro herdado estar errado para a nova calda.
Há um agravante no cenário: pontas de menor vazão exigem, em tese, filtro mais fino (orifício pequeno é mais sensível a partícula), o que conflita com a suspensão; a solução é usar a malha mais aberta compatível (30 a 50) e reforçar a limpeza.
Vale lembrar que os filtros se dispõem em malha decrescente do tanque para a ponta (o mais grosseiro na entrada, o mais fino antes da ponta) e que a limpeza precisa ocorrer no mínimo uma vez por dia de trabalho.
B3. Gabarito: (B). O padrão regular de subdepósito entre pontas mais superdepósito sob cada ponta, repetido ao longo de toda a barra, é a assinatura geométrica de barra baixa demais: a sobreposição entre jatos adjacentes não se completa acima do alvo, e cada ponta cobre bem só logo abaixo de si.
(A) velocidade errada produz sub ou superdose proporcional e uniforme na faixa, não o padrão alternado ponta a ponta.
(C) filtro entupido dá subdose localizada onde há entupimento, não um padrão regular sob todas as pontas.
(D) barra alta demais aumenta deriva e evaporação, mas por sobreposição excessiva tende a borrar o padrão, não a criar zonas secas entre pontas.
A pista de "pontas novas e do mesmo modelo" descarta desgaste e mistura de modelos.
B4. Resposta esperada.
O controle de desgaste começa a partir de 50 horas de uso, então avaliar às 60h está correto. As decisões seguem os critérios do texto:
A ponta 12% acima da vazão de ponta nova excede o limite: o critério único de substituição é trocar quando a vazão exceder em 10% a de uma ponta nova do mesmo modelo, na mesma pressão. Essa ponta é substituída.
A variação máxima/mínima de 14% do conjunto ultrapassa 10%: identificam-se e substituem-se as pontas discrepantes. (Se a maioria do conjunto estivesse fora do padrão, trocaria-se tudo, mesmo as aparentemente em conformidade.)
Após qualquer substituição parcial, o conjunto precisa manter pontas do mesmo modelo, vazão, ângulo e fabricante.
Por que é perigosa mesmo aplicando: o desgaste do orifício por abrasão amplia a área de passagem; como a vazão depende da área do orifício e da raiz quadrada da pressão, a vazão sobe na mesma pressão (superdose). Pior, o desgaste não é uniforme: deforma o ângulo de aspersão e altera o tamanho de gota, comprometendo ao mesmo tempo taxa de aplicação, uniformidade de distribuição e espectro de gotas. A ponta desgastada não falha de forma visível; continua aplicando, só que com mais calda, gota diferente e distribuição irregular.
B5. Gabarito: (D). O critério de conformidade da taxa de aplicação real é desvio de até 5% em relação à pretendida: para 100 L/ha, o aceitável fica entre 95 e 105 L/ha. Os 108 L/ha representam desvio de 8%, que reprova.
(B) o CV de 12% está abaixo do limite de 15% (norma ISO 16122), logo é aceitável.
(C) 60% está dentro da faixa exigida de 25% a 75% da escala, logo o manômetro está conforme.
(A) ignora a reprovação pela taxa.
B6. Resposta esperada.
O risco é fitotoxicidade na cultura sensível seguinte: herbicidas seletivos como 2,4-D, dicamba e sulfonilureia deixam resíduo aderido ao circuito hidráulico (tanque, mangueira, válvula, cotovelos da barra, filtros, capa de drenagem, corpo das pontas), e o circuito moderno tem muitos pontos de acúmulo. "Passar uma água" não remove esse resíduo; ele reaparece dias depois como dano no algodão.
O protocolo tem três lavagens mínimas:
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Primeira lavagem: encher o tanque com água limpa, ligar a agitação e pulverizar o conteúdo na lavoura recém-tratada, abrindo todas as seções até esvaziar e removendo as capas de drenagem para escoar as extremidades.
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Segunda lavagem: reabastecer com água e adicionar o produto de limpeza recomendado pelo fabricante do herbicida (em geral solução alcalina com pH acima de 12 e surfactante), mantendo a agitação por 15 a 60 minutos e drenando cada seção em separado.
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Terceira lavagem (enxágue final): água limpa com agitação por 20 minutos, pulverizada na lavoura. O critério de conclusão é o pH da água do enxágue final não diferir mais de 0,5 unidade do pH da água de origem.
Verificação final: aplicar a água do último enxágue em planta da cultura sensível e observar se aparece sintoma de fitotoxicidade nos dias seguintes.
Bloco C: cálculo e diagnóstico¶
C1. Resolução (4 casas decimais).
(i) V = 180 / T = 180 / 20 = 9,0000 km/h.
(ii) Q = (qᵢ × 600) / (V × E) = (0,75 × 600) / (9,0000 × 0,50) = 450 / 4,5 = 100,0000 L/ha.
(iii) Produto por tanque = (600 × 300) / 100,0000 = 180.000 / 100 = 1.800,0000 g (1,8 kg por tanque).
(iv) A calibração revelou 100 L/ha contra os 80 L/ha pretendidos: desvio de (100−80)/80 = 25,0000%, muito acima do limite de 5% da IPP (que aceitaria apenas 76 a 84 L/ha). A regulagem entregou taxa 25% acima do planejado, e só a calibração revelou isso; daí a máxima do texto: regular sem calibrar é confiar sem prova. Como a taxa está acima da desejada, o ajuste correto é reduzir a pressão, aumentar a velocidade ou trocar por ponta de vazão nominal menor (ajuste pequeno prefere pressão e velocidade; ajuste maior exige troca de ponta). Após o reajuste, refaz-se a calibração.
C2. Resolução (4 casas decimais).
(i) q2 = q1 × raiz(P2/P1) = 0,80 × raiz(6/3) = 0,80 × raiz(2) = 0,80 × 1,4142 = 1,1314 L/min. Dobrar a pressão elevou a vazão só de 0,80 para 1,1314 L/min: um ganho de apenas cerca de 41,42%, não de 100%.
(ii) P2 = P1 × (q2/q1)² = 3 × (1,60/0,80)² = 3 × 2² = 3 × 4 = 12,0000 bar. Confirma a regra do texto: para dobrar a vazão é preciso quadruplicar a pressão.
(iii) Como a vazão cresce só com a raiz quadrada da pressão, uma alteração grande de pressão produz alteração pequena de vazão; por isso a pressão é ajuste fino da taxa, não a alavanca principal. Além disso, ao subir a pressão o operador afina a gota (mais deriva), altera o ângulo do jato e acelera o desgaste do orifício. Para ajuste maior de taxa, o correto é trocar a ponta por uma de vazão nominal adequada (ou mudar a velocidade), reservando a pressão para o refino dentro da faixa do fabricante.