Gabarito comentado, Aula 12: Aplicação Aérea de Produtos Fitossanitários¶
Tip
Confira depois de tentar resolver. O Bloco A não tem gabarito aqui: será discutido em sala, no encerramento do curso. Se errou, releia o comentário e volte ao texto de apoio no ponto indicado, entender por que a resposta é essa vale mais que acertar.
Bloco B¶
B1: (C). A Resolução ANAC 710/2023 (Emenda 03 ao RBAC-E nº 94) determina que, na aplicação de produtos fitossanitários sobre área desabitada, o RPA é enquadrado como Classe 3 independentemente do peso, desde que opere em linha de visada (VLOS ou EVLOS) e abaixo de 400 pés, exatamente a condição descrita.
(B) aplica a regra geral de peso (acima de 25 e até 150 kg = Classe 2), que a resolução justamente afasta neste caso.
(A) usa a mesma lógica de peso, agora para Classe 1 (acima de 150 kg).
(D) inventa uma condição de registro e ainda usa "aeronave leve", que é categoria de avião agrícola (menos de 300 HP, menos de 1.000 L), não de RPA.
B2: (A). O vórtice de ponta de asa nasce da diferença de pressão entre as superfícies inferior e superior das asas e arrasta as gotas nas bordas da barra; a solução consolidada é limitar a barra a 70% a 80% da semienvergadura (com winglets ou ag-tips como reforço).
(B) faz o oposto: quanto maior a envergadura da barra em relação à asa, maior a influência dos vórtices sobre as gotas das extremidades.
(C) piora: maior velocidade intensifica o impacto do ar, fragmenta mais a gota e aumenta o risco de deriva, sem eliminar o vórtice.
(D) posiciona as pontas justamente onde o vórtice é mais intenso.
B3: (B). O texto trata a ideia de que vento muito fraco é "mais seguro" como erro técnico grave: abaixo de 3 km/h há risco de inversão térmica, a ausência de turbulência estabiliza a camada baixa de ar e a gota fina fica suspensa, podendo percorrer quilômetros até se depositar sobre alvo não intencionado, e a manhã fria de céu aberto é a condição mais propensa à inversão.
(A) reproduz exatamente a crença que a fonte refuta.
(C) erra o limite: 2 km/h está abaixo do piso de 3 km/h da janela recomendada (3 a 10 km/h).
(D) ignora que o vento age nas duas direções: em excesso arrasta a gota, em ausência favorece a inversão.
B4. Resposta esperada.
A comparação de custo entre aéreo e terrestre não se decide numa aplicação isolada, e sim ao longo do ciclo inteiro da cultura. O pulverizador terrestre em dossel fechado causa amassamento, com perdas documentadas de 2% a 7% em soja (e 4,8% em arroz irrigado), e esse dano aumenta na fase reprodutiva, perto do final do ciclo: em R5 tende a ser irreversível, enquanto na fase vegetativa é reversível.
Como o trator trafega pelo mesmo rastro, a perda deve ser diluída entre todas as aplicações, mas pode ser cumulativa (passagens sucessivas pelo mesmo rastro em estádios diferentes ampliam a perda). A partir de R3, com dossel fechado, a via aérea elimina a perda pela passagem da máquina.
Leitura correta: não existe vencedor fixo: há uma janela de estádio em que cada modalidade paga melhor seu custo. Combinar terrestre na fase inicial (dossel baixo, menor amassamento) e aéreo a partir de R3 é prática válida e frequente no Cerrado; o papel do agrônomo é identificar essa janela lavoura por lavoura, não aplicar regra genérica de "sempre aéreo" ou "sempre terrestre".
B5. Resposta esperada.
O padrão que a pesquisa mostra é que o drone se equipara ao pulverizador terrestre quando a taxa de aplicação respeita um piso mínimo por alvo, e boa parte do "drone não funcionou" relatado em campo vem de taxa subdimensionada, não de limitação estrutural da tecnologia.
No caso: fungicida por drone a 5 e a 10 L/ha, comparado a tratorizado e costal a 150 L/ha em duas safras, não mostrou diferença entre drone e terrestre no controle da ferrugem (severidade abaixo de 30%); mas a taxa de 5 L/ha gerou desfolha maior que a de 10 L/ha, provavelmente por desuniformidade de deposição em condição meteorológica próxima do limite crítico.
Recomendação prática: para doença de pressão moderada, 10 L/ha é suficiente; em condição favorável a alta severidade, ou com herbicida de contato, taxa acima de 10 L/ha traz mais segurança. O técnico errou ao testar justamente a taxa (5 L/ha) que a literatura aponta como insuficiente. Vale citar o downwash, que favorece a penetração no terço inferior do dossel (relevante para percevejo).
B6. Resposta esperada.
O erro é transferir para o atomizador rotativo a lógica da ponta hidráulica. No atomizador rotativo, o tamanho de gota segue a relação simplificada d aproximadamente igual a k'/rpm: quem define o diâmetro é a rotação do disco ou tela, e a pressão de trabalho afeta apenas o volume aplicado, não o tamanho de gota, o oposto do que vale para ponta hidráulica, em que a pressão influencia o DMV.
Ao reduzir a pressão, o operador não engrossa a gota: apenas reduz a vazão e, portanto, a taxa de aplicação, podendo subdimensioná-la. A regulagem correta para gota maior é reduzir a rotação (menor rpm implica maior diâmetro) e/ou ajustar o ângulo das pás, que é o meio simples de controlar o tamanho de gota nesse atomizador; a vazão, por sua vez, é controlada pela pressão em conjunto com a unidade de restrição variável (VRU). Usar gota maior é, de fato, estratégia válida de redução de deriva, mas obtida pela rotação e ângulo, não pela pressão.
Bloco C¶
C1. Resolução (4 casas decimais).
(i) Vazão total da barra: L/min = (L/ha × km/h × faixa(m)) / 600 = (15 × 200 × 22) / 600 = 66.000 / 600 = 110,0000 L/min.
(ii) Vazão individual por atomizador = vazão total ÷ número de atomizadores: 110,0000 / 8 = 13,7500 L/min.
(iii) Nova taxa de aplicação com a faixa em 26 m e a vazão total mantida: Taxa = (Vazão total × 600) / (Velocidade × Faixa efetiva) = (110 × 600) / (200 × 26) = 66.000 / 5.200 = 12,6923 L/ha.
Comentário: as partes (i) e (ii) aplicam diretamente a equação de calibração do atomizador. A parte (iii) demonstra o alerta explícito do texto: aumentar a faixa para ganhar rendimento operacional sem ajustar a vazão reduz a taxa de aplicação (de 15 para 12,6923 L/ha) e pode comprometer o controle. O ajuste fino da vazão individual, quando necessário, segue a relação de raiz quadrada da pressão, lembrando que, no atomizador rotativo, a pressão mexe no volume, não no tamanho de gota.
C2. Diagnóstico esperado.
A resposta correta é não aplicar agora, por via aérea alguma.
(1) Janela meteorológica fechada: os três parâmetros violam a janela recomendada: temperatura de 33°C (acima do limite de 30°C, com evaporação intensa que reduz o diâmetro da gota em voo), UR de 45% (abaixo do piso de 55%) e vento de 2 km/h (abaixo do piso de 3 km/h, faixa de risco de inversão térmica, com a gota fina ficando suspensa). É o retrato do alerta do texto para o Cerrado entre dezembro e fevereiro, quando a janela útil se restringe ao período da manhã, antes do aquecimento.
(2) Deriva: as três condições empurram para deriva alta; o Delta T estaria acima do adequado e a recomendação de gota (temperatura alta, UR baixa) seria de gota média a grossa, compensando com aumento do volume de calda; nada disso salva uma janela climática fechada.
(3) Estádio: em R4 (dossel fechado, fase reprodutiva), o pulverizador terrestre causaria amassamento com dano irreversível, o que justifica preferir a via aérea, mas só quando a janela permitir.
(4) Legislação: se optar por drone em MT, respeitar a distância mínima de 90 m de área sensível (Decreto 452/2023, mais restritiva que os 20 m federais); a deriva não isenta o responsável técnico (Lei 14.785/2023, responsabilidade solidária).
Conduta: adiar para a manhã seguinte, dentro da janela (vento de 3 a 10 km/h, idealmente 3,2 a 6,5; UR acima de 55%; temperatura abaixo de 30°C), com monitoramento e registro das condições ambientais no início, durante e ao final. A via aérea é a modalidade certa para o estádio, mas momento e janela mandam sobre a plataforma.