Pular para conteúdo

Gabarito comentado, Revisão da Unidade I (Aulas 01 a 04)

← Voltar para a revisão

Tip

Gabarito dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito: é discutido em sala. Confira só depois de ter tentado; o valor do exercício está no esforço de recuperar antes de ler a resposta.

Bloco B: questões integradas

B1 (Aulas 01 e 04). Resposta: (C).

A baixa eficiência da aplicação tem três componentes: deriva (endoderiva e exoderiva), distribuição inadequada e degradação física ou química do ingrediente ativo entre a ponta de pulverização e o efeito biológico.

(A) confunde eficiência da aplicação com cobertura da área alvo (conceitos distintos) e reduz a perda a uma causa única.

(B) é a lógica "quanto mais, melhor" (Agricultura 2.0): aumentar a dose desperdiça produto, não corrige a causa e favorece resistência por subdosagem no alvo real.

(D) é a "metade da equação": quem domina só a escolha do produto ignora as etapas do tanque à gota depositada.

B2 (Aulas 02 e 03). Resposta esperada.

O erro é ler a faixa pelo sistema antigo (Portaria MS 03/1992, classes I a IV, algarismo romano). No sistema atual (GHS, RDC Anvisa 294/2019), a faixa vermelha cobre Categoria 1 e Categoria 2, sem distinção visual; a faixa amarela é a Categoria 3.

A denominação "Altamente Tóxico", que era Classe II e faixa amarela, hoje é Categoria 2 e faixa vermelha: esse deslocamento leva a subestimar um produto de Categoria 2.

O que verificar no rótulo (Art. 43): nome comum e concentração do ingrediente ativo; grupo de ação e classe química ou mecanismo de ação (código HRAC, FRAC ou IRAC); a categoria toxicológica em algarismo arábico e a data de impressão (rótulo anterior a 2019 traz classe romana; posterior a 2019, categoria arábica); e a classe de PPA (Ibama), lida junto com a toxicológica: baixa toxicidade humana pode conviver com Classe I ambiental.

Consultar o AGROFIT atualizado elimina a ambiguidade entre os dois sistemas que convivem nas prateleiras.

B3 (Aulas 03 e 04). Resposta: (A).

A mesma condição de calor e baixa umidade aumenta a deriva (evaporação da gota, ΔT alto, ingrediente ativo liberado como partícula seca) e a absorção pela pele (temperatura acima de 35°C eleva a permeabilidade cutânea). É a tríade eficácia e segurança em ato.

(B) inverte: a gota que evapora não some com segurança; o ingrediente ativo vira partícula seca ou oleosa no ar e deriva mais.

(C) ignora o aumento da permeabilidade cutânea com o calor.

(D) reduz o risco à categoria do rótulo; o risco de intoxicação combina toxicidade e exposição, e a condição climática altera a exposição.

B4 (Aulas 02 e 04). Resposta: (B).

A deriva de vapor vem da volatilidade do ingrediente ativo e da formulação; o éster é mais volátil que amina ou sal, e o aplicador tem pouca margem de ação sobre ela (depende da formulação, não da ponta de pulverização).

(A) ser sistêmico não elimina volatilidade; o 2,4-D éster é exemplo crítico de deriva de vapor.

(C) erro de nomenclatura: a volatilidade depende do ingrediente ativo e da formulação (éster), não do nome comercial; trocar de marca do mesmo produto não muda nada.

(D) confunde deriva de partículas com deriva de vapor: a de vapor ocorre depois da deposição, pela volatilização do produto já depositado.

B5 (Aulas 01 e 03). Resposta esperada.

Necessária: a Lei 14.785/2023 e a IN MAPA/SDA 40/2018 atribuem a receita ao agrônomo; uma receita completa especifica equipamento, ponta de pulverização, taxa de aplicação, janela meteorológica e procedimento de segurança; não só produto, dose e cultura.

Não suficiente: o documento não garante que a informação seja compreendida e praticada. O trabalhador dispensa o EPI porque incomoda ou porque ninguém explicou o porquê. O que protege é a orientação prévia.

Hierarquia de controle da NR-31 (do mais eficaz para o menos eficaz): eliminação do risco, depois proteção coletiva na fonte (sistema fechado de abastecimento, cabine pressurizada com filtro de carvão ativado, barra protegida), depois redução por medida técnica ou organizacional, e só então EPI, último recurso, sem custo para o trabalhador. Recomendar bem é priorizar as camadas anteriores, não só listar EPI.

Responsabilidade: solidária; o profissional responde civil e penalmente por informação incorreta ou omitida, e o CREA pode instaurar processo ético. Não termina na assinatura.

B6 (Aulas 02 e 03). Resposta: (D).

O frasco de CE é embalagem rígida lavável; a tríplice lavagem é feita durante o preparo da calda, com a água de lavagem retornando ao tanque do pulverizador.

(A) inverte o momento: fazê-la depois, descartando a água, é disposição irregular de resíduo e desperdiça produto aderido.

(B) erra a categoria da embalagem: frasco de CE (formulação miscível) é rígido lavável.

(C) erro perigoso: o preparo é uma das etapas de maior exposição (respingo, manuseio concentrado), o CE penetra mais na pele que o pó molhável, e o EPI é obrigatório antes de qualquer manuseio, independentemente da categoria.

B7 (Aulas 01 e 04). Resposta esperada.

Onde a etapa entra: no fluxo da Aula 01 (produto formulado, preparo da calda, formação da gota na ponta, transporte da gota até o alvo, impacto e deposição, penetração, persistência), o transporte é onde nascem endoderiva e exoderiva (Aula 04).

Por que falha mesmo com tudo certo: o risco de deriva nasce da interação de fatores: espectro de gotas e ponta, composição da calda, condições meteorológicas, condições operacionais (velocidade, altura de barra, pressão) e tamanho da área. Produto e dose corretos não neutralizam vento, ΔT alto, inversão térmica nem corrente convectiva ascendente.

Desfechos distintos: exoderiva (arrastamento de gotas finas abaixo de 150 µm para fora, causando dano a cultura vizinha, contaminação, fitotoxicidade) e endoderiva (escorrimento e rebote de gotas muito grossas dentro da área, causando perda no solo e menos eficácia).

Lição estrutural: a etapa seguinte não compensa a perda da anterior; a tecnologia de aplicação administra a cadeia como sistema único, e interromper quando a janela fecha é parte da operação. Exemplos possíveis: cerca de 50% de perda em pulverização aérea de herbicida; deposição no algodão caindo de 45% (apical) para 18% e 7% (basal).

B8 (Aulas 03 e 04). Resposta: (C).

As distâncias de 300/150/200 m (MT, Decreto 2.283/2009 restabelecido em 2024) protegem população e água; a faixa técnica de 30 m protege a cultura vizinha: são cumulativas, não alternativas. E a deriva pelo vento não isenta: se a condição tornava a aplicação inadequada, a responsabilidade recai sobre quem decidiu aplicar, inclusive o RT que assinou a Ordem de Serviço (Art. 49 e 50). No caso, 120 m é menor que 300 m do bairro e 20 m é menor que 30 m da cultura sensível: as duas exigências foram violadas.

(A) trata as faixas como substitutas; são cumulativas.

(B) "o vento isenta" é mito; a responsabilidade é do decisor, não do fabricante.

(D) os 90 m são a distância de drone em MT (Decreto 452/2023), não da operação terrestre, que exige 300 m do bairro.

B9 (Aulas 02 e 03). Resposta esperada.

Modelo tripartite: o MAPA avalia eficiência agronômica, culturas e doses; a ANVISA avalia a toxicidade humana e emite a classificação toxicológica; o IBAMA avalia ecotoxicidade e periculosidade ambiental (PPA). O registro é emitido pelo MAPA, mas condicionado à aprovação dos três. Logo, a classificação toxicológica é da ANVISA, não do MAPA.

Por que não resume todo o risco: a classificação toxicológica (GHS/RDC 294/2019) informa o perigo à saúde humana, mas se lê junto com a classe de PPA (Ibama): um produto de Categoria 4 pode ser Classe I de PPA (altamente perigoso ao ambiente). As duas se leem sempre juntas.

Complemento: mesmo na toxicologia humana, a categoria aguda não esgota o risco: pode haver desfecho adicional (carcinogenicidade, mutagenicidade, toxicidade reprodutiva), e a categoria não substitui a análise do ingrediente ativo e do mecanismo de ação (Aula 02).

Nenhum produto sem registro ativo no AGROFIT pode ser comercializado, prescrito ou aplicado.

Bloco C: cálculo e diagnóstico integrado

C1 (Aulas 01 e 04). Eficiência da aplicação.

Dose teórica: dt = 30 mg/ha.

Dose real: dr = 3.000 × 30 = 90.000 mg/ha.

E = dt / dr × 100 = 30 / 90.000 × 100 = 0,0003333... × 100 = 0,0333%.

Como dr = 3.000 × dt, a eficiência é E = (1/3.000) × 100 = 0,0333%, independentemente do valor absoluto de dt.

Leitura: quase todo o ingrediente ativo não chega ao alvo; há controle porque a dose de campo é milhares de vezes o mínimo teórico. Aumentar dose não corrige a causa (deriva, distribuição inadequada, degradação): a tecnologia de aplicação é o que fecha a distância entre dt e dr.

C2 (Aulas 03 e 04). Tempo de vida da gota e classe de gota.

a) Gota de 100 µm: t = 100² / (80 × 7,7) = 10.000 / 616 = 16,2338 s.

Gota de 200 µm: t = 200² / (80 × 7,7) = 40.000 / 616 = 64,9351 s.

Dobrar o diâmetro multiplica o tempo por aproximadamente 4 (64,9351 / 16,2338 aproximadamente 4): o tempo cresce com o quadrado do diâmetro. A gota de 100 µm sobrevive só cerca de 16 s e, com qualquer vento lateral, é desviada antes de tocar a folha.

b) Diagnóstico: temperatura acima de 28°C e umidade relativa abaixo de 60% indicam classe médias ou grossas (tabela de recomendação por temperatura e UR). Confirma a faixa de ΔT: 7,7 está em "2 a 8", adequada para gotas médias a grossas em calda aquosa; a gota fina de 100 µm é desaconselhada.

Segurança (Aula 03): a mesma tarde de calor (que acima de 35°C elevaria a permeabilidade cutânea) aumenta a exposição do operador; usar gota maior e/ou esperar a janela do fim de tarde reduz ao mesmo tempo a deriva e a exposição. Escolher a classe de gota não é só decisão de eficácia.

C3 (Aula 03). Margem de Segurança (NR-31).

a) MS = (NOEL × P) / (QAE × 10) = (2,5 × 70) / (35 × 10) = 175 / 350 = 0,5000.

Como MS é menor que 1, a condição é insalubre (MS maior ou igual a 1 é segura; MS menor que 1 é insalubre).

b) NCE = (1 − MS) × 100 = (1 − 0,5000) × 100 = 50,0000%; é preciso reduzir a exposição (QAE) em 50%.

Medidas na ordem da NR-31 (proteção coletiva antes do EPI): (1) proteção coletiva na fonte: sistema fechado de abastecimento do tanque, ventilação forçada no local de preparo, posto a montante da névoa; (2) só depois, EPI adequado à categoria (luva nitrílica ou neoprene longa, respirador com filtro, vestimenta hidro-repelente ou impermeável), sem custo. Reduzir a QAE ataca a exposição, o segundo elemento da tríade da intoxicação: o caminho mais eficaz para baixar o risco.


Gabarito da 1ª Avaliação Escrita

Q01 (Aula 01). Gabarito: (E).

Não, pois a definição exige quantidade suficiente ao controle, e falhar nessa condição já invalida a operação. A definição de Matuo (1990) impõe quatro condições simultâneas: colocação correta sobre o alvo, quantidade suficiente ao controle, economia e mínimo de contaminação. O cenário satisfaz a primeira (depósito concentrado sobre o alvo), a terceira e a quarta (sem deriva), mas falha na segunda: usar o dobro da dose de bula não é quantidade suficiente ao controle, é quantidade excessiva, e o controle obtido não rescinde essa falha porque a definição exige que a quantidade seja suficiente, não maior que suficiente. Como as quatro condições são simultâneas, a falha em qualquer uma invalida a operação.

Q02 (Aula 01). Gabarito: (B).

Quantidade de ingrediente ativo por área cultivada ou por tonelada produzida normaliza o volume pela escala da produção e evita o erro metodológico da reportagem. Citar o valor total em dólares ignora que o Brasil tem a maior área agrícola tropical do mundo: a comparação só é válida quando o volume é dividido pelo tamanho da lavoura ou pela quantidade produzida. O crescimento percentual, a participação dos herbicidas e o valor de mercado por classe continuam sem normalizar pela escala. A posição no ranking de área tratada por bioinsumo usa unidade de área, mas mistura bioinsumos com defensivos.

Q03 (Aula 01). Gabarito: (A).

O receituário registra o produto, mas não a operação que controla a praga, e essa operação também precisa da supervisão do agrônomo. A tecnologia de aplicação exige definir o equipamento, a ponta, a taxa e a janela climática, porque cada um desses parâmetros determina a eficiência de deposição, o risco de deriva e a segurança do aplicador. Um documento que omite esses elementos prescreve só o ingrediente ativo, deixando a operação (a metade que vai ao campo) sem supervisão técnica, mesmo que o MAPA não exija cada parâmetro em termos formais. A responsabilidade solidária e a invalidação perante o AGROFIT são consequências jurídicas específicas, não o fundamento técnico da incompletude.

Q04 (Aula 01). Gabarito: (B).

As condições que reduzem a eficácia são as mesmas que aumentam o risco de deriva, e reduzir a gota nessas condições reduziria o controle, não o aumentaria. Vento forte e calor reduzem o potencial de deposição sobre o alvo (volatilização, deriva aérea) e são justamente as condições que tornam gotas finas ainda mais suscetíveis ao carregamento. O raciocínio do estudante erra ao supor que eficácia biológica e segurança são grandezas opostas que podem ser negociadas: as mesmas variáveis climáticas que penalizam a deposição ampliam o risco de deriva, de modo que o "tradeoff" não existe na forma descrita.

Q05 (Aula 02). Gabarito: (A).

A prescrição está correta, pois o nome comum identifica o ingrediente ativo e permite usar qualquer produto registrado com ele. O nome comum é o nome técnico internacional, padronizado pela ISO e pela BSI, que identifica a substância ativa com precisão. A receita agronômica pode legalmente citar o nome comum sem a marca, porque o produtor fica livre para escolher qualquer produto registrado com aquele ingrediente ativo. A rastreabilidade regulatória passa pelo nome comum no registro do MAPA, não pelo nome comercial.

Q06 (Aula 02). Gabarito: (D).

A conclusão está errada, pois os dois inseticidas pertencem ao mesmo grupo de mecanismo de ação do IRAC, o que equivale a aplicar o mesmo produto duas vezes. O IRAC classifica inseticidas pelo mecanismo bioquímico de ação sobre o alvo, e não pela classe química. Classes químicas diferentes podem ter o mesmo mecanismo de ação e, portanto, o mesmo grupo IRAC. A resistência cruzada ocorre quando dois compostos agem no mesmo sítio-alvo, independentemente da molécula que chegou lá. Alternar classes químicas dentro do mesmo grupo IRAC não faz rotação real de modo de ação.

Q07 (Aula 02). Gabarito: (C).

Não, pois a Lei 14.785/2023 criou o Registro Especial Temporário para permitir uso controlado de produto em pesquisa antes do registro definitivo. O RET permite que empresas realizem ensaios de campo em condições controladas, por prazo e área definidos, sem necessidade de aguardar o processo completo de registro no MAPA. A afirmação do técnico de que só seria possível após o registro definitivo está incorreta.

Q08 (Aula 02). Gabarito: (E).

Advertência, informação de EPI e atividade de manuseio, cada categoria com função distinta entre os pictogramas do rótulo. O risco para abelhas é um pictograma de advertência ambiental. O uso obrigatório de luvas é uma informação de EPI, indicando o equipamento que o usuário deve usar. O manuseio de formulação líquida é uma atividade de manuseio, descrevendo como proceder com a formulação. As três categorias têm funções distintas e não são intercambiáveis.

Q09 (Aula 02). Gabarito: (B).

Taxa de aplicação (150 L/ha), dose do produto comercial (2 L/ha) e volume de calda a preparar (3.000 L) são grandezas distintas que não podem ser confundidas. A taxa de aplicação é o volume total de calda distribuído por unidade de área (L/ha). A dose do produto comercial é o volume ou massa de formulado a adicionar à calda por unidade de área (L/ha ou kg/ha). O volume de calda a preparar é o produto da taxa pela área a tratar no dia, expresso em litros absolutos (sem base por área).

Q10 (Aula 03). Gabarito: (C).

IDA = NOEL / 100 = 0,8 / 100 = 0,0080 mg/kg p.c./dia. O fator de segurança padrão aplicado pela Anvisa para estudos de toxicidade crônica é 100, que corresponde a 10 para a variabilidade entre espécies e 10 para a variabilidade interespecífica humana. Dividir o NOEL por 100 resulta no valor que garante margem de proteção para toda a população, incluindo grupos mais sensíveis.

Q11 (Aula 03). Gabarito: (C).

MS = (NOEL × P) / (QAE × 10) = (1,2 × 60) / (36 × 10) = 72 / 360 = 0,2000.

Como MS < 1, a condição é insalubre. NCE = (1 − MS) × 100 = (1 − 0,2000) × 100 = 80,0000%: é necessário reduzir a exposição (QAE) em 80% para tornar a condição segura (MS ≥ 1). A alternativa com redução de 20% confunde NCE com MS; a que apresenta MS = 2 inverte numerador e denominador; a de MS = 72 omite o denominador.

Q12 (Aula 03). Gabarito: (B).

Categoria 2, pela via cutânea, pois entre as três é ela que resulta na classificação mais restritiva. A classificação pelo GHS (RDC 294/2019) é determinada pela via que impõe a categoria mais severa: - DL50 oral 200 mg/kg p.c.: Categoria 3 (50–200 mg/kg) - DL50 cutânea 150 mg/kg p.c.: Categoria 2 (50–200 mg/kg, faixa: > 50 a ≤ 200 mg/kg, mas 150 cai em Categoria 2 pela tabela da norma) - CL50 vapor 15 mg/L: Categoria 4

A via cutânea é a mais restritiva (Categoria 2) e determina a classificação final do produto.

Q13 (Aula 03). Gabarito: (A).

Em muitos compostos, a transição entre ausência de efeito e efeito clínico ocorre numa faixa de dose estreita, não numa rampa suave. O NOEL é o ponto em que não se observa efeito, mas logo acima dele a resposta pode surgir de forma abrupta, não gradual. Por isso a Anvisa aplica o fator de segurança de 100 ao calcular a IDA: a margem serve exatamente para contemplar essa transição potencialmente brusca e a variabilidade entre indivíduos. A afirmação do técnico de que "basta reduzir um pouco mais" subestima essa não-linearidade.

Q14 (Aula 03). Gabarito: (D).

A via respiratória tende a causar efeito sistêmico mais rápido porque a vascularização alveolar confere capacidade de absorção maior que a da pele, mesmo com área de contato menor. Os alvéolos pulmonares têm parede muito delgada e contato direto com a corrente sanguínea sistêmica, de modo que compostos inalados entram na circulação quase imediatamente. A pele, mesmo com permeabilidade aumentada pelo calor, ainda funciona como barreira, retardando a absorção. O argumento da "maior área do antebraço" confunde área de superfície visível com eficiência de absorção por unidade de área.

Q15 (Aula 03). Gabarito: (D).

A decisão prioriza a proteção individual, que é o último nível da hierarquia de controle da NR-31, antes de esgotar o controle na fonte e a redução do risco. A hierarquia da NR-31 exige que se tente, nesta ordem: (1) eliminação ou substituição do agente; (2) controles de engenharia na fonte (abastecimento fechado, cabine pressurizada, ventilação); (3) medidas administrativas; (4) EPI apenas após esgotar os níveis anteriores. Comprar respiradores e luvas sem investir em abastecimento fechado e cabine pressurizada pula os níveis intermediários e vai direto ao último.

Q16 (Aula 04). Gabarito: (E).

Endoderiva, por escorrimento e coalescência de gotas grossas, acima da capacidade normal de retenção foliar. A endoderiva é a perda de produto que ocorre dentro do próprio talhão, fora do alvo pretendido (no caso, as entrelinhas). O mecanismo aqui é o escorrimento: quando as gotas são muito grossas e o volume é excessivo, a superfície foliar não retém todo o líquido, que coalescente escorre para o solo. Isso difere da exoderiva, que é o deslocamento do produto para fora do talhão, tipicamente por arrastamento aéreo de gotas pequenas.

Q17 (Aula 04). Gabarito: (C).

A primeira ponta deve ser escolhida, pois quanto mais próxima de 1 a razão DMV/DMN, mais homogêneo o espectro de gotas. O DMV (Diâmetro da Mediana Volumétrica) é o diâmetro que divide o volume em duas metades iguais; o DMN (Diâmetro da Mediana Numérica) é o diâmetro que divide o número de gotas ao meio. Quando os dois são próximos, a distribuição é simétrica e uniforme, sem excesso de gotas muito finas. A razão 1,05 indica espectro quase homogêneo; a razão 1,60 indica distribuição assimétrica com proporção maior de gotas finas, que são justamente as responsáveis pela deriva.

Q18 (Aula 04). Gabarito: (A).

Não, pois pressão mais alta fragmenta mais o líquido, reduzindo o DMV e elevando o Potencial de Risco de Deriva. Em pontas hidráulicas convencionais, o aumento de pressão aumenta a velocidade de saída do líquido pelo orifício, o que intensifica a fragmentação e produz gotas menores. O efeito sobre o DMV é oposto ao esperado: mais pressão = gotas menores = mais fração fina = maior PRD. Para reduzir o PRD mantendo a mesma ponta, seria necessário reduzir a pressão ou trocar por ponta de orifício maior.

Q19 (Aula 04). Gabarito: (E).

A largura da zona de amortecimento não é fixa: varia com o produto, a condição meteorológica, a tecnologia de aplicação e a natureza da área sensível. Não existe "a" distância de buffer zone universal, porque cada rótulo traz a sua, calculada em função do potencial de deriva do produto e do risco para o organismo não alvo adjacente. A condição meteorológica (vento, temperatura, umidade) altera o comportamento das gotas durante a aplicação, e a tecnologia (tipo de ponta, volume de calda, altura da barra) determina o espectro de gotas gerado. Perguntar por um valor único para padronizar todas as fazendas é tecnicamente equivocado porque ignora essas variáveis.

Q20 (Aula 04). Gabarito: (D).

Uma perda física por escorrimento, amplificada pelo filme do orvalho associado à presença de surfatante na calda. O escorrimento (runoff) é classificado como perda física porque o produto deixa o alvo por ação mecânica do líquido, não por reação química. O orvalho já presente na superfície foliar cria um filme de água que reduz a tensão superficial de contato entre a calda e a folha; o surfatante na calda reforça esse efeito ao reduzir ainda mais a tensão superficial, facilitando a coalescência e o escoamento para o solo.