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Gabarito comentado, Revisão da Unidade II: Calda Fitossanitária (Aulas 05 a 08)

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Tip

Este gabarito cobre apenas os Blocos B e C. As questões do Bloco A não têm gabarito escrito: são discutidas em sala. Confira suas respostas só depois de tentar: o valor do exercício está no esforço de recuperar, e o comentário explica tanto o porquê da resposta certa quanto o erro que cada alternativa incorreta representa.

Bloco B: questões integradas

B1. Resposta: (C).

É um caso clássico de incompatibilidade física (Aula 08): EC adicionado antes de WP forma pasta insolúvel na camada superior, que obstrui filtro de linha, filtro de ponta e o orifício da ponta. A regra é formulação sólida antes de formulação oleosa (protocolo Embrapa 437); a conduta é corrigir a sequência (WP antes do EC) e revalidar com o teste da garrafa.

(A) confunde incompatibilidade física visível com antagonismo. Antagonismo é redução da eficácia biológica sem sinal visual, não formação de pasta; e não se resolve trocando o ativo.

(B) quem é abrasivo é a suspensão de partícula sólida (WP, SC, WG, Aula 05), não o EC; e o problema descrito é obstrução por pasta, não desgaste por abrasão.

(D) a pré-diluição do WP é real (Aula 05), mas o defeito aqui é a ordem de adição, e aumentar a pressão não desfaz pasta insolúvel já formada.

B2. Resposta esperada.

(a) Mecanismo (Aula 06): a dureza é a concentração de cátions bivalentes, principalmente Ca²⁺ e Mg²⁺, que se ligam às moléculas do ativo (e aos tensoativos), formando compostos insolúveis de baixa atividade e reduzindo o ativo disponível. O glifosato é especialmente sensível: o poder desativador varia por cátion (Fe³⁺ e Al³⁺ muito severos; Ca²⁺ e Zn²⁺ severos; Mg²⁺ moderado; K⁺ não afeta). A literatura admite até 150 ppm de dureza total para o glifosato.

(b) Conduta sobre a água ou a calda (Aula 06/07): adicionar condicionador (quelatizante ou surfatante não iônico) antes de qualquer produto; a opção mais usada é sulfato de amônio a 3,0 kg por 100 L de calda para o glifosato em água dura.

(b) Conduta sobre a taxa de aplicação (Aula 06): reduzir o volume de água protege o ativo: pela equação % inativado = (Va × Dureza_Ca × 0,00047) / Dose, com Va no numerador, menos água significa menor fração inativada.

Integração: reduzir volume protege o glifosato da dureza, mas volumes muito baixos aumentam o risco de incompatibilidade em mistura (Aula 08); a decisão pesa os dois efeitos.

B3. Resposta: (A).

Volume baixo de calda concentra mais partícula no sistema e agrava o risco de abrasão do WP sobre ponta e filtro (Aula 05); a suspensão é intrinsecamente abrasiva (Aula 06), e a ponta desgastada altera vazão e espectro de gotas sem o operador perceber.

(B) inverte a lógica: a massa de sólido por hectare é a mesma (dose mantida), agora dissolvida em menos água; logo mais concentrada e mais abrasiva.

(C) WP forma suspensão, não solução; exige agitação intensa e contínua. Quem forma solução são SP, SG e SL (Aula 05).

(D) confunde dose com cobertura: manter a dose não mantém a cobertura. Pela fórmula de Courshee (Aula 06), a cobertura acompanha o volume V; cair de 150 para 60 L/ha reduz a cobertura.

B4. Resposta esperada.

Erro 1, incompatibilidade iônica (Aula 07): o glifosato se ioniza negativamente; surfatantes catiônicos são incompatíveis com ele, causando precipitação e perda de eficácia. A classe segura é a dos não iônicos. Escolher um catiônico para calda de glifosato já é erro na seleção do adjuvante.

Erro 2, limite do teste da garrafa (Aula 08): o teste detecta apenas incompatibilidade física. Uma calda visualmente perfeita pode carregar antagonismo ou incompatibilidade química, sem sinal visual (exemplo: cipermetrina a pH 9,0 perde 55% do ativo em 2 horas). Compatibilidade física não é compatibilidade biológica; a validação completa exige dado de pesquisa sobre a combinação.

Fecho: a ausência de separação no jarro não valida a mistura; apenas afasta um dos modos de falha.

B5. Resposta: (D).

Com menos água por área, cada produto ocupa proporção maior do volume de calda; a concentração sobe e o risco de incompatibilidade cresce (Aula 08, Antuniassi 2019: incompatível a 50 L/ha, compatível a 100 L/ha). Para mistura com três produtos ou mais em condição de incompatibilidade potencial, aumentar o volume é a conduta recomendada.

(A) a dose por hectare é fixa e independe do volume de calda (Aula 06); mais água muda a concentração na calda, não a dose.

(B) invertido: volumes baixos costumam exigir gotas mais finas para manter cobertura; não existe relação "pouca água significa gota grossa".

(C) inverte o efeito: mais água dilui e tende a reduzir a concentração e a velocidade de reações; não acelera a hidrólise.

B6. Resposta: (B).

A formulação EC já traz surfatante emulsificante (adjuvante interno, Aula 05/07); antes de adicionar adjuvante externo é preciso considerar o que a formulação já contém. Somar surfatante por hábito, sem diagnóstico, pode ser redundante ou prejudicial; organossilicone não é seguro por padrão (num ensaio, os organossiliconados reduziram a mortalidade de lagartas).

(A) overgeneralização: menor tensão superficial nem sempre melhora o resultado; o caso das lagartas mostra o contrário.

(C) função errada: organossiliconado é espalhante ou penetrante, não corrige pH (isso é feito com acidificantes ou tamponantes).

(D) falso: um EC sem surfatante emulsificante não formaria emulsão estável; ele contém o emulsificante por definição.

B7. Resposta esperada.

Por que o protocolo convencional não basta (Aula 08): com organismo vivo, a pergunta não é só se a calda fica homogênea, mas se o organismo permanece viável até o alvo. Fungos de controle biológico correm o maior risco: fungicidas convencionais reduzem muito a viabilidade do fungo, mesmo em dose sem fitotoxicidade (Dalacosta et al. 2019: incompatibilidade de Trichoderma com difenoconazol, fluazinam, iprodiona e tiabendazol). O Manual da Embrapa é explícito: suas recomendações valem para produto químico.

Condutas de preparo:

  1. Consultar o fabricante do biológico para a lista de compatibilidade estudada.
  2. Adicionar o biológico por último, reduzindo o tempo de contato com o químico (isso se sobrepõe à ordem por formulação da Aula 05, em que o SC entraria antes dos solúveis ou oleosos).
  3. Aplicar a calda logo após o preparo, sem armazenamento.
  4. Sem compatibilidade documentada, considerar separar as aplicações no tempo.

Ligação com a Aula 05: o código de formulação segue guiando a ordem dos componentes químicos, mas o organismo vivo impõe a regra adicional de entrar por último e sem repouso.

B8. Resposta: (A).

Na fórmula de Courshee C = 15 × (V × R × K²) / (A × D), o fator de espalhamento K é quadrático (Aula 06). Um surfatante que reduz a tensão superficial e dobra K (Aula 07) quadruplica a contribuição de K para C; pequenas mudanças em K têm efeito desproporcional.

(B) ignora o expoente: trata K como linear e subestima o efeito.

(C) erro de posição: K está no numerador (com V e R); no denominador estão A e D.

(D) confunde os fatores: R (recuperação) e K (espalhamento) são variáveis distintas; K afeta C diretamente.

B9. Resposta esperada.

Grandezas na recomendação (Aula 06): dose = 0,72 kg e.a./ha (produto ou ativo por área); taxa de aplicação (sinônimo de volume de aplicação) = 100 L/ha (calda por área, parâmetro de operação do pulverizador).

Erro do operador (Aula 06): "720 L de calda no caminhão-pipa" é volume de calda (quantidade física total no reservatório, em litros absolutos), que não é taxa de aplicação nem dose. Ele confundiu volume de calda com taxa de aplicação; o número 720 nem aparece na recomendação; parece ter multiplicado a dose (0,72) por mil. Taxa de aplicação, volume de calda e dose são três grandezas distintas.

Equivalente ácido (Aula 05): a dose vem em e.a. porque o mesmo ativo existe em formas químicas de massas molares distintas; o e.a. expressa a massa como ácido livre, permitindo comparação. Converter 0,72 kg e.a./ha em produto comercial exige a concentração (g e.a./L ou g e.a./kg) da formulação; comparar produtos pela concentração do sal, sem o e.a., leva a erro grave de dose.

Fecho: preparar corretamente exige três grandezas independentes: taxa de aplicação (100 L/ha), volume de calda total (área e tanque) e dose convertida em produto pela concentração e pelo e.a.

B10. Resposta: (B).

O adjuvante aminado (sulfato de amônio) é incompatível com dicamba: eleva a volatilidade do herbicida e o risco de deriva por volatilização para culturas vizinhas sensíveis (Aula 07, incompatibilidades; Aula 08, risco de mistura). A sinergia documentada do sulfato de amônio é com o glifosato, não com o dicamba.

(A) confunde funções: o sulfato de amônio ajuda contra dureza em calda de glifosato, mas com dicamba o efeito crítico é o aumento de volatilidade.

(C) generalização falsa: o adjuvante aminado interage sim com o dicamba (elevando a volatilidade); não é indiferente.

(D) mecanismo inventado: o benefício alegado não ocorre; o ponto relevante é a volatilização do dicamba.

Bloco C: cálculo e diagnóstico integrado

C1.

(a) Q (L/ha) = qᵢ × 60.000 / (V × eᵢ) = 0,80 × 60.000 / (7,2 × 50) = 48.000 / 360 = 133,3333 L/ha. Coerente com a faixa de fungicidas em soja no Cerrado/MT (sistêmico 80 a 130; contato ou multissítio 100 a 200 L/ha). Confirmar essa taxa em campo é função da calibração, feita depois da regulagem, não no lugar dela.

(b) Cuidados do WP (Aula 05):

  1. Pré-diluição obrigatória: formar pasta fluida em recipiente auxiliar antes de ir ao tanque; no tanque seco, o pó vira grumo que não dispersa.
  2. Agitação intensa e contínua: WP forma suspensão que sedimenta; sem agitação, as últimas linhas recebem calda mais concentrada ou só água. Atenção também à abrasão sobre ponta e filtro, agravada em volume baixo de calda.

C2.

Conversão: Dureza_Ca = 875 ÷ 2,5 = 350 ppm de Ca²⁺.

(a) A 120 L/ha: % = (120 × 350 × 0,00047) / 1,0 = (42.000 × 0,00047) / 1,0 = 19,74 / 1,0 = 19,7400%.

(b) A 60 L/ha: % = (60 × 350 × 0,00047) / 1,0 = (21.000 × 0,00047) / 1,0 = 9,87 / 1,0 = 9,8700%.

Interpretação: reduzir o volume à metade reduz a inativação à metade (em água dura, menos água protege o glifosato, Aula 06). Porém (Aula 08), baixar a taxa eleva a concentração relativa dos componentes e o risco de incompatibilidade, sobretudo com formulações salinas. Alternativa recomendada: condicionar a água antes dos produtos (sulfato de amônio a 3,0 kg por 100 L para o glifosato), em vez de resolver tudo pela redução de volume.

C3.

Volume de produto por hectare (usa a concentração, Aula 05): 1.080 ÷ 720 = 1,5000 L/ha. (A dose refere-se ao produto ou ativo; a taxa de aplicação, à calda, Aula 06.)

Proporção produto/calda (Aula 08): (1,5 × 1) / 120 = 0,0125 L por litro de calda. Para 1 L de teste: 0,0125 L = 12,5000 mL de produto.

(b) Passos do teste da garrafa (Aula 08):

  1. Medir a água (dois terços do volume total previsto para 1 L de teste).
  2. Adicionar o condicionador de água.
  3. Adicionar o produto na exata sequência prevista para o tanque (sólido antes de oleoso).
  4. Adicionar adjuvante e fertilizante foliar, se previstos.
  5. Completar com o restante da água.
  6. Fechar, agitar bem e deixar em repouso por 2 horas.
  7. Observar e decidir pelo tempo de separação (estável: aplicar; separação em até 1 minuto ou imediata: não aplicar; nesse caso, alterar a sequência de adição e repetir).

Limite do teste: detecta apenas incompatibilidade física; não capta antagonismo biológico nem incompatibilidade química.