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Gabarito comentado, Revisão da Unidade III: Aplicação Fitossanitária (Aulas 09 a 12)

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Este gabarito cobre apenas os Blocos B e C. As questões do Bloco A não têm gabarito escrito: são discutidas em sala. Confira suas respostas só depois de tentar: o valor do exercício está no esforço de recuperar, e o comentário explica tanto o porquê da resposta certa quanto o erro que cada alternativa incorreta representa.

Bloco B: questões integradas

B1. Resposta: (B).

A vazão varia com a raiz quadrada da pressão (Aulas 09 e 10): pequena variação de pressão mexe pouco na vazão e muito no tamanho da gota, afinando-a e elevando a fração que deriva. Corrigir a taxa de aplicação pela pressão tem alcance limitado; para ajuste maior, o correto é trocar a ponta por uma de vazão nominal adequada.

(A) erro duplo: dobrar a vazão exige quadruplicar a pressão (relação de raiz quadrada), e pressão maior gera gota menor, não maior.

(C) nega a relação inversa: a pressão muda sim o tamanho de gota (mais pressão, gota menor) e, com isso, a deriva; não afeta "apenas a vazão".

(D) acerta a raiz quadrada (quadruplicar), mas inverte a direção do efeito na gota: pressão maior afina a gota, não a engrossa.

B2. Resposta esperada.

(a) Quebra secundária das gotas (Aula 12): em voo, o impacto do vento relativo sobre o spray já formado pela ponta causa fragmentação suplementar, que se soma ao efeito da pressão e do desenho da ponta. Por isso a regra de terra (cônico mais fino que plano) não vale no ar: com o defletor da ponta de impacto CP-03 a 30° o DMV foi 12,9% menor que o de uma cônica D6-DC46, e a 90° a redução chegou a 42,8%. Efeito correlato: com a ponta a 0° em relação ao fluxo de ar, aumentar a pressão passa a aumentar o DMV, o oposto do comportamento hidráulico usual.

(b) Norma de classificação (Aula 12 versus Aula 09): na barra terrestre o espectro segue a ASABE S572 (S572.1 de 2009, oito classes; atualização S572.3/ISO 25358). Em aplicação aérea, atomizador e ponta hidráulica embarcada seguem a ANSI/ASABE S641 (2018), com sete classes, que substitui a S572 nesse contexto. Ambas usam comparação com pontas de referência, mas são normas distintas: usar a tabela errada classifica o espectro de forma incorreta.

Fecho: o que muda entre plataformas não é a física da gota isolada, é o conjunto de forças que atua sobre ela (o vento relativo do voo), e a norma acompanha essa diferença de contexto.

B3. Resposta: (A).

Variar a taxa pela pressão muda o tamanho de gota (DMV), o que altera deposição, espalhamento e risco de deriva (Aula 11). Com equipamento que só controla vazão, recomenda-se variação pequena da taxa, em torno de 20%, e ponta que mantenha o tamanho de gota o mais estável possível. A pressão fora da faixa também eleva o coeficiente de variação (Aula 10).

(B) inverte o princípio da PWM: as válvulas PWM modulam a frequência de abertura e fechamento de cada ponta, controlando a vazão sem alterar significativamente o tamanho da gota.

(C) falso: a pressão muda sim o tamanho de gota (Aulas 10 e 11); por isso a variação de taxa por pressão precisa ser limitada.

(D) inverte a injeção direta: ela aplica a água em taxa constante (preservando o DMV) e injeta o ativo em proporção variável.

B4. Resposta esperada.

(a) Redução de volume não é ganho operacional direto (Aula 11): reduzir a taxa não aumenta a área tratada na mesma proporção, porque tempo de preparo de calda, abastecimento e manobra não caem junto (num pulverizador de 2.500 L, reduzir de 100 para 50 L/ha eleva a capacidade em cerca de 28%, não 100%). Volumes muito baixos aproximam-se da lógica aérea (gota mais fina, maior sensibilidade ao clima, risco de subdose e falha de controle). A faixa de volume da bula prevalece; reduzir abaixo dela alegando rendimento é negligência técnica.

(b) Taxa mínima por alvo em drone (Aula 12): no controle da ferrugem asiática, o drone a 5 e a 10 L/ha não diferiu do pulverizador terrestre para o controle da doença, mas a taxa de 5 L/ha gerou desfolha maior que a de 10 L/ha, por desuniformidade de deposição em condição meteorológica próxima do limite crítico; em café, 5 L/ha deu controle inferior para ferrugem. Recomendação: 10 L/ha é suficiente para pressão moderada; em condição favorável a alta severidade, ou com herbicida de contato, taxa acima de 10 L/ha traz mais segurança. Boa parte do "drone não funcionou" vem de taxa subdimensionada.

Fecho: a proposta de 5 L/ha troca um ganho operacional pequeno e duvidoso por risco real de falha de controle no alvo.

B5. Resposta: (C).

A eletrostática torna o uso de gotas finas mais seguro (a força eletrostática supera a gravitacional 51 vezes a 30 µm e 14 vezes a 100 µm), melhorando cobertura e penetração, mas, isolada, tende a concentrar os depósitos no ápice da planta, deixando a baixeira subprotegida, o oposto do que se quer contra a ferrugem, que começa no terço inferior. Combinar a eletrificação com assistência de ar melhora a distribuição entre os estratos (Aula 11).

(A) a eletrostática não anula a deriva no trajeto (perto do alvo a atração comanda; no meio do caminho quem comanda é o vento), e a UR alta reduz a eletrificação em cerca de 50%.

(B) inverte a geometria (Aula 09): gota fina cobre mais, porque o número de impactos por área é inversamente proporcional ao cubo do diâmetro; e a carga elétrica melhora a deposição da gota fina.

(D) inverte a física: a força elétrica domina mais quanto menor a gota (51 vezes a 30 µm contra 4 vezes a 300 µm).

B6. Resposta esperada.

(a) As duas equações: terrestre (Aula 10): Taxa (L/ha) = (Vazão por ponta × 600) / (Velocidade × Espaçamento entre pontas). Aérea (Aula 12): Taxa (L/ha) = (Vazão total × 600) / (Velocidade de voo × Faixa efetiva); a faixa efetiva de deposição substitui o espaçamento entre pontas, e a vazão é a total da barra.

(b) O que não tem equivalente terrestre (Aula 12): a altura de voo (25% a 50% da envergadura, Ipanema 202: 3 a 6 m; Air Tractor 502B: 4 a 8 m) tem efeito direto sobre a uniformidade; os vórtices de ponta de asa e de hélice deslocam o depósito (exigem barra limitada a 70 a 80% da semienvergadura e pontas afastadas da fuselagem no centro); e a distinção faixa efetiva diferente de faixa total não existe na barra. A avaliação exige vento de proa (tolerância de 15°), e a vazão do atomizador rotativo depende da rotação, não da pressão (a pressão só muda o volume).

Refazer: na barra, a cada troca de pontas, mudança de formulação ou viscosidade, de cultura ou de terreno e velocidade; na aeronave, reavalia-se a faixa de deposição após qualquer mudança de configuração.

Fecho: a diferença não é "só a altura": é o conjunto de variáveis (faixa efetiva, vórtices, vento de proa) que muda de plataforma para plataforma.

B7. Resposta: (D).

São mecanismos diferentes (Aula 11). A indução de ar é característica da ponta de pulverização, que aspira ar e o incorpora dentro da gota, formando gotas grossas a extremamente grossas, menos suscetíveis à deriva (pontas AI, AVI, AIXR, TTI, Aula 09). A assistência de ar é um ventilador que gera uma cortina de ar externa sobre a barra, empurrando as gotas para o alvo. A frase confunde as duas.

(A) confunde indução de ar com assistência eletrostática (a carga elétrica está no eletrodo junto à ponta).

(B) erra ao dizer que a ponta gera cortina de ar externa: quem gera a cortina é o ventilador (assistência de ar), não a ponta.

(C) inverte os conceitos: a bolha de ar dentro da gota é a indução de ar (ponta), não a assistência de ar, que depende do ventilador.

B8. Resposta esperada.

(a) O que significa o CV de 25% (Aula 10): o coeficiente de variação mede a uniformidade de distribuição transversal sob a barra. CV acima de 15% é reprovado (norma ISO 16122) e indica ponta desgastada, altura de barra incorreta ou espaçamento irregular: faixas alternadas de subdepósito e superdepósito. Ponta desgastada (vazão acima de 10% da nova) aumenta a vazão, deforma o ângulo e altera o espectro, comprometendo taxa, uniformidade e tamanho de gota ao mesmo tempo, sem sinal visível na operação.

(b) Por que a tecnologia não compensa (Aula 11): nenhuma dessas tecnologias substitui o pulverizador de barra convencional bem calibrado; cada uma resolve um problema específico, e adotar tecnologia sem o problema correspondente é desperdício de capital. VRA e assistência de ar não corrigem ponta desgastada nem barra desregulada: o critério que unifica a decisão é o custo por hectare confrontado com o ganho de controle no problema dominante da lavoura. Com CV de 25%, o problema dominante é regulagem e calibração, não a falta de tecnologia.

Fecho: investir em VRA sobre uma barra reprovada é gastar no elo errado; a prioridade é trocar as pontas e recalibrar até o CV cair para dentro do limite.

B9. Resposta: (B).

O downwash (fluxo de ar descendente dos rotores) conduz a gota para dentro do dossel: num experimento com soja, o depósito de inseticida por drone (10 L/ha, 2 m, 14,4 km/h) foi cerca de 1,9 vez maior que o do tratorizado (80 L/ha) no estrato inferior, com implicação direta para o percevejo, que se concentra no terço inferior (Aula 12). A ferrugem (Phakopsora pachyrhizi) também se instala primeiro nas folhas do terço inferior e médio (Aula 09).

(A) falso: na barra terrestre a cobertura cai muito da parte alta para a baixa (70 a 83% no topo contra apenas 3 a 14% na base, a 100 L/ha).

(C) erro biológico: a ferrugem se instala primeiro no terço inferior e médio, não no topo.

(D) inverte o efeito do downwash: ele aumenta o depósito na baixeira (cerca de 1,9 vez), em vez de afastar a gota da base.

B10. Resposta: (C).

O princípio é o mesmo nas duas plataformas: na IPP terrestre, qualquer ponta de modelo ou vazão diferente reprova o item "tipo de pontas" (Aula 10); na aeronave, todo atomizador da barra deve ser do mesmo modelo, com pá íntegra, mesmo ângulo e tamanho: misturar modelo compromete a uniformidade do espectro (Aula 12). Vazões diferentes por posição geram faixas de subdose e superdose sem sinal visível.

(A) falso: cortar a pá do atomizador é uma das práticas que comprometem a uniformidade do espectro e não devem ser feitas (Aula 12).

(B) inventa uma divergência: o critério de ponta desgastada é de 10% em relação à vazão de ponta nova em ambos os contextos; o desvio de 5% da IPP refere-se à taxa de aplicação real, não ao desgaste da ponta.

(D) falso: pontas de vazões diferentes na barra reprovam o conjunto e geram faixas alternadas de sub e superdose.

Bloco C: cálculo e diagnóstico integrado

C1.

(a) Critério de desgaste (Aulas 09 e 10): troca-se a ponta quando a vazão excede em 10% a de uma ponta nova do mesmo modelo e pressão. Excesso = (0,90 − 0,79) / 0,79 = 0,11 / 0,79 = 0,1392. Excesso = 13,9241% (acima de 10%): sim, a ponta deve ser substituída. Além da superdose por ponta, o desgaste altera o ângulo do jato e o espectro, comprometendo a uniformidade da barra.

(b) Taxa de aplicação com a ponta nova (Aula 10): Taxa (L/ha) = (Vazão por ponta × 600) / (Velocidade × Espaçamento) = (0,79 × 600) / (6,0 × 0,50) = 474 / 3,0 = 158,0000 L/ha.

Nota: o valor calculado é a taxa regulada; confirmá-la em campo (proveta e cronômetro, ou vaso calibrador) é a calibração, feita depois da regulagem, não no lugar dela.

C2.

(a) Vazão total (Aula 12): L/min = (L/ha × km/h × faixa) / 600 = (18 × 190 × 22) / 600 = 75.240 / 600 = 125,4000 L/min. Vazão individual = 125,4000 / 8 = 15,6750 L/min por atomizador. (Consulta-se então a placa ou orifício da VRU no catálogo do fabricante; no atomizador rotativo a pressão só ajusta o volume, não o tamanho de gota.)

(b) Nova taxa com faixa de 26 m (Aula 12): Taxa = (Vazão total × 600) / (Velocidade × Faixa efetiva) = (125,4000 × 600) / (190 × 26) = 75.240 / 4.940 = 15,2308 L/ha. Risco: aumentar a faixa efetiva sem ajustar a vazão reduz a taxa de aplicação (de 18 para 15,2308 L/ha), o que pode comprometer o controle por subdose. Qualquer mudança em uma das três variáveis (vazão, velocidade, faixa) altera a taxa.

C3.

(a) Taxa real pelo quadrado de calibração (Aula 10): área = 25,0 × 25,0 = 625 m². Regra de três: 625 m² está para 11,5 L assim como 10.000 m² está para x. x = (10.000 × 11,5) / 625 = 115.000 / 625 = 184,0000 L/ha.

Quantidade de produto por tanque = (Capacidade × Dose) / Taxa confirmada = (2.000 × 200) / 184,0000 = 400.000 / 184,0000 = 2.173,9130 g, aproximadamente 2,1739 kg por tanque.

(b) Avaliação da redução para 100 L/ha (Aula 11): cair de 184 para 100 L/ha não dobra o rendimento: o tempo de preparo de calda, abastecimento e manobra não cai na mesma proporção (num tanque grande, reduzir o volume à metade eleva a capacidade em torno de 28%, não 100%). Volumes muito baixos aproximam-se da lógica aérea (gota mais fina, maior sensibilidade ao clima, risco de subdose). A faixa de volume da bula prevalece; reduzir por hábito, alegando rendimento, é negligência técnica. Além disso, mudar a taxa exige refazer a calibração (Aula 10).