Aula 01: Origem, Importância e Evolução dos Cereais · Gabarito comentado (Blocos B e C)¶
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Gabarito dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito aqui: é discutido no início da Aula 02. Confira sua resposta só depois de tentar. O comentário explica por que a correta está certa e por que cada distratora é tentadora, o que ajuda mais do que só ver a letra.
Bloco B¶
B1. Gabarito: (c). Na cariopse o pericarpo está intimamente fundido ao tegumento da semente, formando uma unidade inseparável (por isso não se separa casca de semente como numa fruta), e o beneficiamento por abrasão que produz o arroz branco polido remove justamente o farelo e o gérmen, as frações mais ricas em fibra, vitaminas e minerais. (a) confunde: na cariopse o pericarpo não desaparece, ele se funde ao tegumento. (b) contradiz a definição: a cariopse é fruto seco indeiscente, não carnoso, e o tegumento é indistinguível do pericarpo, não se solta. (d) inverte as frações: o polido retém o endosperma e perde o farelo e o gérmen, não o contrário.
B2. Gabarito: (a). Produzir não é o mesmo que alimentar diretamente: o milho lidera a produção mundial (cerca de 1,2 bilhão de t), mas seu uso majoritário é ração para aves e suínos e insumo industrial, e só nos países mais pobres funciona como base da alimentação humana; entre os cereais que vão direto ao prato, quem domina são trigo (cerca de 42%) e arroz (cerca de 40%). (b) é falsa: o milho de fato lidera a produção. (c) inverte o fato: o milho é base alimentar humana justamente nos países mais pobres, não nos ricos. (d) aplica ao milho um cuidado que é do arroz: é o arroz que a FAO reporta em casca (paddy), não o milho.
B3. Gabarito: (d). A origem é policêntrica: o milho é o único inteiramente americano (Mesoamérica), enquanto o trigo (Crescente Fértil), o sorgo e o milheto (África) e o arroz (dupla domesticação na Ásia e na África) vieram do Velho Mundo. (a) nega a origem policêntrica, tratando tudo como um único berço que se espalhou. (b) erra ao chamar o sorgo de americano: o sorgo é africano. (c) repete o equívoco comum: o Brasil não é centro de origem do milho, cuja origem está no México e na Guatemala.
B4. Gabarito: (b). A espécie não fixa sozinha a categoria: a biotecnologia disponibiliza trigos de primavera, em que a transição para a fase reprodutiva não depende (ou depende pouco) da vernalização, e é isso que permite ao trigo, de origem temperada, ser cultivado em regiões tropicais. (a) generaliza indevidamente ("nenhuma cultivar"): os trigos de primavera florescem sem exigência de frio. (c) troca as categorias: o milho e o sorgo são cereais de verão e não passam por vernalização, e o trigo é cereal de inverno, não de verão. (d) confunde as duas categorias: quem é sensível à geada e exige calor é o cereal de verão; o trigo, de inverno, tolera o frio na fase vegetativa.
B5. (aberta) Resposta esperada. (i) Produzir muito não é o mesmo que alimentar muita gente: nas zonas semiáridas da África subsaariana e do subcontinente indiano, sorgo e milheto não competem com milho e trigo, eles simplesmente são o alimento possível, porque toleram calor e seca que inviabilizam as outras espécies. Os rendimentos médios muito inferiores (o milheto fica ao redor de 900 kg/ha) refletem condições edafoclimáticas limitantes e a agricultura de subsistência africana, não falta de importância. Um cereal pode ser marginal na estatística global e central na sobrevivência de uma região. (ii) No Cerrado o quadro se inverte: o milheto entrou pela porta da palhada, não do grão, e o melhoramento nacional priorizou massa verde e cobertura para o plantio direto na entressafra, não grão. Por isso a área é enorme (chegou a cerca de 2,1 milhões de hectares no Centro-Oeste), mas quase nada vira grão comercializado.
B6. (aberta) Resposta esperada. (i) Nível 1: há duas domesticações independentes, em continentes diferentes, cada uma a partir de um ancestral silvestre próprio: Oryza sativa, o arroz asiático (de O. rufipogon), e Oryza glaberrima, o arroz africano (de O. barthii). Nível 2: dentro do arroz asiático, houve duas subespécies domesticadas de forma independente, a japonica e a indica, ambas descendentes da mesma silvestre O. rufipogon. (ii) A japonica tem grão curto e arredondado, pegajoso, com alta amilopectina, e é a que fica grudenta ao cozimento (sushi e sashimi, China e Japão). A indica tem grão longo, fino e solto, com alta amilose, e é o tipo agulhinha, dominante no Brasil. (iii) O NERICA (New Rice for Africa) são híbridos obtidos do cruzamento O. glaberrima por O. sativa, para unir a rusticidade africana (tolerância a seca, encharcamento irregular, acidez do solo e pragas locais) ao potencial produtivo do arroz asiático.
B7. (aberta) Resposta esperada. (i) O porte baixo (semi-anão) permitiu que a planta respondesse a altas doses de nitrogênio sem acamar (tombar). A planta alta acama sob adubação pesada e perde grão; o colmo curto e resistente sustenta a produção e converte o nutriente adicional em rendimento em vez de crescimento vegetativo. (ii) Ao longo de dois mil anos a agronomia chinesa selecionou plantas de arroz cada vez mais baixas e produtivas em sistema irrigado; a variedade ancestral De-Geo-Wo-Gen concentrou os genes de baixa estatura e alto rendimento, e cruzamentos conduzidos no IRRI transferiram essas características para as variedades modernas, inclusive o agulhinha do tipo indica. (iii) É o mesmo princípio que Borlaug aplicaria ao trigo: reduzir o porte para permitir que a planta respondesse a mais nutriente sem tombar. A diferença é que, no arroz, o princípio já vinha sendo construído por selecionadores asiáticos muito antes de a Revolução Verde lhe dar nome.
Bloco C¶
C1. (cálculo) Resolução (4 casas decimais).
(i) Arroz beneficiado = produção em casca × 2/3 = 815 × (2 ÷ 3) = 543,3333 milhões de t. O texto arredonda esse resultado para "aproximadamente 543 milhões de t", coerente com o cálculo.
(ii) Queda percentual = (valor inicial − valor final) ÷ valor inicial × 100 = (35 − 25) ÷ 35 × 100 = 10 ÷ 35 × 100 = 28,5714%. O texto refere essa queda como "aproximadamente 28% em três décadas", também coerente.
Comentário: a FAO reporta o arroz em casca (paddy), enquanto milho e trigo são reportados como grão. Comparar os 815 milhões de t de arroz em casca diretamente com os 788 milhões de t de trigo é comparar bases diferentes: em base beneficiada, o arroz cai para cerca de 543 milhões de t. Por isso o texto adverte que comparar paddy com grão beneficiado gera contradições aparentes.
C2. (diagnóstico) Diagnóstico esperado. Milho (2ª safra): metabolismo C4, mas necessidade hídrica de 400 a 700 mm/ciclo e ciclo de 100 a 125 dias, o mais exigente em água e o mais longo dos três; adaptação alta ao Cerrado, porém é justamente onde a restrição hídrica da segunda safra o inviabiliza quando as chuvas cessam cedo. Sorgo: C4, necessidade de 350 a 500 mm/ciclo, ciclo de 95 a 115 dias, adaptação muito alta; é a cultura de risco reduzido, que viabiliza uma colheita de grão com menor risco de perda onde a restrição hídrica já inviabiliza o milho. Milheto: C4, o de menor necessidade hídrica (250 a 400 mm) e ciclo mais curto (75 a 95 dias) e adaptação muito alta, mas seu uso predominante no Cerrado é cobertura, forragem e palhada, não grão, e o melhoramento nacional priorizou a palhada. Recomendação: para o objetivo de colher grão sob restrição hídrica na segunda safra, o sorgo granífero é a escolha de menor risco; o milho só se a janela e a água permitirem, e o milheto não é a via para grão comercial no Cerrado. A origem semiárida (Sahel e Nordeste africano) de sorgo e milheto, com metabolismo C4 e ciclo curto, é exatamente o que os qualifica para fechar o calendário da segunda safra com risco menor.