Pular para conteúdo

Aula 02: Anatomia, Morfologia e Arquitetura dos Cereais · Gabarito comentado (Blocos B e C)

← Voltar para a aula

Tip

Confira aqui depois de resolver a lista de perguntas. Este gabarito cobre apenas os Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito: será discutido coletivamente no início da Aula 03.


Bloco B: Consolidação da Aula 02

B1. (múltipla escolha) Gabarito: (c). O milho tem dominância apical e colmo único: cada planta é uma unidade produtiva quase fixa, sem compensação por perfilho, e por isso a população precisa ser precisa; o trigo perfilha e trabalha em faixa ampla. (a) atribui ao milho o perfilhamento fértil do trigo, exatamente o erro que o texto aponta como origem clássica de falha de estande. (b) supõe que a coroa das duas emite colmos, ignorando que no milho o perfilhamento é baixo e indesejável. (d) repete o equívoco de tratar as culturas como intercambiáveis: densidade generosa no milho produz plantas dominadas e espigas mal formadas, não mais espigas por planta.

B2. (múltipla escolha) Gabarito: (b). O aerênquima é o tecido lacunoso do córtex que cria canais ligando a raiz à atmosfera e sustenta a respiração aeróbica mesmo em solo sem oxigênio; é a principal adaptação anatômica do arroz ao alagamento. (a) confunde a função da coroa (de onde partem raízes definitivas e perfilhos) com adaptação ao alagamento. (c) descreve corretamente as estrias de Caspary como barreira seletiva de água e íons, mas isso nada tem a ver com fornecer oxigênio à raiz. (d) troca o cenário: a plasticidade que leva a raiz a 140 cm ocorre em terras altas (sequeiro); em solo inundado a raiz do arroz é rasa (menos de 40 cm), e profundidade não resolve anoxia.

B3. (aberta) Resposta esperada. O colmo não é só eixo de sustentação: é também órgão de reserva. Entre a fase vegetativa e o início do enchimento, ele estoca o excedente da fotossíntese na forma de carboidratos não estruturais (no arroz, 15 a 30% do peso seco do colmo na antese). Da antese em diante, quando as folhas já não bastam para a demanda do grão, o colmo remobiliza esse estoque e entrega ao grão 20 a 40% da matéria seca final (mais de 50% sob estresse, no arroz). O acamamento tomba o colmo e rompe o floema: primeiro prejuízo, isola a reserva do colmo e cancela a remobilização que iria para o grão; segundo prejuízo, interrompe também a chegada dos fotoassimilados correntes das folhas (inclusive a folha bandeira) à inflorescência. A planta em pé mantém floema íntegro e continua exportando tanto a reserva quanto a produção corrente para o grão.

B4. (múltipla escolha) Gabarito: (d). O milho é monoico: o pendão (masculino) é terminal e a espiga (feminina) é axilar, no terço médio do colmo. Por isso a folha de maior peso no enchimento não é a de cima de tudo, e sim a folha da espiga e as folhas acima dela, que respondem por 50 a 80% da matéria seca dos grãos. (a) supõe a espiga terminal, quando ela é axilar (o erro do arranjo do milho). (b) nega a existência de fonte foliar dominante e ainda atribui a fotossíntese do grão ao pendão, que é a estrutura masculina. (c) acerta o número 50 a 80%, mas o cola na folha bandeira do topo, quando ele pertence à folha da espiga.

B5. (aberta) Resposta esperada. (i) Trigo: cleistogamia (autofecundação com a flor ainda fechada), autógamo. Arroz: homogamia (anteras e estigma maduros ao mesmo tempo, autofecundação na abertura), autógamo. Milho: protandria (anteras liberam o pólen antes de o estigma da mesma planta ficar receptivo), favorece a alogamia. Sorgo: protandria parcial (protandria incompleta, com sobreposição que faz predominar a autofecundação, restando uma fração de cruzamento), predominantemente autógamo. Milheto: protoginia (estigma receptivo antes da liberação do próprio pólen), favorece a alogamia. (ii) No arroz a autogamia predomina, mas não é absoluta: vento forte, frio (menos de 20 °C) ou calor (mais de 35 °C) durante a antese podem impedir a abertura das lodículas e causar esterilidade mecânica irreversível, mesmo com a flor perfeita. A lição é que a polinização depende tanto da estrutura floral quanto do ambiente no momento exato da antese; a morfologia cria a possibilidade, o ambiente decide se ela se realiza.

B6. (múltipla escolha) Gabarito: (a). O dossel de folhas eretas tem alta penetração de luz, que atinge as folhas inferiores, responde bem a alta densidade e a nitrogênio e sustenta fotossíntese crescente sob alta irradiância tropical; o dossel decumbente sofre autossombreamento e satura cedo. (b) confunde vantagens: o dossel decumbente fecha rápido (o que ajuda no controle de daninhas), mas isso significa autossombreamento e menor penetração de luz, não mais interceptação útil ao longo do ciclo. (c) inventa um mecanismo de resfriamento por transpiração que o texto não descreve. (d) inverte o ideótipo: é a arquitetura ereta que mantém o IAF na faixa ótima de 4 a 6, enquanto a decumbente satura precocemente.

B7. (aberta) Resposta esperada. (i) O stay green é o caráter genético que retarda a senescência foliar, mantendo área foliar verde e fotossíntese ativa após a floração. Vantagem fisiológica: folhas verdes por mais tempo prolongam a fotossíntese e a translocação de carboidratos para o grão, sobretudo sob déficit hídrico pós-antese, que encurtaria o ciclo de uma planta comum (liga-se à folha bandeira e às folhas superiores como fonte de assimilados). Vantagem estrutural: colmos que permanecem verdes e túrgidos mantêm a planta em pé, reduzindo quebramento e acamamento, e ficam menos vulneráveis às podridões de colmo que atacam tecidos senescentes (liga-se ao colmo como sustentação e reserva). No sorgo o caráter é de destaque, mantendo fotossíntese nas folhas superiores quando as inferiores já senesceram. (ii) Ele confunde stay green com dry down. O stay green diz respeito à planta (folhas e colmo verdes por mais tempo); o dry down é a velocidade de perda de água pelo grão após a maturidade fisiológica. Um material pode ser stay green (planta verde) e ainda ter bom dry down (grão que seca rápido), combinação desejável para a colheita.


Bloco C: Cálculo e diagnóstico

C1. (cálculo) Resolução (4 casas decimais).
Relação usada (derivada por análise de unidades, não fornecida como fórmula pelo texto): em 1 ha há 10.000 m²; com fileiras espaçadas de E metros, o comprimento total de fileira por hectare é 10.000 ÷ E metros. Logo, estande (plantas/m de fileira) = população ÷ (10.000 ÷ E) = população × E ÷ 10.000.

(i) Milho: 10.000 ÷ 0,45 = 22.222,2222 m de fileira/ha; estande = 64.000 ÷ 22.222,2222 = 2,8800 plantas/m (equivale a 64.000 × 0,45 ÷ 10.000 = 2,8800). (i) Trigo: 10.000 ÷ 0,18 = 55.555,5556 m de fileira/ha; estande = 4.200.000 ÷ 55.555,5556 = 75,6000 plantas/m (equivale a 4.200.000 × 0,18 ÷ 10.000 = 75,6000).

(ii) Milho: 2,8800 plantas/m cai dentro da faixa de referência de 2,5 a 3,5 plantas/m. Trigo: 75,6000 plantas/m cai dentro da faixa de 60 a 80 plantas/m. Os dois resultados são coerentes com o quadro de arranjo do texto.

(iii) No milho, de colmo único e dominância apical, cada planta é uma unidade produtiva quase fixa e não há compensação por perfilho; 10% menos plantas significam praticamente 10% menos espigas potenciais, sem recuperação. No trigo, que perfilha, a coroa emite colmos adicionais e compensa parcialmente as falhas de estande, de modo que a população trabalha em faixa ampla e o mesmo erro relativo é amortecido. Por isso a precisão da semeadura é crítica no milho e mais tolerante no trigo.

C2. (diagnóstico integrado) Diagnóstico esperado. O quadro é de acamamento, o tombamento permanente do colmo ou das raízes antes da colheita. A morfologia predisponente está toda presente: porte elevado, colmo delgado, entrenós longos e raiz superficial. No arroz de terras altas do Cerrado, o gatilho ambiental típico é exatamente a combinação de veranicos seguidos de chuvas torrenciais com vento forte no florescimento. Prejuízo fisiológico: o acamamento interrompe o floema, isola as reservas do colmo e compromete a remobilização de carboidratos para os grãos, ou seja, corta a contribuição do colmo ao enchimento; na colheita mecanizada, as perdas por acamamento no arroz de terras altas chegam a 20 a 50%. Medida morfológica isolada mais eficaz: escolher o genótipo de colmo curto e firme, porque, embora a altura importe, a resistência do colmo e a ancoragem radicular pesam mais. Ajustes complementares: reduzir o nitrogênio tardio, ajustar a densidade, e usar potássio e silício para rigidez do colmo.