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Aula 04: Clima, Fenologia e Formação da Produtividade nos Cereais · Gabarito comentado (Blocos B e C)

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Use este arquivo só depois de ter tentado as questões. Compare seu raciocínio com o comentário, não apenas a letra assinalada: o valor está em entender por que cada distratora é tentadora. As questões do Bloco A não têm gabarito aqui: são discutidas em sala no início da Aula 05.


Bloco B: Consolidação

B1. Gabarito: (c). A maior redução de rendimento por déficit hídrico no milho ocorre nas duas semanas antes e nas duas depois do florescimento, cerca de quatro semanas: dois dias de déficit reduzem mais de 20% e de quatro a oito dias mais de 50%, pelo ressecamento dos estilos-estigmas que impede a germinação do pólen. (a) superestima a compensação: o estresse vegetativo de fato se recupera, mas não é o momento de maior perda, logo não é onde concentrar a água escassa. (b) aplica ao milho a janela de inflorescências/m² como se ele dependesse de perfilhos para formar espigas, o que não é o caso da cultura. (d) confunde duração com criticidade: o enchimento é longo e importa, mas a perda por déficit é maior na floração.

B2. Gabarito: (b). No milho, maior altitude significa temperatura mais baixa, ciclo e enchimento mais longos e noites frias que reduzem a respiração e a perda de fotoassimilados, resultando em maior produtividade até o limite da geada. (a) inverte o caso do sorgo: acima de 900 m no sul, a altitude é fator de risco (frio na germinação e no florescimento, esterilidade e ergot), não vantagem. (c) ignora que a altitude é condição de viabilidade do trigo (só acima de 800 m de sequeiro em MT); abaixo do limiar há esterilidade de espigas e brusone. (d) inverte o milheto: a altitude agrava o risco de frio noturno abaixo de 15 °C no enchimento, que induz esterilidade e trava a translocação.

B3. Gabarito: (d). No emborrachamento a inflorescência já está formada mas permanece encerrada na bainha da folha-bandeira; sente-se por palpação uma estrutura firme e alongada, e no arroz corresponde ao R2, período da microsporogênese, o mais sensível ao frio. (a) comete exatamente o erro que o texto descreve: concluir "fase vegetativa" porque nada aparece por fora. (b) é falsa: o arroz é codificado por marcadores morfológicos diretos e contáveis, mais adequados ao campo que os graus-dia. (c) confunde emborrachamento com espigamento: no espigamento a panícula já exseriu e está visível, mas aqui não há nada exposto, logo ela ainda está na bainha.

B4. Gabarito: (a). O milheto é planta de dias curtos e sensível; na safrinha já floresce cedo (~50 dias), e atrasar a semeadura, com dias cada vez mais curtos, antecipa ainda mais o florescimento, cortando biomassa e grão. (b) inverte a direção da resposta: em planta de dias curtos, dias mais curtos aceleram o florescimento, não o adiam. (c) confunde o milheto (dias curtos, sensível) com o milho (neutro na prática de campo brasileira). (d) acerta a antecipação, mas erra a consequência: o florescimento antecipado reduz o grão, e não o aumenta, além de expor o enchimento ao frio noturno do inverno.

B5. (aberta) Resposta esperada. Arroz e trigo são C3, com fotorrespiração intensa no calor e alta sensibilidade à seca. O arroz de terras altas exige 450 a 700 mm/ciclo e é o mais exposto a veranicos, o que explica a quebra anterior. O trigo é cultura de inverno, com faixa térmica deslocada para baixo (ótimo 20 a 25 °C, esterilidade acima de 30 °C) e viável de sequeiro só acima de 800 m, portanto inadequado à baixa altitude quente. Os indicados são os C4 mais rústicos, sorgo e milheto: toleram basal superior de 38 °C, têm a menor necessidade hídrica do grupo (350 a 500 e 250 a 400 mm/ciclo) e a maior eficiência de uso da água, com mecanismos de escape e tolerância à seca. Entre os dois, o milheto é a cultura de fronteira térmica e hídrica; o sorgo agrega estabilidade em solo restritivo. Uma resposta completa nomeia o metabolismo (C3 x C4), cita as basais e as necessidades hídricas e conclui pelo grupo C4 rústico.

B6. (aberta) Resposta esperada. (i) Produtividade = inflorescências/m² × grãos/inflorescência × fração de grãos férteis × massa do grão. O componente atingido foi a fração de grãos férteis, que se define na microsporogênese (emborrachamento) e na antese; o calor no espigamento causou esterilidade justamente nessa janela. (ii) O modelo é multiplicativo e sobre ele pesa a Lei do Mínimo: o componente mais limitado determina a produtividade, por melhores que estejam os demais. Muitas espigas por metro quadrado (um componente alto) não compensam uma fração fértil baixa, porque a queda de um fator se propaga direto ao produto; quando um componente fecha sua janela com dano, os demais não o recuperam. (iii) A Revolução Verde elevou o rendimento sobretudo aumentando o índice de colheita (a fração da biomassa que vira grão), pela redução da estatura com os genes de nanismo (Rht no trigo, sd1 no arroz), e não pela produção de mais biomassa total; a produção econômica é a produção biológica multiplicada pelo IC.

B7. (aberta) Resposta esperada. (i) O ZARC é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, do Ministério da Agricultura; um município entra no zoneamento quando existe época de semeadura em que ao menos 80% das safras obtêm êxito (oito anos favoráveis em cada dez de histórico). Ele posiciona as fases críticas do ciclo longe dos riscos climáticos previsíveis, por município, cultura, tipo de solo e grupo de cultivar, e minimiza o risco climático, não maximiza o rendimento. (ii) Por isso mesmo, a época de maior produtividade pode não coincidir com a de menor risco; buscá-la é apostar contra a probabilidade e exige considerações além do calendário. (iii) Seguir o ZARC é pré-requisito para o Proagro, o Proagro Mais e a subvenção federal ao seguro rural (PSR, que cobre parte do prêmio, hoje 40% para a maioria das culturas e 20% para a soja); quem semeia fora da janela perde a cobertura, ficando exposto ao prejuízo sem amparo.


Bloco C: Cálculo e diagnóstico

C1. (cálculo) Resolução (4 casas decimais).
Fórmula: GD do dia = (T máx + T mín) / 2 − Tb. Correção: se T máx > TB (35 °C), usa-se 35 no lugar da máxima; se T mín < Tb (10 °C), usa-se 10 (não ocorre aqui, pois todas as mínimas são maiores que 10 °C).

(i) Dia 1: (33 + 21)/2 − 10 = 27 − 10 = 17,0000 °C-dia. Dia 2: máxima 38 > 35, usa 35; (35 + 23)/2 − 10 = 29 − 10 = 19,0000. Dia 3: (31 + 19)/2 − 10 = 25 − 10 = 15,0000. Dia 4: máxima 37 > 35, usa 35; (35 + 25)/2 − 10 = 30 − 10 = 20,0000. Dia 5: (30 + 16)/2 − 10 = 23 − 10 = 13,0000. GD acumulado = 17 + 19 + 15 + 20 + 13 = 84,0000 °C-dia.

(ii) Ritmo médio diário = 84,0000 ÷ 5 = 16,8000 °C-dia/dia. Dias estimados = 536 ÷ 16,8000 = 31,9048 dias.

(iii) A planta avança por calor acumulado acima da basal, não por dias de calendário. Numa safra mais quente, cada dia acumula mais graus-dia e a fase se completa em menos dias; numa safra mais fria, acumula menos por dia e leva mais dias. Como a exigência da cultivar é fixada em graus-dia (536 GD), o total permanece aproximadamente constante enquanto o número de dias varia com a temperatura. É por isso que a soma térmica prevê melhor os estádios que o "dias após a semeadura".

C2. (diagnóstico) Diagnóstico esperado.
(i) Inviável como sequeiro: em MT o trigo de sequeiro só é indicado acima de 800 m; a 500 m, o calor no espigamento e no enchimento provoca esterilidade de espigas e favorece a brusone. Sob irrigação, o limiar cai para 600 m, ainda acima dos 500 m da gleba. Recomendação: não semear trigo de sequeiro ali; a janela indicada para o trigo apto (sequeiro acima de 800 m) é janeiro a fevereiro, para que a maturação e a colheita caiam na estação seca, fugindo da brusone.

(ii) A data 20 de março cai no decêndio 8 (11 a 20 de março): decêndios 1 a 3 em janeiro, 4 a 6 em fevereiro, 7 a 9 em março, portanto 11 a 20 de março é o oitavo. Diagnóstico: a janela do milho safrinha em MT é janeiro a fevereiro, com risco crescente após 1º de março; semeando em 20 de março, o florescimento e o enchimento (período crítico VT a R1) cairiam já no fim das chuvas, expondo a fase mais sensível ao déficit hídrico. Risco elevado, fora da janela de menor risco.

(iii) Sorgo granífero e milheto são indicados para fevereiro a março porque toleram o déficit hídrico do fim da estação (sorgo) e têm ciclo curto e tolerância à seca que fecham o ciclo na transição para a seca (milheto); são a opção correta para a semeadura tardia que já não comporta o milho. Sustentam, assim, a aptidão do ZARC (uma época em que ao menos 80% das safras têm êxito) justamente na janela em que as demais culturas de verão sairiam do calendário seguro.