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Aula 05: Melhoramento Genético e Escolha de Cultivares · Gabarito comentado (Blocos B e C)

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Gabarito dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito aqui: é discutido no início da Aula 06. Confira sua resposta só depois de tentar. O comentário explica por que a correta está certa e por que cada distratora é tentadora, o que ajuda mais do que só ver a letra.


Bloco B

B1. Gabarito: (a). A linha pura de arroz mantém o tipo (homozigota, não segrega) e a variedade de polinização aberta de milheto pode ser multiplicada com amostra adequada, mas o híbrido de milho não se guarda: a F2 segrega e perde 15% a 40% de produtividade. (b) ignora a queda em F2 do híbrido (supõe que toda semente reproduz o tipo). (c) é restritiva demais: esquece que a variedade de polinização aberta também pode ser salva com amostra adequada. (d) inverte o problema, confundindo a alogamia da variedade com a incapacidade de guardar, quando quem não se guarda é o híbrido.

B2. Gabarito: (c). A depressão por endogamia é intensa no milho (alógamo, não adaptado à autofecundação), porque a homozigose expõe alelos recessivos deletérios antes mascarados; é ausente ou fraca no trigo (autógamo), que já eliminou esses alelos ao longo de sua história de autofecundação. (a) cria um vínculo espúrio com o metabolismo C3/C4, que nada tem a ver com a exposição de alelos. (b) confunde: a autofecundação não cria variabilidade nem insere mutações, apenas expõe o que já existe. (d) inverte o fato: a autofecundação aumenta a homozigose, não a heterozigose.

B3. Gabarito: (b). O cruzamento comercial é A × R: a linha A (macho-estéril) recebe pólen da linha R (restauradora), que devolve a fertilidade na F1, e a macho-esterilidade dispensa a emasculação. (a) troca os papéis: B e R não geram a semente comercial. (c) descreve o cruzamento A × B, que serve para multiplicar e manter a linha A, não para produzir a F1 comercial. (d) contradiz a lógica do sistema, cuja vantagem é justamente eliminar a emasculação manual pela macho-esterilidade.

B4. Gabarito: (d). O refúgio funciona como criadouro de insetos suscetíveis, que se acasalam com os raros resistentes e diluem os genes de resistência; sem ele, a seleção de resistentes acelera. (a) confunde menor exigência com dispensa: a pirâmide de genes reduz a exigência de refúgio, mas não o elimina (5% a 20% conforme o evento), e aqui a proteína é única. (b) é falsa: o primeiro prejudicado pela não observância do refúgio é o próprio produtor, cuja lavoura falhará primeiro. (c) contraria a premissa da estratégia de alta dose com refúgio, que pressupõe resistência recessiva, não dominante.

B5. (aberta) (i) As letras finais identificam o pacote de biotecnologia embarcado sobre a base genética (o "P mais número"). VYHR soma Viptera + YieldGard + Herculex + Roundup, ou seja, a tecnologia Leptra: proteínas Cry1F + Cry1Ab + Vip3Aa20, com tolerância a glifosato e glufosinato. PWU é PowerCore Ultra: Cry1A.105 + Cry2Ab2 + Cry1F + Vip3Aa20, com tolerância a glifosato e glufosinato. (ii) O Cry1F (evento TC1507) tem resistência de campo de Spodoptera frugiperda confirmada no Brasil desde 2011; nas tecnologias que o contêm, o controle da lagarta-do-cartucho se sustenta pelas demais proteínas do empilhamento (Vip3Aa20, Cry1A.105/Cry2Ab2), não pelo Cry1F isolado. Uma tecnologia de proteína única contra o cartucho não deve ser tratada como controle confiável. Como os dois híbridos aqui trazem também Vip3Aa20, ambos ainda controlam o cartucho, mas por essa proteína, não pelo H.

B6. (aberta) Sob as mesmas condições (solo corrigido e adubado), as cultivares nacionais rendem em média 2,68 t/ha, as africanas 4 t/ha, e o potencial genético sob manejo intensivo chega a 6 t/ha. Como o ambiente é o mesmo, a diferença é genética, não ambiental nem de rusticidade da espécie. O índice de colheita confirma: o portfólio brasileiro fica em 0,20 a 0,35 contra 0,34 a 0,45 de materiais experimentais, porque o melhoramento nacional escolheu a palhada (cobertura de solo no plantio direto), não o grão. Implicação: para grão, buscar materiais de maior índice de colheita ou os primeiros híbridos (o ADR 7010 marca o início dessa rota), e não as variedades de polinização aberta voltadas à palhada.

B7. (aberta) (i) A inscrição no RNC (Portaria MAPA 502/2022) é a autorização de mercado: sem RNC a cultivar não existe legalmente para o comércio. A proteção de cultivar (Lei 9.456/1997, administrada pelo SNPC/MAPA, que concede o CPC) é o direito de propriedade intelectual, que permite ao obtentor cobrar royalties. Uma autoriza, a outra dá propriedade. (ii) Não paga royalties da proteção: o Brasil é filiado à UPOV pela Ata de 1978, que assegura o privilégio do agricultor (reservar e semear semente de cultivar protegida para uso próprio, sem royalties); a não adesão do Brasil à Ata de 1991 sustenta legalmente essa prática. (iii) Muda o quadro: numa cultivar transgênica, a proteção de cultivar vai até a semente (e o privilégio do agricultor isenta), mas a patente do evento (Lei 9.279/1996), conforme interpretação do STJ, vai até o grão colhido e não se beneficia do privilégio do agricultor; o produtor pode continuar sujeito à taxa tecnológica da patente, mesmo isento dos royalties da proteção.


Bloco C

C1. (cálculo)
Média dos pais = (4.000 + 6.000) ÷ 2 = 5.000 kg/ha. Melhor parental (MP) = 6.000 kg/ha.

(i) Heterose (média) = [F1 − (P1+P2)/2] ÷ [(P1+P2)/2] × 100 = (9.000 − 5.000) ÷ 5.000 × 100 = 4.000 ÷ 5.000 × 100 = 80,0000%.

(ii) Heterobiose = (F1 − MP) ÷ MP × 100 = (9.000 − 6.000) ÷ 6.000 × 100 = 3.000 ÷ 6.000 × 100 = 50,0000%.

(iii) Heterose padrão = (F1 − CP) ÷ CP × 100 = (9.000 − 8.500) ÷ 8.500 × 100 = 500 ÷ 8.500 × 100 = 5,8824%.

Comentário: a heterose padrão (5,8824%) é a que decide comercialmente, porque compara o híbrido ao melhor material já disponível no mercado, não aos seus próprios pais. Um híbrido pode exibir heterose enorme sobre linhagens fracas (80%) e um ganho modesto sobre o padrão (5,88%); é o ganho sobre o padrão que se converte em vantagem real para o produtor, e não o número que impressiona no folder.

C2. (diagnóstico integrado) Produtor 1: decisão adequada. Em condições favoráveis e com capital, o híbrido é preferível pelo teto e pela uniformidade; comprar semente a cada safra não é imposição comercial, é biologia, porque o vigor máximo só existe na F1. Produtor 2: guardar o grão do híbrido simples (semear a F2) provoca queda de 15% a 40% na produtividade, perda de vigor e forte desuniformidade, porque a meiose segrega os alelos e a heterose se dissipa. Como o milho é alógamo e a produtividade esperada é baixa, a alternativa correta é a variedade de polinização aberta, que pode ser multiplicada com amostra adequada sem grande perda; o milho crioulo tem papel próprio na preservação da biodiversidade e em nichos, com desempenho em geral baixo. A relação custo-benefício da variedade pode superar a do híbrido justamente quando a baixa produtividade esperada não paga o prêmio da semente híbrida. Recomendação ao Produtor 2: não guardar a F2 do híbrido; adotar uma variedade de polinização aberta adaptada (com semente própria de amostra adequada), reservando o híbrido para quando houver capital e condição favorável. Exceção reconhecida pelo texto: só em produtividade esperada muito baixa a F2 de alguns híbridos rende o equivalente a uma variedade, e apenas então seu uso se discute.