Aula 06: Manejo do Solo e Implantação das Culturas · Gabarito comentado (Blocos B e C)¶
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Confira aqui só depois de ter tentado responder. Este gabarito cobre apenas os Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito no material: será discutido em sala, no início da Aula 07.
Bloco B: Consolidação¶
B1. Gabarito: (c). Para arado e grade em solo argiloso a faixa ideal é 60% a 70% da capacidade de campo; a 75% o solo está acima dela, e preparar o solo úmido demais é o erro que mais custa caro no preparo convencional, porque compacta exatamente a camada que se queria soltar. (a) repete o erro clássico de supor que mais úmido é sempre melhor para o disco. (b) aplica ao arado de disco a faixa de 30% a 40%, que é a do arado escarificador e do subsolador, não a dos implementos de disco. (d) superestima o lado seco: preparar seco demais consome mais combustível, exige mais passadas e pulveriza a superfície, deixando-a suscetível à erosão. Objetivo: ajustar a operação de preparo à faixa de friabilidade conforme solo e implemento. Bloom: aplicar.
B2. Gabarito: (d). O SPD exige três princípios operando juntos; aqui o revolvimento mínimo e a cobertura estão presentes, mas falta a rotação de culturas, e a sequência soja mais milho é sucessão, não rotação (o próprio texto adverte para não confundir as duas). (a) comete exatamente essa confusão, chamando a sucessão de rotação. (b) descreve o plantio direto (dois princípios, o no-tillage), que o texto trata como insuficiente para o clima tropical, não o SPD. (c) nega um princípio que o produtor cumpre: a mobilização restrita à linha é justamente o revolvimento mínimo, não a sua ausência. Objetivo: distinguir plantio direto de SPD e reconhecer rotação frente a sucessão. Bloom: analisar.
B3. Gabarito: (a). O Azospirillum estabelece uma associação, não a simbiose do rizóbio, e o benefício central em gramíneas é a arquitetura radicular (auxinas que multiplicam raízes laterais e pelos e aprofundam o sistema), não uma grande fixação de N; quem corta a adubação nitrogenada contando com a fixação colhe lavoura subnutrida. (b) trata a bactéria como rizóbio, atribuindo-lhe simbiose com nódulo e fixação maciça, que ela não faz. (c) toma o teto de "até 50%" (relatado para milho sob condições favoráveis, dependente de estirpe e cultivar) como média garantida em qualquer lavoura, quando na média o efeito é discreto. (d) supõe que a dose resolve a fixação, ignorando que o gargalo é conceitual: a associação é apenas associativa e a fixação é discreta e variável. Objetivo: diferenciar associação e simbiose e a razão de inocular um cereal. Bloom: avaliar.
B4. Gabarito: (b). A ordem obrigatória é fungicida, depois inseticida, depois inoculante, com semeadura em até 24 horas; pôr o inoculante primeiro expõe as bactérias vivas aos agroquímicos tóxicos aplicados em seguida e as mata, e ainda há o atraso além das 24 horas, que obrigaria a repetir o processo. (a) ignora a inversão da ordem, que é o erro mais grave. (c) contraria o texto: o fungicida é tóxico às bactérias, não as protege. (d) confunde funções: a grafita é lubrificante (3 g/kg no milho) e não substitui o inoculante, que introduz microrganismos vivos. Objetivo: aplicar a ordem de tratamento e o prazo de semeadura. Bloom: aplicar.
B5. Resposta esperada. (i) O sorgo tolera o déficit hídrico que inviabilizaria o milho na fase reprodutiva, e por isso assume a preferência quando a colheita da soja se arrasta para o fim de fevereiro: a janela do milho safrinha vai de janeiro a fevereiro, e cada dia de atraso aumenta o risco de déficit hídrico no pendoamento; a janela do sorgo safrinha vai de fevereiro a março, começando justamente onde o milho já tem risco elevado, o que é a sua vantagem competitiva. (ii) O ZARC concede ao sorgo datas-limite superiores às do milho em todos os municípios produtores, ou seja, para essa data a janela do sorgo ainda está aberta com risco abaixo de 20%, enquanto a do milho já não está; fisiologicamente, a tolerância do sorgo ao déficit hídrico na fase reprodutiva é o que sustenta essa vantagem. Semear milho nessa data jogaria o pendoamento, a fase mais sensível, para dentro do período de maior risco de veranico. Objetivo: comparar a época de semeadura de milho e sorgo em sequeiro e o papel do ZARC. Bloom: avaliar.
B6. Resposta esperada. (i) O lote 3, de maior germinação de laboratório (95%), teve a menor emergência em campo (68%), enquanto o lote 1, com germinação menor (93%), entregou a maior emergência (84%): a germinação de laboratório mede o potencial máximo em condições ótimas e padronizadas, e a emergência em campo subótimo é sempre menor e não segue a ordem da germinação. (ii) A dimensão que explica a divergência é o vigor (parte da qualidade fisiológica), que mede o desempenho fora do ótimo, que é a regra no campo. Recomenda-se o lote 1, de maior emergência em campo subótimo (84%), porque em Mato Grosso, com solo quente e déficit hídrico intermitente na semeadura, o melhor cenário é exceção e o vigor é o critério de compra. (iii) Aumentar a taxa compensa apenas em parte, porque não corrige a desuniformidade: sementes de baixo vigor emergem em dias diferentes, gerando plantas em estádios distintos que competem entre si e complicam o manejo posterior; distribui-se mais semente, mas mantém-se a desuniformidade. Objetivo: distinguir germinação, vigor e emergência e usar o vigor como critério de compra. Bloom: analisar.
B7. Resposta esperada. (i) O trigo tem plasticidade alta: produz bem em ampla faixa de população porque compensa os vazios com perfilhos férteis e espigas maiores, o que o torna tolerante a erros de estande dentro de limites. O milho está no extremo oposto: cada planta produz tipicamente uma só espiga, não há compensação por perfilhamento, e reduzir a população de um híbrido abaixo do recomendado é abrir mão de rendimento que não volta. (ii) A diferença é sustentada pela capacidade de perfilhamento (alta no trigo, ausente como compensação no milho) e pela exigência de população dos híbridos modernos de folha ereta, que toleram a competição por luz e precisam de densidades altas para maximizar o rendimento. Implicação: o arranjo do milho exige mais precisão na regulagem e na população escolhida, porque não há mecanismo fisiológico que recupere o vazio; no trigo, o próprio perfilhamento oferece uma margem de segurança. Objetivo: comparar plasticidade e resposta à população entre trigo e milho. Bloom: avaliar.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico¶
C1. Resolução (4 casas decimais).
(i) População. Sequeiro com risco de veranico e fertilidade média é condição limitante, o que puxa a escolha para o limite inferior da faixa: 180.000 plantas/ha. O fator mais limitante (o risco hídrico) comanda a decisão, porque adensar sob risco de veranico troca produtividade potencial por risco de perda total.
(ii) Estande. Estande = população × espaçamento ÷ 10.000 = 180.000 × 0,50 ÷ 10.000 = 9,0000 plantas/m de fileira.
(iii) Fração de estabelecimento. Fração = germinação × emergência = 0,90 × 0,90 = 0,8100 (emergência não medida, adota-se o padrão de 90% da disciplina).
(iv) Sementes por metro e por hectare. Sementes/m = estande ÷ fração = 9,0000 ÷ 0,8100 = 11,1111 sementes/m. Sementes/ha = população ÷ fração = 180.000 ÷ 0,8100 = 222.222,2222 sementes/ha.
(v) Quilos por hectare e o efeito de ignorar a emergência. Quilos/ha = sementes/ha × PMS em g ÷ 1.000.000 = 222.222,2222 × 25 ÷ 1.000.000 = 5,5556 kg/ha. Ignorando a emergência (isto é, supondo-a 100%), viria sementes/ha = 180.000 ÷ 0,90 = 200.000,0000 e quilos/ha = 200.000 × 25 ÷ 1.000.000 = 5,0000 kg/ha: seriam 22.222,2222 sementes/ha a menos, o suficiente para furar o estande. A omissão da emergência é o erro garantido.
(vi) Espaçamento de 0,45 m. Estande = 180.000 × 0,45 ÷ 10.000 = 8,1000 plantas/m; sementes/m = 8,1000 ÷ 0,8100 = 10,0000 sementes/m. As sementes por hectare permanecem 222.222,2222 e os quilos por hectare permanecem 5,5556 kg/ha, porque a população não mudou: o espaçamento reprograma a máquina (sementes por metro), não o volume total de semente por hectare.
Objetivo: percorrer a cadeia população, estande, fração, sementes e quilos, e o efeito do espaçamento. Bloom: aplicar.
C2. Diagnóstico esperado. (i) Talhão 1: origem operação. Falhas grandes com muitos espaços vazios, associadas à velocidade acima do limite (8 km/h; em plantio direto de milho, passar de 8,5 km/h reduz a emergência em até 12%), apontam velocidade alta, dosador gasto ou patinagem não considerada na regulagem. Correção: reduzir a velocidade, trocar o dosador e recalibrar com a máquina em movimento (a calibração parada não captura a patinagem). (ii) Talhão 2: origem solo ou fitossanitária. Plântulas que emergem e depois tombam e morrem, com semente sem tratamento, indicam praga de solo, patógeno ou tratamento de sementes ausente ou fora de ordem. Correção: revisar o tratamento de sementes (fungicida, inseticida e, quando couber, inoculante, na ordem correta) e o histórico de pragas da área. (iii) Talhão 3: origem solo. Murcha em veranico curto com o perfil profundo ainda úmido e raízes concentradas de 0 a 5 cm é o sintoma de camada compactada barrando o aprofundamento radicular. Correção: descompactar combinando prática mecânica (arado a pelo menos 25 cm ou escarificador na faixa de friabilidade) com plantas de raiz agressiva (milheto, sorgo forrageiro, braquiária), porque a descompactação puramente mecânica dura pouco. Fecho: a maior parte das falhas de implantação vem da operação e do solo, sob controle direto do agrônomo, e não da semente. Objetivo: rastrear o sintoma de campo até a origem (semente, operação ou solo) e a correção. Bloom: analisar/avaliar.