Aula 07: Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas · Gabarito comentado (Blocos B e C)¶
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Use este gabarito depois de tentar responder. Ele comenta apenas os Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito aqui: é discutido no início da Aula 08.
Bloco B: Consolidação da Aula 07¶
B1. (múltipla escolha) Gabarito: (b). A localização do sintoma resolve o diagnóstico: sintoma em folha nova aponta nutriente imóvel ou pouco móvel, e o enxofre, pouco móvel na planta, dá plantas cloróticas e de pouco crescimento a partir das folhas novas. Aplicar N onde falta S não traz resposta. (a) é a armadilha clássica: nitrogênio também dá clorose, mas por ser móvel começa nas folhas velhas, sacrificadas para nutrir o crescimento; a localização já o descarta. (c) e (d) citam nutrientes móveis (Mg e K), cujo sintoma igualmente aparece nas folhas velhas, não nas novas. O par N contra S é o exemplo do texto de que reconhecer a localização do sintoma resolve o diagnóstico antes de qualquer análise foliar.
B2. (múltipla escolha) Gabarito: (a). SB = K + Ca + Mg exige todos os cátions na mesma unidade (cmolc/dm³); o potássio vem em mg/dm³ e precisa ser dividido por 391 antes de entrar na soma. Somar 39 mg/dm³ com valores em cmolc/dm³, como avisa o texto, faz "a SB virar ficção". (b) é o erro conceitual exato que a questão testa: serem todos cátions trocáveis não os coloca na mesma unidade. (c) inverte a conversão: quem está fora de escala é o K, e a correção é dividir o K por 391, não multiplicar Ca e Mg. (d) subestima o estrago: a SB entra na CTC (T), no V% e no m%, de modo que o erro contamina todos os índices, não só o m%.
B3. (múltipla escolha) Gabarito: (c). As duas classificações saem direto dos índices: V ≥ 50% é eutrófico e V < 50% é distrófico; m ≥ 50% é álico e m < 50% é não álico. Solo A (V = 62%, m = 8%) é eutrófico e não álico; solo B (V = 41%, m = 63%) é distrófico e álico. (a) confunde o significado do m: saturação por alumínio alta indica mais alumínio na troca, não mais bases. (b) usa um limiar inventado (70%): o corte de V é 50%, e álico depende do m, não do V. (d) inverte os dois solos.
B4. (múltipla escolha) Gabarito: (d). O antagonismo fosfato-zinco é o de maior impacto prático no Cerrado: a adubação fosfatada pesada, necessária em solo que fixa fósforo, induz deficiência de zinco no milho (gema branca, faixas cloróticas nas folhas novas). Por isso o manejo de zinco acompanha a construção de fósforo, e não se corrige a falta de Zn apenas repondo Zn sem olhar a dose de P. (a) inverte a direção do antagonismo: aqui o sintoma é de falta de Zn induzida pelo P, não de excesso de Zn. (b) nega o antagonismo que é o cerne do caso. (c) erra o nutriente: a gema branca é sinal característico de zinco no milho, não de ferro.
B5. (aberta) Resposta esperada. (i) Por tonelada de grão, o trigo é o mais exigente nos três: N = 33,00, P = 4,60 e K = 7,60 kg/t, acima de arroz e milho. O arroz com casca exporta muito cálcio (7,30 kg/t), concentrado na casca rica em sílica, enquanto o milho quase não exporta Ca no grão (0,03 kg/t), coerente com a baixíssima translocação desse elemento para a espiga. As culturas têm, portanto, "personalidades nutricionais" distintas, não uma exigência única. (ii) A ordem de extração difere: no arroz é N ≈ K > Ca > P > S > Mg; no milho, K > N > Mg > Ca > P > S; no trigo, N > K > Ca > Mg > P > S. O milho lidera pelo potássio, o trigo pelo nitrogênio, e o arroz empata os dois no topo; o magnésio é o menos extraído pelo arroz, mas figura entre os quatro primeiros no milho e no trigo. E extrair muito não é ser limitante: no arroz, o K é o mais absorvido, mas a deficiência de N é a que mais reduz o rendimento. A personalidade nutricional é característica da espécie, não herança genérica das poáceas.
B6. (aberta) Resposta esperada. (i) O fósforo é imóvel no solo (fortemente retido pelos óxidos de ferro e alumínio da argila) mas móvel na planta (redistribuído das folhas velhas para o grão). O cálcio é o oposto exato: móvel o bastante para chegar à raiz por fluxo de massa, mas imóvel dentro da planta depois de depositado na parede celular (lamela média). (ii) A mobilidade no solo governa o risco de perda e a estratégia de aplicação: nutriente móvel no solo (como N) lixivia; nutriente imóvel (como P) se fixa e responde à localização do adubo e à exploração radicular. A mobilidade na planta governa onde o sintoma de falta aparece: nutriente móvel na planta é remobilizado das folhas velhas e a carência surge nelas; nutriente imóvel não se redistribui e a carência surge nas folhas novas e nos meristemas. Os dois eixos são independentes, e é a combinação deles que orienta tanto o manejo (perda/aplicação) quanto a diagnose (folha velha contra folha nova).
B7. (aberta) Resposta esperada. (i) O silício é um elemento benéfico, não essencial: a planta completa o ciclo sem ele. Um elemento só é essencial quando a planta não fecha o ciclo na sua ausência, ele participa diretamente do metabolismo e nenhum outro o substitui; o silício falha no primeiro critério, sua falta não impede o ciclo. Ele é absorvido como ácido monossilícico (H₄SiO₄) e se deposita nas paredes e na epiderme como sílica, um destino estrutural, não metabólico (endurece o tecido, não entra em enzimas). (ii) As gramíneas são acumuladoras de silício, e o arroz se destaca como um dos maiores acumuladores entre as culturas de grão (daí a casca rica em sílica); milho, sorgo, milheto e trigo acumulam menos. Como o benefício vem do depósito estrutural (resistência ao acamamento, barreira a fungos e insetos, melhores relações hídricas e tolerância à seca, atenuação da toxidez de Al e Mn), ele rende mais nas culturas acumuladoras; no arroz de terras altas, reúne num só elemento reforço de colmo, barreira à brusone e tolerância ao veranico. Ressalva: o silício não substitui nem compensa a falta de nutriente essencial; é ferramenta complementar, e não item central do programa antes de os essenciais estarem supridos.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico¶
C1. (cálculo) Resolução (4 casas decimais).
(i) Textura. Argila = 22,0% (220 g/kg); está na faixa 15% ≤ argila < 35%. Δ = % areia − % argila = 62 − 22 = 40. Como Δ < 50, a textura é média (tipo 2). (Aqui o delta é necessário; diferente de um solo com argila > 35%, que já seria argiloso sem o delta.)
(ii) Índices encadeados.
K em cmolc/dm³ = 39,1 ÷ 391 = 0,1000
SB = K + Ca + Mg = 0,1000 + 0,45 + 0,20 = 0,7500
Acidez potencial (H + Al) = 4,10 + 0,90 = 5,0000
T (CTC a pH 7) = SB + H + Al = 0,7500 + 5,0000 = 5,7500
V% = (100 × SB) ÷ T = (100 × 0,7500) ÷ 5,7500 = 13,0435%
m% = (100 × Al³⁺) ÷ (Al³⁺ + SB) = (100 × 0,90) ÷ (0,90 + 0,7500) = 90 ÷ 1,65 = 54,5455%
(iii) Classificação e diagnóstico. V = 13,0435% < 50% → distrófico. m = 54,5455% ≥ 50% → álico. O solo é ácido (pH 4,3 em CaCl₂), muito pobre em bases (V baixíssimo) e com o alumínio dominando a troca e intoxicando a raiz (m > 50%). O fator que mais limita este solo não é apenas a saturação por bases aquém do alvo das culturas de grão, mas a toxidez de alumínio somada a ela: diferente de um solo distrófico e não álico, que "só" precisaria de bases, aqui é preciso repor bases e neutralizar o Al³⁺. Quanto de corretivo aplicar para isso é o que a Aula 08 calcula.
C2. (diagnóstico integrado) Diagnóstico esperado. Produtor 1: a mudança não é neutra para o solo. Potássio e cálcio quase não são translocados para o grão (no milho, K de 26% a 43% e Ca de 3% a 7% do absorvido) e ficam na palhada; a colheita de grão devolve esses elementos ao solo pela ciclagem, mas a silagem remove a planta inteira e leva embora o K e o Ca que reciclariam. Consequência: a silagem empobrece o solo muito mais rápido, sobretudo em potássio e cálcio. Recomendação: quem colhe silagem precisa prever reposição maior desses nutrientes, não tratar grão e silagem como equivalentes. Produtor 2: o milheto é extrator e reciclador intenso, mas sua palhada tem relação C/N muito alta (70:1 a 100:1), a maior entre os cinco cereais; essa relação imobiliza temporariamente o nitrogênio da cultura seguinte, à medida que os microrganismos consomem N para decompor a palha rica em carbono. Consequência: cortar o N da cultura em sucessão ao milheto arrisca deixá-la subnutrida justamente no início. Recomendação: manter (ou reforçar) o N inicial da cultura que segue o milheto, em vez de descontá-lo. Os dois casos mostram que a mesma palha que recicla nutriente também condiciona a adubação seguinte, tema que a Aula 08 desenvolve.