Aula 08: Adubação e Manejo Nutricional · Gabarito comentado (Blocos B e C)¶
Tip
Gabarito dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito aqui: é discutido no início da Aula 09. Confira sua resposta só depois de tentar. O comentário explica por que a correta está certa e por que cada distratora é tentadora, o que ajuda mais do que só ver a letra.
Bloco B¶
B1. Gabarito: (b). O gesso é sulfato de cálcio, solúvel, que desce no perfil e no subsolo fornece cálcio (nutriente e sinalizador de crescimento radicular) e reduz a toxidez do alumínio; o que ele não faz é corrigir o pH, porque é um sal neutro, não uma base. Calcário corrige acidez e fica na superfície; gesso leva cálcio e amansa alumínio em profundidade. São complementares, não substitutos. (a) confunde descer no perfil com corrigir pH: o gesso desce, mas não eleva o pH. (c) trata gesso e calcário como substitutos, quando resolvem camadas e problemas diferentes. (d) nega justamente os dois efeitos reais do gesso (fornecer cálcio e reduzir a atividade do alumínio).
B2. Gabarito: (a). Comparar calcário por preço da tonelada é erro de agrônomo iniciante; o que importa é o preço por unidade de PRNT, porque o PRNT mede o efeito real (neutralização no peso e no prazo). Um calcário barato de PRNT 60% pode custar mais caro por unidade de neutralização que um aparentemente caro de PRNT 95%. (b) ignora o PRNT e supõe que peso igual neutraliza igual, que é o erro central. (c) transforma "olhar o PRNT" em "maximizar o PRNT a qualquer preço", esquecendo o custo por unidade de neutralização. (d) usa só o PN e esquece a reatividade (granulometria): PN alto com partícula grossa reage devagar e pode não servir à safra, por isso o PRNT junta PN e RE.
B3. Gabarito: (c). Doses de K₂O acima de 50 kg/ha no sulco devem ser parceladas: 50 ficam na semeadura, no limite, e o excedente (aqui 20 kg/ha) escorre para a cobertura, para não queimar a plântula. O potássio tem índice salino alto e, concentrado junto da semente, inverte a osmose e desidrata a semente. (a) inverte o índice salino do potássio, que é alto, não baixo. (b) confunde as funções das fontes: superfosfato é fonte de fósforo, não de potássio, e trocá-lo não entrega o K₂O recomendado. (d) aplica o limite errado: 80 kg/ha é o limite a lanço, não no sulco, onde o limite é 50.
B4. Gabarito: (d). O inibidor de urease bloqueia temporariamente a enzima e atrasa a hidrólise por alguns dias, comprando tempo para a chuva incorporar o nitrogênio antes de ele virar gás; ele desloca o prazo, não anula a física da perda. Se a janela passar e não chover nem houver incorporação, a volatilização acontece como aconteceria sem o inibidor. (a) trata o inibidor como se eliminasse a perda, quando ele só a adia. (b) inverte o papel da palhada: ela concentra atividade de urease e agrava a volatilização, por isso o plantio direto é o sistema de maior risco. (c) inverte a mitigação: trocar a ureia por sulfato de amônio (ou nitrato de amônio) reduz o problema, porque essas fontes não dependem da hidrólise da urease.
B5. (aberta) Resposta esperada. (i) A ureia é amídica e a mais concentrada (44% a 46% de N), o que reduz peso morto a transportar e aplicar, mas não carrega enxofre e é a fonte mais sujeita a volatilização em superfície. O sulfato de amônio é amoniacal e menos concentrado (20% a 21% de N), o que obriga a transportar e aplicar mais produto, porém carrega 22% a 24% de enxofre e acidifica o solo. No talhão A, com enxofre baixo, o sulfato de amônio resolve dois problemas de uma vez (nitrogênio e enxofre), ao custo da menor concentração e da acidificação; se o enxofre já estivesse suprido, a ureia seria mais eficiente em concentração. (ii) O cloreto de potássio domina o mercado por ser o mais barato por unidade de K₂O e o mais concentrado (58% a 60% de K₂O), mas tem índice salino alto e carrega cloreto. O sulfato de potássio é menos concentrado (48% a 52% de K₂O), traz enxofre e tem índice salino menor que o do KCl. Onde a salinidade preocupa, o sulfato de potássio é a alternativa indicada, justamente por salar menos a solução junto da raiz e da semente, aceitando pagar mais por unidade de K₂O em troca de menor risco salino.
B6. (aberta) Resposta esperada. (i) A adubação de manutenção repõe o que a lavoura vai exportar, mantendo o teor onde está; é a filosofia para solo já corrigido e com fertilidade construída, e lê-se a coluna de teor "adequado a alto" das tabelas, safra a safra. A adubação corretiva gradual aplica mais do que a cultura exporta, para elevar o teor do solo ao longo dos anos até o nível adequado; é a filosofia para solo ainda pobre, em construção, e lê-se a coluna de correção por classe de solo, num horizonte de vários anos. (ii) No TH-07 o fósforo já está adequado, então para o fósforo a lógica é de manutenção (repor a exportação, coluna adequado a alto). O potássio está apenas médio, ainda não chegou ao ideal, então nele cabe um empurrão corretivo, aplicando acima da simples reposição para subir o teor com o tempo. Por isso o talhão não segue uma filosofia única: mistura manutenção no fósforo com correção gradual no potássio, e a coluna da tabela lida é diferente para cada nutriente, conforme a classe em que o laudo o colocou.
B7. (aberta) Resposta esperada. A afirmação é falsa: a adubação é uma conversa entre o que a planta quer e o que o solo tem, e as cinco culturas divergem. (i) O nitrogênio é o nutriente de menor eficiência de recuperação, justamente por ser o mais móvel e o mais sujeito a perda (lixivia como nitrato e volatiliza como amônia), e por isso concentra as estratégias de mitigação: parcelamento arranque mais cobertura, incorporação, aplicação antes de chuva, troca de fonte e inibidor de urease. Entre as culturas, o milho puxa a maior demanda de nitrogênio em cobertura, chegando a 180 kg/ha nas altas produtividades, porque acumula muita matéria seca e enche um grão de alta exigência (e, acima de 100 kg/ha de N, a cobertura é rachada entre V4 a V6 e V8 a V10); o trigo e o arroz de sequeiro trabalham com nitrogênio de cobertura mais moderado. (ii) O sorgo e o milheto, cereais rústicos, têm exigência de fósforo e de potássio menor por tonelada esperada, o que os separa do milho (o mais exigente) e do trigo. Já o nitrogênio de semeadura é baixo e parecido entre todas, porque é só dose de arranque, e o fósforo vai sempre concentrado na semeadura, coerente com sua baixa mobilidade e a fixação. Fecha o raciocínio a eficiência de uso: como o fósforo tem baixa eficiência no ano em solo pobre (parte é fixada) mas constrói efeito residual, e como o nitrogênio se perde com facilidade, o manejo de altas produtividades adota a adubação de sistema, planejando correção e adubação para a rotação inteira em vez de reabastecer do zero a cada safra.
Bloco C¶
C1. (cálculo de correção) Resolução (4 casas decimais).
(i) Os três métodos de calagem.
Método 1, saturação por bases: NC = [(V2 − V1) × T] ÷ PRNT = [(60 − 40) × 7,0] ÷ 85 = [20 × 7,0] ÷ 85 = 140 ÷ 85 = 1,6471 t/ha.
Método 2, neutralização do alumínio: NC = Al³⁺ × 2 × (100 ÷ PRNT) = 0,4 × 2 × (100 ÷ 85) = 0,8 × 1,1765 = 0,9412 t/ha.
Método 3, elevação de Ca + Mg (solo argiloso, Y = 3; maioria das culturas, X = 2): NC = {(Al³⁺ × Y) + [X − (Ca + Mg)]} × (100 ÷ 85) = {(0,4 × 3) + [2 − (2,0 + 0,6)]} × 1,1765 = {1,2 + (2 − 2,6)} × 1,1765 = {1,2 − 0,6} × 1,1765 = 0,6 × 1,1765 = 0,7059 t/ha.
Recomenda-se a maior dose, 1,6471 t/ha (método da saturação por bases). Como mais calcário atende aos três objetivos ao mesmo tempo (sobe V, precipita Al, repõe Ca e Mg), a dose que satisfaz o objetivo mais exigente já satisfaz os outros dois; a maior contém as menores. Aqui a saturação por bases dominou, o padrão do Cerrado, mas os três se calculam porque em solo de Al muito alto e V razoável o método 2 pode ganhar.
(ii) Tipo de calcário. O magnésio do solo é 0,6 cmolc/dm³, adequado (não está abaixo de 0,5), então não há necessidade de repor magnésio: a escolha é calcítico ou magnesiano, nunca dolomítico. A relação Ca:Mg = 2,0 ÷ 0,6 = 3,3333 não é estreita, há cálcio folgado frente ao magnésio, o que reforça a dispensa do dolomítico.
(iii) Indicação da gessagem (camada de 20 a 40 cm). Primeiro converte-se o potássio: K = 19,55 ÷ 391 = 0,0500 cmolc/dm³. A CTC efetiva: CTCe = Ca + Mg + K + Al³⁺ = 0,8 + 0,3 + 0,0500 + 1,0 = 2,1500 cmolc/dm³. A saturação por alumínio: m = (100 × Al³⁺) ÷ CTCe = (100 × 1,0) ÷ 2,1500 = 46,5116%. Com m de 46,5116% (acima de 20%) e Al³⁺ de 1,0 (acima de 0,5), a gessagem está indicada (basta uma condição; aqui duas se confirmam).
(iv) Dose de gesso pela CTC efetiva. NG = [(CTCe × 0,6) − Ca] × 6,4 = [(2,1500 × 0,6) − 0,8] × 6,4 = [1,2900 − 0,8] × 6,4 = 0,4900 × 6,4 = 3,1360 t/ha. O gesso vai em superfície, sem incorporação, porque desce sozinho com a água. O programa de correção fica: 1,6471 t/ha de calcário calcítico ou magnesiano de PRNT 85% incorporado de 0 a 20 cm, mais 3,1360 t/ha de gesso em superfície para o subsolo.
C2. (cálculo de recomendação) Resolução (4 casas decimais).
(i) Necessidades pela tabela do sorgo (5,0 t/ha, teor adequado). N semeadura = 20, N cobertura = 70, P₂O₅ = 70, K₂O = 50 (kg/ha). Logo, semeadura = 20-70-50 e cobertura = 70-0-0. Todo o K₂O cabe no sulco porque a dose (50 kg/ha) está no limite de 50 kg/ha no sulco, não acima dele, então não precisa ser parcelada para a cobertura.
(ii) Grade e dose de semeadura. Proporção da necessidade, dividindo por 20: 20 ÷ 20 = 1,0000; 70 ÷ 20 = 3,5000; 50 ÷ 20 = 2,5000, ou seja 1,0000 : 3,5000 : 2,5000. A grade 08-28-20 tem a mesma proporção (8 ÷ 8 = 1,0000; 28 ÷ 8 = 3,5000; 20 ÷ 8 = 2,5000), logo serve. Ancorando no P₂O₅: 100 kg de 08-28-20 entregam 28 kg de P₂O₅; x = (100 × 70) ÷ 28 = 250,0000 kg/ha de 08-28-20. Conferência: N = 250 × 0,08 = 20,0000 kg/ha (desejado 20, diferença 0); P₂O₅ = 250 × 0,28 = 70,0000 kg/ha (desejado 70, diferença 0); K₂O = 250 × 0,20 = 50,0000 kg/ha (desejado 50, diferença 0). Os três batem dentro da tolerância.
(iii) Gramas por metro de sulco (espaçamento 0,45 m). Metros de sulco por hectare = 10.000 ÷ 0,45 = 22.222,2222 m/ha. Quantidade por metro = (250 × 1.000) ÷ 22.222,2222 = 11,2500 g/m de 08-28-20. O produtor calibra a semeadora para largar 11,2500 gramas da fórmula a cada metro de linha. Repare que o mesmo procedimento do trigo a 0,17 m daria outra grama por metro: o espaçamento maior do sorgo concentra a mesma dose por hectare em menos metros de sulco, elevando a grama por metro.
(iv) Cobertura em ureia. x = 70 ÷ 0,45 = 155,5556 kg/ha de ureia para entregar 70 kg/ha de N. Em plantio direto, a ureia aplicada em superfície sobre a palhada sofre hidrólise pela urease e libera amônia, que volatiliza; sem chuva ou incorporação logo após a aplicação, e mais ainda sob calor e palhada, a perda pode ultrapassar um terço do nitrogênio. A mitigação passa por incorporar, aplicar antes de chuva prevista, usar um inibidor de urease (NBPT, que adia a hidrólise por alguns dias) ou trocar a fonte por nitrato ou sulfato de amônio.