Aula 10: Manejo Integrado de Pragas em Cereais · GABARITO COMENTADO (Blocos B e C)¶
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Bloco B: Consolidação da Aula 10¶
B1. Gabarito: (c). O grupo IRAC codifica o mecanismo de ação (a primeira reação bioquímica inibida). Aplicar em sequência dois produtos de mesmo grupo IRAC, ainda que de marcas ou classes químicas diferentes, equivale, para a seleção de resistência, a aplicar o mesmo produto duas vezes; a rotação verdadeira alterna grupos IRAC distintos. (a) confunde marca com ingrediente ativo: um mesmo ingrediente ativo aparece sob dezenas de marcas. (b) supõe que nome comercial diferente garante mecanismo diferente, exatamente o erro que o código IRAC serve para desfazer. (d) troca o dado decisivo: rotacionar o nome comum (ingrediente ativo) ainda pode repetir o mesmo mecanismo; o que importa é o grupo IRAC. Objetivo: relacionar a classificação por mecanismo (IRAC) à rotação como manejo de resistência. Bloom: analisar.
B2. Gabarito: (a). Na fórmula NDE = C ÷ (V × I × D × K), o preço do cereal (V) está no denominador; quando a cotação sobe, o denominador cresce e o NDE cai, de modo que passa a valer a pena controlar em densidade menor, porque cada planta salva vale mais. Com o grão em baixa, o NDE sobe e tolera-se infestação maior. (b) repete o erro que o texto combate: o NDE não é número fixo tabelado, é alvo móvel recalculado a cada safra e cotação. (c) inverte a direção: com o grão em baixa cada planta vale menos, o que adia (não antecipa) a intervenção. (d) reconhece que C importa (está no numerador), mas nega, erradamente, o efeito do preço, que também desloca o limiar. Objetivo: interpretar a dependência do NDE em relação ao preço e ao custo. Bloom: analisar.
B3. Gabarito: (d). Sugadores (pulgões, percevejos, cigarrinhas) pedem inseticidas sistêmicos, absorvidos e translocados pelo floema, onde o inseto se alimenta; é também a base do tratamento de sementes para a fase inicial. (a) trata o pulgão como praga exposta de contato, mas a colônia se alimenta no floema e um produto superficial de contato exige cobertura que raramente o alcança. (b) a fumigação só age em recinto fechado e hermético (expurgo de grãos), não em lavoura. (c) um produto de ingestão não translocado depende de o inseto consumir tecido superficial, o que não descreve um sugador de floema. Objetivo: relacionar o comportamento alimentar da praga à via de entrada e à translocação do inseticida. Bloom: aplicar.
B4. Gabarito: (b). A coexistência é obrigação legal que protege o direito do vizinho de colher milho convencional livre de contaminação; o manejo da resistência de insetos (refúgio) é recomendação da CTNBio que retarda a seleção de lagartas resistentes. São finalidades diferentes na mesma lavoura. A bordadura de coexistência pode servir de refúgio, mas só se nela não se usar bioinseticida à base de Bt e se totalizar ao menos 10% da área Bt; abaixo disso, exige refúgio adicional, logo não é automático. (a) trata como automático o que é condicional. (c) contraria o mecanismo: a alta dose mata os suscetíveis (SS) e os heterozigotos (RS), deixando vivos os raros homozigotos resistentes (RR), que o refúgio serve para diluir. (d) inverte a herança: a estratégia de alta dose com refúgio pressupõe resistência recessiva, não dominante. Objetivo: distinguir coexistência (legal) de refúgio/MRI e avaliar sua função. Bloom: avaliar.
B5. (aberta) Resposta esperada. (i) A lagarta-do-cartucho ataca as cinco culturas e é polífaga: um inseto mastigador polífago se desloca fisicamente de uma lavoura à outra e a troca de espécie na rotação não funciona como barreira. O milheto não é hospedeiro secundário, e sim preferencial, produzindo mais adultos por metro quadrado que o próprio milho; milheto de cobertura entre dois milhos mantém a população-fonte da praga em plena entressafra (ponte verde aberta), agravando em vez de aliviar. (ii) O nível de controle acompanha a arquitetura e o sistema: no milho, 3 mariposas por armadilha por noite, pulverizando 10 dias após a captura com lagartas de cerca de 10 mm (dano de até 50% na produtividade); no sorgo, 3 mariposas por noite ou 20% de plantas infestadas em 3 pontos por gleba (perda de até 27% no peso de grãos, incidência subindo mais de 50% na safrinha); no arroz, 10% de plantas com dano ou pelo menos 1 lagarta viva por metro quadrado (critério MT), ou 25% a 30% de folhas atacadas na vegetativa; no milheto, apenas levantamento de campo, sem inseticida registrado, orientando controle biológico e cultural. A rotação entre essas três culturas não escapa da praga, que ainda se multiplica melhor no milheto. Objetivo: comparar pragas e níveis de controle entre culturas e criticar a rotação como barreira. Bloom: analisar.
B6. (aberta) Resposta esperada. (i) O inseticida de amplo espectro provoca ressurgência: elimina o controle biológico natural (parasitoides Aphidius spp. e predadores como joaninhas, Chrysoperla externa e sirfídeos, que podem suprimir mais de 95% do crescimento populacional) e libera uma explosão de pulgões maior que a infestação original. (ii) Como o dano direto do pulgão (sucção, fumagina) costuma ser menos grave que o indireto (vetoração de vírus) e como os inimigos naturais fazem de graça a maior parte do controle, matá-los troca um custo baixo por um problema caro; preservá-los é decisão econômica. Conduta recomendada: preferir produtos seletivos e sistêmicos (adequados a sugadores) e aplicar apenas ao atingir o nível de ação (por exemplo, 10% de plantas infestadas até o emborrachamento, ou 10 pulgões por espiga no espigamento), nunca por antecipação. O Programa de Controle Biológico de Pulgões do Trigo, de 1978, é a referência nacional dessa lógica. Objetivo: avaliar ressurgência e seletividade na decisão de controle de sugadores. Bloom: avaliar.
B7. (aberta) Resposta esperada. (i) O milho Bt disponível no Brasil age apenas contra Lepidoptera (lagarta-do-cartucho, broca-do-colmo, lagarta-da-espiga, lagarta-elasmo); a proteína Cry3Bb1, ativa sobre Diabrotica (Coleoptera), existe só em outros países. Além disso, o controle da lagarta-do-cartucho pela proteína Cry1F (evento TC1507) está comprometido desde 2011 por resistência de campo; nas tecnologias empilhadas, o controle do cartucho se sustenta pelas demais proteínas (Vip3Aa20, Cry1A.105, Cry2Ab2), não pelo Cry1F isolado. Uma tecnologia de proteína única contra o cartucho não deve ser tratada como controle confiável. (ii) As toxinas Cry não atuam sobre sugadores nem sobre pragas subterrâneas, de modo que o tratamento de sementes continua necessário mesmo em milho Bt. E a transgenia é defensiva: preserva o potencial do híbrido contra o dano da praga-alvo, mas não aumenta o potencial produtivo; o NDE numa lavoura Bt é o mesmo de uma convencional, embora o nível de ação deva ser reconsiderado (não contar larvas muito pequenas, que morrerão pela toxina, e sim basear o gatilho na taxa de plantas com lagartas sadias de tamanho médio). Objetivo: avaliar o espectro e os limites da tecnologia Bt. Bloom: avaliar.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico¶
C1. (cálculo) Resolução (4 casas decimais).
(i) Denominador = V × I × D × K = 0,60 × 2 × 5 × 0,80 = 4,8000.
NDE = C ÷ (V × I × D × K) = 120 ÷ 4,8 = 25,0000 indivíduos/ha.
(ii) Com V = 0,90: denominador = 0,90 × 2 × 5 × 0,80 = 7,2000. NDE = 120 ÷ 7,2 = 16,6667 indivíduos/ha.
(iii) Com C = 240 e V = 0,60: denominador = 4,8000 (inalterado). NDE = 240 ÷ 4,8 = 50,0000 indivíduos/ha.
Comentário: o preço do cereal está no denominador, então valorizar o milho de 0,60 para 0,90 R$/kg fez o NDE cair de 25,0000 para 16,6667 indivíduos/ha: com o grão mais caro, cada planta salva vale mais, e compensa controlar em densidade menor. O custo do controle está no numerador, então dobrá-lo elevou o NDE de 25,0000 para 50,0000 indivíduos/ha: controle mais caro adia a intervenção, tolerando infestação maior. Confirma-se que o NDE não é constante da praga, e sim um alvo móvel que o agrônomo recalcula a cada safra e cotação. Objetivo: aplicar a fórmula do NDE e interpretar sua sensibilidade ao preço e ao custo. Bloom: aplicar/avaliar.
C2. (diagnóstico a partir de amostragem) Diagnóstico esperado.
(i) Controlar. O nível de controle da lagarta-do-cartucho no milho é 3 mariposas por armadilha por noite; a média de 5 o ultrapassa. Recomenda-se pulverizar cerca de 10 dias após a captura, com as lagartas em torno de 10 mm.
(ii) Não controlar. O nível de controle da mosca-do-sorgo é de 1 fêmea por panícula em levantamentos a cada 3 dias no florescimento; 0,5 fêmea por panícula está abaixo do limiar. Manter o monitoramento a cada 3 dias, pois o florescimento é a fase crítica.
(iii) Não controlar. Para Diceraeus furcatus no trigo, o nível de controle na fase vegetativa é 4 por metro quadrado (e 2 por metro quadrado na reprodutiva); 3 por metro quadrado na vegetativa ainda não atinge o gatilho. Seguir monitorando, sobretudo rumo ao emborrachamento.
(iv) Controlar. O nível de controle do percevejo-do-grão Oebalus spp. é de 1 percevejo por 4 panículas (ou seja, 0,25 por panícula). A densidade observada, 1 a cada 3 panículas (cerca de 0,33 por panícula), supera esse limiar, o que recomenda o controle no enchimento de grãos.
Objetivo: interpretar dados de monitoramento e decidir o controle em cada cultura, comparando limiares. Bloom: analisar/avaliar.