Aula 11: Manejo Integrado de Doenças dos Cereais · Gabarito comentado (Blocos B e C)¶
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Use este gabarito só depois de ter tentado responder por conta própria. As questões do Bloco A não estão aqui: elas serão discutidas em sala no início da Aula 12.
Bloco B: Consolidação¶
B1. (múltipla escolha) Gabarito: (c). O clima é o vértice mais variável do triângulo da doença; patógeno e hospedeiro suscetível estavam presentes nas duas safras, mas só num ano a janela de molhamento e temperatura favoráveis se abriu, e por isso a mesma área alterna perda severa e sanidade sem mudança de manejo. (a) erra na biologia da ferrugem, que é biotrófica obrigada, não sobrevive em restos culturais e chega pelo urediniósporo levado pelo vento, de modo que a fonte de inóculo não é a palha da área. (b) supõe que resistência quebrada se recupera, o que não ocorre: a seleção de nova raça é irreversível na população do patógeno. (d) inventa um efeito reversível da adubação sobre a resistência que o texto não sustenta.
B2. (múltipla escolha) Gabarito: (a). A giberela (Fusarium graminearum) tem como sinal distintivo o desvio das aristas, que se afastam e ficam arrepiadas, coloniza espiguetas isoladas (brancas intercaladas com verdes) e mostra micélio salmão na base da espigueta. A brusone (Magnaporthe oryzae) mantém as aristas na posição e branqueia de forma contínua toda a porção acima de um ponto escurecido na ráquis. (b) atribui à brusone justamente os sinais da giberela (aristas arrepiadas, espiguetas isoladas). (c) nega o valor da diagnose de campo, quando o texto mostra que o comportamento das aristas separa as duas sem laboratório. (d) troca o sinal: o micélio salmão é da giberela; a brusone esporula em cinza sob umidade, não em salmão.
B3. (aberta) Resposta esperada. (i) Funciona contra os biotróficos obrigados (ferrugens, carvões), que dependem de tecido vivo do genótipo hospedeiro e têm especificidade estrita de hospedeiro; trocar a espécie remove o hospedeiro e interrompe o ciclo. Exemplo entre culturas: a ferrugem do sorgo (Puccinia purpurea) não infecta milho e a ferrugem do milho (P. sorghi) não infecta sorgo, de modo que alternar essas espécies é barreira real. (ii) Falha contra os necrotróficos de palha e os fungos de solo, cujo inóculo persiste independentemente da espécie plantada por cima. O ensaio do FFSC (F. verticillioides, F. proliferatum, F. thapsinum e F. andiyazi) inoculou isolados de cada espécie, cada um de uma cultura de origem, contra milho, sorgo e milheto: todas induziram podridão de colmo nas três culturas, independentemente do hospedeiro de origem do isolado (isolados vindos do milho infectaram sorgo e milheto, e assim por diante). Não há especificidade de hospedeiro, então a rotação milho, sorgo e milheto pode estar reciclando o mesmo pool de Fusarium entre as três. (iii) No lugar da rotação entram o manejo de resíduo, a cultivar resistente e o tratamento de semente, além de considerar o histórico da área na decisão.
B4. (múltipla escolha) Gabarito: (d). A cercosporiose ou mancha-cinzenta tem como traço diagnóstico a mancha retangular limitada pelas nervuras (contorno em barra), surge primeiro nas folhas baixeiras e é necrotrófica de palha, favorecida pela sucessão milho sobre milho em plantio direto, que deixa a palha infectada como fonte de inóculo. (a) descreve a doença certa como fusiforme, mas o turcicum é justamente a lesão fusiforme não limitada pelas nervuras; a forma retangular exclui o turcicum. (b) aponta a helmintosporiose, cuja mancha é oval e arredondada, não retangular nem em barra. (c) confunde mancha com pústula: a ferrugem é pústula pulverulenta que solta pó, não mancha limitada por nervura.
B5. (múltipla escolha) Gabarito: (b). O mancozebe é multissítio (atinge vários processos do fungo, o que exige múltiplas mutações e dá baixo risco de resistência), atua por contato (não penetra, protege só o que foi coberto) e é protetor (forma barreira antes da infecção); é exatamente por isso o parceiro anti-resistência ideal para associar ao sistêmico unissítio na mesma calda. (a) e (d) classificam o mancozebe como unissítio/sistêmico de alto risco, perfil dos triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, não de um multissítio. (c) acerta contato, mas erra ao chamá-lo de unissítio e de erradicante, contradizendo o baixo risco que ele mesmo enuncia (unissítio implicaria alto risco).
B6. (múltipla escolha) Gabarito: (a). O limite máximo tolerado depende da matriz e do grau de processamento. Para trigo em grão destinado a posterior processamento, o LMT de DON é 2.000 µg/kg, de modo que 1.400 µg/kg está abaixo e o lote é aprovado. (b) usa o limite de 1.000 µg/kg, que é o da farinha de trigo, matriz errada para o grão bruto. (c) usa os 1.250 µg/kg do trigo integral, também matriz diferente da do grão para processamento. (d) aplica ao trigo o limite de 750 µg/kg do arroz beneficiado, cruzando culturas distintas, e o erro clássico é justamente casar a análise com o limite errado.
B7. (aberta) Resposta esperada. (i) A resistência a fungicida é evolução acelerada dentro da lavoura: cada aplicação de um fungicida unissítio elimina os indivíduos sensíveis e deixa os poucos que já carregam a mutação de resistência, que se multiplicam sem competição na aplicação seguinte. Como a estrobilurina é de sítio único (respiração, complexo III, sítio Qo), uma única mutação basta para conferir resistência, e o grupo 11 é classificado como de alto risco; quanto mais vezes o mesmo mecanismo é repetido, mais rápido a população resistente domina. (ii) Violou o "nunca aplicar o grupo de alto risco isolado, sempre em mistura com um multissítio", o "limitar o número de aplicações do mesmo grupo por safra" e o "rotacionar mecanismos de ação (códigos FRAC diferentes)". Também se aplica não usar dose reduzida do unissítio. (iii) O texto faz o paralelo com o expurgo: assim como subdosar a fosfina seleciona praga resistente sem eliminar a infestação, repetir o mesmo grupo de fungicida ou reduzir sua dose seleciona fungo resistente sem controlar a doença; nos dois casos é o pior dos mundos, gasta o produto e piora o problema.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico¶
C1. (cálculo) Resolução (4 casas decimais).
(i)
Valor da lavoura corrigido pela eficiência = Y × P × Ec = 9.000 × 0,60 × 0,75 = 4.050 R$/ha. d ≥ Cc / (Y × P × Ec) = 220 ÷ 4.050 = 0,0543, ou seja, cerca de 5,43% de dano. Leitura: se a projeção é de que deixar a doença progredir custaria mais de 5,43% da produtividade, a aplicação se paga; se a perda projetada for menor, não se paga.
(ii) Com P = 0,80: Y × P × Ec = 9.000 × 0,80 × 0,75 = 5.400 R$/ha. d ≥ 220 ÷ 5.400 = 0,0407, cerca de 4,07% de dano. O limiar cai (de 0,0543 para 0,0407) quando o preço sobe, porque cada ponto de produtividade salvo passa a valer mais; com o grão mais caro, compensa aplicar por um dano menor. É a mesma lógica do texto: o limiar cai quando o preço do grão sobe ou o custo do fungicida cai, e sobe quando a lavoura vale menos.
C2. (diagnóstico integrado) Diagnóstico esperado. A confiança só na rotação é equivocada por dois motivos que se somam. Semente: a brusone (Magnaporthe oryzae) sobrevive na semente de trigo por 19 a 22 meses, com taxa de transmissão por semente de 28%; doença que entra por semente escapa da barreira da rotação, porque não depende de sobrevivência do inóculo na área, e o lote contaminado leva o patógeno para o sulco de forma uniforme, gerando infecção precoce. Semente de origem desconhecida, vinda de área com histórico da doença, é fonte direta de inóculo. Arroz para trigo: a cross-infectividade é assimétrica e confirmada, o isolado do arroz infecta o trigo, enquanto o isolado do trigo não infecta o arroz; portanto trigo semeado em sucessão a arroz corre risco real de brusone, e o fluxo de risco tem direção única justamente contra a cultura que ele vai plantar. Some-se que o fungo sobrevive na palha por até cinco meses. Recomendação: não confiar na rotação isolada; partir de semente sadia de origem conhecida, com sanidade avaliada em laboratório quando possível, e fazer tratamento de semente na sequência correta (semente sadia, fungicida com espectro para os patógenos esperados, cobertura uniforme da semente, dose e compatibilidade respeitadas sem sobredosagem). O tratamento de semente de trigo é medida de peso, não acessória, independentemente da direção do fluxo foliar.