Aula 12: Produtividade, Colheita e Sistemas de Produção · Gabarito comentado (Blocos B e C)¶
Tip
Gabarito dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito: é discutido na sessão de encerramento da disciplina. Confira sua resposta depois de tentar. Leia os comentários das alternativas erradas: cada distratora corresponde a um erro conceitual específico que vale reconhecer.
Bloco B: Consolidação da aula¶
B1. Gabarito: (b). O rendimento é produto de componentes, não soma; com metade das flores estéreis, o componente grãos por espiga (fração fértil) cai à metade e arrasta o resultado, por melhor que esteja espigas/m². Pela Lei do Mínimo, age-se no componente estrangulado (a fração fértil), e o nitrogênio tardio não recria grãos cuja janela (antese mais dez dias) já fechou. (a) supõe que o N tardio recupera flores abortadas, quando a janela do componente está fechada e não se recupera por manejo posterior. (c) troca produto por soma: o excesso de espigas não compensa por adição a perda na fração fértil. (d) identifica o componente limitante errado (massa do grão) quando o estrangulado é a fração fértil.
B2. Gabarito: (a). O regulador se justifica pelo risco de tombamento (alto potencial, muito nitrogênio, adensamento, cultivar propensa), não por rotina, e sua época segue a fenologia: início do alongamento do colmo (no trigo, estádios Zadoks 30 a 32), quando os entrenós basais ainda vão alongar. No trigo tropical de sequeiro, de porte baixo e potencial moderado, costuma ser dispensável. (b) erra a época (o fim do enchimento está muito além da janela dos entrenós) e supõe que o produto recupere colmo, o que ele não faz. (c) encurtar uma cultivar já de porte baixo e sem risco não traz ganho e pode reduzir a produtividade. (d) erra a época (emergência, antes do alongamento) e aplica sem risco nas duas lavouras.
B3. Gabarito: (c). A variável mais sensível é o conjunto cilindro-côncavo, função direta da umidade do grão: grão úmido pede folga menor e rotação maior; grão seco, o oposto (folga maior, rotação menor). A regulagem da manhã, feita para grão úmido, fica agressiva à tarde, quando o grão secou, e por isso quebra. (a) nega a dependência da umidade e culpa apenas a velocidade de deslocamento. (b) inverte o estado do grão (à tarde ele seca, não umedece) e recomenda o ajuste oposto ao correto. (d) atribui a quebra ao molinete, cuja regulagem controla a perda à frente da plataforma (grãos derrubados), não a quebra que ocorre na trilha.
B4. Gabarito: (d). No grão gessado os grânulos de amido ficam frouxamente arranjados, com microespaços de ar que espalham a luz e deixam a região branca e opaca; no fundo é um grão que parou de encher antes de terminar de compactar o amido. Uma das causas é a colheita de grão imaturo com umidade acima de 26% (aqui, 27%), somada a noites quentes acima de 25 °C e ao dano de percevejo. (a) descreve o grão normal (amido bem compactado é translúcido), invertendo o defeito, e o normal não é frágil por isso. (b) atribui a causa apenas à secagem e nega os fatores de campo, que o texto lista como origem. (c) nega o impacto econômico: o gessado é frágil, quebra no polimento, derruba o rendimento de grãos inteiros e conta como defeito na tipificação.
B5. (aberta) Resposta esperada. (i) A PN é perda de pré-colheita: são grãos já caídos por degrane, acamamento, quebra de colmo ou ataque de pragas e aves, antes de a colhedora passar. Regular o cilindro e o côncavo atua sobre a trilha, ou seja, sobre a PMI, que neste caso está baixa; mexer nessa regulagem não recolhe grão que já estava no chão antes da máquina. A correção da PN não é sobre a colhedora. (ii) PN alta aponta para cultivar suscetível a degrane ou acamamento, atraso de colheita ou clima adverso, não para a máquina. A ordem importa porque, uma vez que a colhedora passou, não há mais como isolar o que já estava caído do que a máquina derrubou; medir a PN antes de entrar no talhão é o que separa a perda de campo da perda de máquina e evita atribuir à colhedora um problema que é de manejo.
B6. (aberta) Resposta esperada. (i) Para semente, a temperatura da massa é mais baixa (cerca de 40 a 45 °C), porque o calor reduz a germinação, com dano imediato e latente. Para grão de consumo, admite-se temperatura mais alta, limitada pela qualidade industrial: no trigo, acima de 60 °C desnatura o glúten, dano irreversível. O limite depende do destino do grão. (ii) A secagem intermitente intercala períodos de repouso, e o repouso deixa a umidade do interior do grão migrar para a superfície, reduzindo o gradiente interno de umidade; a secagem contínua a alta temperatura (ou o choque térmico) cria esse gradiente, e com ele as trincas e fissuras que reduzem o rendimento de grãos inteiros no beneficiamento. (iii) No Cerrado o risco é o oposto do excesso de umidade: o ressecamento excessivo. Em ambiente quente e seco (30 °C e 40% de umidade relativa), o grão, higroscópico, equilibra-se por volta de 9%, abaixo do desejado, com perda de peso e de qualidade culinária.
B7. (aberta) Resposta esperada. (i) No consórcio, duas ou mais espécies crescem juntas, na mesma área e ao mesmo tempo (milho e braquiária semeados na mesma operação): é um arranjo espacial e simultâneo de plantio. Na integração (ILP, ILPF), combinam-se componentes do sistema produtivo (lavoura, pecuária e, com árvores, floresta), que se organizam por rotação, sucessão ou consórcio: é um arranjo de sistema, de escala maior que a operação de plantio. O consórcio milho-braquiária viabiliza a ILP porque produz, na mesma safra, o grão e a pastagem que sustentam a fase pecuária: o consórcio é a ferramenta que a integração usa. (ii) Semeadura simultânea reduz operações, mas exige que a cultura principal tenha vantagem competitiva inicial (o milho, de crescimento rápido e porte alto, é o mais usado); semeadura defasada atrasa a forrageira para reduzir a competição na fase mais sensível da cultura principal, indicada quando a forrageira é agressiva no início. O princípio é o equilíbrio competitivo. (iii) Porque, destinado à cobertura ou à forragem, o "rendimento" do milheto se mede em matéria seca, cobertura e ciclagem de nutrientes, não em sacas; o índice de colheita baixo empurra nessa direção, e a decisão integra critério agronômico, econômico e ambiental (a palhada persistente sustenta o plantio direto, e o adubo residual da lavoura beneficia a pastagem seguinte). É escolha de sistema, não de lavoura isolada.
Bloco C: Cálculo e diagnóstico¶
C1. (cálculo de estimativa) Resolução (4 casas decimais).
(i) Trigo. Fórmula: Produtividade (kg/ha) = espigas/m² × grãos por espiga × MMG (g) ÷ 100. grãos/m² = 360 × 30 = 10.800. Produtividade = 10.800 × 34 ÷ 100 = 3.672,0000 kg/ha. Em sacas: 3.672 ÷ 60 = 61,2000 sc/ha. Fica na faixa média do trigo de sequeiro no Cerrado (2.400 a 4.000 kg/ha), coerente.
(ii) Milho.
Método Emater: Produtividade (kg/ha) = plantas/ha × espigas por planta × massa de grãos por espiga (kg).
massa de grãos por espiga = 14 fileiras × 30 grãos × 0,30 g = 126 g = 0,1260 kg.
Produtividade = 52.000 × 1 × 0,1260 = 6.552,0000 kg/ha (109,2000 sc/ha).
Método Illinois/Pioneer: Produtividade (kg/ha) = espigas em 4 m² × fileiras por espiga × grãos por fileira × 0,70.
espigas em 4 m² = (52.000 ÷ 10.000) × 4 = 5,2 × 4 = 20,8.
Produtividade = 20,8 × 14 × 30 × 0,70 = 6.115,2000 kg/ha (101,9200 sc/ha).
Diferença de cerca de 7%: o método Emater pesa o grão real (0,30 g, um pouco mais pesado que o padrão embutido no fator 0,70), por isso sobe um pouco em relação ao Illinois. Os dois caem na faixa média do milho safrinha (5.500 a 7.500 kg/ha), coerentes.
(iii) Correção de peso pela umidade. Pcu = Pc × (100 − Uc) ÷ (100 − U). Pcu = 12.000 × (100 − 17) ÷ (100 − 13) = 12.000 × 83 ÷ 87 = 11.448,2759 kg a 13%. Diferença = 12.000 − 11.448,2759 = 551,7241 kg, que não é perda de grão, e sim água que sai na secagem. Ignorar a correção faria o produtor vender água pelo preço do grão.
C2. (diagnóstico de perdas) Resolução (4 casas decimais).
Conversão: P (kg/ha) = 10 × M (g em 1 m²).
(i) PTT = (massa atrás − PN) × 10 = (11 − 1,5) × 10 = 95,0000 kg/ha. PPC = (massa no recuo − PN) × 10 = (8 − 1,5) × 10 = 65,0000 kg/ha. PMI (por diferença) = PTT − PPC = 95 − 65 = 30,0000 kg/ha.
(ii) Percentual = PTT × 100 ÷ produtividade = 95 × 100 ÷ 3.672 = 2,5871%. Limite tolerável do trigo = 60 kg/ha. A PTT (95 kg/ha) ultrapassa o limite, sinalizando necessidade de regulagem.
(iii) A PPC (65 kg/ha) domina sobre a PMI (30 kg/ha): a perda concentra-se na plataforma de corte. A correção é ajustar velocidade, altura de corte, molinete e caracol, não a trilha. Depois, repetir a medição de PTT.