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Gabarito comentado, Revisão da Unidade I (Aulas 01 a 04)

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Bloco B: Questões integradas

B1. Gabarito: (a). Cruza A01 × A02. O arroz é uma cariopse vestida: a casca (lema e pálea) é removida no descascamento antes mesmo de se chegar ao farelo (A02); o polimento por abrasão retira depois o farelo (pericarpo fundido ao tegumento) e o gérmen, justamente as frações mais ricas em fibra, vitaminas e minerais (A01). (b) inverte a ordem biológica e ainda remove o endosperma, que é a fração que permanece no grão polido. (c) é o erro central de transferência: só o arroz tem cariopse vestida; trigo, milho, sorgo e milheto têm cariopse nua. (d) contraria o fato de que o polimento remove o gérmen, o que faz o grão perder densidade nutricional. Aulas: A01 × A02. Bloom: analisar.

B2. (aberta) Cruza A02 × A04. (i) O trigo perfilha: a coroa emite múltiplos colmos e a planta compensa parcialmente falhas de estande, o que faz a população trabalhar numa faixa ampla (3,5 a 4,5 milhões de plantas/ha). O milho tem colmo único e dominância apical, não perfilha de forma útil, e cada planta é uma unidade produtiva quase fixa; a população precisa ser precisa (55 a 70 mil plantas/ha), sem compensação por perfilho (A02). (ii) Sob estresse térmico severo, mesmo o trigo perfilha pouco; a saída é elevar a população de plantas para compensar o perfilhamento reduzido, padrão do trigo tropical de sequeiro em MT (A02). (iii) Nas duas culturas está em jogo o número de inflorescências por m², componente que se define da emergência ao fim do perfilhamento (A04); depois dessa janela, o número de espigas/panículas por área já está fixado. Aulas: A02 × A04. Bloom: analisar.

B3. Gabarito: (b). Cruza A03 × A04. O sorgo é C4, com alta eficiência do uso da água (cerca de 271 contra 372 kg de água por kg de matéria seca do milho, A03) e menor necessidade hídrica no ciclo (350 a 500 mm contra 400 a 700 mm do milho), tolerando o déficit do fim da estação, o que o qualifica para a semeadura tardia da safrinha (A04). (a) erra o metabolismo: o sorgo é C4, não C3. (c) reconhece que ambos são C4, mas nega indevidamente a diferença de uso da água, que é justamente o fator decisivo. (d) supõe que o sorgo não sofre no florescimento, quando o florescimento é o estádio crítico de déficit hídrico do sorgo (e de todas as cinco culturas). Aulas: A03 × A04. Bloom: avaliar.

B4. (aberta) Cruza A01 × A02. (i) Milho e milheto são alógamos (milho por protandria, milheto por protoginia) e expressam vigor híbrido, mas as histórias de melhoramento divergiram: no milho, o esquema de Shull (1909) consolidou os híbridos que exploram a heterose, com compra de semente a cada safra; no milheto, o melhoramento brasileiro priorizou massa verde e palhada, não grão, e se firmou em variedades de polinização aberta (por exemplo a BRS 1501), multiplicáveis com amostra adequada (A01/A02). (ii) O trigo é autógamo (cleistogamia): fixa suas características e permite o modelo de cultivar homozigota; existe trigo híbrido no mundo, mas não no Brasil, porque o custo de produzir semente híbrida de uma autógama ainda não é compensado pelo ganho de vigor (A01/A02). (iii) No sorgo, autógamo de protandria parcial (com fração de alogamia), a macho-esterilidade viabiliza os híbridos ao dispensar a emasculação, o que permitiu o salto de rendimento e explica por que o sorgo usa, ao mesmo tempo, híbridos e variedades (A01/A02). Aulas: A01 × A02. Bloom: avaliar.

B5. Gabarito: (c). Cruza A04 × A02. No emborrachamento, a panícula do arroz já está formada mas permanece encerrada na bainha da folha-bandeira; nada aparece por fora, e é nessa fase que ocorre a microsporogênese, o momento mais sensível ao frio (A04). Detecta-se por palpação, não por inspeção visual. O milho é a exceção: a espiga se desenvolve encerrada nas palhas (inflorescência feminina axilar) e não há bota externa análoga; o momento crítico equivalente fica entre o pendoamento e a emissão dos estilos-estigmas (A02/A04). (a) nega o risco justamente na fase mais sensível. (b) afirma visibilidade externa que não existe e iguala indevidamente milho e arroz. (d) atribui ao milho uma folha-bandeira que encerra a espiga, quando a espiga do milho é axilar e envolta por palhas. Aulas: A04 × A02. Bloom: analisar.

B6. (aberta) Cruza A03 × A04. (i) No florescimento define-se o número de grãos (o dreno): cada estilo-estigma polinizado gera um grão, e o déficit hídrico resseca os estilos-estigmas, impedindo a germinação do pólen e o crescimento do tubo polínico; dois dias de déficit reduzem a produtividade em mais de 20%, de quatro a oito dias em mais de 50%, e nenhum manejo posterior recupera o grão não fixado (A04). Como o número de grãos é o componente que mais limita o rendimento do milho, perdê-lo é perda de teto (A03). (ii) Na fase vegetativa a planta ainda constrói área foliar e estande; o crescimento trava sob déficit, mas a divisão celular prossegue e a planta compensa depois, porque nenhuma janela de definição de grão fechou ainda (A03/A04). (iii) A produtividade é o produto de inflorescências/m² × grãos/inflorescência × fração fértil × massa do grão; cada componente fecha em sua janela e a queda em um deles se propaga ao resultado. Pela Lei do Mínimo, o componente mais limitado determina a produtividade por melhores que estejam os demais. Aulas: A03 × A04. Bloom: avaliar.

B7. Gabarito: (d). Cruza A01 × A04. O programa de conversão selecionou linhagens insensíveis ao fotoperíodo (e de menor estatura), eliminando a fotossensibilidade dos materiais africanos originais e liberando o cultivo fora da latitude de origem, inclusive na safrinha (A01/A04). (a) inverte o grupo fotoperiódico: o sorgo é de dias curtos, não passou a ser de dias longos. (b) confunde fotoperíodo com temperatura; a soma térmica continua governando a velocidade do ciclo. (c) inventa uma mudança de fotoperíodo pela estação, quando o que mudou foi a sensibilidade da planta, não o comprimento do dia. Aulas: A01 × A04. Bloom: analisar.

B8. Gabarito: (b). Cruza A03 × A02. Em genótipos produtivos, o dreno forte (a espiga) demanda tanto no fim do ciclo que a planta remobiliza intensamente as reservas do colmo; esvaziado e enfraquecido, o colmo tomba (o quebramento de colmo é o preço fisiológico de um dreno vigoroso, A03). O acamamento, por sua vez, rompe o floema e isola o que restava das reservas, cancelando a remobilização (A02). (a) reduz tudo ao nitrogênio e nega o vínculo com o enchimento, que é o cerne do caso. (c) inverte o mecanismo: o problema é o colmo esvaziado, não cheio. (d) inventa que a perda de fotossíntese engrossaria o colmo, o oposto do enfraquecimento por remobilização. Aulas: A03 × A02. Bloom: analisar.

B9. (aberta) Cruza A02 × A03. (i) O ponto de maturidade fisiológica é o momento em que o grão para de ganhar matéria seca (máximo peso seco e máximo vigor, marcado pela camada preta no milho); a partir dele rompe-se a ligação vascular e o grão apenas perde água. O dry down é o processo físico de perda de água que vem depois, ainda na planta, e é característica de cultivar (A03). (ii) O stay green mantém folhas e colmo verdes após a floração, o que prolonga a fonte e sustenta a planta em pé (A02), mas uma planta que fica verde por mais tempo tende a secar o grão mais devagar, retardando o dry down e a colheita; a vantagem de fonte e a desvantagem de secagem convivem no mesmo traço, então "ficar verde" não significa "colher mais cedo" (A03). (iii) No milho, o dry down é critério de escolha de híbrido; no sorgo, o stay green interage com o dry down, e o produtor precisa equilibrar manter a planta em pé contra secar o grão a tempo, evitando desgrane, trinca e exposição a chuvas e pássaros. Aulas: A02 × A03. Bloom: avaliar.


Bloco C: Cálculo e diagnóstico integrado

C1. (cálculo integrado) Cruza A04 (graus-dia, correção de TB) × A03 (respiração e enchimento). Fórmula: GD do dia = (T máx + T mín) ÷ 2 − Tb, usando TB no lugar da máxima quando a máxima ultrapassa a basal superior. (i) Dia a dia: (1) (30 + 18) ÷ 2 − 10 = 24,0000 − 10 = 14,0000
(2) (32 + 20) ÷ 2 − 10 = 26,0000 − 10 = 16,0000
(3) máxima 38 > 35, usa-se TB = 35: (35 + 22) ÷ 2 − 10 = 28,5000 − 10 = 18,5000
(4) (31 + 19) ÷ 2 − 10 = 25,0000 − 10 = 15,0000
(5) (33 + 21) ÷ 2 − 10 = 27,0000 − 10 = 17,0000
(6) (34 + 20) ÷ 2 − 10 = 27,0000 − 10 = 17,0000
GD acumulado = 14 + 16 + 18,5 + 15 + 17 + 17 = 97,5000 °C-dia.

(ii) GD diário a temperatura média constante = média − Tb. A 19 °C: GD/dia = 19 − 10 = 9 °C-dia → 450 ÷ 9 = 50,0000 dias. A 31 °C: GD/dia = 31 − 10 = 21 °C-dia → 450 ÷ 21 = 21,4286 dias (o texto arredonda para cerca de 21).

(iii) A cultivar acumula praticamente o mesmo total de graus-dia, mas na safra quente percorre esse total em menos dias de calendário, porque acumula mais calor por dia. O problema é a respiração: noites (e dias) quentes elevam a respiração de manutenção, que consome à noite os fotoassimilados fixados durante o dia; sob temperaturas diurnas acima de 35 °C e noturnas acima de 24 °C, a taxa de acúmulo de matéria seca no grão e a duração do enchimento caem. O ciclo mais curto e a maior queima respiratória reduzem a massa por grão, mesmo com o graus-dia "completo" (A03). É a mesma razão pela qual a maior altitude, ao baixar a temperatura noturna, alonga o enchimento e aumenta a massa do grão. Aulas: A04 × A03. Bloom: aplicar/analisar.

C2. (cálculo integrado) Cruza A04 (modelo multiplicativo, janelas) × A02 (perfilhamento e inflorescências/m²). Modelo: Produtividade = inflorescências/m² × grãos/inflorescência × fração fértil × massa do grão. (i) 450 × 32 × 0,90 × 0,035 = 450 × 32 = 14.400; × 0,90 = 12.960; × 0,035 = 453,6000 g/m². Em kg/ha: 453,6000 × 10 = 4.536,0000 kg/ha. (ii) Com fração fértil 0,65: 450 × 32 × 0,65 × 0,035 = 14.400 × 0,65 = 9.360; × 0,035 = 327,6000 g/m² = 3.276,0000 kg/ha. Perda absoluta = 4.536,0000 − 3.276,0000 = 1.260,0000 kg/ha. Perda percentual = 1.260 ÷ 4.536 × 100 = 27,7778% (igual à queda proporcional da fração fértil: 1 − 0,65/0,90). (iii) O componente atingido é a fração de grãos férteis, que se define na microsporogênese (emborrachamento) e na antese; o frio nessa janela causa esterilidade irreversível (A04). O primeiro componente da conta, espigas por m², define-se da emergência ao fim do perfilhamento: como o trigo perfilha, a coroa emite múltiplos colmos e o número de espigas/m² se ajusta numa faixa ampla de população, ao contrário do milho de colmo único, em que cada planta é uma unidade quase fixa (A02). Aulas: A04 × A02. Bloom: aplicar/analisar.

C3. (cálculo integrado) Cruza A03 (eficiência do uso da água, Aldrich) × A04 (necessidade hídrica e safrinha). (i) Água = coeficiente × 7.500 kg MS/ha; mm = kg/ha ÷ 10.000. Sorgo: 271 × 7.500 = 2.032.500 kg/ha ÷ 10.000 = 203,2500 mm. Milho: 372 × 7.500 = 2.790.000 kg/ha ÷ 10.000 = 279,0000 mm. Trigo: 505 × 7.500 = 3.787.500 kg/ha ÷ 10.000 = 378,7500 mm. (ii) Economia do sorgo frente ao trigo = 378,7500 − 203,2500 = 175,5000 mm (o sorgo gasta 203,25 ÷ 378,75 = 53,6634% da água do trigo). (iii) O sorgo, C4 de alta eficiência do uso da água, produz a mesma matéria seca com muito menos água; somado à menor necessidade hídrica no ciclo (350 a 500 mm) e ao ciclo curto, isso prevê que sorgo (e milheto) fecham a segunda safra com menor risco que o milho quando as chuvas cessam cedo, o que sustenta as janelas tardias de fevereiro a março no ZARC de MT (A04). Aulas: A03 × A04. Bloom: aplicar/avaliar.

Observação de convenção: o coeficiente de Aldrich é uma razão de transpiração (água por matéria seca), não a necessidade hídrica total do ciclo (evapotranspiração) da tabela da A04; os dois conceitos não são a mesma grandeza. O item (iii) usa o ranking de eficiência de forma qualitativa.