Gabarito comentado, Revisão da Unidade II (Aulas 05 a 08)¶
Tip
Gabarito comentado dos Blocos B e C. O Bloco A não tem gabarito aqui: ele é discutido em sala. Confira só depois de tentar. Cada comentário diz por que a correta está certa e por que cada distratora é tentadora.
Bloco B¶
B1. Gabarito: (b). Cruza A05 × A06. Semear a F2 do híbrido provoca queda de 15% a 40% e desuniformidade, porque a meiose segrega os alelos e a heterose se dissipa (A05); e o milho de folha ereta é exigente em população, não compensa vazios por perfilhamento (cada planta, uma espiga), de modo que reduzir a densidade abre mão de rendimento que não volta (A06). (a) supõe que o híbrido simples não segrega, quando ele é heterozigoto uniforme só na F1; (c) inventa uma compensação que não existe, densidade baixa não corrige desuniformidade; (d) é o erro central e a alternativa mais longa: adensar não recompõe heterose, que depende do arranjo heterozigoto da F1. Aulas cruzadas: A05 × A06. Bloom: avaliar.
B2. (aberta) Cruza A07 × A08. (i) V < 50% torna o solo distrófico (pobre em bases); m < 50% torna-o não álico (o alumínio não domina a troca): ácido e pobre em bases, mas sem alumínio para envenenar a raiz (A07). O fator que mais limita é a própria saturação por bases, aquém do alvo das culturas de grão. (ii) Domina o método 1 (saturação por bases), padrão do Cerrado, porque o alvo de V2 costuma ser alto e a distância para o V atual é grande. Escolhe-se a maior das três doses porque mais calcário ajuda nos três objetivos ao mesmo tempo (sobe V, precipita Al, fornece Ca e Mg): a dose que satisfaz o objetivo mais exigente contém as menores; é a lógica do elo mais fraco (A08). (iii) O gesso é sal neutro, não base: leva cálcio e amansa alumínio em profundidade, mas não corrige pH nem V (A08). A escolha do tipo de calcário não é preço: olha-se o magnésio do solo e a relação Ca:Mg, com Mg baixo (< 0,5 cmolc/dm³) mandando dolomítico e Mg adequado liberando o calcítico ou magnesiano, que corrigem a acidez igual e custam menos. Aulas cruzadas: A07 × A08. Bloom: analisar/avaliar.
B3. Gabarito: (a). Cruza A06 × A08. A palhada do plantio direto concentra urease, e por isso o SPD é justamente o sistema onde a perda por volatilização tende a ser maior (A06/A08); a ureia hidrolisa a carbonato de amônio, que libera amônia gasosa. O NBPT compra tempo (atrasa a hidrólise por alguns dias), mas só vira ganho se a chuva vier incorporar o N; sem chuva, a perda acontece assim mesmo (A08). (b) inverte: a palhada agrava, não protege; (c) nega a física da volatilização; (d) é o erro mais perigoso e a alternativa mais longa: o inibidor desloca o prazo, não anula a perda. Aulas cruzadas: A06 × A08. Bloom: avaliar.
B4. Gabarito: (c). Cruza A06 × A07. O benefício do Azospirillum em gramínea é a arquitetura radicular (auxinas multiplicam raízes laterais e aprofundam o sistema), não a fixação de N (A06); mas a compactação de 5 a 20 cm concentra as raízes em 0 a 5 cm, deixando a planta refém do veranico (A06). Com a raiz presa, corta-se a água que carrega os nutrientes de fluxo de massa e o acesso aos nutrientes de difusão (P e micronutrientes), que dependem de a raiz explorar volume de solo (A07). (a) é verdade que o inoculante não substitui N, mas não é a causa da murcha, que é hídrica; (b) erra ao dizer que só o K chega por difusão (P e micrometais também) e a murcha é de água; (d) é absurda e a mais longa: nenhum inoculante aprofunda raiz através de camada compactada. Aulas cruzadas: A06 × A07. Bloom: analisar.
B5. (aberta) Cruza A05 × A07. O baixo grão do milheto não é limite da espécie, é escolha de melhoramento: o programa nacional priorizou a palhada, com índice de colheita de 0,20 a 0,35 contra 0,34 a 0,45 de materiais experimentais; sob o mesmo manejo, cultivares nacionais rendem 2,68 t/ha e africanas 4 t/ha, com potencial genético de até 6 t/ha, prova de que a diferença é genética (A05). Pouco grão não significa pouca extração: o milheto extrai e recicla enorme quantidade de nutriente na parte aérea, com N e K dominantes e relação C/N muito alta (70:1 a 100:1), o que o torna extrator e reciclador intenso apesar da baixa exportação no grão (A07). Consequência para a adubação: a C/N alta imobiliza temporariamente o nitrogênio da cultura seguinte, exigindo planejar N extra (ou parcelamento) para essa cultura, sob pena de fome de N logo após a palhada. Extrair muito não é o mesmo que exportar muito, nem que exigir pouco. Aulas cruzadas: A05 × A07. Bloom: avaliar.
B6. Gabarito: (d). Cruza A07 × A08. O fósforo é imóvel no solo, retido por óxidos de ferro e alumínio, e chega à raiz por difusão (A07). Em solo pobre em P, espalhar a lanço maximiza o contato com a superfície fixadora do Cerrado e o solo sequestra o fósforo antes de a planta usar; localizar no sulco concentra o nutriente e engana a fixação. Em solo com P adequado ou alto, já há fósforo no perfil inteiro e o lanço fica liberado, ganhando velocidade (A08). (a) confunde imobilidade com ausência de perda: o P não lixivia, mas é fixado; (b) é excessiva, P alto não exige sulco; (c) inverte, solo pobre é onde o lanço mais desperdiça. A alternativa mais longa é a (a), distratora. Aulas cruzadas: A07 × A08. Bloom: avaliar.
B7. (aberta) Cruza A05 × A08. O milho é alógamo, dominado pelo híbrido, cujo teto vem da heterose; é a cultura de maior potencial, acumula muita matéria seca e enche um grão de alta exigência, entrando em faixas de expectativa altas (até 10 a 12 t/ha) com N de cobertura até 180 kg/ha, parcelado para doses acima de 100 kg/ha entre V4 a V6 e V8 a V10 (A05/A08). Sorgo e milheto são rústicos, de menor expectativa e menor exigência de P e K por tonelada: o sorgo pede N de cobertura de 30 a 110 kg/ha (4 a 6 t/ha) e o milheto de 40 a 60 kg/ha (2 a 3 t/ha) (A08). A dose nunca sai do fato de as três serem poáceas: sai da expectativa de produtividade (que depende do material escolhido e do ambiente) cruzada com o teor do solo (que aponta a coluna da tabela). Copiar a dose do milho superaduba o sorgo e o milheto e ignora que a personalidade nutricional é da espécie e da produtividade-alvo, não da família. Aulas cruzadas: A05 × A08. Bloom: analisar.
B8. Gabarito: (c). Cruza A06 × A08. O cloreto de potássio tem índice salino alto, e doses de K₂O acima de 50 kg/ha no sulco devem ser parceladas, porque o sal junto da semente inverte a osmose e desidrata a semente e a plântula, queimando o estande antes de a lavoura começar (A08/A06). Por isso 50 kg/ha ficam no sulco (no limite) e 10 escorrem para a cobertura. (a) inverte o índice salino, que é alto, não baixo; (b) exagera, até 50 kg/ha o sulco é seguro; (d) é a mais longa: o sulfato de potássio tem índice salino menor, não nulo, e não autoriza 60 no sulco. Aulas cruzadas: A06 × A08. Bloom: avaliar.
B9. Gabarito: (b). Cruza A05 × A06. No escalonamento de cultivares, no fim da janela usa-se material precoce, que fecha o ciclo antes do veranico e da chuva de colheita; ciclo tardio vai no início da época (A06). E o sorgo tolera o déficit hídrico que inviabilizaria o milho na fase reprodutiva, com datas-limite do ZARC superiores às do milho em todos os municípios, o que é sua vantagem no fechamento da safrinha (A05/A06). (a) erra: no milho o fotoperíodo praticamente não influencia (o ciclo é governado por genética e temperatura), e não se semeia a qualquer momento; (c) inverte a regra do escalonamento; (d) é falsa, o sorgo tem data-limite maior. Aulas cruzadas: A05 × A06. Bloom: avaliar.
Bloco C¶
C1. (cálculo integrado) Cruza A05 (folha ereta exige população alta) × A06 (cálculo da quantidade de sementes). (i) Recursos não limitantes (alta fertilidade, boa água, época ideal) e híbrido de folha ereta, tolerante ao adensamento, levam ao limite superior da faixa: 75.000 plantas/ha (A05/A06). Estande = população × espaçamento ÷ 10.000 = 75.000 × 0,45 ÷ 10.000 = 3,3750 plantas/m. (ii) Fração de estabelecimento = germinação × emergência = 0,90 × 0,90 (emergência padrão da disciplina) = 0,8100. Sementes/m = estande ÷ fração = 3,3750 ÷ 0,8100 = 4,1667 sementes/m (para a regulagem). (iii) Sementes/ha = população ÷ fração = 75.000 ÷ 0,8100 = 92.592,5926 sementes/ha. kg/ha = sementes/ha × PMS ÷ 1.000.000 = 92.592,5926 × 340 ÷ 1.000.000 = 31,4815 kg/ha.
Comentário: o híbrido de folha ereta só entrega o teto na densidade alta, e por isso a escolha do material (A05) puxa a população para o limite superior; a fração de 0,81 evita o erro de assumir emergência de 100%, que furaria o estande. Ignorar a emergência daria 75.000 ÷ 0,90 = 83.333,3333 sementes/ha, quase 9.300 sementes a menos por hectare (A06). Aulas cruzadas: A05 × A06. Bloom: aplicar.
C2. (cálculo integrado) Cruza A07 (índices do laudo) × A08 (calagem: três métodos e tipo de calcário). Calcário de PRNT 90%. (i) K em cmolc/dm³ = 39,1 ÷ 391 = 0,1000. SB = K + Ca + Mg = 0,1000 + 1,90 + 0,55 = 2,5500. Acidez potencial (H + Al) = 4,00 + 0,40 = 4,4000. T (CTC a pH 7) = SB + H + Al = 2,5500 + 4,4000 = 6,9500. V = (100 × SB) ÷ T = (100 × 2,5500) ÷ 6,9500 = 36,6906%. m = (100 × Al) ÷ (Al + SB) = (100 × 0,40) ÷ (0,40 + 2,5500) = 40 ÷ 2,9500 = 13,5593%. Fertilidade: V < 50% → distrófico; m < 50% → não álico (ácido e pobre em bases, sem alumínio tóxico) (A07). (ii) Método 1 (saturação por bases): NC = [(V2 − V1) × T] ÷ PRNT = [(60 − 36,6906) × 6,9500] ÷ 90 = [23,3094 × 6,9500] ÷ 90 = 162,0003 ÷ 90 = 1,8000 t/ha. Método 2 (neutralização do Al): NC = Al × 2 × (100 ÷ PRNT) = 0,40 × 2 × (100 ÷ 90) = 0,80 × 1,1111 = 0,8889 t/ha. Método 3 (Ca + Mg, argiloso Y = 3, maioria das culturas X = 2): NC = {(Al × Y) + [X − (Ca + Mg)]} × (100 ÷ PRNT) = {(0,40 × 3) + [2 − (1,90 + 0,55)]} × 1,1111 = {1,2000 + (2 − 2,4500)} × 1,1111 = {1,2000 − 0,4500} × 1,1111 = 0,7500 × 1,1111 = 0,8333 t/ha. Adota-se a maior: 1,8000 t/ha (método da saturação por bases, que domina no Cerrado). A maior dose contém as menores: ao subir o V corrige a acidez, precipita o pouco alumínio e repõe bases. (iii) Mg = 0,55 cmolc/dm³ é adequado (≥ 0,5); relação Ca:Mg = 1,90 ÷ 0,55 = 3,4545 (cálcio suficiente frente ao magnésio). O solo não precisa de magnésio extra: escolhe-se calcítico ou magnesiano, mais barato e que corrige a acidez igual; comprar dolomítico seria pagar por magnésio que o solo já tem.
Comentário: o diagnóstico (A07) define o que corrigir (bases, não alumínio), e a calagem (A08) traduz isso em tonelagem; o gesso não entraria aqui na superfície porque não corrige V. Aulas cruzadas: A07 × A08. Bloom: aplicar/analisar.
C3. (cálculo integrado) Cruza A08 (dose da tabela, fórmula NPK, kg/ha) × A06 (metros de sulco por hectare a partir do espaçamento). (i) Tabela de manutenção do trigo, 4,0 t/ha, colunas de teor adequado: N semeadura 20, P₂O₅ 70, K₂O 40 (kg/ha). A dose de semeadura é 20-70-40. O K₂O de 40 kg/ha está abaixo de 50, então cabe todo no sulco, sem parcelamento (A08). (O N de cobertura, 40 kg/ha, entra depois na fenologia.) (ii) Proporção = 20 : 70 : 40, dividindo por 20 = 1,0000 : 3,5000 : 2,0000. Multiplicando por 8 chega-se a 8-28-16, fórmula comercial de semeadura existente (o fator 4 daria 04-14-08, também existente, porém mais diluído; escolhe-se a mais concentrada, 08-28-16, pelo critério de concentração). Ancorando no fósforo (28% de P₂O₅): x = (100 × 70) ÷ 28 = 250,0000 kg/ha de 08-28-16. Conferência: N = 250 × 0,08 = 20,0000 (desejado 20, diferença 0); P₂O₅ = 250 × 0,28 = 70,0000 (diferença 0); K₂O = 250 × 0,16 = 40,0000 (diferença 0). Os três dentro de ±10 kg/ha. (iii) Metros de sulco por hectare = 10.000 ÷ espaçamento = 10.000 ÷ 0,20 = 50.000 m/ha (fórmula da Aula 06). Quantidade por metro = (kg/ha × 1.000) ÷ metros de sulco = (250 × 1.000) ÷ 50.000 = 5,0000 g/m.
Comentário: o teor do solo (A07) escolhe a coluna "adequado" e a expectativa escolhe a linha; a fórmula e a dose saem daí (A08); mas a recomendação só vira regulagem quando traduzida em g/m, e aí o espaçamento (A06) manda: errar o espaçamento erra a dose real na lavoura inteira, mesmo com os kg/ha corretos. Aulas cruzadas: A08 × A06. Bloom: aplicar.